{"id":847,"date":"2012-10-25T00:00:00","date_gmt":"2012-10-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/10\/25\/matices-juridicos\/"},"modified":"2012-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2012-10-25T02:00:00","slug":"matices-juridicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/matices-juridicos\/847\/","title":{"rendered":"Matices jur\u00eddicos"},"content":{"rendered":"<p>A reforma do C&oacute;digo Penal brasileiro que tramita no Senado tem  despertado rea&ccedil;&otilde;es opostas no movimento feminista. De um lado, o  anteprojeto disp&otilde;e, por exemplo, que o aborto deixe de ser crime at&eacute; a  12&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o (desde que comprovado que a gestante n&atilde;o tem  condi&ccedil;&otilde;es financeiras ou mentais para continuar a gravidez), previs&atilde;o  que gerou comemora&ccedil;&atilde;o diante de tema t&atilde;o caro ao movimento de mulheres.  Do outro lado, conforme o Centro Feminista de Estudos e Assessoria  (Cfemea) tem alertado, altera&ccedil;&otilde;es no C&oacute;digo podem levar a retrocessos em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e ao estupro, afetando, inclusive, a Lei  Maria da Penha, um marco no processo de enfrentamento da viol&ecirc;ncia  contra a mulher. Tais preocupa&ccedil;&otilde;es se revelam por meio de termos, frases  e pequenas nuances jur&iacute;dicas.<\/p>\n<p>De acordo com a advogada e assessora do Cfemea Luana Natielle, o novo  C&oacute;digo Penal prev&ecirc;, no artigo 129, que trata de crimes de les&atilde;o  corporal, a substitui&ccedil;&atilde;o da pena por medidas alternativas. A Lei Maria  da Penha veda qualquer tipo de medida alternativa quando h&aacute;  viol&ecirc;ncia  contra a mulher. &ldquo;A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, de g&ecirc;nero, se manifesta, dentre  outras formas, por les&atilde;o corporal. A Lei Maria da Penha acrescentou ao  artigo 129 par&aacute;grafo definindo a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica como qualificada,  isto &eacute;, incidindo sobre o aumento da pena. No novo C&oacute;digo, o par&aacute;grafo  est&aacute; exclu&iacute;do. Da forma como est&aacute;, o texto coloca a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero  no rol de crimes de menor potencial ofensivo. N&atilde;o podemos aceitar que o  combate &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher sofra tal retrocesso&rdquo;, critica Luana  Natielle.<\/p>\n<p>De acordo com Bernardo Campinho, advogado e professor da Universidade  Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a maneira como o texto  configura-se deixa entrever que as les&otilde;es corporais leves estar&atilde;o  inseridas nesta abordagem. &ldquo;Estou de acordo com o Cfemea, especialmente  porque, em casos de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero e dom&eacute;stica, as les&otilde;es mais  leves podem ser o in&iacute;cio de uma s&eacute;rie de agress&otilde;es que v&atilde;o se agravando  ao longo do tempo. A Lei Maria da Penha &eacute; um marco para o pa&iacute;s, pois  incorporou um tratamento mais rigoroso para a viol&ecirc;ncia contra mulher.  Tal medida poderia sinalizar um retorno da ideia de crime de menor  potencial ofensivo. Em casos de agress&atilde;o no contexto da viol&ecirc;ncia  dom&eacute;stica e familiar contra a mulher, n&atilde;o concordo com a possibilidade  de penas restritivas de direitos, mais conhecidas como medidas  alternativas&rdquo;, observa Bernardo Campinho.<\/p>\n<p>Desde que foi implementada, h&aacute; seis anos, a lei Maria da Penha  estabeleceu um novo padr&atilde;o de enfrentamento &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, que  at&eacute; ent&atilde;o era comumente punida com penas alternativas. Segundo dados do  Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ), at&eacute; dezembro de 2011, foram  instaurados 685.905 mil procedimentos baseados na lei. A san&ccedil;&atilde;o da lei  foi relevante, inclusive, como tem apontado o movimento feminista, para  expandir a percep&ccedil;&atilde;o das mulheres, que passaram a ter mais discernimento  de seus direitos. A viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, nesse sentido, deixou de ser  vista como um fato natural, revelando-se em seus elementos  socioculturais.<\/p>\n<p>O tratamento penal, afirma Luana Natielle, &eacute; um aspecto relevante no  caso da viol&ecirc;ncia contra mulher. &ldquo;Temos a consci&ecirc;ncia de que o sistema  prisional brasileiro &eacute; prec&aacute;rio, superlotado e repleto de falhas. No  entanto, a pena de pris&atilde;o &eacute; uma vit&oacute;ria simb&oacute;lica das feministas e das  mulheres, pois rompe com a ideia de que os crimes contra mulheres  poderiam ser relativizados. Afinal, na sociedade patriarcal em que  vivemos, a domina&ccedil;&atilde;o dos homens, a quest&atilde;o da mulher como posse do  companheiro e a justificativa da honra masculina ajudaram a construir  certa inevitabilidade da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, de g&ecirc;nero. Por isso,  prender o agressor &eacute; t&atilde;o importante, pelo seu efeito simb&oacute;lico e pela  garantia de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres v&iacute;timas&rdquo;, observa a assessora do  Cfemea.<\/p>\n<p>O texto do novo C&oacute;digo Penal n&atilde;o estipula o feminic&iacute;dio, incluindo o  ambiente dom&eacute;stico e familiar como qualificador para os crimes de  homic&iacute;dio. &ldquo;Isso traz alguns problemas, pois h&aacute; arranjos conjugais e  tipos de relacionamento que n&atilde;o se encaixam nesses moldes. Como se  proceder&aacute; quando o namorado matar a namorada, sem que ambos vivam  juntos, ou quando a viol&ecirc;ncia se der em fun&ccedil;&atilde;o do g&ecirc;nero feminino? H&aacute;  situa&ccedil;&otilde;es em que a agress&atilde;o ocorre sem que haja relacionamento.&rdquo;, aponta  Luana Natielle.<\/p>\n<p><b>Estupro e aborto<\/b><\/p>\n<p>Outro aspecto que resultou em cr&iacute;ticas &eacute; a previs&atilde;o sobre os crimes  contra a dignidade sexual. No texto, n&atilde;o est&atilde;o mencionados os estupros  mediante fraude (quando a v&iacute;tima &eacute; dopada por meio de drogas), coletivo  (contra v&aacute;rias mulheres) e o corretivo (realizado com o objetivo de  &ldquo;curar&rdquo; a homossexualidade). &ldquo;S&atilde;o crimes espec&iacute;ficos, que t&ecirc;m o g&ecirc;nero  como elemento central. Acredito que n&atilde;o prever textualmente tais delitos  retira das mulheres, de certa forma, formas de prote&ccedil;&atilde;o que precisam  estar bem definidas&rdquo;, afirma Luana Natielle.<\/p>\n<p>De acordo com o Cfemea, assim como outros movimentos de mulheres como  as Cat&oacute;licas pelo Direito de Decidir  (http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=9867), a reforma no  C&oacute;digo Penal traz avan&ccedil;os importantes no campo dos direitos das mulheres  e dos direitos sexuais e reprodutivos. O texto prev&ecirc; a criminaliza&ccedil;&atilde;o  da homofobia (por orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero),  equiparando-a aos crimes de discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito por cor e ra&ccedil;a.  Al&eacute;m disso, o aborto &eacute; estendido &agrave; mulher at&eacute; a 12&ordf; semana de gesta&ccedil;&atilde;o,  ao ser constatado que ela n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es financeiras ou  f&iacute;sico-mentais para levar &agrave; frente a gravidez. Tema que desperta a  rea&ccedil;&atilde;o de setores religiosos e dogm&aacute;ticos, atualmente, a interrup&ccedil;&atilde;o da  gravidez &eacute; legal quando resulta de estupro, p&otilde;e em risco a vida da  mulher ou quando o feto &eacute; anenc&eacute;falo. &ldquo;S&atilde;o propostas muito bem-vindas. O  aborto &eacute; um grave problema de sa&uacute;de no Brasil. A ilegalidade da pr&aacute;tica  pesa mais sobre mulheres pobres e negras. &Eacute; um tema muito importante ao  movimento de mulheres. Ainda que o aborto permane&ccedil;a como um direito  tutelado, j&aacute; que a permiss&atilde;o passa pelo aval de outra pessoa, a proposta  representa um progresso. O Cfemea apoia o novo C&oacute;digo em seus avan&ccedil;os,  mas sem perder de vista que h&aacute; retrocessos que precisam ser  solucionados&rdquo;, afirma Luana Natielle.<\/p>\n<p>Para a presidente da Comiss&atilde;o de Bio&eacute;tica e Biodireito (OAB-RJ),  Ma&iacute;ra Fernandes, o novo C&oacute;digo Penal n&atilde;o &eacute; a proposta ideal, mas traz  avan&ccedil;os importantes. &ldquo;Em primeiro lugar, est&aacute; previsto que se houver  risco de vida ou &agrave; sa&uacute;de da gestante, a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez &eacute;  permitida. &Eacute; um passo &agrave; frente em rela&ccedil;&atilde;o ao C&oacute;digo atual, no qual  apenas o risco imediato &agrave; vida autoriza o aborto. Por exemplo, se uma  mulher, orientada pelo m&eacute;dico a n&atilde;o engravidar em fun&ccedil;&atilde;o do que isso  pode trazer &agrave; sa&uacute;de dela, como um c&acirc;ncer de &uacute;tero, acaba engravidando,  n&atilde;o tem o direito de interromper a gravidez. Isso mudar&aacute;, conforme o  texto do novo C&oacute;digo. &Eacute; uma mudan&ccedil;a que est&aacute; de acordo com o conceito de  sa&uacute;de da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), que entende sa&uacute;de como  estado de bem-estar f&iacute;sico e mental&rdquo;, observa Ma&iacute;ra Fernandes. &ldquo;Outro  aspecto importante &eacute; que seja mais preciso e claro o que se entende por  falta de condi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas e mentais. Significa, de qualquer forma,  uma tutela &agrave; autonomia da mulher, pois a decis&atilde;o &eacute; repassada para um  terceiro. Ainda assim, estamos avan&ccedil;ando na quest&atilde;o dos direitos  reprodutivos das mulheres brasileiras, seja no plano jur&iacute;dico, seja no  plano da qualidade dos debates que t&ecirc;m sido promovidos pela m&iacute;dia. Penso  que a sociedade est&aacute; amadurecendo&rdquo;, completa Ma&iacute;ra Fernandes.<\/p>\n<p>Buscando ajustar e melhorar os retrocessos, o Cfemea tem feito um  esfor&ccedil;o de advocacy com senadores para tentar inclui emendas no texto. O  prazo final &eacute; 4 de novembro. &ldquo;O senador Pedro Taques, relator do  anteprojeto de lei, tem se mostrado sens&iacute;vel &agrave;s sugest&otilde;es no que diz  respeito &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher. O tempo &eacute; curto, mas s&oacute; nos resta  empenharmos de maneira firme para que as mulheres brasileiras n&atilde;o saiam  perdedoras na reforma&rdquo;, conclui Luana Natielle.<\/p>\n<p><b>C&oacute;digo em discuss&atilde;o<br \/> <\/b><\/p>\n<p>A repercuss&atilde;o da reforma do C&oacute;digo na sociedade brasileira tem  mobilizado diversos setores, institui&ccedil;&otilde;es e vozes nos debates sobre as  implica&ccedil;&otilde;es das mudan&ccedil;as propostas no texto. A OAB-RJ promoveu, no dia  24\/10, o primeiro ciclo de palestras &ldquo;Reforma do C&oacute;digo Penal: temas  controversos, novos paradigmas&rdquo;.<\/p>\n<p>Na mesa sobre direitos LGBT, o presidente do Grupo Arco-&Iacute;ris, Julio  Moreira, destacou a necessidade de se criminalizar a homofobia. &ldquo;A  homofobia n&atilde;o &eacute; um tema apenas da popula&ccedil;&atilde;o LGBT. Tem afetado tamb&eacute;m os  heterossexuais. Temos visto casos de pais e filhos, irm&atilde;os e amigos que,  abra&ccedil;ados, s&atilde;o v&iacute;timas de agress&otilde;es por parecerem gays. A previs&atilde;o de  uma categoria jur&iacute;dica que pune discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito por  orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero &eacute; um avan&ccedil;o muito bem-vindo&rdquo;,  afirmou Julio Moreira.<\/p>\n<p>A inclus&atilde;o da identidade de g&ecirc;nero como motiva&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&atilde;o  foi uma iniciativa da OAB-RJ, que argumentou que n&atilde;o apenas a orienta&ccedil;&atilde;o  sexual desperta crimes de &oacute;dio. Os indiv&iacute;duos trans tamb&eacute;m s&atilde;o v&iacute;timas  constantes de agress&otilde;es simb&oacute;licas e f&iacute;sicas.<\/p>\n<p>Para Julio Moreira, o respeito &agrave; diversidade &eacute; combatido por setores  fundamentalistas que fazem uso torpe das cren&ccedil;as como arma de ataque.  &ldquo;Nossos advers&aacute;rios n&atilde;o s&atilde;o as religi&otilde;es. S&atilde;o grupos que fazem uso  radical dos dogmas para embasar discursos de &oacute;dio. Eles nos acusam de  queremos fazer uma lavagem cerebral, de querer impor nossa sexualidade  aos outros indiv&iacute;duos. N&atilde;o &eacute; nossa inten&ccedil;&atilde;o. Queremos, sim, ter nossos  direitos e espa&ccedil;os respeitados&rdquo;, afirmou Julio Moreira.<\/p>\n<p>O advogado Evandro Ferreira Gomes falou sobre a import&acirc;ncia da lei  penal como instrumento de mudan&ccedil;a de mentalidade. &ldquo;Atrav&eacute;s das leis, o  povo se adapta, apreende novos par&acirc;metros. &Eacute; uma forma de doutrinar as  pessoas sobre o que &eacute; certo e errado. E a homofobia &eacute; uma forma de  preconceito que precisa ser combatida&rdquo;, argumentou o advogado.<\/p>\n<p>O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e  mestre em Direito Penal Felipe Caldeira afirmou que a criminaliza&ccedil;&atilde;o da  homofobia &eacute; uma necessidade l&oacute;gica. &ldquo;Todo crime precisa de uma l&oacute;gica  para ganhar sentido. O estudo e a observa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica mostram que h&aacute;  dados suficientes mostrando que &eacute; preciso punir a homofobia. Os atos de  viol&ecirc;ncia que temos visto contra tal segmento na imprensa demonstram  isso. Portanto, &eacute; necess&aacute;ria uma tutela espec&iacute;fica, nos moldes das que  existem na quest&atilde;o da ra&ccedil;a, etnia, proced&ecirc;ncia nacional e religi&atilde;o&rdquo;,  argumentou Felipe Caldeira, que se declarou contra a reforma do C&oacute;digo  da forma como est&aacute; e defendeu mudan&ccedil;as na reda&ccedil;&atilde;o do texto no que refere  &agrave; quest&atilde;o da criminaliza&ccedil;&atilde;o da homofobia. &ldquo;O texto estipula a puni&ccedil;&atilde;o  de pr&aacute;ticas e condutas discriminat&oacute;rias ou preconceituosas. &Eacute; preciso  indicar o que s&atilde;o tais condutas. Afinal, o C&oacute;digo faz men&ccedil;&atilde;o a centenas  de pr&aacute;ticas criminosas. Da forma como est&aacute;, fica muito aberto. Em todo  caso, criminalizar a homofobia &eacute; uma maneira de resgatar a dignidade das  pessoas homossexuais.&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Na mesa sobre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e Lei Maria da Penha, a professora e  especialista em teorias feministas do Direito Ana Lucia Sabadell (UFRJ)  criticou a &ecirc;nfase penal na abordagem da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. &ldquo;A  pol&iacute;tica educacional &eacute; o caminho mais adequado para combater o  patriarcalismo, que muitas vezes se mostra presente nos textos e normas  jur&iacute;dicas. Aniquilar o machismo em sua origem n&atilde;o se faz por meio do  encarceramento, mas sim pelo &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o temos pol&iacute;ticas de  g&ecirc;nero na escola. A via penal muitas vezes &eacute; uma necessidade, mas n&atilde;o se  pode fechar apenas em torno dela. Criminalizar o feminic&iacute;dio n&atilde;o vai  acabar com ele&rdquo;, criticou Ana Lucia Sabadell, criticando tamb&eacute;m a  aus&ecirc;ncia da academia brasileira na comiss&atilde;o de juristas encarregada do  texto do novo C&oacute;digo.<\/p>\n<p>A advogada e diretora da ONG Cepia, Leila Linhares, discordou da  companheira de mesa. &ldquo;A lei &eacute; uma forma de educar. O racismo, por  exemplo, ap&oacute;s a sua criminaliza&ccedil;&atilde;o introjetou-se na mentalidade das  pessoas como uma coisa errada, criminosa. N&atilde;o podemos subestimar a  puni&ccedil;&atilde;o penal da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, que &eacute; um avan&ccedil;o para as mulheres  brasileiras. At&eacute; 1994, a figura da defesa da honra era aceita como forma  de defesa no Brasil. Isso demonstra como temos avan&ccedil;ado nas quest&otilde;es  legais e, ao mesmo tempo, chamado a aten&ccedil;&atilde;o para a origem e a  legitimidade social da viol&ecirc;ncia contra a mulher, concretizada em  c&oacute;digos e condutas patriarcais&rdquo;, afirmou Leila Linhares, que destacou a  relev&acirc;ncia do novo C&oacute;digo Penal n&atilde;o perder de vista os direitos das  mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anteproyecto de reforma del C\u00f3digo Penal brasile\u00f1o presenta avances y retrocesos para los derechos de las mujeres, afirman feministas y operadores del derecho. Por un lado, el combate a la violencia de g\u00e9nero es retomado desde una perspectiva del crimen de menor potencial ofensivo. Por otro, el aborto pasa a ser permitido en m\u00e1s casos. El texto del proyecto, que contempla incluso cuestiones como la homofobia, debe ser mejorado.<i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Matices jur\u00eddicos - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/matices-juridicos\/847\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Matices jur\u00eddicos - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Anteproyecto de reforma del C\u00f3digo Penal brasile\u00f1o presenta avances y retrocesos para los derechos de las mujeres, afirman feministas y operadores del derecho. 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