{"id":729,"date":"2012-03-21T00:00:00","date_gmt":"2012-03-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/03\/21\/persisten-inequidades\/"},"modified":"2012-03-21T00:00:00","modified_gmt":"2012-03-21T03:00:00","slug":"persisten-inequidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/persisten-inequidades\/729\/","title":{"rendered":"Persisten inequidades"},"content":{"rendered":"<p>O mercado de trabalho brasileiro \u00e9 cada vez mais feminino sem que, no entanto, o rendimento delas se equipare ao dos homens. Esta contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 atestada pelo estudo &ldquo;Mulher no mercado de trabalho: perguntas e respostas&rdquo;, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) a partir da an\u00e1lise das s\u00e9ries da Pesquisa Mensal de Emprego de 2003 a 2011. Os n\u00fameros da pesquisa mostram ainda como a estrutura laboral est\u00e1 permeada por assimetrias de g\u00eanero.<BR>  <P>Apesar de atualmente elas representarem 52% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, segundo a pesquisa do IBGE, o sal\u00e1rio delas \u00e9 28% inferior ao dos homens, nos \u00faltimos tr\u00eas anos. O panorama serve para ilustrar como a estrutura social e de trabalho, no Brasil, reflete rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. De acordo com Cimar Azeredo, gerente da Coordena\u00e7\u00e3o de Trabalho e Rendimento do IBGE, os dados atestam a raiz cultural dessas diferen\u00e7as. De acordo com o estudo, 94,8% do servi\u00e7o dom\u00e9stico \u00e9 ocupado por mulheres, o mesmo n\u00famero de 2003. &ldquo;Profiss\u00f5es que envolvem cuidado, limpeza e afazeres dom\u00e9sticos s\u00e3o ocupadas majoritariamente por mulheres, o que explica, tamb\u00e9m, o porqu\u00ea da diferen\u00e7a de rendimento entre os sexos&rdquo;, explica Cimar Azeredo.<BR>  <P>A diferen\u00e7a de rendimento m\u00e9dio se d\u00e1 tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos anos de estudo. Um homem e uma mulher com a mesma escolaridade apresentam sal\u00e1rios distintos. Na \u00faltima Pesquisa Mensal de Emprego de 2011, uma mulher com 11 ou mais anos de estudo recebia em m\u00e9dia R$ 1.706,39 por m\u00eas, enquanto os homens de igual n\u00edvel educacional obtinham renda de R$ 2.467, 49. De acordo com a soci\u00f3loga e coordenadora-executiva da Escola Dieese de Ci\u00eancias do Trabalho, Sirlei M\u00e1rcia de Oliveira, a renda da mulher \u00e9 considerada secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos homens, mesmo elas possuindo atualmente n\u00edvel de escolaridade maior do que o dos homens.<BR>  <P>&ldquo;Historicamente, os homens sempre estiveram ligados ao mercado de trabalho, ao passo que as mulheres eram restritas ao ambiente dom\u00e9stico e \u00e0s responsabilidades reprodutivas e de cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Isso pode ser percebido atualmente na estrutura de trabalho. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tal vis\u00e3o se reflete na ideia de que as mulheres se envolvem menos com o trabalho. O empregador leva isso em considera\u00e7\u00e3o, inclusive vendo as mulheres sob a \u00f3tica do custo, com a licen\u00e7a maternidade, por exemplo. \u00c9 uma distor\u00e7\u00e3o baseada em pap\u00e9is de g\u00eanero. Homens e mulheres deveriam ter as mesmas responsabilidades e o mesmo tratamento no mercado de trabalho e dentro de casa&rdquo;, argumenta Sirlei de Oliveira.<BR>  <P>As horas trabalhadas tamb\u00e9m refletem desigualdades. De acordo com o estudo do IBGE, as mulheres trabalham, em m\u00e9dia, 39,2 horas por semana, enquanto os homens trabalham 43,4 horas. Para Sirlei de Oliveira, estes dados devem ser analisados levando-se em conta a natureza das ocupa\u00e7\u00f5es das mulheres. &ldquo;Elas ocupam preferencialmente postos no setor banc\u00e1rio, no com\u00e9rcio, na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os em geral. Isto \u00e9, trabalhos com jornada menor. Um padr\u00e3o que exemplifica como a imagem da mulher como cuidadora dos filhos e respons\u00e1vel pelo \u00e2mbito dom\u00e9stico influencia as ocupa\u00e7\u00f5es a serem ocupadas&rdquo;, observa Sirlei de Oliveira.<BR>  <P>A vari\u00e1vel de classe social tamb\u00e9m \u00e9 um aspecto fundamental para se mapear as desigualdades que se apresentam entre as pr\u00f3prias mulheres. Proje\u00e7\u00e3o feita pelo instituto Data Popular a partir do Censo de 2012 evidencia que as mulheres pobres se dedicam mais aos afazeres dom\u00e9sticos do que as mulheres com poder aquisitivo elevado. Na classe E, por exemplo, 96,4% das mulheres se ocupam de atribui\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas. Na classe D, 94,3% e na C, 91,2%. Nas classes A e B, respectivamente, esses n\u00fameros caem para 76,3% e 85,4%. &ldquo;A mulher das camadas superiores contratam empregadas dom\u00e9sticas para fazer o trabalho dom\u00e9stico. Enquanto que para umas o envolvimento nas tarefas de casa pode ser delegado, para outras cuidar da casa \u00e9 o meio de viver. \u00c9 um quadro muito grave, pois estas mulheres pobres s\u00e3o impedidas de estudar diante da carga de trabalho elevada, cuidando da pr\u00f3pria casa e a da patroa&rdquo;, afirma Sirlei de Oliveira.<BR>  <P>A soci\u00f3loga Maria Bet\u00e2nia \u00c1vila, integrante da coordena\u00e7\u00e3o do SOS Corpo &ndash; Instituto Feminista para a Democracia, afirma que os dados do IBGE e do Data Popular reiteram uma estrutura laboral antiga e conhecida. &ldquo;Somos um pa\u00eds marcado por uma divis\u00e3o sexual do trabalho. Esta divis\u00e3o atribui o trabalho produtivo ao homem. A mulher \u00e9 direcionada para o trabalho reprodutivo. Por isso, esse panorama desigual que se reflete em sal\u00e1rios desiguais e ocupa\u00e7\u00f5es associadas a pap\u00e9is de g\u00eanero&rdquo;, avalia Maria Bet\u00e2nia.<BR>  <P>Os dados do IBGE mostram como as atividades est\u00e3o segmentadas divididas por sexo. Da popula\u00e7\u00e3o ocupada, os homens s\u00e3o 64% na ind\u00fastria, enquanto as mulheres s\u00e3o 36%. No setor da constru\u00e7\u00e3o, eles ocupam 93,9% dos postos e elas, apenas 6,1%. Maria Bet\u00e2nia destaca que os trabalhos e postos ocupados pelas mulheres s\u00e3o mais prec\u00e1rios quando comparados aos dos homens. &ldquo;Al\u00e9m dos sal\u00e1rios inferiores em rela\u00e7\u00e3o aos homens, independente da escolaridade, h\u00e1 a quest\u00e3o das jornadas de trabalho. Elas t\u00eam jornadas duplas, triplas, em casa, no trabalho e no estudo &ndash; quando conseguem estudar. Isso contribui para a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es da mulher no mercado de trabalho. Infelizmente, os homens n\u00e3o atuam no ambiente dom\u00e9stico, um lugar culturalmente associado \u00e0s mulheres. As fun\u00e7\u00f5es destinadas a homens e mulheres tamb\u00e9m se refletem na qualidade e no rendimento. Eles ocupam prioritariamente postos de comando e atividades mais valorizadas \u00c9 um padr\u00e3o cultural perverso que est\u00e1 na raiz desses n\u00fameros&rdquo;, analisa a integrante do SOS Corpo,<BR>  <P>No in\u00edcio do m\u00eas de mar\u00e7o, o Senado brasileiro aprovou projeto de lei que pune empresas que paguem sal\u00e1rios menores \u00e0s mulheres. O governo federal, no entanto, recuou no apoio \u00e0 iniciativa diante da press\u00e3o de empres\u00e1rios. &ldquo;Medidas legais s\u00e3o fundamentais para combater a desigualdade de g\u00eanero que permeia o mercado de trabalho. A medida do Senado, se sancionada, ser\u00e1 uma excelente ferramenta nesse sentido. No entanto, \u00e9 preciso a\u00e7\u00f5es de outra natureza, como a constru\u00e7\u00e3o de uma infra-estrutura social eficiente, com creches suficientes, por exemplo. A educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fundamental, pois precisamos mudar a concep\u00e7\u00e3o de que o trabalho da mulher \u00e9 secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao do homem. Outro aspecto importante a ser analisado \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o das categorias e dos sindicatos. Eles t\u00eam que ampliar e aprofundar o olhar sobre as possibilidades de ocupa\u00e7\u00e3o e reivindicar permanentemente a equipara\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios entre homens e mulheres&rsquo;, finaliza Sirlei de Oliveira, do Dieese.<BR>  <P><U><a href=\"http:\/\/www.ibge.gov.br\/home\/estatistica\/indicadores\/trabalhoerendimento\/pme_nova\/Mulher_Mercado_Trabalho_Perg_Resp_2012.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para acessar a \u00edntegra da pesquisa. <\/A><\/U><\/P> <P>&nbsp;<\/P><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigaci\u00f3n del Instituto Brasile\u00f1o de Geograf\u00eda y Estad\u00edstica (IBGE) se\u00f1ala que el mercado&nbsp;laboral en Brasil sigue siendo desigual para mujeres y hombres en materia de ingresos, a pesar de que ellas son la mayor\u00eda de la poblaci\u00f3n econ\u00f3micamente activa y poseen nivel de escolaridad mayor. <EM>(Texto en portugu\u00e9s)<\/EM><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Persisten inequidades - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/persisten-inequidades\/729\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Persisten inequidades - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Investigaci\u00f3n del Instituto Brasile\u00f1o de Geograf\u00eda y Estad\u00edstica (IBGE) se\u00f1ala que el mercado&nbsp;laboral en Brasil sigue siendo desigual para mujeres y hombres en materia de ingresos, a pesar de que ellas son la mayor\u00eda de la poblaci\u00f3n econ\u00f3micamente activa y poseen nivel de escolaridad mayor. 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