{"id":887,"date":"2013-05-15T00:00:00","date_gmt":"2013-05-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2013\/05\/15\/alcances-de-la-laicidad\/"},"modified":"2013-05-15T00:00:00","modified_gmt":"2013-05-15T03:00:00","slug":"alcances-de-la-laicidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/alcances-de-la-laicidad\/887\/","title":{"rendered":"Alcances de la laicidad"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil tem assistido a um crescimento significativo da popula&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica. De acordo com o Censo de 2010, o segmento evang&eacute;lico chegou a 22% da popula&ccedil;&atilde;o nacional, um crescimento de quase 7% ante os 15,4% registrados no Censo de 2000. O aumento tem repercutido no plano pol&iacute;tico, especialmente nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, onde cada vez mais se observa a articula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos religiosos nas pautas das casas legislativas e no encaminhamento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dos governos.<\/p>\n<p>A chamada bancada evang&eacute;lica do Congresso Nacional conta com 66 parlamentares (3 senadores e 63 deputados) e tem atuado &agrave;s claras, de maneira expl&iacute;cita e panflet&aacute;ria, valendo-se de argumentos religiosos para pautar suas a&ccedil;&otilde;es. Atua&ccedil;&atilde;o que conta com o aux&iacute;lio silencioso, mas efetivo, de pol&iacute;ticos cat&oacute;licos e at&eacute; mesmo de esp&iacute;ritas (no caso da cruzada antiaborto). Um cen&aacute;rio que, na conjuntura atual, tem levantado uma quest&atilde;o essencial: em que medida a seculariza&ccedil;&atilde;o do Estado, prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, tem sido violada? At&eacute; que ponto a laicidade, enquanto princ&iacute;pio jur&iacute;dico, &eacute; suficiente para dar conta da crescente interlocu&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica e religi&atilde;o nas esferas institucionais? &Eacute; poss&iacute;vel haver sintonia entre demandas emergentes de direitos, como o combate &agrave; homofobia (celebrado neste 17 de maio) e o reconhecimento social e legal do tr&acirc;nsito entre os g&ecirc;neros, e pr&aacute;ticas religiosas que buscam se institucionalizar?<\/p>\n<p>O Estatuto do Nascituro, que busca dar ao embri&atilde;o o mesmo status jur&iacute;dico de uma pessoa nascida e viva, a Proposta de Emenda (PEC) 99\/11, cujo objetivo &eacute; conceder a Associa&ccedil;&otilde;es Religiosas a capacidade de propor a&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade de leis e atos normativos, e a PEC 33\/11, que pretende submeter decis&otilde;es do Supremo Tribunal Federal &agrave; an&aacute;lise do Congresso Nacional, entre outras a&ccedil;&otilde;es, integram a agenda promovida por pol&iacute;ticos religiosos. Esta &uacute;ltima proposta (PEC 33\/11), de autoria do deputado cat&oacute;lico Nazareno Fonteles, nasceu como uma ofensiva para minimizar a atua&ccedil;&atilde;o e o poder do STF, depois que a Corte m&aacute;xima do pa&iacute;s aprovou as pesquisas com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias (2008) e a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez em casos de anencefalia (2012), e reconheceu a legitimidade das uni&otilde;es est&aacute;veis entre pessoas do mesmo sexo (2011), igualando-as &agrave;s uni&otilde;es est&aacute;veis heterossexuais. De acordo com a advogada e integrante do CLADEM (Comit&ecirc; Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher), Ma&iacute;ra Fernandes, o fato de o Brasil ser constitucionalmente laico n&atilde;o deveria abrir espa&ccedil;o para que conte&uacute;dos religiosos sejam fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para leis e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. &ldquo;&Eacute; poss&iacute;vel vislumbrar, mesmo em um pa&iacute;s de forte tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, espa&ccedil;os pol&iacute;ticos neutros &agrave; religi&atilde;o. H&aacute; in&uacute;meros pa&iacute;ses com forte tradi&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica que conseguem respeitar a laicidade e legislar sobre temas pol&ecirc;micos em mat&eacute;ria de valores religiosos. Portugal e It&aacute;lia s&atilde;o pa&iacute;ses marcadamente cat&oacute;licos e, no entanto, possuem leis que autorizam a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez&rdquo;, observa Ma&iacute;ra Fernandes.<\/p>\n<p>De que maneira, entretanto, &eacute; poss&iacute;vel preservar a liberdade religiosa, colocada no discurso de setores religiosos como estando sob amea&ccedil;a? De acordo com Ma&iacute;ra Fernandes, a f&eacute;, antes de tudo, &eacute; uma quest&atilde;o privada. As doutrinas religiosas de uma sociedade, destaca a advogada, deveriam permanecer no &acirc;mbito individual, at&eacute; por uma quest&atilde;o de respeito &agrave; pluralidade de manifesta&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as.<\/p>\n<p>&ldquo;Os atos estatais n&atilde;o podem se basear em argumentos religiosos ou dogm&aacute;ticos. Isso n&atilde;o significa dizer que, em temas pol&ecirc;micos, as associa&ccedil;&otilde;es e entidades religiosas n&atilde;o devam ter assegurado o seu espa&ccedil;o de manifesta&ccedil;&atilde;o. Em uma democracia, &eacute; fundamental que seja assegurada a possibilidade dos representantes dos mais diversos setores da sociedade civil se manifestarem sobre todos os assuntos em pauta no Executivo, Legislativo ou Judici&aacute;rio, fomentando-se um debate p&uacute;blico e amplo&rdquo;, afirma Ma&iacute;ra Fernandes. &ldquo;&Eacute; fundamental que assuntos como os direitos sexuais e reprodutivos sejam debatidos com o devido respeito &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es divergentes para que, ao final, seja qual for o resultado, todos os setores envolvidos no processo de debates possam reconhecer sua legitimidade&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>O argumento da laicidade &eacute; um eixo central no discurso dos movimentos sociais que atuam no campo dos direitos sexuais e reprodutivos. De acordo com Thiago Vianna, presidente do Conselho Jur&iacute;dico da Liga Humanista Secular do Brasil (LSH), a laicidade constitui um princ&iacute;pio com dois sentidos. &ldquo;A laicidade resguarda, em primeiro lugar, o Estado das interfer&ecirc;ncias religiosas. Em segundo lugar, garante ao Estado democr&aacute;tico as condi&ccedil;&otilde;es para que zele e promova a igualdade de cren&ccedil;as, protegendo inclusive aqueles que se consideram descrentes, sem religi&atilde;o. &Eacute; justamente a neutralidade do Estado frente os discursos religiosos que permite a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica&rdquo;, observa Thiago Vianna que tamb&eacute;m preside a Comiss&atilde;o de Diversidade Sexual da OAB\/MA.<\/p>\n<p>Nesta semana, o Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ) aprovou resolu&ccedil;&atilde;o que obriga cart&oacute;rios civis a converter uni&otilde;es est&aacute;veis homossexuais em casamento. A proposta foi apresentada pelo presidente do CNJ, Joaquim Barbosa, que tamb&eacute;m preside o Supremo Tribunal Federal (STF), e aprovada por 14 a 1. De acordo com Barbosa, a resolu&ccedil;&atilde;o visa remover &quot;obst&aacute;culos administrativos &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o&quot; da decis&atilde;o do Supremo, tomada em maio de 2011, de equiparar as uni&otilde;es est&aacute;veis entre pessoas do mesmo sexo &agrave;s uni&otilde;es entre casais heterossexuais. Na ocasi&atilde;o, o <a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=8121\">Supremo Tribunal Federal reconheceu ambas como iguais<\/a>, evidenciando que o Poder Judici&aacute;rio tem se mostrado como espa&ccedil;o institucional que privilegia, em rela&ccedil;&atilde;o ao Legislativo, uma vis&atilde;o mais inclusiva de direitos sexuais da popula&ccedil;&atilde;o LGBT. A resolu&ccedil;&atilde;o aprovada nesta semana pelo CNJ diz que &quot;&eacute; vedada &agrave;s autoridades competentes a recusa de habilita&ccedil;&atilde;o, celebra&ccedil;&atilde;o de casamento civil ou de convers&atilde;o de uni&atilde;o est&aacute;vel em casamento entre pessoas de mesmo sexo&quot;. E acrescenta que, se houver recusa dos cart&oacute;rios, ser&aacute; comunicado o juiz corregedor para &quot;provid&ecirc;ncias cab&iacute;veis&quot;.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do STF tem sofrido, desde ent&atilde;o, cr&iacute;ticas de parlamentares religiosos, que patrocinaram a&ccedil;&otilde;es judiciais buscando a revoga&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o. &ldquo;H&aacute; uma tentativa de interfer&ecirc;ncia baseada em preceitos religiosos. Nesse caso, n&atilde;o h&aacute; outra explica&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel que n&atilde;o seja o uso abusivo da religi&atilde;o. Direitos n&atilde;o podem ser questionados em nome de valores religiosos. Isso &eacute; uma coisa b&aacute;sica, que infelizmente tem sido esquecida nos tempos atuais&rdquo;, argumenta Thiago Vianna.<\/p>\n<p>O projeto de lei 122, que tem como objetivo tornar a homofobia um crime da mesma natureza que o racismo e outras manifesta&ccedil;&otilde;es preconceituosas, tramita h&aacute; anos no Congresso. Nos &uacute;ltimos anos, o combate ao projeto tem sido uma bandeira empalmada com veem&ecirc;ncia pela bancada evang&eacute;lica: para os parlamentos do grupo, a lei representaria uma viola&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o religiosa. A homossexualidade &eacute; um fen&ocirc;meno considerado pecado pelo Cristianismo, cuja doutrina tem no sexo heterossexual e reprodutivo um pilar central. No entanto, at&eacute; que ponto um valor religioso torna-se aplic&aacute;vel ao mundo das leis? Parlamentares da bancada, como o deputado Pastor Marco Feliciano, cuja elei&ccedil;&atilde;o para a presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara desatou uma s&eacute;rie de protestos, caracterizam o sentimento entre pessoas homoafetivas  como &ldquo;podre&rdquo; e como caminho ao &ldquo;&oacute;dio&rdquo;.<\/p>\n<p>Para combater a acusa&ccedil;&atilde;o de viola&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o religiosa, a &uacute;ltima vers&atilde;o do PL 122 retira do rol de possibilidades de manifesta&ccedil;&otilde;es homof&oacute;bicas aquelas proferidas dentro dos templos religiosos. &ldquo;&Eacute; uma falsa pol&ecirc;mica, de novo alimentada pela mescla indevida entre religi&atilde;o e Estado. N&atilde;o se pode, sob hip&oacute;tese alguma, menosprezar a dignidade das pessoas. O discurso de demoniza&ccedil;&atilde;o dos gays, por exemplo, induz ao preconceito. O direito &agrave; liberdade religiosa &eacute; um lado da moeda. O outro &eacute; o dever de respeitar. N&atilde;o se pretende, com o PL 122, restringir pr&aacute;ticas religiosas. Pretende-se, conforme j&aacute; h&aacute; em mais de 50 pa&iacute;ses pelo mundo, punir discursos raivosos que se travestem biblicamente. Isso significa, na pr&aacute;tica, dizer que ningu&eacute;m tem o direito de associar a homossexualidade &agrave; pedofilia. Isso &eacute; uma ofensa&rdquo;, argumenta Thiago Vianna, para quem o PL 122 n&atilde;o obrigar&aacute; ningu&eacute;m a gostar de pessoas LGBT. &ldquo;A liberdade de consci&ecirc;ncia permanece aut&ocirc;noma e livre, mas a externaliza&ccedil;&atilde;o da mesma deve estar sujeita &agrave; lei&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>O caso do Pastor Marco Feliciano tornou-se emblem&aacute;tico, a come&ccedil;ar pelo pr&oacute;prio nome regimental.  Para Thiago Vianna, seria importante que postulantes a cargos p&uacute;blicos se afastassem de cargos eclesi&aacute;sticos. &ldquo;A exist&ecirc;ncia de parlamentares como o Pastor Marco Feliciano &eacute; uma afronta &agrave; laicidade. E evidencia, a meu ver, como o Brasil est&aacute; atrasado em termos de separa&ccedil;&atilde;o entre Estado e religi&atilde;o. O Pa&iacute;s, infelizmente, ainda n&atilde;o tem incorporado a no&ccedil;&atilde;o de que uma sociedade democr&aacute;tica tem na laicidade princ&iacute;pio imprescind&iacute;vel. E n&atilde;o h&aacute; uma discuss&atilde;o racional e l&uacute;cida sobre o tema&rdquo;, critica Thiago Vianna, para quem o Brasil caminha para um futuro perigoso, caso as coisas permane&ccedil;am como est&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;O problema n&atilde;o &eacute; a religi&atilde;o em si, n&atilde;o &eacute; o fato de o deputado ser crist&atilde;o. &Eacute; o enraizamento religioso nesses espa&ccedil;os de defini&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da ordem social. Como n&atilde;o temer uma teocracia, no longo prazo? N&atilde;o &eacute; algo que se instala rapidamente, mas que se inicia como um processo de tomada de espa&ccedil;os, fato que temos testemunhado&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>Tramita no Congresso, na Comiss&atilde;o presidida pelo Pastor Marco Feliciano, um projeto que busca sustar resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho Federal de Psicologia que pro&iacute;be a formula&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de terapias para &ldquo;tratar&rdquo; a homossexualidade por parte de seus profissionais. As diretrizes da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) e de outras associa&ccedil;&otilde;es das ci&ecirc;ncias psi descartaram h&aacute; d&eacute;cadas a vis&atilde;o patologizante de desejos e pr&aacute;ticas homoafetivas. At&eacute; que ponto a seculariza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o tem sido amea&ccedil;ada no campo da sa&uacute;de? No caso do projeto que corre no Congresso, argumenta Thiago Vianna, evidencia-se uma mistura que ultrapassa a rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e religi&atilde;o. &ldquo;H&aacute; a&iacute; um discurso falacioso e c&iacute;nico. Falta ci&ecirc;ncia e discernimento a parlamentares que n&atilde;o conseguem, por conta de valores religiosos, reconhecer a legitimidade dos desejos. Um psic&oacute;logo, e isso &eacute; o que determina seu &oacute;rg&atilde;o de classe, deve ajudar a aliviar o sofrimento. N&atilde;o a alterar uma condi&ccedil;&atilde;o afetiva ou de desejo que n&atilde;o &eacute; considerada, pela ci&ecirc;ncia, uma doen&ccedil;a.&rdquo;<\/p>\n<p>De 2012 para c&aacute;, houve pelo menos dois cultos realizados no Congresso por parlamentares da bancada evang&eacute;lica, que justificam a pr&aacute;tica atrav&eacute;s do argumento da liberdade religiosa. &ldquo;Espa&ccedil;os pol&iacute;ticos n&atilde;o s&atilde;o lugar para culto. &Eacute; uma das condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, inclusive, para que se haja respeito e igualdade perante todas as outras religi&otilde;es. Um aspecto que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; o recha&ccedil;o que integrantes da bancada evang&eacute;lica dedicam a manifesta&ccedil;&otilde;es de outras religi&otilde;es. Gostaria de ver se haveria tanta desenvoltura caso praticantes do candombl&eacute; ou do espiritismo realizassem seus rituais ali. Obviamente, sabemos que, apesar de setores evang&eacute;licos defenderem valores crist&atilde;os de respeito e amor ao pr&oacute;ximo, na pr&aacute;tica a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; distinta. H&aacute; o patroc&iacute;nio de uma intoler&acirc;ncia contra religi&otilde;es de matriz africana. Um patroc&iacute;nio sutil e c&iacute;nico, pois se esconde atrav&eacute;s de uma declarada liberdade de cren&ccedil;a&rdquo;, argumenta Thiago Vianna.<\/p>\n<p>A atua&ccedil;&atilde;o de setores religiosos no Congresso n&atilde;o &eacute; nova, mas tem se intensificado nos &uacute;ltimos anos, o que se explica, em parte, pelo papel que a bancada evang&eacute;lica desempenha no xadrez da coaliz&atilde;o governamental. O governo da presidente Dilma Rousseff tem se omitido diante de temas caros &agrave; moral crist&atilde;. A press&atilde;o de pol&iacute;ticos religiosos se avoluma, for&ccedil;ando o governo a suspender pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sobre diversidade (kit anti-homofobia, em 2011)) e preven&ccedil;&atilde;o ao HIV\/Aids (retirada, em 2012, de campanhas voltadas ao p&uacute;blico gay).<\/p>\n<p>Tal recrudescimento religioso est&aacute; inserido em um contexto de amplia&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o lenta de demandas da popula&ccedil;&atilde;o LGBT e feminista. O governo do presidente Lula (2003-2010)  promoveu Confer&ecirc;ncias voltadas para minorias e criou o Programa Brasil Sem Homofobia, por exemplo. Avan&ccedil;os que, ainda que incipientes, trazem &agrave; tona desigualdades historicamente produzidas em um pa&iacute;s marcado pelas injusti&ccedil;as e pelos preconceitos de diversas ordens. Nesse sentido, observa Thiago Vianna, o avan&ccedil;o desse movimento de natureza religiosa espelha um conservadorismo profundo, t&iacute;pico de uma sociedade que segrega minorias. Para o presidente da Comiss&atilde;o de Diversidade Sexual da OAB-MA, no entanto, a discuss&atilde;o mais l&uacute;cida sobre o tema da laicidade deve ser feita como condi&ccedil;&atilde;o essencial para enfrentar a conjuntura atual.<\/p>\n<p>&ldquo;Acredito que o recrudescimento religioso que tenta se institucionalizar &eacute; facilitado pela precariedade da educa&ccedil;&atilde;o, que no Brasil est&aacute; desfocada de uma discuss&atilde;o ampla e consistente de cidadania e direitos humanos. N&atilde;o vejo outra solu&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja enfrentar esse desafio e mostrar que religi&atilde;o &eacute; algo plural, n&atilde;o significa a mesma coisa. H&aacute; v&aacute;rios tipos de f&eacute;, de cren&ccedil;as. Respeitar os direitos humanos passa pela aplica&ccedil;&atilde;o plena da laicidade. &Eacute; preciso deixar claro que o que estamos assistindo &eacute; uma utiliza&ccedil;&atilde;o oportunista da religi&atilde;o&rdquo;, conclui Thiago Vianna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Operadores de Derecho comentan la creciente articulaci\u00f3n de sectores religiosos en el Congreso Nacional en el sentido de detener el avance de Brasil en cuestiones relativas a los derechos sexuales, las cuales han sido apreciadas por el poder Judicial en ausencia de una actuaci\u00f3n laica de los representantes del Legislativo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Alcances de la laicidad - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/alcances-de-la-laicidad\/887\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Alcances de la laicidad - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Operadores de Derecho comentan la creciente articulaci\u00f3n de sectores religiosos en el Congreso Nacional en el sentido de detener el avance de Brasil en cuestiones relativas a los derechos sexuales, las cuales han sido apreciadas por el poder Judicial en ausencia de una actuaci\u00f3n laica de los representantes del Legislativo. 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