{"id":809,"date":"2012-05-23T00:00:00","date_gmt":"2012-05-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/05\/23\/mas-alla-de-la-guerra-de-los-sexos\/"},"modified":"2012-05-23T00:00:00","modified_gmt":"2012-05-23T03:00:00","slug":"mas-alla-de-la-guerra-de-los-sexos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/mas-alla-de-la-guerra-de-los-sexos\/809\/","title":{"rendered":"M\u00e1s all\u00e1 de la guerra de los sexos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>por Washington Castilhos<\/em><\/p>\n<p>Quando esteve no Brasil, em 2009, para divulgar seu livro <i>Nous, les mecs<\/i> (o equivalente em portugu&ecirc;s a &ldquo;N&oacute;s, os caras&rdquo;, numa tradu&ccedil;&atilde;o livre), o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Daniel Welzer-Lang salientou: <em>&ldquo;N&oacute;s estamos vivendo, hoje, uma &eacute;poca paradoxal: nunca antes as mulheres, ainda submetidas a formas variadas de domina&ccedil;&atilde;o masculina, falaram, discutiram e contestaram tanto. Nunca antes os gays, as l&eacute;sbicas e bissexuais abordaram tanto seus modos de vida. Entretanto, os homens continuam em sil&ecirc;ncio&rdquo;<\/em>, disse ele, aludindo a uma frase do soci&oacute;logo canadense Marc Chabot, que escreveu:&nbsp; &quot;A palavra dos homens, &eacute; o sil&ecirc;ncio&rdquo;.<\/p>\n<p>Contrariando Chabot, homens integrantes de um movimento intitulado por eles de &ldquo;masculinista&rdquo; &ndash; num claro contraponto lingu&iacute;stico ao &ldquo;movimento feminista&rdquo;&ndash; quebraram o sil&ecirc;ncio e, assumindo-se como defensores dos direitos dos homens, desabafaram, na edi&ccedil;&atilde;o de 7 de maio do portal BBC News Magazine: &ldquo;A discrimina&ccedil;&atilde;o contra o homem est&aacute; aumentando!&rdquo;. Alguns argumentam que &eacute; hora de os homens criarem o que, na vis&atilde;o deles, seria o equivalente masculino ao feminismo: o &quot;masculinismo&quot;.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" hspace=\"5\" alt=\"\" vspace=\"5\" align=\"right\" width=\"280\" height=\"323\" src=\"\/uploads\/imagem\/Marcos_Nascimento2.jpg\" \/>&ldquo;<i>Masculinismo<\/i> por si s&oacute; j&aacute; mostra uma m&aacute; compreens&atilde;o do que &eacute; o feminismo. &Eacute; como usar o machismo para antagonizar o feminismo&rdquo;, avalia o psic&oacute;logo Marcos Nascimento (foto &agrave; dir.), doutor em Sa&uacute;de Coletiva e pesquisador na &aacute;rea de g&ecirc;nero e masculinidades que nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos foi codiretor do Instituto <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.promundo.org.br\" rel=\"noopener\">Promundo<\/a>, ONG brasileira com tradi&ccedil;&atilde;o em trabalhos com homens na promo&ccedil;&atilde;o da igualdade entre os sexos e que faz parte da <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.menengage.org\/\" rel=\"noopener\">MenEngage Alliance<\/a>, uma rede mundial composta de mais de 400 ONGs e ag&ecirc;ncias da ONU que fomenta o engajamento masculino na busca pela equidade de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p>&ldquo;De que discrimina&ccedil;&atilde;o eles falam? E para que tipos de homens? Usam a palavra homem como se fosse uma categoria absoluta e que n&atilde;o interagisse com outros marcadores sociais&rdquo;, observa Nascimento.<\/p>\n<p>Segundo a reportagem do portal BBC, entre os defensores do chamado &ldquo;movimento masculinista&rdquo; est&aacute; o professor de filosofia David Bernata, da Universidade da Cidade do Cabo, na &Aacute;frica do Sul, autor do livro <i>The Second Sexism <\/i>(<em>O Segundo Sexismo<\/em>, em tradu&ccedil;&atilde;o livre, aparentemente mais uma alus&atilde;o ir&ocirc;nica ao feminismo, desta vez contra <i>O segundo Sexo<\/i>, t&iacute;tulo da obra de Simone de Beauvoir). Nele, Bernata argumenta que, por conta das disparidades de g&ecirc;nero, em todo o mundo homens est&atilde;o mais expostos &agrave; viol&ecirc;ncia e ao homic&iacute;dio. &Eacute; uma realidade. No Brasil, por exemplo, os homic&iacute;dios matam muito mais homens do que mulheres: para cada &oacute;bito feminino existem cerca de 11 &oacute;bitos masculinos. Somente no ano de 2007, em terras brasileiras, houve 47.658 mortes classificadas na categoria homic&iacute;dio pelo DATASUS. Destes, 43.886 eram de homens.<\/p>\n<p>&ldquo;Mas &eacute; preciso lembrar que os homens s&atilde;o alvo, mas tamb&eacute;m os maiores perpetradores de viol&ecirc;ncia em todo o mundo. Coloc&aacute;-los somente no lugar de v&iacute;tima, n&atilde;o explora todos os matizes dessa situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, argumenta Marcos Nascimento, aludindo ao fato que as maiores v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e dos homic&iacute;dios que acontecem dentro de casa s&atilde;o as mulheres. Al&eacute;m disso, &eacute; raro que um homem violento em casa &ndash; aquele que pensa ser leg&iacute;timo manifestar assim sua posi&ccedil;&atilde;o de &quot;homem&quot; frente &agrave; sua companheira &ndash; n&atilde;o seja tamb&eacute;m &quot;dominante&quot; no espa&ccedil;o p&uacute;blico com seus pr&oacute;ximos. Ao mesmo tempo, um homem violento no exterior (trabalho, bar ou lazer, onde a repress&atilde;o das atitudes violentas &eacute; mais severa), normalmente tamb&eacute;m o &eacute; no espa&ccedil;o privado.<\/p>\n<p>No entanto, a despeito da masculiniza&ccedil;&atilde;o dos homic&iacute;dios externos e da feminiliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, a hora &eacute; de superar as disputas em torno da vitimiza&ccedil;&atilde;o, acreditam especialistas. <i>&ldquo;O debate n&atilde;o deveria nunca ser pautado em torno de uma discuss&atilde;o sobre quem morre mais ou quem morre menos, mas sim a partir de uma perspectiva que contribua para identificar as causas que explicam tantas mortes absurdas e desnecess&aacute;rias&rdquo;<\/i>, apontam os pesquisadores Jos&eacute; Eust&aacute;quio Diniz Alves e Sonia Correa, no artigo <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/media\/Violencia%20e%20genero_Artigo%20Sonia_Taquinho.pdf\" rel=\"noopener\">&ldquo;Viol&ecirc;ncia letal e g&ecirc;nero: decifrando n&uacute;meros obscenos?&rdquo;<\/a>, onde apontam o sistema sexo-g&ecirc;nero como um dos fatores estruturais deste processo. Mas, segundo eles, para compreender isso &eacute; preciso deixar para tr&aacute;s a equa&ccedil;&atilde;o simples segundo a qual g&ecirc;nero &eacute; sin&ocirc;nimo de mulher e os homens apenas matam mulheres, n&atilde;o se matam entre si.<\/p>\n<p>V&aacute;rios grupos chamam a aten&ccedil;&atilde;o para os estilos de masculinidade e viol&ecirc;ncia. H&agrave; muitos exemplos, em todo o mundo, de homens que se lan&ccedil;am em a&ccedil;&otilde;es violentas entre eles e contra outros para provar sua virilidade, como as brigas de torcidas de times rivais acontecidas na Inglaterra e no Brasil (especialmente em S&atilde;o Paulo), exemplos de formas violentas de contesta&ccedil;&atilde;o (pela perda de um campeonato, por exemplo). Isto sem falar na viol&ecirc;ncia masculina homof&oacute;bica ou na forte viol&ecirc;ncia policial e militar denunciada em muitos pa&iacute;ses&nbsp;(e que tem o Brasil entre seus&nbsp;protagonistas, de acordo com o relat&oacute;rio de direitos humanos 2011 da Anistia Internacional, que avaliou 141&nbsp;pa&iacute;ses).<\/p>\n<p>Ao colocarem-se somente na posi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;timas, os defensores do &ldquo;masculinismo&rdquo; n&atilde;o levam em conta o fato de ser a socializa&ccedil;&atilde;o masculina o fator que mais favorece o surgimento do comportamento violento. Trata-se de um comportamento aprendido, como aquele que estimula que um menino cres&ccedil;a com a ideia de que tem de revidar uma agress&atilde;o, que faz com que os homens achem leg&iacute;timo o uso da viol&ecirc;ncia para solucionar conflitos. A forma como meninas s&atilde;o educadas para a submiss&atilde;o e a subservi&ecirc;ncia, em certas classes sociais, tamb&eacute;m favorece tal quadro: muitas mulheres ainda acham que apanhar do marido faz parte do casamento.<\/p>\n<p>No entanto, dada a sua complexidade, o sistema sexo-g&ecirc;nero n&atilde;o produz apenas homens sempre violentos e mulheres sempre v&iacute;timas desta viol&ecirc;ncia. No caso brasileiro, a constru&ccedil;&atilde;o das masculinidades dominantes explica o homic&iacute;dio de mulheres, e serve tamb&eacute;m para explicar o fato de os homens matarem muitos outros homens e se matarem por uma s&eacute;rie de outras causas externas, tal como acidentes de tr&acirc;nsito.<\/p>\n<p>Assim, os argumentos apresentados pelos defensores do &ldquo;masculinismo&rdquo; s&atilde;o uma vis&atilde;o simplista de um fen&ocirc;meno complexo como a rela&ccedil;&atilde;o entre masculinidade e viol&ecirc;ncia, no sentido de que, como aponta Pedro Paulo Oliveira (IFCS\/UFRJ) &ndash; autor de livros como <i>&ldquo;A constru&ccedil;&atilde;o social da masculinidade&rdquo;<\/i> e <i>&ldquo;Viol&ecirc;ncia e estilos de masculinidade&rdquo;<\/i> &ndash;, colocar o homem na qualidade de v&iacute;tima social de um sistema opressor (oprimido pela sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de opressor) n&atilde;o ajuda a avan&ccedil;ar no processo de igualdade entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>&ldquo;Ainda que muitos sejam v&iacute;timas, h&aacute; um contingente grande de homens que se valem das benesses desse sistema. Ent&atilde;o, usar a categoria &lsquo;homem&rsquo; sem explicitar suas inter-rela&ccedil;&otilde;es com outros marcadores (como ra&ccedil;a, classe, idade) n&atilde;o ajuda muito&rdquo;, afirma Marcos Nascimento.<\/p>\n<p>Em outras palavras, s&atilde;o as mesmas rela&ccedil;&otilde;es sociais de g&ecirc;nero que constroem os personagens no p&uacute;blico e no privado, as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o transversais. Um exemplo disso &eacute; o fato que, por mais que as mulheres trabalhem, elas acabam por encontrar um certo limite para seu avan&ccedil;o profissional dentro das grandes empresas, onde as posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a s&atilde;o usualmente mantidas pelos homens. V&ecirc;-se isto com grande clareza&nbsp;tanto nas grandes corpora&ccedil;&otilde;es como nos partidos pol&iacute;ticos. O que dizem alguns estudiosos em rela&ccedil;&atilde;o a esse limite a que as mulheres se deparam &eacute;, que se por&nbsp;um lado h&aacute; um certo tipo de barreira ao avan&ccedil;o feminino, por&nbsp;outro lado pode-se perguntar se n&atilde;o existem, do ponto de vista das mulheres, escolhas de vida diferenciadas das dos homens, em que a dimens&atilde;o da vida pessoal &eacute; t&atilde;o importante para elas que faz com que o investimento no progresso de suas carreiras n&atilde;o seja t&atilde;o marcadamente forte, como &eacute; no caso dos homens.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" hspace=\"5\" alt=\"\" vspace=\"5\" align=\"left\" width=\"134\" height=\"134\" src=\"\/uploads\/imagem\/Malu_GPP.jpg\" \/>&quot;Ou seja, as mulheres acabam por escolher &ndash; isto &eacute; um debate, ainda n&atilde;o h&aacute; clareza sobre isto &ndash; lidar com dimens&otilde;es da vida privada, como por exemplo, a maternidade. H&aacute; mulheres que interrompem a carreira, n&atilde;o porque s&atilde;o obrigadas, mas porque desejam permanecer com os filhos. &Eacute; claro que isto tem um custo. O progresso delas na carreira n&atilde;o vai ser t&atilde;o forte, mas isto n&atilde;o quer dizer simplesmente uma interioriza&ccedil;&atilde;o do papel feminino. Isto pode ser uma escolha ativa, do ponto de vista de como voc&ecirc; quer desenhar o seu projeto de vida. Hoje em dia, essas discuss&otilde;es sobre o avan&ccedil;o das mulheres na carreira t&ecirc;m levado em considera&ccedil;&atilde;o esse espa&ccedil;o paralelo de frui&ccedil;&atilde;o da vida privada, como um espa&ccedil;o importante de um estilo de vida alternativo que as mulheres podem escolher. Por sua vez, as que querem investir fortemente na carreira certamente se deparar&atilde;o com essa barreira que vai tentar impedi-las, raz&atilde;o pela qual toda vez que vemos uma entrevista com uma mulher importante na m&iacute;dia, sempre existe a pergunta: <em>&ldquo;Como voc&ecirc; concilia trabalho e fam&iacute;lia?&rdquo;. <\/em>Nunca ningu&eacute;m faz esta pergunta para um homem&quot;, argumenta a antrop&oacute;loga Maria Luiza Heilborn, professora no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS\/UERJ) e coordenadora do CLAM.<\/p>\n<p>Assim, &eacute; porque existe um trabalho dom&eacute;stico gratuito, realizado pelas companheiras em casa (muitas vezes em fun&ccedil;&atilde;o de suas pr&oacute;prias escolhas), que certos homens podem fazer uma carreira ascendente e r&aacute;pida, estando liberados da carga das crian&ccedil;as, por exemplo. O cuidado e a guarda dos filhos, a prop&oacute;sito, representam temas dos mais sens&iacute;veis dentro de uma agenda de igualdade de g&ecirc;nero, e s&atilde;o recorrentemente usados como argumentos pelos militantes dos direitos dos homens, como exemplos do d&eacute;ficit masculino.<\/p>\n<p>O sistema sexo-g&ecirc;nero &ndash; apontado por Jos&eacute; Eust&aacute;quio Diniz Alves e Sonia Correa no artigo aqui citado &ndash; parte da premissa que os homens n&atilde;o t&ecirc;m capacidade de cuidar de uma crian&ccedil;a e, ao mesmo tempo, refor&ccedil;a a ideia da mulher-m&atilde;e-cuidadora. Tal concep&ccedil;&atilde;o ocupa o imagin&aacute;rio social, incluindo formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Aprovada na C&acirc;mara dos Deputados brasileira h&aacute; dois anos, a lei que amplia o prazo da licen&ccedil;a-maternidade de quatro para seis meses para trabalhadoras do setor privado em troca de ren&uacute;ncia fiscal para as empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidad&atilde; gerou pol&ecirc;mica e dividiu opini&otilde;es, principalmente no que diz respeito &agrave;s compara&ccedil;&otilde;es feitas entre a situa&ccedil;&atilde;o brasileira e a dos pa&iacute;ses escandinavos, que t&ecirc;m as pol&iacute;ticas sociais mais bem sucedidas do mundo em termos de igualdade de g&ecirc;nero. Na Dinamarca e na Su&eacute;cia, quando uma mulher tem uma crian&ccedil;a, a m&atilde;e pode ficar at&eacute; seis meses em casa, e o pai tamb&eacute;m. Ele tem direito a uma licen&ccedil;a paternidade compuls&oacute;ria de igual per&iacute;odo. A cr&iacute;tica &eacute; que no Brasil aumenta-se a responsabilidade das m&atilde;es e n&atilde;o se estende o per&iacute;odo aos pais para que possam dividir esta responsabilidade com as m&atilde;es. Por isso, a ministra da Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (SPM) do governo brasileiro, Eleonora Menicucci, tem entre seus objetivos estender o per&iacute;odo de licen&ccedil;a-paternidade, hoje de apenas oito dias.<\/p>\n<p><i>&ldquo;A maternidade n&atilde;o &eacute; s&oacute; biol&oacute;gica da mulher. O homem tem de ser afetivamente respons&aacute;vel&rdquo;<\/i>, afirma a ministra, que pretende tamb&eacute;m ampliar a licen&ccedil;a-maternidade para seis meses obrigat&oacute;rios, j&aacute; que,&nbsp;segundo a Receita Federal brasileira,&nbsp;o Empresa Cidad&atilde; atinge hoje menos de 10% das empresas que t&ecirc;m a possibilidade de participar do programa,&nbsp;o que equivale dizer que apenas uma em cada tr&ecirc;s empresas cumpre a pol&iacute;tica aprovada em 2008. Em 2010, o Senado aprovou a obrigatoriedade da licen&ccedil;a-maternidade de seis meses para todos os setores. Mas o projeto est&aacute; parado desde ent&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados, que calculou o quanto essa amplia&ccedil;&atilde;o custaria aos cofres p&uacute;blicos: naquele ano, a estimativa era de que R$ 1,6 bilh&atilde;o extras teriam de ser gastos pela Previd&ecirc;ncia Social para arcar com esses dois meses a mais.<\/p>\n<p>Diferentemente do Brasil, em muitos pa&iacute;ses europeus, especialmente os escandinavos, a id&eacute;ia de igualdade homem\/mulher se tornou uma evid&ecirc;ncia para uma grande parte dos homens, que t&ecirc;m se adaptado &agrave;s novas demandas das mulheres. Na medida em que torna-se dif&iacute;cil encontrar mulheres submissas, os homens encontram benef&iacute;cios rapidamente em deixar os h&aacute;bitos da virilidade machista obrigat&oacute;ria. O que n&atilde;o quer dizer que eles abram m&atilde;o facilmente dos privil&eacute;gios masculinos, que n&atilde;o haja resist&ecirc;ncias masculinas &agrave;s mudan&ccedil;as, ou que as representa&ccedil;&otilde;es carregadas pelas marcas de g&ecirc;nero sejam t&atilde;o f&aacute;ceis de modificar.<\/p>\n<p>N&atilde;o se pode dizer, no entanto,&nbsp;que a assimetria est&aacute; sempre favor&aacute;vel aos homens. H&aacute; algumas circunst&acirc;ncias em que o g&ecirc;nero feminino pode estar valorizado em detrimento do homem. Um exemplo s&atilde;o as pol&iacute;ticas de seguro para carros, que beneficiam as mulheres,&nbsp;levando em conta a an&aacute;lise estat&iacute;stica de que os homens de 18 a 35 anos batem e destroem muito mais seus carros, correm mais,&nbsp;e, portanto, ao ser mulher, a pessoa acaba por se&nbsp;beneficiar de um tipo de tratamento diferencial favor&aacute;vel, uma vez que, pela l&oacute;gica das seguradoras, ela&nbsp;se envolve em&nbsp;menos acidentes e seria mais cuidadosa e menos imprudente no tr&acirc;nsito.<\/p>\n<p><b><i>Educa&ccedil;&atilde;o<\/i><\/b><\/p>\n<p>A&nbsp;Educa&ccedil;&atilde;o &eacute; mais uma &aacute;rea onde os homens est&atilde;o ficando para tr&aacute;s. Em 2009, exames feitos pelo Programme for International Student Assessment, um programa internacional de avalia&ccedil;&atilde;o de estudantes, revelaram que, em todos os pa&iacute;ses industrializados, os homens est&atilde;o em m&eacute;dia um ano atr&aacute;s das mulheres em alfabetiza&ccedil;&atilde;o. O levantamento tamb&eacute;m concluiu que a maioria dos estudantes em cursos de gradua&ccedil;&atilde;o nas universidades hoje &eacute; composta por mulheres. Segundo o <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.uis.unesco.org\/Library\/Pages\/default.aspx\" rel=\"noopener\">Informe Mundial de Educa&ccedil;&atilde;o 2010 <\/a>(Global Education Digest 2010) da UNESCO, a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres da Am&eacute;rica Latina e do Caribe em programas de doutorado e em pesquisa &eacute; singular, comparada a outras regi&otilde;es do mundo. Na regi&atilde;o, cerca de 60% dos estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o s&atilde;o mulheres. A representa&ccedil;&atilde;o feminina cai para 47% no mestrado, mas sobe para 49% no doutorado. No Brasil, as mulheres j&aacute; possuem n&iacute;vel de escolaridade maior do que o dos homens, com mais de 11 anos de estudo. No livro <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.inovacao.unicamp.br\/report\/inte-doutoresdemografiaII100628.pdf\" rel=\"noopener\">Doutores 2010: Estudos da demografia da base t&eacute;cnico-cient&iacute;fica brasileira,<\/a> o Centro de Gest&atilde;o de Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE) do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia revela que em 2004 se doutoraram 4.085 mulheres, que representam 50,4% dos que obtiveram esse t&iacute;tulo superior, frente a 3.991 homens, que representam 49,6%. Desde ent&atilde;o, as mulheres mant&ecirc;m a dianteira na obten&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos de doutorado no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;Isto acontece em v&aacute;rias partes do mundo. Colocar este quadro como culpa das mulheres &eacute; certamente um equ&iacute;voco. Durante anos as mulheres foram segregadas do espa&ccedil;o escolar (e muitas ainda o s&atilde;o em v&aacute;rias partes do mundo, sobretudo na &Aacute;sia). Certamente, a press&atilde;o por trabalho com carteira assinada em classes populares, a falta de um projeto pedag&oacute;gico claro e que leve em considera&ccedil;&atilde;o as quest&otilde;es de g&ecirc;nero, parecem estar entre os motivos de deser&ccedil;&atilde;o escolar entre os rapazes. Eles n&atilde;o veem sentido na escola, somente atentam para isso quando entram no mercado de trabalho e alguns voltam a estudar&rdquo;, explica Marcos Nascimento, a partir de dados de pesquisas com rapazes moradores de favelas.<\/p>\n<p>Para encurtar a conversa, ele conclui: &ldquo;Existe um n&uacute;mero consider&aacute;vel de vulnerabilidades sociais para os homens (negros, gays, jovens, pobres, pouco escolarizados), mas certamente o tratamento dessas quest&otilde;es n&atilde;o ser&aacute; da forma como autores como Bernata apregoam. As vulnerabilidades masculinas est&atilde;o fortemente marcadas pelos processos de socializa&ccedil;&atilde;o dos homens assim como de exclus&atilde;o social a que eles est&atilde;o submetidos. Para mudar isso, devemos pensar em outras maneiras que n&atilde;o sejam marcadas pelas normas de g&ecirc;nero vigentes&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abExiste un gran n\u00famero de vulnerabilidades sociales para los hombres (negros, gays, j\u00f3venes, pobres, poco escolarizados), pero ciertamente el tratamiento de esas cuestiones no ser\u00e1 de esta forma\u00bb, Marcos Nascimento, refiri\u00e9ndose a los argumentos de autores que se\u00f1alan que el movimiento feminista habr\u00eda estimulado privilegios a las mujeres y, con eso, creado un \u201csegundo sexismo\u201d.(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-809","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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