{"id":926,"date":"2013-09-19T00:00:00","date_gmt":"2013-09-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2013\/09\/19\/patologizacion-y-normatividad\/"},"modified":"2013-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2013-09-19T03:00:00","slug":"patologizacion-y-normatividad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/patologizacion-y-normatividad\/926\/","title":{"rendered":"Patologizaci\u00f3n y normatividad"},"content":{"rendered":"<p>Uma tem&aacute;tica largamente discutida na IX Confer&ecirc;ncia IASSCS (Buenos Aires) refletiu, na verdade, sobre uma articula&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e permanente: a sexualidade e as ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas, cuja imbrica&ccedil;&atilde;o gera efeitos de diversas ordens, n&atilde;o apenas em termos te&oacute;ricos, mas tamb&eacute;m em termos pol&iacute;ticos. Na sess&atilde;o &ldquo;Patologiza&ccedil;&atilde;o da sexualidade&rdquo;, a antrop&oacute;loga Fab&iacute;ola Rohden (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) apresentou algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre tal imbrica&ccedil;&atilde;o, afirmando que, nos &uacute;ltimos anos, tem havido uma expans&atilde;o de discursos e interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas no tocante &agrave; sexualidade.<\/p>\n<p>Durante o s&eacute;culo XIX, o conhecimento em sexualidade atrelou-se, de diversos modos, &agrave; perspectiva biol&oacute;gica, como se a experi&ecirc;ncia do desejo e dos comportamentos respondesse a motiva&ccedil;&otilde;es meramente org&acirc;nicas. Tal padr&atilde;o de conhecimento mant&eacute;m-se vigente ainda que as Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas tentem ampliar o foco sobre o campo.<\/p>\n<p>Para Fab&iacute;ola Rohden, h&aacute; uma naturaliza&ccedil;&atilde;o da sexualidade nos dias atuais. Citando as abordagens mais comuns, ela lembrou sobre os discursos produzidos pela sexologia contempor&acirc;nea a respeito das disfun&ccedil;&otilde;es sexuais. &ldquo;&Eacute; poss&iacute;vel notar uma &ecirc;nfase muito forte no desempenho pessoal voltado para a rela&ccedil;&atilde;o sexual. &Eacute; uma vis&atilde;o reducionista da fun&ccedil;&atilde;o sexual. Os discursos m&eacute;dicos geralmente ignoram uma vis&atilde;o hol&iacute;stica da sexualidade, priorizando aspectos meramente biol&oacute;gicos e fisiol&oacute;gicos&rdquo;, observou Rohden.<\/p>\n<p>Tamanha &ecirc;nfase est&aacute; baseada na centralidade dos aspectos org&acirc;nicos, que cada vez mais ganham terreno nas formula&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es sobre a sexualidade masculina e feminina. &ldquo;A vis&atilde;o biom&eacute;dica &eacute; hegem&ocirc;nica. Nesse sentido, perde-se a dimens&atilde;o social da sexualidade, suas representa&ccedil;&otilde;es culturais. Ficamos presos a uma medicina sexual que n&atilde;o prioriza a coletividade&rdquo;, destacou Fab&iacute;ola Rohden.<\/p>\n<p>Um dos efeitos de tal vis&atilde;o &eacute; que, com o afastamento de uma abordagem mais integral e social da sexualidade, a tem&aacute;tica da diversidade e dos direitos sexuais se esvazia. &ldquo;Os discursos biom&eacute;dicos aparecem atualmente centrados numa l&oacute;gica heteronormativa. O n&uacute;cleo privilegiado est&aacute; nos casais hetero. As campanhas e mesmo determinadas pol&iacute;ticas trabalham com a representa&ccedil;&atilde;o do casal est&aacute;vel, do homem definido em termos de uma masculinidade hegem&ocirc;nica, na qual ele pratica apenas o sexo penetrativo&rdquo;, afirmou Rohden.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a sexualidade tem se deslocado para o espa&ccedil;o da individualidade. Drogas e tecnologias produzidas pela ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica privilegiam o modelo biol&oacute;gico da sexualidade, o que, para Fab&iacute;ola Rohden significa uma &ldquo;administra&ccedil;&atilde;o bioqu&iacute;mica da sexualidade&rdquo;.<\/p>\n<p>No entanto, a sociedade apresenta demandas e particularidades que n&atilde;o necessariamente est&atilde;o contempladas neste modelo. A epidemia de HIV\/Aids e outras doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis, a contracep&ccedil;&atilde;o e a homossexualidade parecem n&atilde;o existir. &ldquo;&Eacute; um paradoxo que, em meio &agrave; explos&atilde;o de discursos baseados numa l&oacute;gica biom&eacute;dica, quest&otilde;es como doen&ccedil;as transmiss&iacute;veis pelo ato sexual sejam ignoradas. O desempenho e a satisfa&ccedil;&atilde;o parecem imperar, como se a preven&ccedil;&atilde;o e aspectos ps&iacute;quicos n&atilde;o importassem. A sexualidade que a medicina sexual atual prop&otilde;e est&aacute; fortemente ancorada em marcadores sociais hegem&ocirc;nicos, como no&ccedil;&otilde;es tradicionais de g&ecirc;nero. Al&eacute;m disso, temas historicamente sens&iacute;veis em termos morais s&atilde;o expurgados. Assim, aborto, homossexualidade, pr&aacute;ticas e desejos n&atilde;o hegem&ocirc;nicos ficam de fora. &Eacute; um processo de reitera&ccedil;&atilde;o do modelo heteronormativo&rdquo;, argumentou Fab&iacute;ola Rohden.<\/p>\n<p>Para a antrop&oacute;loga, isso representa uma limita&ccedil;&atilde;o aos avan&ccedil;os que t&ecirc;m sido conquistados no campo dos direitos sexuais e reprodutivos. &ldquo;Ficamos presos ao ato sexual em si. Por isso, acredito que &eacute; importante discutir tal modelo para se politizar uma quest&atilde;o que tem sido esvaziada. Precisamos reiterar o marco de resist&ecirc;ncia que a academia representa, de modo a problematizar a sexologia que tem predominado. Temos visto que a atividade sexual est&aacute; consolidada como marcador de qualidade de vida, como &iacute;ndice de sa&uacute;de. &Eacute; preciso pensar em que bases tal processo se configura e avan&ccedil;ar sobre modelos estritamente organicistas.&rdquo;, afirmou Fab&iacute;ola Rohden, para quem existe uma separa&ccedil;&atilde;o entre o ativismo pol&iacute;tico e a academia. &ldquo;H&aacute; um afastamento dos movimentos sociais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; medicina sexual. A reflex&atilde;o traria ganhos na medida em que colocaria em pauta, no espa&ccedil;o p&uacute;blico, vis&otilde;es distintas ao modelo vigente de medicina sexual. No entanto, o cen&aacute;rio mostra uma falta de di&aacute;logo: de um lado, movimentos sociais e pol&iacute;ticos; do outro, indiv&iacute;duos com problemas de ordem sexual entregues a um modelo que &eacute; question&aacute;vel&rdquo;, completou.<\/p>\n<p>O trabalho apresentado pela pesquisadora Livi Faro (IMS\/UERJ) exemplificou a din&acirc;mica exposta por Rohden. Em estudo que analisou artigos publicados em peri&oacute;dicos biom&eacute;dicos que trazem resultados de ensaios cl&iacute;nicos com o Intrinsa, medicamento &agrave; base de testosterona voltado para o tratamento do &lsquo;transtorno do desejo hipoativo&rsquo; em mulheres, Livi Faro demonstrou como a literatura biom&eacute;dica &eacute; utilizada pela ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica para ampliar o mercado dos medicamentos voltados para o desempenho sexual. A produ&ccedil;&atilde;o do rem&eacute;dio, da Procter &amp; Gamble, em meados dos anos 2000, baseou-se na ideia de que h&aacute; uma associa&ccedil;&atilde;o entre n&iacute;veis de testosterona e desejo sexual.<\/p>\n<p>Nos primeiros ensaios cl&iacute;nicos, o f&aacute;rmaco foi concebido para o tratamento de uma determinada condi&ccedil;&atilde;o &#8211; &lsquo;baixa libido&rsquo; &ndash; de uma popula&ccedil;&atilde;o bem espec&iacute;fica: mulheres com &lsquo;disfun&ccedil;&atilde;o de desejo sexual hipoativo&rsquo;, com menopausa cir&uacute;rgica (devido &agrave; retirada dos ov&aacute;rios e &uacute;tero) e que faziam reposi&ccedil;&atilde;o hormonal com estr&oacute;genos. Os artigos eram escritos por m&eacute;dicos denominados &lsquo;l&iacute;deres de opini&atilde;o&rsquo; ou &lsquo;experts&rsquo;, que trabalham em articula&ccedil;&atilde;o com a empresa farmac&ecirc;utica no desenvolvimento da droga, e por empregados formais da Procter &amp; Gamble. A justificativa para a necessidade da interven&ccedil;&atilde;o ocorria atrav&eacute;s do argumento de que parte da produ&ccedil;&atilde;o da testosterona ocorre nos ov&aacute;rios, sendo a queda abruta deste horm&ocirc;nio uma consequ&ecirc;ncia da cirurgia que poderia estar relacionada com o desenvolvimento do &lsquo;transtorno do desejo hipoactivo&rsquo;. Seguindo esta l&oacute;gica de racioc&iacute;nio, a incorpora&ccedil;&atilde;o do Intrinsa (testostorona) ao &lsquo;pacote&rsquo; da reposi&ccedil;&atilde;o hormonal com estr&oacute;genos surgia como solu&ccedil;&atilde;o para a disfun&ccedil;&atilde;o sexual.<\/p>\n<p>Mas os ensaios cl&iacute;nicos publicados posteriormente apresentaram estrat&eacute;gias variadas para ampliar o n&uacute;mero de candidatas ao tratamento com o Intrinsa. Um dos eixos de expans&atilde;o ocorreu a partir da modifica&ccedil;&atilde;o do &lsquo;status de menopausa&rsquo; associado ao medicamento. Paulatinamente, os ensaios cl&iacute;nicos passam a incluir mulheres n&atilde;o apenas com menopausa cir&uacute;rgica, mas tamb&eacute;m mulheres na chamada &lsquo;menopausa natural&rsquo; e, posteriormente, na &lsquo;pr&eacute;-menopausa&rsquo;. Ao operar tais deslocamentos, a justificativa para o uso do medicamento nesta popula&ccedil;&atilde;o precisou mudar, uma vez que a menopausa natural ou a pr&eacute;-menopausa n&atilde;o implicam em redu&ccedil;&otilde;es nos n&iacute;veis de testosterona. A refer&ecirc;ncia deixou de ser o estado anterior &agrave; menopausa (cir&uacute;rgica) e se deslocou para a juventude. &ldquo;A concentra&ccedil;&atilde;o total de testosterona s&eacute;rica observada entre mulheres depois dos 50 anos &eacute; aproximadamente metade da de mulheres entre 20 e 30 anos&rdquo; (SHIFREN et al., 2006:771).<\/p>\n<p>O corpo jovem passou a ser padr&atilde;o de compara&ccedil;&atilde;o a partir do qual os n&iacute;veis de testosterona s&atilde;o avaliados, impulsionando o processo de medicaliza&ccedil;&atilde;o da velhice. Outra via de expans&atilde;o do mercado consumidor consistiu em um trabalho sobre sua associa&ccedil;&atilde;o com o estr&oacute;geno. Se os primeiros ensaios cl&iacute;nicos foram realizados com mulheres que tomavam estr&oacute;geno, sendo esta uma condi&ccedil;&atilde;o para o uso do Intrinsa, publica&ccedil;&otilde;es posteriores testaram o medicamento sem a associa&ccedil;&atilde;o com o estr&oacute;geno. Isto teve como efeito ampliar significativamente o universo de mulheres que poderiam utilizar o Intrinsa, al&eacute;m de retirar o f&aacute;rmaco do campo de controv&eacute;rsias relacionado &agrave; reposi&ccedil;&atilde;o hormonal com estr&oacute;geno. Finalmente, a pesquisadora demonstrou que h&aacute; artigos que sugerem a possibilidade de um novo alvo para o medicamento: o &lsquo;bem estar diminu&iacute;do&rsquo;. Assim, o alvo do medicamento, que originalmente era a&lsquo;baixa libido&rsquo;, ampliar-se-ia para incluir mulheres em envelhecimento com diminui&ccedil;&atilde;o do &lsquo;bem-estar&rsquo;.<\/p>\n<p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos artigos, Livi Faro procurou destacar a liga&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores e ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica que aponta para a comodifica&ccedil;&atilde;o da pesquisa m&eacute;dica, demonstrando formas pelas quais o sexo &eacute; colocado no mercado atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento. Sem defender o mito do pesquisador &lsquo;neutro&rsquo; e desinteressado, lembrando que tal miss&atilde;o j&aacute; foi denunciada como imposs&iacute;vel tanto pelo feminismo quanto pelos estudos sociais da ci&ecirc;ncia, enfatizou a necessidade de se pensar sobre as consequ&ecirc;ncias de um processo de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento que se opera atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es embebidas no chamado conflito de interesse.<\/p>\n<p><strong>Refer&ecirc;ncia bibliogr&aacute;fica<\/strong><\/p>\n<p>SHIFREN, J. et al. Testosterone patch for the treatment of hypoactive sexual desire disorder in naturally menopausal women: results from the INTIMATE NM1 Study. Menopause, 13(5): 770-9, 2006 Sep-Oct&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En sesi\u00f3n realizada durante la IX Conferencia IASSCS fue debatido el modelo de medicina sexual vigente. Para investigadores, la salud sexual ha sido privilegiada por la mirada biom\u00e9dica sin considerar una visi\u00f3n m\u00e1s integral de la sexualidad y favorece representaciones heteronormativas. 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