{"id":911,"date":"2013-08-22T00:00:00","date_gmt":"2013-08-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2013\/08\/22\/un-marco-para-los-derechos\/"},"modified":"2013-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2013-08-22T03:00:00","slug":"un-marco-para-los-derechos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/un-marco-para-los-derechos\/911\/","title":{"rendered":"Un marco para los derechos"},"content":{"rendered":"<p>A Confer&ecirc;ncia Regional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (CRPD), que ocorreu na semana passada (12 a 15\/08) no Uruguai, dividiu seus olhares entre o passado e o futuro: com o objetivo de analisar os desdobramentos relativos &agrave;s diretrizes e a&ccedil;&otilde;es propostas pelo Programa de A&ccedil;&atilde;o do Cairo (1994), o encontro consistiu em um espa&ccedil;o de reflex&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o de sa&iacute;das para as lacunas que persistem nessas duas d&eacute;cadas na Am&eacute;rica Latina no que tange aos direitos sexuais e reprodutivos, ra&ccedil;a, juventude, envelhecimento, migra&ccedil;&atilde;o e povos ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia ao princ&iacute;pio da laicidade como um dos elementos fundamentais para o pleno exerc&iacute;cio dos direitos humanos e o aprofundamento da democracia, e a obriga&ccedil;&atilde;o dos Estados &ndash; onde o aborto for legal ou descriminalizado &ndash; de assegurar a disponibilidade de servi&ccedil;os de aborto seguro para as mulheres com gravidezes indesejadas, bem como de desenvolver medidas para prevenir e evitar o aborto inseguro, s&atilde;o alguns dos pontos importantes do documento final, que servir&aacute; de refer&ecirc;ncia para as pr&oacute;ximas confer&ecirc;ncias at&eacute; 2014.<\/p>\n<p>Intitulado &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.cepal.org\/prensa\/noticias\/comunicados\/0\/50700\/2013-595-Consenso_Montevideo_PyD.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Consenso de Montevideo sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento<\/a>&rdquo;, o documento final representa um &ldquo;marco para a agenda do Cairo&rdquo;, de acordo com Beatriz Galli, relatora nacional do Direito &agrave; Sa&uacute;de Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil e integrante do corpo de delegados brasileiros na Confer&ecirc;ncia. V&aacute;rias medidas priorit&aacute;rias s&atilde;o delineadas como demandas aos Estados latino-americanos.<\/p>\n<p>&ldquo;O texto final traz alguns avan&ccedil;os importantes e incorpora novas diretrizes em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos. Por exemplo, define claramente o direito &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual e &agrave; identidade de g&ecirc;nero, reconhecendo que essa pode variar. Nesse sentido, podemos dizer que a agenda do Cairo ganhou conte&uacute;dos mais progressistas&rdquo;.<\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia Internacional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento do Cairo lan&ccedil;ou bases paradigm&aacute;ticas para os direitos humanos, buscando princ&iacute;pios e medidas em benef&iacute;cio da popula&ccedil;&atilde;o. Para tanto, o espectro de tem&aacute;ticas foi amplo, alcan&ccedil;ando &aacute;reas como educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, meio ambiente, pobreza, entre outros. Em linhas gerais, a Confer&ecirc;ncia de Cairo procurou definir tais quest&otilde;es tendo como norte a igualdade e a autonomia, preocupando-se com as distintas assimetrias sociais que marcam as sociedades.<\/p>\n<p>A agenda do Cairo nasceu com o prop&oacute;sito de reduzir as desigualdades sociais e geracionais e de promover a sa&uacute;de. Nesse sentido, as dimens&otilde;es sexual e reprodutiva da vida consistiram em aspectos largamente discutidos, sendo encarados como assuntos individuais, de livre-escolha, aos quais os Estados passariam a ter o dever de prover condi&ccedil;&otilde;es dignas de garantia e n&atilde;o mais a prerrogativa de controlar e manipular por raz&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas e demogr&aacute;ficas. Geralmente, tais justificativas implicavam em m&eacute;todos coercitivos. Houve, com o Plano de A&ccedil;&atilde;o do Cairo, uma ruptura conceitual: a vis&atilde;o sobre popula&ccedil;&atilde;o passou a ser centrada nas pessoas, nas suas rela&ccedil;&otilde;es sociais e nas pr&aacute;ticas cotidianas, religiosas e culturais. A preocupa&ccedil;&atilde;o com a mortalidade infantil e materna, a expectativa de vida e a fecundidade entrariam no rol dessas garantias. Por isso, o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, ao aborto seguro, &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o, &agrave; n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o, entre outros aspectos, passaram a ser princ&iacute;pios centrais nas discuss&otilde;es sobre desenvolvimento e popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os direitos sexuais e reprodutivos tornaram-se princ&iacute;pios a nortear os 179 signat&aacute;rios do Plano do Cairo. A hist&oacute;ria tem mostrado alguns avan&ccedil;os, ainda que barreiras permane&ccedil;am, tendo em vista os &iacute;ndices e as dificuldades de incorporar plenamente tais princ&iacute;pios como linguagem normativa e jur&iacute;dica. A Am&eacute;rica Latina, que permanece como&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/2013\/07\/america-latina-e-caribe-reduziram-pobreza-extrema-a-metade-diz-onu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a regi&atilde;o mais desigual do planeta<\/a>, com elevados &iacute;ndices de pobreza, tem experimentado progressos. No entanto, permanece longe de patamares aceit&aacute;veis de sa&uacute;de sexual e reprodutiva. Uma das a&ccedil;&otilde;es mais not&oacute;rias que resultam do processo pol&iacute;tico lan&ccedil;ado no Cairo s&atilde;o as metas do mil&ecirc;nio, estipuladas no ano 2000 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e que definem alguns objetivos relacionados a determinados problemas cr&ocirc;nicos a serem alcan&ccedil;ados at&eacute; o ano 2015.<\/p>\n<p>Um ponto que Beatriz Galli considera importante no texto final da CRPD &eacute; a defesa da laicidade do Estado, descrita como fundamental para o exerc&iacute;cio pleno dos direitos humanos e para a elimina&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o contra as pessoas. &ldquo;A consolida&ccedil;&atilde;o da laicidade &eacute; fundamental, especialmente por causa de esfor&ccedil;os e press&otilde;es conservadoras e dogm&aacute;ticas que continuamente buscam suprimir ou impedir avan&ccedil;os no campo dos direitos sexuais e reprodutivos&rdquo;, observa Beatriz Galli, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o cen&aacute;rio brasileiro recente de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=10499\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">avan&ccedil;o de setores religiosos em espa&ccedil;os pol&iacute;ticos<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p>Pa&iacute;ses com postura tradicionalmente conservadora, como o Chile, a Nicar&aacute;gua e Honduras n&atilde;o lograram muito sucesso na Confer&ecirc;ncia Regional. Acabaram concordando com a tend&ecirc;ncia geral de proposi&ccedil;&otilde;es progressistas capitaneadas por Cuba e Uruguai. O governo brasileiro, que nos &uacute;ltimos anos, no &acirc;mbito interno, tem recuado nas tem&aacute;ticas que envolvem sexualidade, g&ecirc;nero e reprodu&ccedil;&atilde;o, mostrou-se favor&aacute;vel e propositivo. &ldquo;Houve uma mudan&ccedil;a na postura do governo brasileiro. A delega&ccedil;&atilde;o dos minist&eacute;rios esteve aberta &agrave;s demandas da sociedade civil brasileira, que se&nbsp;<a href=\"http:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5463:19082013-declaracao-da-sociedade-civil-na-1o-conferencia-regional-sobre-populacao-e-desenvolvimento-da-cepal&amp;catid=44:noticias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">posicionou publicamente<\/a>&nbsp;ao lado de outros movimentos latino-americanos. De fato, houve um consenso entre as delega&ccedil;&otilde;es&rdquo;, relata Beatriz Galli.<\/p>\n<p>At&eacute; mesmo na quest&atilde;o do aborto houve apoio do Brasil a uma perspectiva n&atilde;o criminalizante e acolhedora, indo na contram&atilde;o da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=9643\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tend&ecirc;ncia adotada pelo governo brasileiro nos &uacute;ltimos anos nos f&oacute;runs internacionais<\/a>. O documento final pede, como medida priorit&aacute;ria, a modifica&ccedil;&atilde;o de leis que penalizam o aborto, instando os Estados a considerar pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias de interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez para salvar a vida e a sa&uacute;de das mulheres e adolescentes, melhorando a sua qualidade de vida e diminuindo o n&uacute;mero de abortos. Percebe-se assim que os direitos dos jovens e das mulheres tamb&eacute;m foram aspectos privilegiados no documento final. A perspectiva adotada foi a de implementar programas de sa&uacute;de sexual e reprodutiva de maneira integral, jogando luz sobre problemas como a gravidez na adolesc&ecirc;ncia, o aborto inseguro, a educa&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;rios, entre outros.<\/p>\n<p>&ldquo;S&atilde;o demandas que a realidade apresenta e as institui&ccedil;&otilde;es precisam dar uma resposta. O Consenso de Montevideo relaciona tais demandas &agrave;s metas do mil&ecirc;nio das Organiza&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que s&atilde;o um importante indicador para que os pa&iacute;ses busquem criar condi&ccedil;&otilde;es dignas para suas popula&ccedil;&otilde;es. No caso da sa&uacute;de sexual e reprodutiva, o Consenso de Montevideo reafirma a necessidade de se pensar as quest&otilde;es tendo em mente as diversas desigualdades que se articulam, como as raciais e geracionais&rdquo;, observa Beatriz Galli.<\/p>\n<p>Quem se dedica a olhar para a Am&eacute;rica Latina se depara com uma realidade que parece ainda pouco familiarizada com a linguagem dos direitos sexuais e reprodutivos. A sa&uacute;de e os direitos reprodutivos das mulheres est&atilde;o em permanente fragilidade, por raz&otilde;es que v&atilde;o desde press&atilde;o de setores conservadores, passando por legisla&ccedil;&otilde;es punitivas, at&eacute; a precariedade da infra-estrutura e dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. O aborto, permitido apenas em alguns casos e praticado comumente em condi&ccedil;&otilde;es insalubres, &eacute; a quarta causa de morte materna no Brasil. Afeta em especial mulheres pobres e negras que se v&ecirc;em impossibilitadas de realizar o abortamento de maneira segura. S&atilde;o 56 &oacute;bitos para cada 100 mil nascidos vivos, muito abaixo dos 35 &oacute;bitos definidos pelas metas do mil&ecirc;nio.&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA), a Am&eacute;rica Latina e Caribe apresentam 81 &oacute;bitos para cada 100 mil nascidos vivos. Alguns pa&iacute;ses, como Equador (110), Col&ocirc;mbia (92), Venezuela (92) e Nicar&aacute;gua (95) det&ecirc;m &iacute;ndices alarmantes. O Consenso de Montevideo reconhece a elevada taxa de mortalidade materna e o papel que o abortamento inseguro possui nessa din&acirc;mica. De acordo com o texto, a criminaliza&ccedil;&atilde;o da interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez n&atilde;o diminui o n&uacute;mero de abortos.<\/p>\n<p>Os &iacute;ndices de gravidez na adolesc&ecirc;ncia tamb&eacute;m se mostram elevados. De acordo com dados do UNFPA, a Am&eacute;rica Latina e o Caribe apresentam m&eacute;dia de 79 partos para cada mil adolescentes. Brasil (79), M&eacute;xico (87), Col&ocirc;mbia (85), Bol&iacute;via (89) e Equador (100) evidenciam como a regi&atilde;o est&aacute; muito atr&aacute;s de outras partes do mundo. Nos pa&iacute;ses desenvolvidos, a m&eacute;dia &eacute; de 23 nascimentos para cada mil adolescentes. No texto final da Confer&ecirc;ncia, a educa&ccedil;&atilde;o integral em sexualidade e a implementa&ccedil;&atilde;o de programas de sa&uacute;de sexual e reprodutiva com perspectiva de g&ecirc;nero e direitos humanos s&atilde;o demandados. Da mesma forma, o documento pede acesso a m&eacute;todos contraceptivos modernos e seguros, respeitando o direito &agrave; confidencialidade e ao sigilo, e condi&ccedil;&otilde;es para que adolescentes e jovens possam decidir livremente e com responsabilidade sobre suas trajet&oacute;rias reprodutivas.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador do Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (CELADE\/CEPAL) Jorge Rodr&iacute;guez, as condi&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas favor&aacute;veis que a regi&atilde;o tem experimentado no s&eacute;culo XXI, a crescente sintonia dos governos com o Plano de A&ccedil;&atilde;o do Cairo e a consolida&ccedil;&atilde;o de novos enfoques de direitos humanos para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas demonstram avan&ccedil;os percept&iacute;veis. No entanto, tais avan&ccedil;os &ldquo;n&atilde;o conseguiram reverter a desigualdade entre os pa&iacute;ses e dentro dos pa&iacute;ses no &acirc;mbito do Plano de A&ccedil;&atilde;o, o que for&ccedil;a os governos a redobrar esfor&ccedil;os futuros para diminuir as brechas em quest&otilde;es como mortalidade infantil, materna, esperan&ccedil;a de vida e fecundidade&rdquo;, observa Jorge Rodr&iacute;guez.<\/p>\n<p>&ldquo;Ainda h&aacute; muito o que reduzir significativamente em rela&ccedil;&atilde;o aos indicadores. &Eacute; preciso que isso seja feito com a&ccedil;&otilde;es compat&iacute;veis com os princ&iacute;pios do Plano de A&ccedil;&atilde;o do Cairo, que sejam sustent&aacute;veis no tempo, definidas como pol&iacute;ticas de Estado e observadas os grupos sociais onde se encontrar as lacunas&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Altagracia Balc&aacute;cer (Red de Mujeres Afroamericanas, Afrocaribe&ntilde;as y de la Di&aacute;spora), a Confer&ecirc;ncia Regional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento cumpriu as expectativas. &ldquo;A pauta foi muito favor&aacute;vel &agrave; luta das mulheres. Os pa&iacute;ses tiveram posi&ccedil;&otilde;es avan&ccedil;adas em favor dos direitos sexuais e reprodutivos. Especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres negras, geralmente pobres e exclu&iacute;das e, por isso, com menos oportunidades de acesso a servi&ccedil;os de sa&uacute;de de qualidade, o que gera um impacto maior nos casos de aborto inseguro&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com a relatora Beatriz Galli, da Plataforma Dhesca Brasil, o resultado da Confer&ecirc;ncia Regional deve ser comemorado n&atilde;o apenas pelas demandas que apresenta no &acirc;mbito do continente, mas tamb&eacute;m pela refer&ecirc;ncia que cria para as outras Confer&ecirc;ncias Regionais que ainda acontecer&atilde;o na &Aacute;sia e na &Aacute;frica. &ldquo;A luta pela igualdade envolve muitas tem&aacute;ticas, como g&ecirc;nero, direitos sexuais e reprodutivos, ra&ccedil;a, povos ind&iacute;genas. S&atilde;o lutas que tem dimens&atilde;o mundial, pois em qualquer lugar do mundo o autoritarismo e o desrespeito aos direitos humanos s&atilde;o realidades que afetam milh&otilde;es de pessoas&rdquo;, conclui Beatriz Galli.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El documento final de la Conferencia Regional de Poblaci\u00f3n y Desarrollo, realizada entre el 12 y 15 de agosto en Montevideo, define el derecho a la orientaci\u00f3n sexual y a la identidad de g\u00e9nero, hace referencia al principio de la laicidad para el ejercicio de derechos e insta a los Estados a considerar la necesidad de modificar sus leyes restrictivas sobre aborto. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Un marco para los derechos - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/un-marco-para-los-derechos\/911\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Un marco para los derechos - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El documento final de la Conferencia Regional de Poblaci\u00f3n y Desarrollo, realizada entre el 12 y 15 de agosto en Montevideo, define el derecho a la orientaci\u00f3n sexual y a la identidad de g\u00e9nero, hace referencia al principio de la laicidad para el ejercicio de derechos e insta a los Estados a considerar la necesidad de modificar sus leyes restrictivas sobre aborto. 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