{"id":963,"date":"2014-03-27T00:00:00","date_gmt":"2014-03-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/03\/27\/derechos-que-controlan\/"},"modified":"2014-03-27T00:00:00","modified_gmt":"2014-03-27T03:00:00","slug":"derechos-que-controlan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/derechos-que-controlan\/963\/","title":{"rendered":"\u201cDerechos\u201d que controlan"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo de seu doutoramento, a antrop&oacute;loga Claudia Cunha (IMS)  passou a considerar a quest&atilde;o do HIV\/Aids no campo dos direitos humanos.  Em artigo que comp&otilde;e o livro &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.e-papers.com.br\/produtos.asp?codigo_produto=2419\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O fazer e o desfazer do direito<\/a>&rdquo;,  a pesquisadora lan&ccedil;a luz sobre um modelo de forma&ccedil;&atilde;o dos Jovens  Protagonistas com HIV\/AIDS, uma forma de enfrentamento ao HIV\/Aids que  aposta na visibilidade dos jovens, sobretudo pobres, de modo a ampliar  seus direitos no contexto dos esfor&ccedil;os contra a epidemia. Contudo, esse  modelo se confronta com a dificuldade de fazer valer esses direitos  quando se concebe a ideia de que esses jovens precisam ser &ldquo;protegidos&rdquo;  pela idade e pela pobreza, mas podem ser &ldquo;perigosos&rdquo;, pelas imagens  associadas entre sexualidade &ldquo;exacerbada&rdquo; e &ldquo;descontrolada&rdquo; pela idade,  pela capacidade parcial de se responsabilizar por si mesmos e pelos  outros (ou seja, prevenir-se), e pela condi&ccedil;&atilde;o de soropositividade, isto  &eacute;, viver com HIV\/AIDS, e poder disseminar o v&iacute;rus.<\/p>\n<p>Desde o surgimento da epidemia nos anos 1980, ser portador do v&iacute;rus  implica forte carga moral que associa os soropositivos a uma s&eacute;rie de  estigmas, tais como o da culpa pela infec&ccedil;&atilde;o e o da figura &ldquo;perigosa&rdquo;  para a popula&ccedil;&atilde;o como um todo. Tais estigmas reca&iacute;ram de maneira  flagrante sobre os homossexuais, nos primeiros momentos da epidemia. Em  se tratando de jovens, as representa&ccedil;&otilde;es do HIV t&ecirc;m passado por  transforma&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos, tocando, nesse sentido, na quest&atilde;o dos  direitos desse segmento. Nesse contexto, Claudia Cunha dedicou-se a  entender a &ldquo;engenharia pol&iacute;tica&rdquo; de constru&ccedil;&atilde;o desses jovens  protagonistas e seus respectivos direitos, proposta que marca o livro &ldquo;O  fazer e o desfazer do direito&rdquo;, organizado por Adriana Vianna (Museu  Nacional\/UFRJ) e que procura pensar dimens&otilde;es pr&aacute;ticas dos direitos,  apresentando situa&ccedil;&otilde;es em que as prerrogativas da cidadania s&atilde;o vistas  pela sua dimens&atilde;o processual.<\/p>\n<p>A figura do jovem protagonista tem origem no contexto dos avan&ccedil;os do  tratamento da Aids. Com o surgimento do coquetel, nos anos 1990, as  crian&ccedil;as que eram infectadas no parto (transmiss&atilde;o vertical) puderam n&atilde;o  mais ser vistas como pessoas condenadas &agrave; morte. &Eacute; nessa conjuntura que  se constr&oacute;i, atrav&eacute;s de encontros e semin&aacute;rios, um modelo que envolve  gestores, profissionais de sa&uacute;de e movimentos sociais em benef&iacute;cio de  uma juventude que vive com HIV e que tem seu potencial de vida  reconhecido, assim como positivada a sua imagem. &ldquo;&Eacute; uma perspectiva que  traz a ideia de aten&ccedil;&atilde;o integral &agrave; sa&uacute;de, como uma forma de desconstruir  a no&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos sem perspectiva de vida&rdquo;, afirma Claudia Cunha. A  produ&ccedil;&atilde;o desse modelo, no entanto, n&atilde;o &eacute; isenta de desafios e cr&iacute;ticas,  conforme aponta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa antropol&oacute;gica para compreender as marcas desse  processo, ela observou que o reconhecimento desses jovens protagonistas &eacute;  marcado por uma economia moral. Em encontros reunindo jovens,  profissionais de sa&uacute;de e gestores, Claudia Cunha notou que o  protagonismo aparece articulado &agrave; ideia de responsabilidade. &ldquo;N&atilde;o se  trata de um simples processo em que eles s&atilde;o identificados socialmente,  mas tamb&eacute;m um processo de cria&ccedil;&atilde;o de novas categorias que trazem  embutidas tra&ccedil;os normatizantes da sexualidade. Assim, os jovens que  contra&iacute;ram o HIV no momento do nascimento s&atilde;o vistos como &lsquo;v&iacute;timas&rsquo;, ao  passo que os jovens infectados por rela&ccedil;&atilde;o sexual s&atilde;o vistos como  &lsquo;culpados, como se tivessem procurado a doen&ccedil;a, reeditando imagens do  in&iacute;cio da epidemia&rdquo;, observa Claudia Cunha<\/p>\n<p>No Brasil, crian&ccedil;as e adolescentes est&atilde;o contemplados com legisla&ccedil;&atilde;o  espec&iacute;fica atrav&eacute;s do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA), que  define tal popula&ccedil;&atilde;o como merecedora de uma prote&ccedil;&atilde;o especial ao mesmo  tempo em que faculta uma s&eacute;rie de direitos que visam &agrave; autonomia e &agrave;  liberdade. Os jovens com HIV, no contexto do modelo de enfrentamento  pesquisado por Claudia Cunha, caminham nesse espa&ccedil;o com fronteiras  t&ecirc;nues, especialmente em se tratando de sexualidade. O t&iacute;tulo do artigo &ndash;  &ldquo;Os direitos e os &lsquo;avessos&rsquo;: contradi&ccedil;&otilde;es e ambiguidades em torno das  decis&otilde;es e &lsquo;direitos, sexuais e reprodutivos&rsquo;, de jovens vivendo com  HIV\/Aids&rdquo; remete a tais fronteiras. Conforme Claudia Cunha argumenta, a  visibilidade e forma&ccedil;&atilde;o desses jovens, contraditoriamente, os afasta de  um ideal de autonomia. &ldquo;Penso na quest&atilde;o do avesso do direito, pois a  inten&ccedil;&atilde;o do protagonismo &eacute; conceder visibilidade e legitimar a vida  desses indiv&iacute;duos em seus aspectos positivos, afastando-os da ideia de  &lsquo;condenados &agrave; morte&rsquo;. Por outro lado, &eacute; um protagonismo que, por estar  no &acirc;mbito das pr&aacute;ticas sexuais e do desejo, coloca a quest&atilde;o da  responsabilidade. Assim, ao mesmo tempo em que eles est&atilde;o protegidos por  marcos legais, est&atilde;o tamb&eacute;m destitu&iacute;dos de direitos, pois s&atilde;o vistos  como indiv&iacute;duos &lsquo;descontrolados&rsquo; e &lsquo;irrespons&aacute;veis&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>Claudia Cunha aponta que o protagonismo desses jovens remete a &ldquo;um  temor de que usem a autonomia, colocando em risco a si mesmos e outras  pessoas. Persiste a ideia de potenciais disseminadores do v&iacute;rus e da  doen&ccedil;a. A sexualidade &eacute; um aspecto central nesse processo, pois &eacute;  atrav&eacute;s dela que a marca do controle e da gest&atilde;o dos corpos se faz  presente&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a constru&ccedil;&atilde;o dos jovens protagonistas e seus direitos  apresenta tra&ccedil;os normatizadores. Um dos aspectos destacados por Claudia  Cunha &eacute; o impacto que tais ideias t&ecirc;m na identidade e nas  subjetividades dos jovens. &ldquo;Uma observa&ccedil;&atilde;o importante a fazer &eacute; que tal  processo n&atilde;o &eacute; meramente pol&iacute;tico. Ele tem efeitos nos indiv&iacute;duos,  produzindo sujeitos d&oacute;ceis, ciosos de sua sexualidade por reconhecerem  que, de algum modo, constituem um perigo para a sociedade&rdquo;, afirma  Claudia Cunha.<\/p>\n<p>A emo&ccedil;&atilde;o e os sentimentos t&ecirc;m um papel importante nesse contexto. Nos  encontros organizados, os jovens s&atilde;o estimulados a falar de suas  experi&ecirc;ncias e a demonstrar seus sentimentos, partindo-se do pressuposto  de que a emo&ccedil;&atilde;o horizontaliza as rela&ccedil;&otilde;es de uma popula&ccedil;&atilde;o submetida a  formas de poder variadas. De acordo com Claudia Cunha, a aposta na  emo&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m merece reflex&atilde;o. &ldquo;Ao se apostar na positiva&ccedil;&atilde;o desses  jovens, dando destaque para a possibilidade de terem uma vida feliz e  &lsquo;normal&rsquo; como a de qualquer pessoa, &eacute; importante pensar sobre isso no  contexto mais amplo. De um lado, h&aacute; uma &ecirc;nfase em sujeitos felizes e  emancipados, enquanto que, do outro lado, permanece o estigma de  indiv&iacute;duos &lsquo;perigosos&rsquo;. &Eacute; um processo sutil de constru&ccedil;&atilde;o dessa  juventude. Nesse sentido, o protagonismo refor&ccedil;a determinados estigmas  que n&atilde;o coincidem com uma linguagem de direitos humanos. S&atilde;o jovens que  devem ser felizes, aut&ocirc;nomos, mas, na verdade, docilizados, inseridos em  uma proposta que fomenta uma forma de controle dos corpos e dos  desejos. Ao atribuir a esses jovens a no&ccedil;&atilde;o normativa de &lsquo;cuidado de si&rsquo;  e responsabilidade, vejo que proporcionamos menos bem-estar do que  sofrimento&rdquo;,observa Claudia Cunha.<\/p>\n<p>Apesar das cr&iacute;ticas, Claudia Cunha pondera que o modelo n&atilde;o deve ser  descartado, pois tamb&eacute;m contribui para o enfrentamento do HIV\/Aids. &ldquo;N&atilde;o  se deve jogar fora o que foi e est&aacute; sendo constru&iacute;do. Dar voz aos  jovens &eacute; uma maneira de reconhec&ecirc;-los. A iniciativa &eacute; um espa&ccedil;o de  fortalecimento. As pessoas envolvidas est&atilde;o bem-intencionadas. Por isso,  devemos olhar criticamente e refletir sobre as ambiguidades e  armadilhas que podem ser criadas nesse processo&rdquo;, afirma Claudia Cunha,  que em sua pesquisa de p&oacute;s-doutorado tem pesquisado, entre outros  aspectos, a trajet&oacute;ria de jovens vivendo com HIV\/Aids que militam em  movimentos sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Art\u00edculo de la antrop\u00f3loga Cl\u00e1udia Cunha reflexiona sobre las ambig\u00fcedades del modelo de \u201cj\u00f3venes protagonistas viviendo con VIH\/Sida\u201d, promovido por gestores y movimientos sociales en el Brasil: la iniciativa mantiene valores que refuerzan la autonom\u00eda reducida y la \u201cminor\u00eda de edad\u201d de los j\u00f3venes, as\u00ed como establece mecanismos de control de los cuerpos. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cDerechos\u201d que controlan - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/derechos-que-controlan\/963\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cDerechos\u201d que controlan - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Art\u00edculo de la antrop\u00f3loga Cl\u00e1udia Cunha reflexiona sobre las ambig\u00fcedades del modelo de \u201cj\u00f3venes protagonistas viviendo con VIH\/Sida\u201d, promovido por gestores y movimientos sociales en el Brasil: la iniciativa mantiene valores que refuerzan la autonom\u00eda reducida y la \u201cminor\u00eda de edad\u201d de los j\u00f3venes, as\u00ed como establece mecanismos de control de los cuerpos. 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