{"id":894,"date":"2013-06-20T00:00:00","date_gmt":"2013-06-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2013\/06\/20\/pais-sin-guarderias\/"},"modified":"2013-06-20T00:00:00","modified_gmt":"2013-06-20T03:00:00","slug":"pais-sin-guarderias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/pais-sin-guarderias\/894\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds sin guarder\u00edas"},"content":{"rendered":"<p>O governo brasileiro tem como eixo central da pol&iacute;tica de sa&uacute;de da mulher a <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=8065\" rel=\"noopener\">Rede Cegonha<\/a>, centrada na l&oacute;gica materno-infantil. Da mesma maneira, ao se <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10387\" rel=\"noopener\">aliar estrategicamente a setores religiosos dogm&aacute;ticos no Congresso<\/a>,  o governo avaliza concep&ccedil;&atilde;o semelhante. Tais setores s&atilde;o defensores  radicais da no&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia nuclear (homem e mulher), vista como &uacute;nica  configura&ccedil;&atilde;o conjugal leg&iacute;tima voltada para a reprodu&ccedil;&atilde;o. Patrocinam,  ainda, o estatuto do Nascituro, cujo objetivo &eacute; dotar o embri&atilde;o de  prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e moral que indiv&iacute;duos vivos e constitu&iacute;dos possuem.  Tamanha &ecirc;nfase, no entanto, n&atilde;o &eacute; acompanhada por medidas e pol&iacute;ticas de  suporte aos pais: de acordo com dados da Secretaria de Pol&iacute;ticas para  as Mulheres de 2011, apenas 18% das 10 milh&otilde;es de crian&ccedil;as em idade de  creche est&atilde;o matriculadas. Seriam necess&aacute;rias 19 mil unidades para dar  conta da demanda.<\/p>\n<p>Durante a campanha presidencial de 2010, a ent&atilde;o candidata Dilma  Rousseff prometeu que em seu governo construiria 6 mil creches. No final  de 2012, irris&oacute;rias 6 unidades tinham sido entregues.  A creche, como  instrumento de pol&iacute;tica educacional, tem sido t&atilde;o somente uma pe&ccedil;a de  ret&oacute;rica. No cotidiano, as dificuldades para a constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de  creches ampla e de qualidade s&atilde;o de v&aacute;rias ordens.<\/p>\n<p>De acordo com a psic&oacute;loga F&uacute;lvia Rosemberg, pesquisadora da Funda&ccedil;&atilde;o  Carlos Chagas e professora da PUC-SP, a contradi&ccedil;&atilde;o entre discurso e  pr&aacute;tica tem sido uma constante, especialmente quando se analisam dados  oficiais.  &ldquo;N&atilde;o h&aacute; campanha em que candidatos ou candidatas n&atilde;o peguem  beb&ecirc;s no colo. No entanto, os beb&ecirc;s continuam discriminados: apenas  23,5% das crian&ccedil;as de at&eacute; 3 anos no Brasil frequentavam creche em 2010,  conforme o Censo Demogr&aacute;fico 2010. O n&uacute;mero &eacute; reduzid&iacute;ssimo se  focalizarmos os de at&eacute; 2 anos: apenas 14,8% desses frequentavam creche  no mesmo ano&rdquo;, afirma F&uacute;lvia Rosemberg. &ldquo;A Rede Cegonha parece conceber  que a disponibilidade de creches de f&aacute;cil acesso e de boa qualidade n&atilde;o  integra a sa&uacute;de da mulher, n&atilde;o constitui meta de uma pol&iacute;tica de sa&uacute;de  materno-infantil. Nota-se um div&oacute;rcio entre as a&ccedil;&otilde;es reivindicadas e  desenvolvidas pelas pol&iacute;ticas para as mulheres (&oacute;rg&atilde;os de Estado e  movimento social) e aquelas do &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o infantil&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1998 reconhece o direito de creche &agrave;s crian&ccedil;as  pequenas, o que, no entanto, na pr&aacute;tica tem se mostrado fr&aacute;gil. Isso  gera, para F&uacute;lvia Rosemberg, uma d&iacute;vida do pa&iacute;s com as crian&ccedil;as  pequenas, especialmente diante de concep&ccedil;&otilde;es educacionais hegem&ocirc;nicas  que valorizam outros momentos da trajet&oacute;ria de uma pessoa nos espa&ccedil;os de  ensino. &ldquo;A import&acirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es educacionais na vida de  crian&ccedil;as, particularmente das creches na vida das pequeninas, pode  escapar aos adultos que t&ecirc;m autonomia de locomo&ccedil;&atilde;o, que t&ecirc;m liberdade de  ir e vir. Crian&ccedil;as pequenas, beb&ecirc;s, s&atilde;o popula&ccedil;&otilde;es cativas, cuja  locomo&ccedil;&atilde;o depende dos adultos. Se n&atilde;o dispuserem de espa&ccedil;os alternativos  &agrave; casa, viver&atilde;o seus anos de pequena inf&acirc;ncia nas condi&ccedil;&otilde;es restritas  do domic&iacute;lio. Isto seria uma das raz&otilde;es para a necessidade de que,  particularmente, as creches sejam de boa qualidade. Por&eacute;m, no Brasil,  considera-se &lsquo;evidente por si&rsquo;, &lsquo;inquestion&aacute;vel&rsquo; que o custo de uma  crian&ccedil;a na creche seja inferior ao custo de um aluno na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o&rdquo;,  afirma a pesquisadora, especializada em estudos no campo das rela&ccedil;&otilde;es de  g&ecirc;nero e educa&ccedil;&atilde;o infantil.<\/p>\n<p>Tal panorama decorre de valores culturais arraigados. Para F&uacute;lvia  Rosemberg, pode parecer estranho achar que uma crian&ccedil;a valha menos que  um adulto. No entanto, &ldquo;a naturaliza&ccedil;&atilde;o da ideologia adultoc&ecirc;ntrica na  sociedade brasileira considera que programas educacionais para crian&ccedil;as  pequenas devem custar &ldquo;naturalmente&rdquo; menos que programas para adultos.  Trata-se, por&eacute;m, a meu ver, de constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica bem conhecida:  ocorre uma &ldquo;naturaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da desigualdade quando uma op&ccedil;&atilde;o humana,  social e hist&oacute;rica &eacute; transformada em algo &lsquo;natural&rsquo;, portanto,  inquestion&aacute;vel, porque imut&aacute;vel&rdquo;, argumenta a professora da PUC-SP.<\/p>\n<p>A hegemonia &ldquo;naturalizada&rdquo; por que passa a vida adulta tamb&eacute;m est&aacute;  articulada a concep&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero. No Brasil, os pap&eacute;is sociais  associados a homens e mulheres tamb&eacute;m influenciam na formula&ccedil;&atilde;o de  ideias e pol&iacute;ticas no campo da educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo quando as rela&ccedil;&otilde;es  sociais s&atilde;o pensadas em termos matem&aacute;ticos e econ&ocirc;micos.  &ldquo;Um beb&ecirc; custa  menos para a sociedade brasileira por qu&ecirc;? Por que se investe menos na  creche? N&atilde;o porque seja intr&iacute;nseco &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc; custar menos, &agrave;  sua &ldquo;ess&ecirc;ncia&rdquo; ou &ldquo;natureza&rdquo;, ou porque seu tamanho seja menor que o de  crian&ccedil;as maiores, adolescentes, adultos ou idosos, mas porque as  ideologias de g&ecirc;nero e de idade valorizam o padr&atilde;o adulto e masculino  associado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o da riqueza e n&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e  administra&ccedil;&atilde;o da vida. H&aacute; uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o de educar e  cuidar de crian&ccedil;as pequenas, por ser produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o da vida.  Consequentemente, a creche constitui etapa desvalorizada no sistema  educacional brasileiro&rdquo;, observa F&uacute;lvia Rosemberg.<\/p>\n<p>Quando se fala em filhos, a figura da mulher surge imediatamente  associada. N&atilde;o &agrave; toa, a Rede Cegonha aposta justamente na dobradinha m&atilde;e  e beb&ecirc; como estrat&eacute;gia de sa&uacute;de da mulher. Num sentido mais amplo, a  responsabilidade sobre o cuidado e a educa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as recai sobre  as mulheres que potencialmente est&atilde;o envolvidas: av&oacute;, tia, bab&aacute;, entre  outras figuras femininas. H&aacute;, assim, uma esp&eacute;cie de estreitamento das  possibilidades de cuidado. &ldquo;A consequ&ecirc;ncia desta associa&ccedil;&atilde;o &eacute; que este  aspecto da vida reprodutiva &ndash; a educa&ccedil;&atilde;o e o cuidado da jovem gera&ccedil;&atilde;o &ndash;  n&atilde;o faz parte do projeto nacional, n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o para todas as  esferas da vida social&rdquo;, afirma F&uacute;lvia Rosemberg.<\/p>\n<p>Os efeitos independem da localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica. &ldquo;Vamos pensar em  dois tipos de beb&ecirc;s, aquele que vive no campo e aquele que vive na  cidade. Qual o acesso de uma fam&iacute;lia rural &agrave; creche para crian&ccedil;as  pequenas? Irris&oacute;rio: 6,3%, de acordo com dados do Censo de 2010. Como  ficam os beb&ecirc;s de fam&iacute;lias que trabalham na agricultura e cujas m&atilde;es  trabalham fora? Quantas mulheres do campo deixam de trabalhar no campo  por n&atilde;o terem creche? Quantas mulheres jovens adultas residentes em &aacute;rea  rural n&atilde;o migram por saberem da &aacute;rdua empreitada que seria ter filho e  trabalhar em &aacute;rea rural? Para as crian&ccedil;as maiores ainda se disp&otilde;e de  transporte escolar, mesmo que penoso em muitos casos. E para os beb&ecirc;s? E  para a fam&iacute;lia urbana, a mulher urbana, a m&atilde;e urbana, como fazer se n&atilde;o  disp&otilde;e de creche pr&oacute;xima ao local de moradia? Locomover-se com um beb&ecirc;  em centro urbano, com o transporte coletivo de que dispomos?&rdquo;, questiona  a pesquisadora, que critica tamb&eacute;m a falta de recursos destinados &agrave;  pol&iacute;tica de creches.<\/p>\n<p>No campo da sa&uacute;de, predomina uma percep&ccedil;&atilde;o negativa das creches. Em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sapientia.pucsp.br\/tde_busca\/arquivo.php?codArquivo=13744\" rel=\"noopener\">estudo de mestrado<\/a>,  o pesquisador Fl&aacute;vio Urra (PUC-SP) identificou que, em publica&ccedil;&otilde;es de  Pediatria, as creches aparecem como locais de risco e associados &agrave;  pobreza. &Eacute; um ponto que, para F&uacute;lvia Rosemberg, fortalece a imagem  estigmatiza das creches, principalmente as p&uacute;blicas. &ldquo;Isso pode afastar a  busca por creches, s&atilde;o no&ccedil;&otilde;es que consolidam no cotidiano&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>A constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da institui&ccedil;&atilde;o da creche &eacute; um fator  importante a se destacar: em boa medida, as desigualdades sociais que  marcam o pa&iacute;s tamb&eacute;m est&atilde;o articuladas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de estruturas  educacionais. A educa&ccedil;&atilde;o infantil no Brasil est&aacute; dividida em duas  inst&acirc;ncias: o jardim de inf&acirc;ncia e a creche. A primeira est&aacute; integrada  ao sistema de ensino, atendendo preferencialmente crian&ccedil;as de 4 a 5  anos. J&aacute; a segunda, apresenta um car&aacute;ter assistencial, tendo surgido no  s&eacute;culo XIX como espa&ccedil;o de cuidado para os filhos de escravas  rec&eacute;m-libertas. &ldquo;Essa trajet&oacute;ria dupla de inser&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de  educa&ccedil;&atilde;o e cuidado da crian&ccedil;a pequena nos setores da educa&ccedil;&atilde;o e da  assist&ecirc;ncia social constitui um aspecto marcante da hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o  infantil brasileira, resultando em embates ainda n&atilde;o superados entre os  setores. De um lado, a pr&eacute;-escola, com trajet&oacute;ria, recursos humanos e  formaliza&ccedil;&atilde;o equivalente &agrave; da escola prim&aacute;ria. De outro as creches, que  se destinavam a crian&ccedil;as pobres e usadas por um n&uacute;mero significativo de  negras, e que n&atilde;o estabelecia limites para a forma&ccedil;&atilde;o educacional e  qualifica&ccedil;&atilde;o profissional das trabalhadoras&rdquo;, afirma F&uacute;lvia Rosemberg.<\/p>\n<p>O estigma contra a creche tamb&eacute;m passa pelos discursos midi&aacute;ticos. A pesquisadora Carla Pellicer (PUC-SP), no trabalho <i> Discursos sobre creche no jornal Folha de S.Paulo\/on line (1994-2009)<\/i>,  observou que as creches constituem um tema pouco relevante,  caracterizado de maneira opaca, sem men&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita &agrave; institui&ccedil;&atilde;o  &ldquo;creche&rdquo; e com rara contextualiza&ccedil;&atilde;o sobre a legisla&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea. &ldquo;H&aacute; uma  s&eacute;rie de fatores que contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de  estigmas contra a creche. At&eacute; mesmo as informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o raras ou pouco  esclarecedoras. Precisamos romper com esses guetos, esses c&iacute;rculos  viciosos e trazer o beb&ecirc; e a creche para o centro do debate p&uacute;blico, das  prioridades nacionais. Precisamos aplicar a lei e cumprir as promessas,  construindo um olhar menos desigual diante da inser&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica da  creche no contexto das rela&ccedil;&otilde;es sociais&rdquo;, conclui F&uacute;lvia Rosemberg.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seg\u00fan datos oficiales, apenas 23,5% de los ni\u00f1os con hasta 3 a\u00f1os frecuentan guarder\u00edas en Brasil. Una realidad que contrasta con el \u00e9nfasis del gobierno brasile\u00f1o en pol\u00edticas y alianzas electorales centradas en la dimensi\u00f3n materno infantil. Para la investigadora F\u00falvia Rosemberg, la carencia de una red de guarder\u00edas evidencia desigualdades de edad y de g\u00e9nero. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-894","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Pa\u00eds sin guarder\u00edas - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/pais-sin-guarderias\/894\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pa\u00eds sin guarder\u00edas - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Seg\u00fan datos oficiales, apenas 23,5% de los ni\u00f1os con hasta 3 a\u00f1os frecuentan guarder\u00edas en Brasil. 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