{"id":951,"date":"2013-12-19T00:00:00","date_gmt":"2013-12-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2013\/12\/19\/retroceso-frances\/"},"modified":"2013-12-19T00:00:00","modified_gmt":"2013-12-19T02:00:00","slug":"retroceso-frances","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/retroceso-frances\/951\/","title":{"rendered":"Retroceso franc\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>Por Mathilde Bonnassieux e F&aacute;bio Grotz<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A lei de &quot;luta contra o sistema da  prostitui&ccedil;&atilde;o&quot; foi aprovada no dia 04 de dezembro na Assembleia Nacional  Francesa, por ampla maioria: 268 votos a favor, 138 contra e 79  absten&ccedil;&otilde;es. O projeto foi apoiado pelo governo do presidente socialista  Fran&ccedil;ois Hollande e possui tr&ecirc;s componentes essenciais: o fortalecimento  da capacidade de lutar contra redes de tr&aacute;fico de mulheres e  prostitui&ccedil;&atilde;o, a remo&ccedil;&atilde;o do delito de solicita&ccedil;&atilde;o para as prostitutas e a  criminaliza&ccedil;&atilde;o do cliente.<\/p>\n<p>De acordo com setores feministas e de profissionais do sexo, a lei  presume que todas as prostitutas s&atilde;o v&iacute;timas, o que n&atilde;o &eacute; o caso para  todas. <i>&quot;Comecei por acaso, continuo por escolha, mesmo que seja dif&iacute;cil &agrave;s vezes&quot;<\/i>, disse ao jornal Le Monde uma trabalhadora sexual m&atilde;e de dois filhos, que perdeu o emprego h&aacute; quatro anos. <i>&quot;Eu n&atilde;o aguento mais ouvir as senhoras socialistas explicarem que eu n&atilde;o tenho escolha sobre a minha vida&rdquo;<\/i>, afirmou outra prostituta.<\/p>\n<p>Estima-se que 90% das prostitutas na Fran&ccedil;a sejam estrangeiras, mas  esta &eacute; uma aprecia&ccedil;&atilde;o muito vaga, calculada apenas com base no n&uacute;mero de  pessoas identificadas nos registros policiais. Al&eacute;m disso, ser  imigrante n&atilde;o significa necessariamente uma condi&ccedil;&atilde;o restritiva: muitas  preferem a prostitui&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a &agrave; vida em seus pa&iacute;ses de origem,  conforme as mulheres retratadas no livro <i>Tr&acirc;nsitos: Brasileiras nos mercados transnacionais do sexo<\/i> (CLAM\/EdUerj), da antrop&oacute;loga Adriana Piscitelli (Pagu\/Unicamp), e no livro <a href=\"http:\/\/www.lauraagustin.com\/sex-at-the-margins-holiday-gift-or-way-to-escape-the-celebrations\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Sex at the Margins: Migration, Labour Markets and the Rescue Industry<\/em><\/a>, da antrop&oacute;loga Laura Agust&iacute;n.<\/p>\n<p>A partir deste ponto de vista, a advogada B&eacute;n&eacute;dicte Lavaud-Legendre,  autora de um livro sobre a prostitui&ccedil;&atilde;o nigeriana e a realidade do  tr&aacute;fico, est&aacute; preocupada com uma lei que vai contra os avan&ccedil;os da  sociedade francesa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; consagra&ccedil;&atilde;o de novos direitos sobre o  corpo humano, como o direito ao aborto, conquistado h&aacute; muito anos, o  al&iacute;vio do quadro jur&iacute;dico que rege a reprodu&ccedil;&atilde;o assistida e o debate  sobre a eutan&aacute;sia. Todas essas quest&otilde;es colocam em destaque a liberdade  de dispor sobre o pr&oacute;prio corpo. Por que seria diferente com a  prostitui&ccedil;&atilde;o?, argumentam os defensores de uma vis&atilde;o mais liberal.<\/p>\n<p><b>Riscos da penaliza&ccedil;&atilde;o<\/b><\/p>\n<p>Recusando-se a entrar em um debate sobre moral sexual, os defensores  do projeto de lei privilegiaram o sofrimento das mulheres pobres, muitas  vezes imigrantes, e a defesa das &ldquo;v&iacute;timas de tr&aacute;fico&rdquo;, Por esta via, o  que o governo franc&ecirc;s quer resolver n&atilde;o &eacute; a prostitui&ccedil;&atilde;o, mas a  imigra&ccedil;&atilde;o de mulheres que &ndash; conforme pontuou o psicanalista Contardo  Calligaris em sua coluna no jornal Folha de S&atilde;o Paulo, citando a  pesquisa de Adriana Piscitelli &ndash;, &ldquo;tentam ser livres trabalhadoras do  sexo e que, em geral, n&atilde;o s&atilde;o v&iacute;timas nem de traficantes, nem de  cafet&otilde;es, nem de seus clientes&rdquo;. Na l&oacute;gica dos promotores da lei, a  criminaliza&ccedil;&atilde;o do cliente  resultaria em menor demanda. A lei prev&ecirc; uma  multa de 1.500 euros, 3.750 em caso de reincid&ecirc;ncia e as mulheres que  forem &ldquo;resgatadas&rdquo; da prostitui&ccedil;&atilde;o passam a ter assist&ecirc;ncia social e  profissional.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, conforme aponta Laura Agust&iacute;n, antrop&oacute;loga que estuda migra&ccedil;&atilde;o, tr&aacute;fico e ind&uacute;stria do sexo e mant&eacute;m um <a href=\"http:\/\/www.lauraagustin.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">blog sobre a tem&aacute;tica<\/a>,  &ldquo;n&atilde;o existem dados confi&aacute;veis em nenhum pa&iacute;s sobre a quantidade de  pessoas que s&atilde;o v&iacute;timas do tr&aacute;fico. N&atilde;o h&aacute; acordo internacional sobre a  defini&ccedil;&atilde;o de tr&aacute;fico, incluindo a Europa, o que significa que n&atilde;o se  pode afirmar que a lei ir&aacute; reduzir tal atividade&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Muitas associa&ccedil;&otilde;es que trabalham diretamente com as prostitutas temem  que esta disposi&ccedil;&atilde;o tenha como efeito imediato aumentar a  clandestinidade das trabalhadoras. Por medo de perder os seus  rendimentos, as mulheres ir&atilde;o se refugiar em uma prostitui&ccedil;&atilde;o ainda mais  subterr&acirc;nea, apartamentos ou na internet. Ent&atilde;o, como ajudar essas  pessoas a sair da prostitui&ccedil;&atilde;o se elas s&atilde;o invis&iacute;veis? A lei, portanto,  parece contradit&oacute;ria. Por um lado, ela prev&ecirc; um fundo &quot;para a preven&ccedil;&atilde;o  da prostitui&ccedil;&atilde;o e o acompanhamento social e profissional das  profissionais&quot;. Por outro lado, ao penalizar o cliente, aumenta o risco  da clandestinidade, o que sabota o trabalho de preven&ccedil;&atilde;o e apoio social  liderados pelas associa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>De acordo com um grupo de soci&oacute;logos e m&eacute;dicos franceses, &ldquo;a  criminaliza&ccedil;&atilde;o enfraquece a capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o com os clientes,  sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de preservativos. Os dois atores nessa  rela&ccedil;&atilde;o estruturada pela domina&ccedil;&atilde;o masculina n&atilde;o t&ecirc;m, obviamente, os  mesmos poderes. Finalmente, a clandestinidade torna mais dif&iacute;cil a luta  contra as redes de tr&aacute;fico&quot;, afirmaram em artigo. O grupo de  especialistas convidou os legisladores a seguir o caminho da  &ldquo;desestigmatiza&ccedil;&atilde;o da prostitui&ccedil;&atilde;o&quot; para melhorar &quot;a autonomia e as  possibilidades de auto-prote&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>A Fran&ccedil;a segue os passos de outro pa&iacute;s europeu &ndash; a Su&eacute;cia &ndash;, embora o  modelo sueco n&atilde;o permita que se tenha uma ideia clara sobre a quest&atilde;o.  Desde que o pa&iacute;s adotou uma lei que criminaliza clientes, em 1999, a  prostitui&ccedil;&atilde;o diminuiu em mais da metade. Mas isso s&oacute; se aplica &agrave;  prostitui&ccedil;&atilde;o de rua. Nenhum estudo foi feito sobre a prostitui&ccedil;&atilde;o na  internet, ou se a criminaliza&ccedil;&atilde;o levou ou n&atilde;o a uma deteriora&ccedil;&atilde;o das  condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.<\/p>\n<p>Um dos dados que chamou a aten&ccedil;&atilde;o durante o processo de vota&ccedil;&atilde;o foi o  apoio do governo socialista de Fran&ccedil;ois Hollande. Afinal, pressup&otilde;e-se  que governos de esquerda tenham posi&ccedil;&otilde;es progressistas quanto &agrave;s  pr&aacute;ticas sexuais. No in&iacute;cio do ano, a ministra dos Direitos da Mulher,  Najat Vallaud-Belkacem, afirmou que seu desejo era ver a prostitui&ccedil;&atilde;o  eliminada, pois significa uma modalidade de escraviza&ccedil;&atilde;o da mulher. De  acordo com Laura Agust&iacute;n, esse &eacute; o argumento cl&aacute;ssico e n&atilde;o depende do  p&acirc;nico representado pela quest&atilde;o do tr&aacute;fico.<\/p>\n<p>&ldquo;O argumento da ministra e de v&aacute;rias outras correntes pol&iacute;ticas &eacute; de  que a prostitui&ccedil;&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica patriarcal que impede a igualdade&rdquo;,  afirma Laura Agust&iacute;n, que n&atilde;o se surpreende com a autoria do projeto. &ldquo;O  socialismo em todos os pa&iacute;ses europeus tem sido durante muito tempo t&atilde;o  repressivo, abolicionista e anti-trabalho sexual como qualquer outro  partido visto como conservador. Para mim, &eacute; perfeitamente coerente que  tenham sido os socialistas que patrocinaram o projeto. Chega de  romantismo em rela&ccedil;&atilde;o ao socialismo&rdquo;, afirma Laura Agust&iacute;n.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Laura Agust&iacute;n, o apelo salvacionista da lei  desconsidera o que as mulheres t&ecirc;m a dizer sobre a experi&ecirc;ncia de vender  sexo, desqualificando-as. &ldquo;Ao inv&eacute;s de se engajar em pol&iacute;ticas que  permitam que as experi&ecirc;ncias individuais sejam centrais e de ouvir  atentamente o que o ativismo da prostitui&ccedil;&atilde;o tem a dizer, esses  &lsquo;salvadores&rsquo; reivindicam saber como as trabalhadoras devem pensar e  sentir. Al&eacute;m disso, ignoram a quest&atilde;o do consentimento&rdquo;, critica a  antrop&oacute;loga. <strong><br \/> <\/strong><\/p>\n<p>Convidada para um programa de r&aacute;dio, a especialista B&eacute;n&eacute;dicte  Lavaud-Legendre lamentou que os legisladores tenham optado por aprovar a  lei antes de avaliar os mecanismos j&aacute; existentes para combater o  tr&aacute;fico de seres humanos e tentar aperfei&ccedil;o&aacute;-los. &quot;N&oacute;s temos mecanismos  em uso que n&atilde;o s&atilde;o avaliados. As poucas avalia&ccedil;&otilde;es que temos mostram que  eles n&atilde;o s&atilde;o muito eficazes&quot;. A Fran&ccedil;a conta com uma lei que permite &agrave;s  v&iacute;timas de tr&aacute;fico de seres humanos que denunciam a explora&ccedil;&atilde;o  receberem uma autoriza&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncia. Uma medida em si louv&aacute;vel, uma  vez que permite que a pol&iacute;cia re&uacute;na informa&ccedil;&otilde;es sobre as redes de  explora&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de den&uacute;ncias, mas, na pr&aacute;tica, muito pouco utilizada.  Em 2013, apenas 36 autoriza&ccedil;&otilde;es de resid&ecirc;ncia foram emitidas. As  Prefeituras n&atilde;o aplicam sistematicamente a medida, pressup&otilde;e B&eacute;n&eacute;dicte  Lavaud-Legendre, porque a lei est&aacute; sujeita a outras condi&ccedil;&otilde;es, sobretudo  a que requer que os autores do abuso sejam presos.<\/p>\n<p>A lei que criminaliza os clientes da prostitui&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que as  imigrantes ilegais capturadas por redes de tr&aacute;fico possam ter a situa&ccedil;&atilde;o  regularizada. Laura Agust&iacute;n destaca que, na verdade, a autoriza&ccedil;&atilde;o &eacute;  provis&oacute;ria (6 meses). &ldquo;Regulariza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o termo correto. &Eacute; uma  permiss&atilde;o desde que a pessoa deixe de vender sexo. Depois desse per&iacute;odo,  se n&atilde;o tem outro trabalho, &eacute; obrigada a deixar a Fran&ccedil;a&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Outro problema &eacute; que a lei n&atilde;o cont&eacute;m nenhuma novidade na luta  &quot;cl&aacute;ssica&quot; contra o proxenetismo e o tr&aacute;fico. Arrisca, entretanto, abrir  um precedente negativo para a situa&ccedil;&atilde;o das prostitutas, sem melhorar a  efic&aacute;cia da luta contra o tr&aacute;fico e oferecer ajuda real ao trabalho  realizado pelas associa&ccedil;&otilde;es. Muito pelo contr&aacute;rio: o que parece estar em  jogo &eacute; de ordem mais ampla, em especial no que diz respeito ao lugar  que a migra&ccedil;&atilde;o ocupa atualmente no cen&aacute;rio mundial. &ldquo;Estamos falando de  Europa, n&atilde;o apenas de na&ccedil;&otilde;es distintas&rdquo;, afirma Laura Agust&iacute;n.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a vota&ccedil;&atilde;o na Assembleia Nacional, o projeto de lei deve ser  apreciado pelo Senado em junho. Entre manifesta&ccedil;&otilde;es, peti&ccedil;&otilde;es e artigos,  a lei suscitou um grande debate. Um dos protestos mais emblem&aacute;ticos foi  o manifesto &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/noticias\/internacional\/2013\/11\/celebridades-francesas-sao-contra-projeto-de-penalizacao-de-clientes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N&atilde;o toquem na minha puta<\/a>&rdquo;, assinado por personalidades contr&aacute;rias &agrave; lei, como a atriz Catherine Deneuve.<\/p>\n<p><b>Livro retrata o outro lado<\/b><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" width=\"133\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" height=\"203\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/uploads\/imagem\/transitos.jpg\" \/>Na  d&eacute;cada de 1990, ao observar o aumento da prostitui&ccedil;&atilde;o voltada para  turistas estrangeiros e o deslocamento de mulheres brasileiras de  diversas regi&otilde;es para trabalhar como prostitutas em pa&iacute;ses europeus ou  nos que fazem fronteira com o Brasil, a antrop&oacute;loga Adriana Piscitelli  (Pagu\/Unicamp) iniciou pesquisas em pa&iacute;ses do sul da Europa para  compreender os diferentes aspectos do fen&ocirc;meno. Os principais resultados  desses estudos est&atilde;o reunidos no livro <i>Tr&acirc;nsitos: Brasileiras nos mercados transnacionais do sexo<\/i>,  publicado pelo CLAM e pela Editora da Universidade do Estado do Rio de  Janeiro (EdUerj) na cole&ccedil;&atilde;o Sexualidade, G&ecirc;nero e Sociedade.<\/p>\n<p>O livro desconstr&oacute;i conceitos e associa&ccedil;&otilde;es &ndash; entre os quais tr&aacute;fico  internacional de pessoas e migra&ccedil;&atilde;o &ndash; e revela como suas protagonistas  (as da vida real) ressignificam seu capital social (o corpo) e os  estere&oacute;tipos de brasilidades em busca de seus sonhos.<\/p>\n<p>Logo no in&iacute;cio do livro o leitor percebe a diferen&ccedil;a entre  deslocamentos no mercado de sexo &ndash; objeto de estudo da autora &ndash; e o  alardeado tr&aacute;fico de pessoas, e &eacute; apresentado aos problemas que podem  advir dessa associa&ccedil;&atilde;o. O livro mostra como a vincula&ccedil;&atilde;o entre  mobilidade (ou migra&ccedil;&atilde;o) de mulheres para exercer a prostitui&ccedil;&atilde;o e o  tr&aacute;fico internacional de seres humanos tem tido efeitos de diferentes  alcances: como a promulga&ccedil;&atilde;o de leis que, exemplo da lei francesa,  visando &ldquo;proteger potenciais v&iacute;timas&rdquo;, acabam por incidir sobre a  atua&ccedil;&atilde;o de pessoas no trabalho sexual e na migra&ccedil;&atilde;o, atingindo  particularmente os\/as migrantes n&atilde;o documentados\/as.<\/p>\n<p>Um aspecto a ser destacado &eacute; o da ag&ecirc;ncia feminina &ndash; termo  identificado com express&otilde;es como autonomia, livre escolha e livre  arb&iacute;trio &ndash;, que distancia a imagem da mulher que se desloca para se  dedicar a atividades no mercado transnacional do sexo a fim de melhorar  de vida daquela imagem de &ldquo;mulher-v&iacute;tima traficada&rdquo;. Uma parte das  mulheres que relatam suas experi&ecirc;ncias no livro circula entre o Brasil e  a Europa. De acordo com os relatos apresentados, na maior parte das  vezes, &eacute; a irregularidade dos documentos ou a meta de acumular recursos  que limita a possibilidade deste tr&acirc;nsito. Como quaisquer outros\/as  migrantes brasileiros\/as, elas mant&ecirc;m estreitos la&ccedil;os com o Brasil. Seus  projetos de futuro, sustenta a autora, incluem o retorno, em algum  momento distante, ao pa&iacute;s de origem e revelam o projeto de investimento  em um modo de prote&ccedil;&atilde;o social individual e familiar que se manifesta na  aquisi&ccedil;&atilde;o de bens no Brasil e, muitas vezes, na forma&ccedil;&atilde;o de uma poupan&ccedil;a  que lhes garanta uma velhice tranq&uuml;ila.<\/p>\n<p>A maioria das mulheres retratadas no livro reconhece e honra as  obriga&ccedil;&otilde;es familiares. Os envios de dinheiro e presentes s&atilde;o feitos a  pessoas com diferentes graus de parentesco, que podem variar de filhos a  sobrinhos. <i>&rdquo;Envio dinheiro todos os meses. Sustento todos os gastos  da casa, onde moram minha m&atilde;e, meu pai e minha irm&atilde;. Al&eacute;m disso, pago  uma casa que comprei. Como m&iacute;nimo, envio 800 euros. 600 para pagar o  aluguel, os gastos deles, essas coisas e 200 euros para a casa que  comprei, s&atilde;o parcelas de pouco valor&rdquo;<\/i>, diz uma das entrevistadas da pesquisadora.<\/p>\n<p>As narrativas remetem a ganhos que v&atilde;o al&eacute;m da dimens&atilde;o material e  familiar. Os deslocamentos femininos na ind&uacute;stria do sexo no exterior  tamb&eacute;m conferem a essas mulheres a amplia&ccedil;&atilde;o do seu capital cultural, o  que lhes possibilita, de acordo com os relatos do livro, uma  revaloriza&ccedil;&atilde;o pessoal no Brasil. &rdquo;Voc&ecirc; fazendo a prostitui&ccedil;&atilde;o aqui voc&ecirc;  aprende muita hist&oacute;ria, muita cultura diferente (&#8230;) Porque voc&ecirc;  convive tamb&eacute;m com os franceses, com os ingleses, com alem&atilde;es, com os  gregos. Ent&atilde;o, quando eu saio daqui e vou para o Brasil e voc&ecirc; come&ccedil;a a  conversar com as pessoas, voc&ecirc; vai vendo a grandeza que voc&ecirc; tem em  termos de cultura, entende? Que voc&ecirc; aqui fora, voc&ecirc; aprende muito&rdquo;.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia nos contextos migrat&oacute;rios lhes confere tamb&eacute;m a  possibilidade de ocupar novas posi&ccedil;&otilde;es na hierarquia de g&ecirc;nero. Isso  fica claro no relato de uma entrevistada que oferecia servi&ccedil;os sexuais  nas ruas de Barcelona: <i>&rdquo;Agora n&atilde;o vou querer ter s&oacute; um homem, agora  eu vou querer ter o que eu queira&#8230; Que a gente lava, passa, cuida e  eles sempre est&atilde;o atr&aacute;s de busca de outras. N&atilde;o, eu agora quero que ele  lave, passe para eu usar. Agora minha cabe&ccedil;a mudou, eu agora j&aacute; disse a  ele, agora aquela que tu conheceu &eacute; outra. Agora quem d&aacute; as cartas sou  eu&rdquo;<\/i>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ley aprobada en la Asamblea francesa criminaliza al cliente de prostituci\u00f3n. Justificada por el gobierno socialista como forma de enfrentar una modalidad de esclavitud de la mujer, la medida es se\u00f1alada por activistas como peligrosa para las profesionales del sexo en t\u00e9rminos de salud y seguridad. La iniciativa revela la cuesti\u00f3n migratoria europea como trasfondo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-951","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Retroceso franc\u00e9s - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/retroceso-frances\/951\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Retroceso franc\u00e9s - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ley aprobada en la Asamblea francesa criminaliza al cliente de prostituci\u00f3n. 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