{"id":857,"date":"2012-11-28T00:00:00","date_gmt":"2012-11-28T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2012\/11\/28\/la-familia-segun-victor-hugo\/"},"modified":"2012-11-28T00:00:00","modified_gmt":"2012-11-28T02:00:00","slug":"la-familia-segun-victor-hugo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/la-familia-segun-victor-hugo\/857\/","title":{"rendered":"La Familia, seg\u00fan V\u00edctor Hugo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;O que assistimos hoje n&atilde;o &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o que conduziria ao desaparecimento da fam&iacute;lia, mas a uma evolu&ccedil;&atilde;o que, ao contr&aacute;rio, a pereniza: o desejo dos homossexuais de entrar na ordem procriativa, ou seja, na ordem familiar da qual haviam sido exclu&iacute;dos&rdquo;. Interven&ccedil;&atilde;o de Elisabeth Roudinesco na Assembleia Nacional da Fran&ccedil;a, a prop&oacute;sito do projeto de lei Casamento para todos, em debate no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A sociedade francesa debate no momento o projeto de lei do Executivo que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo e permite que homossexuais possam participar de programas de ado&ccedil;&atilde;o. Em recente editorial, o jornal conservador Le Figaro afirmou que essa reforma do c&oacute;digo civil vai transformar a estrutura familiar tal qual ela existe na Fran&ccedil;a, &quot;A no&ccedil;&atilde;o de pai e m&atilde;e vai desaparecer do C&oacute;digo Civil e comprometer o futuro de milhares de crian&ccedil;as&rdquo;, afirma o texto.<\/p>\n<p>Assim como acontece no Brasil e em outras culturas, a proposta, ao colocar em jogo a no&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia, tem gerado grande ebuli&ccedil;&atilde;o &ndash; na Fran&ccedil;a inclui at&eacute; mesmo a realiza&ccedil;&atilde;o de passeatas em Paris e em v&aacute;rias outras cidades, organizadas por setores conservadores.<\/p>\n<p>Por compartilharmos as mesmas id&eacute;ias a respeito de temas como &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo; (e sua defini&ccedil;&atilde;o no plano antropol&oacute;gico, fundada n&atilde;o somente na diferen&ccedil;a biol&oacute;gica de sexo, ou na presen&ccedil;a obrigat&oacute;ria de um homem e de uma mulher, ou de um pai e de uma m&atilde;e) e o direito de casais homoafetivos de fundar uma fam&iacute;lia &ndash; e, portanto, se beneficiar, atrav&eacute;s do casamento, de direitos equivalentes aos de pessoas de sexos diferentes &ndash; reproduzimos abaixo o pronunciamento da historiadora da psican&aacute;lise e psicanalista Elisabeth Roudinesco na Comiss&atilde;o de leis sobre o casamento para todos, na Assembleia Nacional da Fran&ccedil;a no dia 15 de novembro, a qual consultou os psicanalistas a prop&oacute;sito do projeto de lei a ser votado em 2013. Em sua interven&ccedil;&atilde;o, Roudinesco recorre a Victor Hugo &ndash; em&nbsp;<i>Os Miser&aacute;veis<\/i>&nbsp;&ndash; para falar aos parlamentares presentes do real significado de &ldquo;parentalidade&rdquo;. Texto traduzido por C. Lucia M. Valladares de Oliveira.<br \/> &nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Excelent&iacute;ssimo Sr. presidente da Comiss&atilde;o de leis, Sr. Relator, senhoras e senhores parlamentares,<img decoding=\"async\" width=\"126\" height=\"126\" align=\"right\" src=\"\/uploads\/imagem\/ERoudinesco.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Gostaria de agradecer a honra que me outorgaram, convidando-me para esta sess&atilde;o sobre um tema ao qual j&aacute; dediquei muitos estudos enquanto historiadora sobre a fam&iacute;lia, sexualidade, psicanalise e psiquiatria. Permito-me tamb&eacute;m falar aqui como &ldquo;testemunho&rdquo;, posto que minha m&atilde;e, Jenny Aubry, pediatra, m&eacute;dica e psicanalista durante toda a sua vida tratou de crian&ccedil;as em sofrimento: crian&ccedil;as abandonadas, em orfanato, maltratadas, crian&ccedil;as doentes, crian&ccedil;as superdotadas, crian&ccedil;as aguardando ado&ccedil;&atilde;o e filia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Sou favor&aacute;vel a essa lei e como muitos de meus colegas soci&oacute;logos, antrop&oacute;logos e historiadores que os senhores j&aacute; ouviram &ndash; penso em particular como Irene Th&eacute;ry &ndash; fiquei surpresa com a viol&ecirc;ncia com a qual, novamente, os homossexuais foram estigmatizados em seu desejo de fundar uma fam&iacute;lia e, portanto, de beneficiar, atrav&eacute;s do casamento, de direitos equivalentes aos de pessoas de sexo diferente.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel compreender que os religiosos sejam contr&aacute;rios a esta muta&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o do casamento, considerando que eles possuem uma vis&atilde;o imut&aacute;vel e essencialista da fam&iacute;lia, atrav&eacute;s da qual o pai permanece como o substituto de Deus e a diferen&ccedil;a bio-anat&ocirc;mica dos sexos fundamenta todo o direito natural. Mas da parte de especialistas do tratamento ps&iacute;quico que atendem fam&iacute;lias perturbadas, tal oposi&ccedil;&atilde;o me parece incompreens&iacute;vel, em particular quando eles se reivindicam daquilo que foi e &eacute;, na hist&oacute;ria da psican&aacute;lise, a concep&ccedil;&atilde;o freudiana da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Em momento algum se encontrar&aacute; na obra do fundador da psican&aacute;lise o que uma parte de seus herdeiros pretende detectar atualmente: o casamento homossexual seria o fim da fam&iacute;lia, seria uma denega&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a de sexos, uma desgra&ccedil;a para as crian&ccedil;as, condenadas a ter pais perversos, condenadas a ficar sem filia&ccedil;&atilde;o, sem lei do pai separador, etc. N&atilde;o somente Freud n&atilde;o considerava os homossexuais como seres n&atilde;o humanos, como, em seu tempo, manifestou claramente sua vontade de despenalizar esta forma de sexualidade. N&atilde;o somente nem por um instante passou pela cabe&ccedil;a dele que a fam&iacute;lia pudesse se sustentar no primado da diferen&ccedil;a biol&oacute;gica dos sexos &ndash; uma vez que esta &eacute; uma evid&ecirc;ncia e n&atilde;o uma constru&ccedil;&atilde;o &ndash; como aceitou que sua filha Anna criasse os filhos de sua companheira e considerou que se tratava ali de uma fam&iacute;lia: estas s&atilde;o as palavras dele. Portanto, n&atilde;o fa&ccedil;amos Freud dizer o que ele nunca disse, exceto ao mergulhar em um anacronismo que todo historiador tem obriga&ccedil;&atilde;o de criticar.<\/p>\n<p>Na realidade, o que assistimos hoje n&atilde;o &eacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o que conduziria ao desaparecimento da fam&iacute;lia, mas a uma evolu&ccedil;&atilde;o que, ao contr&aacute;rio, a pereniza: o desejo dos homossexuais de entrar na ordem procriativa, ou seja, na ordem familiar da qual haviam sido exclu&iacute;dos. Este desejo de normatividade que se observa h&aacute; cerca de trinta anos &eacute; a consequ&ecirc;ncia da despenaliza&ccedil;&atilde;o da homossexualidade nas sociedades democr&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m dessa hecatombe que foi a AIDS. Querer se reproduzir estando inscrito na ordem familiar &eacute; tamb&eacute;m um desejo de vida, de transmiss&atilde;o. E &eacute; esta aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; normatividade que incomoda os oponentes &agrave; lei porque no fundo, ainda que n&atilde;o homof&oacute;bicos, eles gostariam de manter hoje em dia a imagem do homossexual maldito encarnado por Proust ou Oscar Wilde: na vis&atilde;o deles o homossexual deve permanecer clinicamente perverso, ou seja, fora da ordem procriativa.<\/p>\n<p>A abund&acirc;ncia de culturas &eacute;, no entanto, suficientemente extensa para permitir uma infinita variedade de modalidades de organiza&ccedil;&atilde;o familiar. De outra forma dita, deve-se admitir que, durante s&eacute;culos manifestaram-se no interior de duas grandes ordens do biol&oacute;gico (diferen&ccedil;a sexual) e do simb&oacute;lico (proibi&ccedil;&atilde;o do incesto e outras interdi&ccedil;&otilde;es), n&atilde;o somente transforma&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias &agrave; institui&ccedil;&atilde;o familiar, como tamb&eacute;m modifica&ccedil;&otilde;es do olhar dirigido para ela ao longo de gera&ccedil;&otilde;es. Uma vez admitida esta defini&ccedil;&atilde;o, cabe retomar a quest&atilde;o hist&oacute;rica. Fundada por muitos s&eacute;culos na soberania divina do pai, a fam&iacute;lia ocidental se transformou em uma fam&iacute;lia biol&oacute;gica a partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX com o advento da burguesia que atribu&iacute;a &agrave; maternidade um lugar central. A nova ordem familiar p&ocirc;de ent&atilde;o controlar o perigo que representava o lugar do feminino, ao pre&ccedil;o do questionamento do antigo poder patriarcal. Do seu decl&iacute;nio, do qual Freud tornou-se testemunha e principal te&oacute;rico, emergiu um processo de emancipa&ccedil;&atilde;o que permitiu &agrave;s mulheres afirmar sua diferen&ccedil;a &ndash; especialmente ao separar maternidade de desejo e procria&ccedil;&atilde;o, e ao querer ter acesso ao trabalho &ndash;, tomar as crian&ccedil;as como sujeitos e n&atilde;o como imita&ccedil;&otilde;es de adultos e aos homossexuais de se normalizar e de n&atilde;o mais ser considerados perversos. Esse movimento gerou ang&uacute;stia e desordem espec&iacute;ficas, ligadas ao terror da aboli&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a de sexos, com, no final do percurso, a perspectiva de uma dissolu&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. No final do s&eacute;culo XIX, de fato temia-se que as mulheres, ao trabalhar, se tornassem homens e que a diferen&ccedil;a de sexos fosse abolida. E hoje em dia, tem-se medo dessa mesma aboli&ccedil;&atilde;o que, nos dizem, viria dos homossexuais que tamb&eacute;m desejam fundar fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Mas o que funda a fam&iacute;lia no plano antropol&oacute;gico n&atilde;o &eacute; somente a diferen&ccedil;a biol&oacute;gica de sexos &ndash; o que ali&aacute;s n&atilde;o envolve necessariamente a exist&ecirc;ncia de um pai real e de uma m&atilde;e real, mas ambos de substitutos. &Eacute; antes e, sobretudo, a proibi&ccedil;&atilde;o do incesto e a necessidade de troca: faz-se necess&aacute;rio&nbsp;<i>as<\/i>&nbsp;fam&iacute;lias para que&nbsp;<i>a&nbsp;<\/i>fam&iacute;lia exista e faz-se necess&aacute;rio a proibi&ccedil;&atilde;o para assegurar aquilo que nos diferencia do mundo animal: a passagem da natureza &agrave; cultura. E que eu saiba nunca os homossexuais criando filhos renunciaram a essa necessidade. E foi mais sobre essa quest&atilde;o que sobre a da diferen&ccedil;a biol&oacute;gica que Freud aderiu em sua &eacute;poca &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia ao aproximar as neuroses burguesas das trag&eacute;dias antigas, ou seja, &agrave; interroga&ccedil;&atilde;o de cada sujeito sobre sua origem: quem eu sou, de onde venho? Tal &eacute; a quest&atilde;o de &Eacute;dipo de S&oacute;focles. De que sou culpado? Tal &eacute; a quest&atilde;o de Hamlet, os dois her&oacute;is preferidos de Freud que de forma alguma criou uma psicologia familiarista. Quanto ao casamento, institui&ccedil;&atilde;o especificamente humana e desde ent&atilde;o laica, ele &eacute; a tradu&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, legal, de certo estado da fam&iacute;lia em uma &eacute;poca dada. Em nada imut&aacute;vel e sempre evoluindo, sempre em muta&ccedil;&atilde;o como mostram tamb&eacute;m as revis&otilde;es que o C&oacute;digo Civil sofreu desde a sua instaura&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a em 1792. Em todos os lugares, nas sociedades democr&aacute;ticas, a institui&ccedil;&atilde;o do casamento est&aacute; em evolu&ccedil;&atilde;o como a fam&iacute;lia&#8230;<\/p>\n<p>Para concluir, gostaria de dizer que o que destr&oacute;i a fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; o desejo dos homossexuais de integrar a ordem familiar. Nunca &eacute; o desejo de fundar fam&iacute;lia, mas a mis&eacute;ria ps&iacute;quica, material, moral, esta que vemos hoje e que conduz a derivas assassinas, ao terrorismo, ao sectarismo religioso. Mis&eacute;ria distinta de destinos tr&aacute;gicos pr&oacute;prios &agrave;s dinastias reais que se destroem de dentro.&nbsp;<\/p>\n<p> Victor Hugo enunciou em&nbsp;<i>Os Miser&aacute;veis<\/i>, livro que todos deveriam ler hoje nestes tempos de crise econ&ocirc;mica e crise moral: o pai desempregado e explorado, a m&atilde;e escravizada, a crian&ccedil;a vagabunda. Mas, sobretudo, gostaria de assinalar que esse mesmo Hugo, que ao longo de sua exist&ecirc;ncia aderiu a todas as formas de parentalidade pr&oacute;prias &agrave; sua &eacute;poca &ndash; casamento por amor, adult&eacute;rio, pai, patriarca, av&ocirc;, pai infeliz diante da loucura de uma filha e a morte de outra, pai amante do amor &ndash; forjou, atrav&eacute;s de Jean Valjean, um personagem c&eacute;lebre sobre o qual deveriam refletir todos aqueles que na ess&ecirc;ncia argumentam que o bem-estar da crian&ccedil;a exige a presen&ccedil;a absolutamente necess&aacute;ria de um homem e uma mulher, de um pai e de uma m&atilde;e.&nbsp;<\/p>\n<p> Resgatado da mis&eacute;ria, habitado pelo desejo do mal durante os dezenove anos que passou na pris&atilde;o, e depois convertido por um religioso &agrave; vontade de fazer o bem, Valjean nunca tinha conhecido, aos 55 anos de idade, a menor rela&ccedil;&atilde;o carnal ou amorosa. Virgem, ele nunca tinha amado nem pai, nem m&atilde;e, nem amante, nem mulher, nem amigo.&nbsp;<\/p>\n<p> Quando descobre atrav&eacute;s de Fantine, ex-prostituta, a exist&ecirc;ncia de Cosette &ndash; crian&ccedil;a m&aacute;rtir, humilhada pelos Th&eacute;nardier &ndash;, ele vai procur&aacute;-la e torna-se seu pai, sua m&atilde;e, seu educador, seu tutor, enfim, o substituto de tudo que falta &agrave; crian&ccedil;a sem amor: um &uacute;nico substituto que basta para assegurar ent&atilde;o a felicidade futura da crian&ccedil;a mais miser&aacute;vel da terra. Nove meses: o tempo de uma gesta&ccedil;&atilde;o. O cora&ccedil;&atilde;o do condenado, diz Hugo, est&aacute; &ldquo;repleto de virgindades&rdquo; e, ao ver Cosette, ele sente pela primeira vez &ldquo;um &ecirc;xtase amoroso que vai ao desvario&rdquo;. Imediatamente sentiu as fisgadas, ou seja, as dores do parto: &ldquo;Como uma m&atilde;e, e sem saber do que se trata.&rdquo; Literalmente, portanto, ele d&aacute; a luz a uma crian&ccedil;a e o amor que ele sente &eacute; materno. Por sua vez, a crian&ccedil;a, tendo esquecido o rosto de sua m&atilde;e, s&oacute; tendo conhecido socos, s&oacute; tendo amado uma vez na vida, n&atilde;o um humano, mas um animal &ndash; um cachorro &ndash; olha para esse homem que ela vai chamar de pai sem saber quem ele &eacute; e sem nunca saber seu verdadeiro nome. Ela vai am&aacute;-lo al&eacute;m de qualquer conhecimento da diferen&ccedil;a entre uma m&atilde;e e um pai, como um santo, desprovido de sexualidade.<\/p>\n<p>Atualmente, diante de pedopsiquiatras &ldquo;especialistas&rdquo;, assombrados pelo espectro da aboli&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a de sexos, Valjean seria sem duvida visto como um pai mau ou uma m&atilde;e m&aacute;, ou pior ainda, como um ped&oacute;filo.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, eu diria a todos aqueles que, em nome de uma imposs&iacute;vel normalidade, fustigam as fam&iacute;lias monoparentais, homoparentais, &ldquo;anormais&rdquo;, divorciadas, que cada crian&ccedil;a amaria tanto ter por m&atilde;e e pai a cada vez um Jean Valjean.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLo que vemos hoy no es una revoluci\u00f3n que conducir\u00eda a la desaparici\u00f3n de la familia, sino una evoluci\u00f3n que, al contrario, la preserva: el deseo de los homosexuales de entrar en el orden procreativo, o sea, en el orden familiar del cual hab\u00edan sido excluidos\u201d. 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