{"id":819,"date":"2012-06-27T00:00:00","date_gmt":"2012-06-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/06\/27\/la-geopolitica-del-retroceso\/"},"modified":"2012-06-27T00:00:00","modified_gmt":"2012-06-27T03:00:00","slug":"la-geopolitica-del-retroceso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-geopolitica-del-retroceso\/819\/","title":{"rendered":"La geopol\u00edtica del retroceso"},"content":{"rendered":"<p>A supress&atilde;o da express&atilde;o &ldquo;direitos reprodutivos&rdquo; do texto final da   Confer&ecirc;ncia Rio+20 n&atilde;o pode ser interpretada como um fato isolado. Pelo   contr&aacute;rio, reflete um horizonte de tensas disputas &ndash; que se arrastam h&aacute;   d&eacute;cadas &#8211; marcadas pela atua&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as religiosas conservadoras   combativas. Em jogo, a autonomia e a liberdade das mulheres, cujas vidas   parecem cada vez mais vulner&aacute;veis, na medida em que tradicionais   defensores dos direitos humanos recuam ante a prioridades econ&ocirc;micas que   comp&otilde;em a geopol&iacute;tica mundial.<\/p>\n<p>A atua&ccedil;&atilde;o de setores religiosos dogm&aacute;ticos &eacute; uma constante hist&oacute;rica.   Nos anos 1990, durante as Confer&ecirc;ncias da ONU sobre Popula&ccedil;&atilde;o e   Desenvolvimento (Cairo\/1994) e sobre as Mulheres (Pequim\/1995) que   definiram e consagraram os direitos sexuais e reprodutivos como   diretrizes a nortear os pa&iacute;ses-membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, tais for&ccedil;as,   capitaneadas pelo Vaticano, tentaram impedir a elabora&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios   progressistas para a vida das mulheres.<\/p>\n<p>Na posi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;der conservador, o Vaticano sempre teve for&ccedil;as   auxiliares &ndash; na Am&eacute;rica Latina, Nicar&aacute;gua, Honduras e El Salvador   integram a tropa de choque do Estado papal &ndash; para atuar nos f&oacute;runs   internacionais. Esta alian&ccedil;a &ndash; chamada criticamente pelos movimentos   sociais de &ldquo;unholy alliance&rdquo; &ndash; tornou-se uma presen&ccedil;a constante nas   negocia&ccedil;&otilde;es internacionais que tratam das quest&otilde;es sexuais e   reprodutivas. A vis&atilde;o dogm&aacute;tica de sacraliza&ccedil;&atilde;o da vida norteia tal   postura, trazendo tudo o que diz respeito a eventos biol&oacute;gicos para o   campo da pol&iacute;tica. N&atilde;o &eacute; por outro motivo que temas como aborto,   eutan&aacute;sia e pesquisas com c&eacute;lulas-tronco s&atilde;o empalmados como bandeiras   de luta.<\/p>\n<p>Nas revis&otilde;es das Confer&ecirc;ncias dos anos 1990 &ndash; Cairo+5 e Pequim+5 &ndash;,   houve uma forte atua&ccedil;&atilde;o destes setores. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nada de novo na press&atilde;o   que for&ccedil;as conservadoras fazem nas arenas internacionais. O que &eacute; novo &eacute;   o recuo de atores que tradicionalmente sempre se colocaram na defesa   das mulheres. Infelizmente, h&aacute; uma perda de for&ccedil;a de vozes progressistas   nas delibera&ccedil;&otilde;es que se d&atilde;o em f&oacute;runs internacionais&rdquo;, afirma Sonia   Correa, co-coordenadora do Observat&oacute;rio  de Sexualidade e Pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" width=\"148\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" height=\"160\" border=\"3\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/uploads\/imagem\/Hillary.jpg\" \/>Nas negocia&ccedil;&otilde;es do texto final da Rio+20, apenas <a href=\"http:\/\/www.ccr.org.br\/noticia-detalhe.asp?cod=13918\">EUA<\/a>   e Noruega tiveram uma posi&ccedil;&atilde;o mais expl&iacute;cita de contrariedade com a   retirada do termo. Em seu discurso na Confer&ecirc;ncia, a secret&aacute;ria de   estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou ser necess&aacute;rio   assegurar os direitos reprodutivos das mulheres e que tais direitos   devem ser respeitados em acordos internacionais.<\/p>\n<p>J&aacute; pa&iacute;ses como o Brasil, que nos anos 1990 teve uma atua&ccedil;&atilde;o   consistente em prol da elabora&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios favor&aacute;veis &agrave;s mulheres,   preferiram o sil&ecirc;ncio. Mesma atitude teve a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, que   permaneceu calada.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, a press&atilde;o de setores conservadores liderados pelo   Vaticano e por pa&iacute;ses isl&acirc;micos tem encontrado um flanco aberto para sua   artilharia. No final de 2011, durante exposi&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio especial   sobre sa&uacute;de, de Anand Grover, na Assembleia da ONU, houve ataques de   diversos pa&iacute;ses. O texto definia a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto como uma   viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e pedia, neste sentido, o fim de   legisla&ccedil;&otilde;es penais sobre o tema. Tradicionais promotores dos direitos   femininos permaneceram em sil&ecirc;ncio, como o Brasil, onde a vida   reprodutiva das mulheres &ndash; fator relevante nas estat&iacute;sticas de mortes &#8211;   ainda &eacute; vista predominantemente pela &oacute;tica do controle religioso e da   moral.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" width=\"144\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" height=\"180\" border=\"3\" align=\"right\" src=\"\/uploads\/imagem\/Sonia.bmp\" alt=\"\" \/>O   sil&ecirc;ncio de antigos aliados na luta pela autonomia feminina &eacute; um   reflexo da configura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais nos tempos atuais.   Sobretudo a partir da subida ao poder de governos de esquerda, houve uma   intensifica&ccedil;&atilde;o dos elos entre pa&iacute;ses do Hemisf&eacute;rio Sul. Nesta  din&acirc;mica,  a agenda econ&ocirc;mica determina o rumo das condutas  governamentais. Em  prol da uni&atilde;o do G77 (grupo de pa&iacute;ses em  desenvolvimento), direitos  reprodutivos e sexuais tornaram-se moeda de  troca na Rio+20. Em tempos  de crise econ&ocirc;mica mundial, salienta Sonia  Correa (foto), &ldquo;h&aacute; um  tensionamento da geopol&iacute;tica diante dos efeitos  gerados pelas  dificuldades financeiras dos Estados. Entrincheirados na  defesa de suas  economias, os governos usam os direitos sexuais e  reprodutivos como  escambo&rdquo;, observa.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o interna dos direitos femininos, em muitos pa&iacute;ses, tamb&eacute;m   deve ser compreendida no bojo do recrudescimento das press&otilde;es de setores   conservadores. Em 2007, para obter sustenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o presidente   da Nicar&aacute;gua, Daniel Ortega, patrocinou a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto em   todos os casos. Anos antes, em 2004, a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto no   Uruguai &ndash; pa&iacute;s tradicionalmente aberto aos direitos femininos e   reconhecido como dos mais laicos da Am&eacute;rica Latina &ndash; chegou ao Congresso   e, desde ent&atilde;o, est&aacute; travada diante das conveni&ecirc;ncias pol&iacute;ticas.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, nos &uacute;ltimos anos, movimentos conservadores t&ecirc;m   sistematicamente atuado contra a legalidade do aborto. Sobretudo ap&oacute;s a   passagem de George W. Bush pela presid&ecirc;ncia do pa&iacute;s (2001-2009), tais   segmentos t&ecirc;m atuado ostensivamente contra a legalidade do aborto &ndash;   estabelecida em 1973 pela Corte Suprema do pa&iacute;s. No in&iacute;cio do ano, houve   uma forte press&atilde;o contra medida do presidente Barack Obama que  obrigava  os empregadores a distribuir m&eacute;todos anticoncepcionais aos   funcion&aacute;rios. A Igreja Cat&oacute;lica protestou, justificando que a iniciativa   infringia a liberdade religiosa ao obrigar as institui&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave;   Igreja a tamb&eacute;m oferecerem anticoncepcionais. Pressionado, o presidente   Obama recuou e disse que as institui&ccedil;&otilde;es poderiam alegar &ldquo;obje&ccedil;&otilde;es   religiosas&rdquo; para n&atilde;o distribuir os medicamentos.<\/p>\n<p>A atua&ccedil;&atilde;o consistente, organizada e bem financiada de grupos   conservadores nos EUA tem gerado efeitos. Segundo pesquisa do Instituto   Gallup, atualmente o apoio &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto &eacute; de 41%, cifra bem   abaixo dos 56% mensurados em 1995.<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio da Uni&atilde;o Europeia espelha o estado interno de muito de   seus pa&iacute;ses membros. Logo ap&oacute;s assumir o governo da Espanha, o   primeiro-ministro, Mariano Rajoy, sinalizou que alteraria a lei de   aborto. O ministro da Justi&ccedil;a, Alberto Ruiz-Gallard&oacute;n afirmou que a lei   seria reformulada sob o pressuposto de defesa da vida e prote&ccedil;&atilde;o de   indefesos. Atualmente, a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &eacute; permitida   at&eacute; a 14&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o sem qualquer justificativa.<\/p>\n<p>Outros pa&iacute;ses tamb&eacute;m t&ecirc;m apresentado um endurecimento na quest&atilde;o do   aborto. As iniciativas se proliferam pela Europa. No ano passado, o   governo da Hungria, chefiado pelo ultra-conservador Viktor Orban,   incluiu na Constitui&ccedil;&atilde;o &ldquo;a prote&ccedil;&atilde;o da vida desde a sua concep&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Na   Su&iacute;&ccedil;a, movimento pr&oacute;-vida conseguiu mobilizar mais de 100 mil pessoas e   apresentar no Parlamento uma iniciativa popular para proibir o   financiamento p&uacute;blico do aborto. Na R&uacute;ssia, um projeto de lei pretendia   que mulheres fossem obrigadas a ouvir o cora&ccedil;&atilde;o do feto. Medidas contra  o  aborto tamb&eacute;m foram articuladas na Rom&ecirc;nia.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, a conduta do governo Dilma Rousseff tem sido alvo   de cr&iacute;ticas de movimentos que lutam pelos direitos humanos. A   presidente, que integra um governo associado a um partido e a uma   hist&oacute;ria de esquerda, tem cedido em termos de direitos femininos desde   os tempos de campanha, e a integralidade da sa&uacute;de da mulher em todos os   seus eventos reprodutivos parece ser uma carta fora do baralho das   op&ccedil;&otilde;es de suas pol&iacute;ticas. Basta lembrar a MP 557, medida provis&oacute;ria que,   editada no recesso do final de 2011, despertou revolta entre as   feministas ao prever a cria&ccedil;&atilde;o de cadastro de acompanhamento das   mulheres gr&aacute;vidas, o que foi considerado uma esp&eacute;cie de &ldquo;vigilantismo   reprodutivo&rdquo; que deixava de lado problemas como a qualidade da   assist&ecirc;ncia m&eacute;dica. Tudo isso em um pa&iacute;s onde a mortalidade materna est&aacute;   longe das metas do mil&ecirc;nio estipuladas pela ONU: no quadro atual, s&atilde;o   56 &oacute;bitos para cada 100 mil nascidos vivos. A ONU v&ecirc; como meta o n&uacute;mero   de 35 para cada 100 mil.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o dos direitos femininos n&atilde;o pode ser avaliada sem uma   leitura da configura&ccedil;&atilde;o parlamentar. Como em diversos pa&iacute;ses ao redor do   mundo, o Congresso brasileiro vem se mostrando um solo f&eacute;rtil para que   setores conservadores finquem terreno e batalhem, institucionalmente,   pela agenda contra os direitos sexuais e reprodutivos. Um exemplo de   a&ccedil;&atilde;o &eacute; o Estatuto do Nascituro, projeto em tr&acirc;mite no Parlamento que   concede direitos e prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica ao feto.<\/p>\n<p>As condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas atuais est&atilde;o acirradas. Tanto no plano interno   como no plano externo, os direitos femininos est&atilde;o sob constante   amea&ccedil;a. A inoper&acirc;ncia de Estados historicamente atrelados a uma agenda   propositiva e o recrudescimento de for&ccedil;as conservadores comp&otilde;em um   cen&aacute;rio inquietante. At&eacute; que ponto a vida das mulheres &ndash; que representam   mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial &#8211; deve ser decidida em raz&atilde;o das   conveni&ecirc;ncias geopol&iacute;ticas e pol&iacute;tico-eleitorais? N&atilde;o deveria a pol&iacute;tica   estar a servi&ccedil;o dos cidad&atilde;os e seus direitos, ao inv&eacute;s de servir a   determina&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e pressupostos dogm&aacute;ticos?  A resposta para os   movimentos de mulheres &eacute; f&aacute;cil e &oacute;bvia, assim como as solu&ccedil;&otilde;es. Dif&iacute;cil   parece ser integrar tais solu&ccedil;&otilde;es &agrave;s agendas dos Estados nacionais.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o panorama atual exige que os movimentos feministas   intensifiquem a mobiliza&ccedil;&atilde;o em todos os espa&ccedil;os e f&oacute;runs de discuss&atilde;o e   delibera&ccedil;&atilde;o. A Rio+20, apesar do retrocesso relativo ao texto final,   demonstrou que a bandeira dos direitos femininos tem sido empalmada por   diferentes vozes. &ldquo;As demandas das mulheres, felizmente, t&ecirc;m sido   incorporados por outros atores do campo dos direitos humanos, o que   fortalece a luta. Apenas por meio de contesta&ccedil;&atilde;o conseguiremos avan&ccedil;ar&rdquo;,   conclui Sonia Correa.<\/p>\n<p>Clique abaixo para ler artigos do Observat&oacute;rio de Sexualidade e Pol&iacute;tica:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/colecao-politicas-publicas-n3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Kamasutra de Bush<\/a>&nbsp; &#8211; sobre os efeitos globais das pol&iacute;tica sobre sexualidade de George W. Bush<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/?p=1186\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di&aacute;logo Latino-Americano sobre Sexualidade e Geopol&iacute;tica<\/a> &ndash; cole&ccedil;&atilde;o de textos que tratam sobre o contexto das pol&iacute;ticas sexuais na Am&eacute;rica Latina<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.viomundo.com.br\/voce-escreve\/fatima-oliveira-direitos-reprodutivos-conceito-golpeado.html\" rel=\"noopener\">Leia  artigo da m&eacute;dica F&aacute;tima Oliveira, publicado no site Viomundo.com.br, em  que ela afirma que &quot;lutar pela sa&uacute;de da mulher &eacute; a arte de fazer  inimigos&quot;.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lo que se vio en Rio+20, con la retirada del t\u00e9rmino \u201cderechos reproductivos\u201d del texto final de la Conferencia, no es in\u00e9dito: es la repetici\u00f3n de una l\u00ednea de acci\u00f3n que congrega Estados conservadores contrarios a los derechos femeninos. Panorama actual exige que los movimientos feministas intensifiquen la movilizaci\u00f3n en todos los espacios de discusi\u00f3n y deliberaci\u00f3n.<i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>La geopol\u00edtica del retroceso - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-geopolitica-del-retroceso\/819\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"La geopol\u00edtica del retroceso - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Lo que se vio en Rio+20, con la retirada del t\u00e9rmino \u201cderechos reproductivos\u201d del texto final de la Conferencia, no es in\u00e9dito: es la repetici\u00f3n de una l\u00ednea de acci\u00f3n que congrega Estados conservadores contrarios a los derechos femeninos. 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