{"id":839,"date":"2012-09-12T00:00:00","date_gmt":"2012-09-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/09\/12\/feminismo-y-sustentabilidad\/"},"modified":"2012-09-12T00:00:00","modified_gmt":"2012-09-12T03:00:00","slug":"feminismo-y-sustentabilidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/feminismo-y-sustentabilidad\/839\/","title":{"rendered":"Feminismo y sustentabilidad"},"content":{"rendered":"<p>A constru&ccedil;&atilde;o da megausina de Belo Monte, no rio Xingu, no estado brasileiro do Par&aacute;, n&atilde;o &eacute; apenas um caso de interven&ccedil;&atilde;o humana na natureza. &Eacute; tamb&eacute;m a hist&oacute;ria dos efeitos sociais nocivos de tais interven&ccedil;&otilde;es, que repercutem sobre os direitos de milhares de cidad&atilde;os, sobretudo mulheres, crian&ccedil;as e ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>Paralisado recentemente por causa de uma decis&atilde;o da Justi&ccedil;a Federal tomada em meados de agosto, o projeto de Belo Monte destaca-se pelas propor&ccedil;&otilde;es: uma vez pronta, ser&aacute; a terceira maior usina hidrel&eacute;trica do mundo, com previs&atilde;o de custo de R$ 26 bilh&otilde;es e &aacute;rea dos reservat&oacute;rios ocupando 516 km&sup2;, o que permitir&aacute; gerar em m&eacute;dia 4500 megawatts por ano (cerca de 10% do consumo nacional). A dimens&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o &ndash; retomada no final de agosto ap&oacute;s liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal diante de recurso apresentado pelo governo federal &ndash; explica a complicada trajet&oacute;ria da obra, diante do seu impacto social. Belo Monte est&aacute; longe de ser apenas um engenho tecnol&oacute;gico.<\/p>\n<p>Coordenadora do Movimento de Mulheres de Altamira do Campo e da Cidade, Mariene Gomes afirma que a mobiliza&ccedil;&atilde;o em torno da obra desatou um grave problema de fluxos populacionais. &ldquo;O n&uacute;mero de pessoas e trabalhadores n&atilde;o para de crescer por aqui. Se o munic&iacute;pio de Altamira j&aacute; enfrentava graves problemas sociais, como a viol&ecirc;ncia contra mulher, a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; piorou. Lutar contra a constru&ccedil;&atilde;o da barragem &eacute; tamb&eacute;m uma forma de lutar pela liberdade, pela dignidade e pelos direitos das mulheres daqui&rdquo;, observa, apontando como diferentes elementos se articulam na agenda de reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A cidade de Altamira viu sua popula&ccedil;&atilde;o aumentar de 100 mil habitantes para 145 mil, ap&oacute;s o in&iacute;cio da obra, em meados de 2011. Com uma infraestrutura prec&aacute;ria, o poder p&uacute;blico n&atilde;o tem conseguido dar conta dos problemas derivados do contingente de pessoas. &ldquo;Vivemos em uma sociedade patriarcal, na qual a viol&ecirc;ncia contra a mulher &eacute; um fato cotidiano. Infelizmente, as autoridades permanecem inoperantes. E as den&uacute;ncias de abuso, de agress&atilde;o e de viol&ecirc;ncia sexual t&ecirc;m aumentado muito. Afinal, cada vez mais, com tanta gente chegando, os epis&oacute;dios de brigas e o consumo de &aacute;lcool tornam-se comuns&rdquo;, afirma Mariene Gomes.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio atual n&atilde;o &eacute; novo para os habitantes da regi&atilde;o de Altamira. O hist&oacute;rico de aus&ecirc;ncia do Estado no cumprimento de seus deveres &eacute; um elemento central na forma&ccedil;&atilde;o de uma tradi&ccedil;&atilde;o de mobiliza&ccedil;&atilde;o de movimentos sociais. A constru&ccedil;&atilde;o da Transamaz&ocirc;nica &ndash; estrada de propor&ccedil;&otilde;es gigantescas (4.223 km) que liga a regi&atilde;o Norte ao Nordeste &ndash; foi projetada pelo governo militar nos anos 1970 com o objetivo de integrar regi&otilde;es afastadas em um pa&iacute;s continental. No entanto, a obra impactou diversas localidades por onde se espalhou. O estabelecimento de uma malha vi&aacute;ria n&atilde;o foi acompanhado pela amplia&ccedil;&atilde;o de outras atribui&ccedil;&otilde;es do Estado, nem pelo controle e regula&ccedil;&atilde;o dos efeitos colaterais previs&iacute;veis de grandes obras.<\/p>\n<p>A obra da rodovia tamb&eacute;m desatou um aumento expressivo da popula&ccedil;&atilde;o nas localidades afetadas pelos canteiros. Os problemas sociais logo surgiram: ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada do territ&oacute;rio, expuls&atilde;o de ind&iacute;genas de suas terras, viol&ecirc;ncia por disputas fundi&aacute;rias. O desenvolvimento foi parcial e custou caro: saneamento, educa&ccedil;&atilde;o, assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, meios de transporte, em suma, servi&ccedil;os b&aacute;sicos n&atilde;o foram priorizados e, at&eacute; os dias atuais, rareiam em Altamira, uma das cidades por onde a rodovia passa. Nesse contexto, a mobiliza&ccedil;&atilde;o do movimento de mulheres comp&otilde;e um quadro de car&ecirc;ncias sociais que atua em conjunto com outros movimentos para conscientizar a popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o do movimento de mulheres na cidade, nos anos 1990, foi um reflexo das car&ecirc;ncias que atingiram e se perpetuaram em Altamira. Inicialmente, as mulheres se agruparam atrav&eacute;s de pequenas atividades cotidianas, como caminhar juntas para lavar roupa no igarap&eacute; (tipo de rio) e realizar almo&ccedil;os coletivos para incrementar os la&ccedil;os entre os habitantes. A din&acirc;mica de associa&ccedil;&atilde;o foi ganhando corpo e escopo pol&iacute;tico. A participa&ccedil;&atilde;o das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), da Igreja Cat&oacute;lica, foi determinante para o engajamento das mulheres em uma proposta mais formal, na qual as mulheres foram se conscientizando como sujeitos de direitos.<\/p>\n<p>Uma das principais conquistas do Movimento de Mulheres de Altamira do Campo e da cidade foi a cria&ccedil;&atilde;o dos Conselhos Municipais de Sa&uacute;de. Uma conquista muito comemorada, mas que, no entanto, est&aacute; longe de resolver a amplitude dos problemas sociais, tais como a viol&ecirc;ncia contra a mulher, fen&ocirc;meno que tem sobrevivido ao longo do tempo em Altamira. Somente a taxa de criminalidade (furtos, roubos e crimes de g&ecirc;nero), segundo a Pol&iacute;cia Civil do Par&aacute;, aumentou 28% de 2010 para 2011.<\/p>\n<p>De acordo com a coordenadora do movimento, a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia, apesar da prote&ccedil;&atilde;o garantida por lei &agrave;s mulheres, n&atilde;o &eacute; tratada adequadamente pelo poder p&uacute;blico. &ldquo;A delegacia de mulheres opera em um lugar improvisado. O abrigo para as mulheres v&iacute;timas de agress&otilde;es n&atilde;o funciona. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o complicada, ainda mais com o quadro atual. Quando h&aacute; den&uacute;ncias de viol&ecirc;ncia contra mulheres, a investiga&ccedil;&atilde;o e a prote&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima muitas vezes se perdem. A usina veio a somar-se aos diversos problemas que temos aqui&rdquo;, lamenta Mariene Gomes.<\/p>\n<p>A fragilidade dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos em Altamira n&atilde;o se reflete apenas sobre mulheres vitimadas pela viol&ecirc;ncia. As presidi&aacute;rias tamb&eacute;m enfrentam problemas quanto ao encarceramento. Sem pres&iacute;dio feminino no munic&iacute;pio, as detentas que cumprem pena s&atilde;o transferidas para Bel&eacute;m, capital do Par&aacute;, que fica a cerca de 700 km de Altamira. &ldquo;As mulheres t&ecirc;m sido presas por tr&aacute;fico de drogas, na maioria dos casos for&ccedil;adas ou incentivas pelos companheiros. Presas, elas s&atilde;o levadas para longe, porque o poder p&uacute;blico n&atilde;o d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o &agrave; necessidade do pres&iacute;dio feminino. Parece que as mulheres n&atilde;o t&ecirc;m direito. Elas ficam longe dos filhos, da fam&iacute;lia. Isso &eacute; muito problem&aacute;tico&rdquo;, critica a coordenadora do movimento de mulheres de Altamira, lembrando que o movimento entrou, junto com a Defensoria P&uacute;blica, com a&ccedil;&atilde;o cobrando na justi&ccedil;a que o Estado apresente planos de abrigar as presidi&aacute;rias no munic&iacute;pio de Altamira.<\/p>\n<p>A dist&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos filhos n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o de la&ccedil;os familiares. Com o afluxo crescente de gente, a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes tem sido cada vez mais frequente. Dados do Conselho Tutelar de Altamira mostram a evolu&ccedil;&atilde;o do problema: em 2009, foram 28 den&uacute;ncias; em 2010, 42; e, para 2011, cujos dados ainda n&atilde;o foram computados, a previs&atilde;o &eacute; de mais de 100 casos denunciados. &ldquo;Garantir a cidadania das mulheres &eacute; tamb&eacute;m uma maneira de prevenir que as crian&ccedil;as sejam aliciadas pela explora&ccedil;&atilde;o. Principalmente porque aqui em Altamira o cuidado com os filhos &eacute; uma tarefa das mulheres&rdquo;, avalia Mariene Gomes.<\/p>\n<p>O panorama dos servi&ccedil;os e das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em Altamira torna as mulheres vulner&aacute;veis em in&uacute;meras dimens&otilde;es do cotidiano. A coordenadora do movimento de mulheres lembra que a qualidade da moradia na cidade &eacute; p&eacute;ssima. &ldquo;Em um contexto de pobreza e de forte patriarcalismo, uma mulher morando em condi&ccedil;&otilde;es sub-humanas &eacute; ref&eacute;m da pobreza, do marido e das doen&ccedil;as. Uma ref&eacute;m que o poder p&uacute;blico n&atilde;o ajuda. O aumento do contingente de pessoas aqui tem agravado a situa&ccedil;&atilde;o. Se o poder p&uacute;blico n&atilde;o consegue resolver a quest&atilde;o da moradia, imagine com tantos novos habitantes.&rdquo;, observa a coordenadora do movimento.<\/p>\n<p>Com graves e antigos problemas estruturais em mat&eacute;ria de servi&ccedil;os b&aacute;sicos, o impacto social da constru&ccedil;&atilde;o da usina &eacute; agravado. Pessoas t&ecirc;m sido desalojadas, ind&iacute;genas &ndash; cujas reservas est&atilde;o na rota da barragem &ndash; t&ecirc;m migrado para o centro de Altamira sem sequer serem devidamente consultados pelas autoridades. A seguran&ccedil;a tem deteriorado. &ldquo;H&aacute; um estado de muita fragilidade aqui em Altamira. A incapacidade das autoridades em dar conta de tantos problemas &eacute; ainda mais preocupante, porque d&aacute; a impress&atilde;o de que estamos desamparadas&rdquo;, lamenta Mariene Gomes.<\/p>\n<p>Apesar da amplitude dos problemas, o movimento de mulheres de Altamira tem buscado intervir de forma a minorar as dificuldades. A atua&ccedil;&atilde;o em escolas tem tratado da conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. &ldquo;Temos falado sobre a import&acirc;ncia da Lei Maria da Penha e sobre a exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual. Divulgar nossas ideias e demandas nas escolas &eacute; uma das formas que podem ajudar as pessoas daqui a criar uma visa cr&iacute;tica sobre a sociedade e sobre o meio ambiente. Assim, temos certeza de que poderemos alterar a situa&ccedil;&atilde;o atual, difundindo conhecimento. &Eacute; o que nos motiva, afinal, a melhora das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos habitantes daqui n&atilde;o tem sido uma preocupa&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico&rdquo;, finaliza Mariene Gomes.<\/p>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncia Bibliogr&aacute;fica:<\/strong><\/p>\n<p>LACERDA, Paula Mendes. O caso dos meninos emasculados de Altamira: pol&iacute;cia, justi&ccedil;a e movimento social. Rio de Janeiro: UFRJ\/Museu Nacional, 2012.<\/p>\n<p>Foto: Paula Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mujeres, ind\u00edgenas y ni\u00f1os son v\u00edctimas de violencia, explotaci\u00f3n sexual y vivienda precaria por la construcci\u00f3n de la hidroel\u00e9ctrica Belo Monte, norte de Brasil. \u201cLuchar contra la construcci\u00f3n de la represa es tambi\u00e9n una forma de luchar por la libertad, dignidad y por los derechos de las mujeres\u201d, afirma Mariene Gomes, del Movimiento de Mujeres de Altamira del Campo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-839","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Feminismo y sustentabilidad - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/feminismo-y-sustentabilidad\/839\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Feminismo y sustentabilidad - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Mujeres, ind\u00edgenas y ni\u00f1os son v\u00edctimas de violencia, explotaci\u00f3n sexual y vivienda precaria por la construcci\u00f3n de la hidroel\u00e9ctrica Belo Monte, norte de Brasil. \u201cLuchar contra la construcci\u00f3n de la represa es tambi\u00e9n una forma de luchar por la libertad, dignidad y por los derechos de las mujeres\u201d, afirma Mariene Gomes, del Movimiento de Mujeres de Altamira del Campo. 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