{"id":962,"date":"2014-03-20T00:00:00","date_gmt":"2014-03-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/03\/20\/amar-demasiado\/"},"modified":"2014-03-20T00:00:00","modified_gmt":"2014-03-20T03:00:00","slug":"amar-demasiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/","title":{"rendered":"Amar demasiado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<span style=\"font-size: 12px;\">MADA (&ldquo;Mulheres que Amam Demais An&ocirc;nimas&rdquo;) &eacute; um grupo de ajuda m&uacute;tua que re&uacute;ne mulheres cujas emo&ccedil;&otilde;es as empurram para relacionamentos que elas qualificam de &ldquo;destrutivos&rdquo;, alimentados por uma forma de amor compreendido como &ldquo;doentio&rdquo; e &ldquo;viciante&rdquo;. &Eacute; para controlar essa conduta que o grupo se constitui. No Brasil, o MADA est&aacute; presente em 14 Estados e no Distrito Federal. Essa difus&atilde;o levou a que tamb&eacute;m se tornasse objeto do interesse socio-antropol&oacute;gico. Em suas disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado defendidas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), as pesquisadoras Astrid Johana Pardo e M&ocirc;nica Peixoto investigaram a din&acirc;mica do MADA e registraram suas an&aacute;lises sobre o fen&ocirc;meno.<\/span><\/p>\n<p>A concep&ccedil;&atilde;o de mulher e feminino est&aacute; convencionalmente atrelada &agrave; ideia de descontrole e fragilidade emotiva. O MADA, nesse sentido, constitui um espa&ccedil;o em que tais pressupostos aparecem e s&atilde;o, por outro lado, ressignificados. O grupo &eacute; inspirado no livro da autora norte-americana Robin Norwood &ldquo;Mulheres que Amam Demais&rdquo;, publicado em 1985. Calcula-se que no mundo cerca de tr&ecirc;s milh&otilde;es de mulheres participem do MADA, cujas reuni&otilde;es s&atilde;o semanais. Para a antrop&oacute;loga Astrid Johana Pardo (Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas\/UERJ), que realizou um estudo etnogr&aacute;fico do MADA, o ide&aacute;rio do grupo aceita os padr&otilde;es normativos de g&ecirc;nero e tenta reproduzi-los. &ldquo;Por exemplo, faz parte do &lsquo;programa de recupera&ccedil;&atilde;o tornar-se mais &lsquo;feminina&rsquo;, aspecto que se pratica atrav&eacute;s do uso de acess&oacute;rios de cor rosa ou lil&aacute;s para a arruma&ccedil;&atilde;o da sala [dos encontros] e na fabrica&ccedil;&atilde;o da propaganda do grupo&rdquo;, destaca Astrid Johana.<\/p>\n<p>O livro de Robin Norwood traz uma leitura tradicional do g&ecirc;nero, destaca a psic&oacute;loga M&ocirc;nica Peixoto (Instituto de Medicina Social), que tamb&eacute;m realizou pesquisa sobre o MADA. &ldquo;O livro pontua que as mulheres t&ecirc;m maior tend&ecirc;ncia a desenvolver o &lsquo;amar demais&rsquo;, enquanto os homens seriam mais propensos &agrave; &lsquo;compuls&atilde;o pelo trabalho&rsquo;. Fica claro, portanto, o quanto a obra liter&aacute;ria emprega as no&ccedil;&otilde;es culturais de g&ecirc;nero encontradas nas sociedades ocidentais modernas, onde as mulheres s&atilde;o associadas ao excesso de sentimentos e os homens, &agrave; racionalidade&rdquo;, afirma M&ocirc;nica Peixoto.<\/p>\n<p>Apesar de refor&ccedil;ar certas concep&ccedil;&otilde;es, o MADA traz uma linguagem que desafia determinadas marcas do cotidiano, como aquelas que contrap&otilde;em um modelo de vida tradicional e outro igualit&aacute;rio. De acordo com M&ocirc;nica Peixoto, &eacute; frequente entre as participantes do MADA o inc&ocirc;modo com uma posi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;agradadora&rdquo; do parceiro. Este inc&ocirc;modo representa, para M&ocirc;nica, o questionamento do modelo de vida tradicional, onde a mulher &eacute; compreendida como uma extens&atilde;o do marido, sendo, para tanto, socialmente designada para &ldquo;agrad&aacute;-lo&rdquo;. A reboque do movimento de contracultura e do feminismo, as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e a estrutura cl&aacute;ssica de fam&iacute;lia patriarcal passaram a ser contestados, sobretudo na segunda metade do s&eacute;culo XX. Assim, servir ao marido implica subordina&ccedil;&atilde;o, o que contraria o modelo igualit&aacute;rio moderno, no qual as fun&ccedil;&otilde;es do casal s&atilde;o divididas e o homem e a mulher se ocupam, igualmente, de cuidar dos filhos e da casa. Nesse sentido, ser dependente emocionalmente de um homem vai na contram&atilde;o do ideal igualit&aacute;rio. Al&eacute;m disso, destaca M&ocirc;nica Peixoto, &ldquo;outras caracter&iacute;sticas da &lsquo;mulher que ama demais&rsquo;, tais como &lsquo;baixa autoestima&rsquo; e perda da identidade na fus&atilde;o com o parceiro, remetem &agrave; ideia de fraqueza moral e descrevem uma mulher desvalorizada e dependente, representa&ccedil;&atilde;o condizente com o papel tradicional de esposa dedicada, dona de casa e m&atilde;e. Sendo assim, o &lsquo;amar demais&rsquo; evidencia um conflito nas rela&ccedil;&otilde;es entre os g&ecirc;neros pelo vi&eacute;s da posi&ccedil;&atilde;o da mulher&rdquo;, argumenta a pesquisadora.<\/p>\n<p><b>Amor rom&acirc;ntico e medicaliza&ccedil;&atilde;o<\/b><\/p>\n<p>O amor vivido como um fardo por essas mulheres contrasta com a imagem de amor rom&acirc;ntico t&atilde;o massificado no mundo contempor&acirc;neo. Em linhas gerais, o amor est&aacute; associado historicamente &agrave; figura da mulher. A vincula&ccedil;&atilde;o com outros ideais, como a emo&ccedil;&atilde;o, a maternidade e a responsabilidade pelo lar, tamb&eacute;m &eacute; fruto de um processo hist&oacute;rico que vem desde o Renascimento e formula uma s&eacute;rie de representa&ccedil;&otilde;es em torno da ideia de &ldquo;mulher&rdquo;. &ldquo;O amor rom&acirc;ntico tornou-se totalmente feminilizado&rdquo;, afirma Astrid Johana.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, na cultura contempor&acirc;nea, o amor consolidou-se como sin&ocirc;nimo de prazer e felicidade. Nesse sentido, as rela&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o resultam nesses sentimentos s&atilde;o vistas como descart&aacute;veis. &Eacute; nesse contexto que &lsquo;as Madas&rsquo; rompem tal concep&ccedil;&atilde;o de conjugalidade, pois insistem em relacionamentos que trazem sofrimento. O livro de Robin Norwood apresenta uma lista de sinais e sintomas para &ldquo;o amar demais&rdquo;. E lan&ccedil;a as bases para que o discurso m&eacute;dico seja convocado para lidar com o fen&ocirc;meno. &ldquo;As formula&ccedil;&otilde;es de Norwood s&atilde;o utilizadas como conhecimento especializado para fundamentar a tem&aacute;tica, sem a devida problematiza&ccedil;&atilde;o da sua caracter&iacute;stica de autoajuda&rdquo;, avalia M&ocirc;nica Peixoto.<\/p>\n<p>Nesse cen&aacute;rio, M&ocirc;nica Peixoto identifica que pesquisadores e profissionais da sa&uacute;de t&ecirc;m se dedicado a categorizar o &ldquo;amor patol&oacute;gico&rdquo; como doen&ccedil;a e a propor seu diagn&oacute;stico e tratamento. Tamb&eacute;m tem se observado a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais do campo &ldquo;psi&rdquo; capacitados para diagnosticar tal &ldquo;transtorno&rdquo;. Da mesma forma, servi&ccedil;os especializados j&aacute; s&atilde;o oferecidos em S&atilde;o Paulo, na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), e no Rio de Janeiro, na Santa Casa de Miseric&oacute;rdia, embora a comunidade cient&iacute;fica n&atilde;o tenha definido o &ldquo;amor patol&oacute;gico&rdquo; como diagn&oacute;stico oficial. &ldquo;Assim, o &lsquo;amar demais&rsquo; vem sendo promovido como &lsquo;doen&ccedil;a&rsquo; tanto pelo campo cient&iacute;fico, onde n&atilde;o h&aacute; um consenso em torno do assunto, quanto pelas participantes do grupo &lsquo;mulheres que amam demais an&ocirc;nimas&rsquo;, orientadas pela literatura de autoajuda de Norwood. Portanto, o processo de medicaliza&ccedil;&atilde;o envolve uma intera&ccedil;&atilde;o complexa de diversos atores sociais&rdquo;, observa M&ocirc;nica Peixoto.<\/p>\n<p>Na din&acirc;mica do MADA, conforme observa Astrid Johana, a constru&ccedil;&atilde;o do sujeito mulher passa pela l&oacute;gica do controle, de uma perspectiva individualizada. O &ldquo;amar demais&rdquo; &eacute; visto como um rompimento do ideal est&eacute;tico de amor rom&acirc;ntico, o que exige que haja uma rea&ccedil;&atilde;o das mulheres contra tal situa&ccedil;&atilde;o, vista como &ldquo;doentia&rdquo;, por meio de uma &ldquo;economia dos v&iacute;nculos sociais&rdquo;. &ldquo;Assim, as mulheres s&atilde;o condicionadas a pr&aacute;ticas de autocontrole constante. H&aacute; uma &lsquo;racionaliza&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es&rsquo;, na medida em que se pensa quando se deve &lsquo;investir&rsquo; num relacionamento, o que na maioria das vezes est&aacute; determinado pelo tempo e pelo dinheiro&rdquo;, afirma Astrid.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o do MADA, para ambas as pesquisadoras, destaca como as formas de regula&ccedil;&atilde;o se cruzam e mesclam aspectos morais e m&eacute;dicos. Conforme lembra M&ocirc;nica Peixoto, a concep&ccedil;&atilde;o do &ldquo;amar demais&rdquo; se apresenta ora como &ldquo;doen&ccedil;a&rdquo;, ora como &ldquo;v&iacute;cio&rdquo;. &ldquo;O entendimento como &lsquo;v&iacute;cio&rsquo; est&aacute; no terreno da moral. Ao mesmo tempo, a interpreta&ccedil;&atilde;o como &lsquo;doen&ccedil;a&rsquo; se apresenta como desafio aos padr&otilde;es classificat&oacute;rios, fazendo dela uma &lsquo;doen&ccedil;a&rsquo;&nbsp;<i>suis generis<\/i>. Desta forma, o fen&ocirc;meno MADA &eacute; amb&iacute;guo e parece se mover no meio-fio entre o moral e o psicol&oacute;gico\/m&eacute;dico. Essa ambiguidade tamb&eacute;m aparece no discurso das entrevistadas. Fica evidente a exist&ecirc;ncia de um discurso medicalizado, identificado atrav&eacute;s do uso de terminologias m&eacute;dicas. Todavia, o entendimento de que fatores de contexto familiar causam o &lsquo;amar demais&rsquo; &eacute; um importante argumento para sua leitura como constru&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, argumenta M&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Astrid Johana Pardo faz leitura semelhante, apontando como as dimens&otilde;es moral e m&eacute;dica se entrela&ccedil;am no percurso da hist&oacute;ria. &ldquo;Segundo Foucault, a medicaliza&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XIX inicia um processo de deslocamento de diferentes aspectos da vida cotidiana, como a sexualidade e os estados emocionais, da esfera moral para o &acirc;mbito da sa&uacute;de. Pode-se, inclusive, afirmar que a medicina vai se forjar como uma nova autoridade moral, que julga o certo e o errado, que dissolve o controle da moral por parte da igreja deslocando-o para o campo dos saberes como a medicina e as disciplinas psi (psicologia, psiquiatria, psican&aacute;lise). Pode-se afirmar que tanto a categoria &lsquo;v&iacute;cio&rsquo; quanto a categoria &lsquo;doen&ccedil;a&rsquo; no contexto do MADA cumprem a mesma fun&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o a julgamento moral&rdquo;, conclui Astrid.<\/p>\n<p>A compreens&atilde;o aprofundada do ponto de vista das &lsquo;mulheres que amam demais&rsquo;, para quem transitar pelo grupo, &eacute; ao mesmo tempo se sujeitar ao seu papel feminino e se liberar das amarras do amor rom&acirc;ntico, como mostram as pesquisas de Astrid e de M&ocirc;nica, que permitem perceber aspectos paradoxais do fen&ocirc;meno da autoajuda e da medicaliza&ccedil;&atilde;o da vida cotidiana.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.grupomada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para saber mais sobre o grupo.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Las investigadoras M\u00f4nica Peixoto (foto) y Astrid Johana Pardo se acercaron al grupo de ayuda mutua \u201cMujeres que Aman Demasiado\u201d (MADA) para entender los procesos sociales que subyacen al malestar de sus participantes. Hablan de las tensiones de g\u00e9nero en la din\u00e1mica del grupo y el papel del discurso m\u00e9dico en la construcci\u00f3n de la idea de \u201camar demasiado\u201d como \u201caddicci\u00f3n\u201d. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Amar demasiado - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Amar demasiado - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Las investigadoras M\u00f4nica Peixoto (foto) y Astrid Johana Pardo se acercaron al grupo de ayuda mutua \u201cMujeres que Aman Demasiado\u201d (MADA) para entender los procesos sociales que subyacen al malestar de sus participantes. Hablan de las tensiones de g\u00e9nero en la din\u00e1mica del grupo y el papel del discurso m\u00e9dico en la construcci\u00f3n de la idea de \u201camar demasiado\u201d como \u201caddicci\u00f3n\u201d. (Texto en portugu\u00e9s)\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2014-03-20T03:00:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"fw2\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"fw2\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"9 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/\",\"name\":\"Amar demasiado - CLAM - ES\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\"},\"datePublished\":\"2014-03-20T03:00:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Amar demasiado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website\",\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/\",\"name\":\"CLAM - ES\",\"description\":\"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010\",\"name\":\"fw2\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"fw2\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/clam.fw2web.com.br\"],\"url\":\"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Amar demasiado - CLAM - ES","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Amar demasiado - CLAM - ES","og_description":"Las investigadoras M\u00f4nica Peixoto (foto) y Astrid Johana Pardo se acercaron al grupo de ayuda mutua \u201cMujeres que Aman Demasiado\u201d (MADA) para entender los procesos sociales que subyacen al malestar de sus participantes. Hablan de las tensiones de g\u00e9nero en la din\u00e1mica del grupo y el papel del discurso m\u00e9dico en la construcci\u00f3n de la idea de \u201camar demasiado\u201d como \u201caddicci\u00f3n\u201d. (Texto en portugu\u00e9s)","og_url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/","og_site_name":"CLAM - ES","article_published_time":"2014-03-20T03:00:00+00:00","author":"fw2","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"fw2","Tiempo de lectura":"9 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/","name":"Amar demasiado - CLAM - ES","isPartOf":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website"},"datePublished":"2014-03-20T03:00:00+00:00","author":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/amar-demasiado\/962\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/clam.org.br\/es\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Amar demasiado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#website","url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/","name":"CLAM - ES","description":"S\u00f3 mais um site CLAM - Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos sites","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/clam.org.br\/es\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/fbd9a86032bf7479f94b0ded196f1010","name":"fw2","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/clam.org.br\/es\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/c38472c0cdbde82d9b6fcc26adb3779d?s=96&d=mm&r=g","caption":"fw2"},"sameAs":["https:\/\/clam.fw2web.com.br"],"url":"https:\/\/clam.org.br\/es\/author\/fw2\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clam.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}