{"id":968,"date":"2014-04-15T00:00:00","date_gmt":"2014-04-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/04\/15\/riesgo-y-eleccion\/"},"modified":"2014-04-15T00:00:00","modified_gmt":"2014-04-15T03:00:00","slug":"riesgo-y-eleccion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/riesgo-y-eleccion\/968\/","title":{"rendered":"Riesgo y elecci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>A no&ccedil;&atilde;o de risco em sa&uacute;de orienta o processo de medicaliza&ccedil;&atilde;o de nossa cultura. Por&eacute;m, se por um lado, ela &eacute; importante para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de preven&ccedil;&atilde;o de problemas de sa&uacute;de, por outro lado sabe-se que os indiv&iacute;duos n&atilde;o podem viver preocupados com a quest&atilde;o do risco. As varia&ccedil;&otilde;es individuais s&atilde;o grandes, de modo que o que significa um risco para uns pode n&atilde;o ser para outros.<\/p>\n<p>O caso da gestante que foi submetida a uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2014\/04\/1434570-justica-do-rs-manda-gravida-fazer-cesariana-contra-sua-vontade.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ces&aacute;rea por decis&atilde;o judicial<\/a>&nbsp;oportuniza a discuss&atilde;o sobre o risco como organizador da vida cotidiana. Decidida a dar &agrave; luz por parto vaginal, ela foi obrigada por uma m&eacute;dica a fazer cesariana, depois que a profissional de sa&uacute;de recorreu &agrave; Justi&ccedil;a, alegando tratar-se de uma &ldquo;gravidez de risco&rdquo;. De acordo com a m&eacute;dica, dadas as condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e sua hist&oacute;ria ginecol&oacute;gica e obst&eacute;trica anterior (feto em apresenta&ccedil;&atilde;o p&eacute;lvica, gravidez p&oacute;s-termo e duas cesarianas pr&eacute;vias), o procedimento cir&uacute;rgico era o mais indicado e a paciente n&atilde;o teria o direito de colocar em risco a integridade f&iacute;sica da crian&ccedil;a.<\/p>\n<p>O Manual T&eacute;cnico de Gesta&ccedil;&atilde;o de Alto Risco, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de brasileiro, apresenta quatro crit&eacute;rios para definir uma gest&atilde;o de alto risco: caracter&iacute;sticas individuais e condi&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas desfavor&aacute;veis; hist&oacute;ria ginecol&oacute;gica e obst&eacute;trica anterior; doen&ccedil;as maternas pr&eacute;vias ou concomitantes; e doen&ccedil;as da gesta&ccedil;&atilde;o atual. O Manual, nesse sentido, constitui um marco para orientar a decis&atilde;o de profissionais da sa&uacute;de. Mas at&eacute; que ponto ele &eacute; aplic&aacute;vel a toda mulher?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/rachel_aisengart.jpg\" width=\"100\" height=\"82\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" align=\"left\" alt=\"\" \/>De acordo com Rachel Aisengart Menezes, m&eacute;dica e professora do Instituto em Estudos de Sa&uacute;de Coletiva da UFRJ, embora o risco tenda a ser um vetor da biomedicina no processo de medicaliza&ccedil;&atilde;o das pessoas, n&atilde;o pode ser uma no&ccedil;&atilde;o a orientar nossas vidas. &ldquo;Temos que pensar na sa&uacute;de e na doen&ccedil;a no sentido de uma gest&atilde;o individual, em torno dos desejos das pessoas. No caso desta gestante, ela tinha o direito &agrave; autonomia. Claramente havia uma indica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica de cesariana prevista em livros de medicina, dada a apresenta&ccedil;&atilde;o do feto e o tempo de gesta&ccedil;&atilde;o. No entanto, o corpo &eacute; da mulher. Ela tem o direito &agrave; autonomia de decidir de que forma vai ter o beb&ecirc;. Assim como existem muitas mulheres com indica&ccedil;&atilde;o de parto normal que optam pela ces&aacute;rea. Elas t&ecirc;m o direito de pedir uma cesariana. N&atilde;o estou defendendo ou justificando o procedimento, mas defendo o direito da mulher de decidir sobre seu corpo&rdquo;.<\/p>\n<p>O risco atribu&iacute;do &agrave; situa&ccedil;&atilde;o da gestante est&aacute; sustentado pela pr&aacute;tica da medicina baseada em evid&ecirc;ncia, modelo que prioriza a quantifica&ccedil;&atilde;o para nortear a pr&aacute;tica profissional e condiciona protocolos m&eacute;dicos. No entanto, &eacute; v&aacute;lido refletir acerca da maneira de constru&ccedil;&atilde;o desse risco. Seria ele universal e aplic&aacute;vel a todos os indiv&iacute;duos? At&eacute; que ponto dados cient&iacute;ficos podem ser v&aacute;lidos para definir o que &eacute; certo ou errado?<\/p>\n<p>&ldquo;A medicina baseada em evid&ecirc;ncia objetiva um controle da sa&uacute;de e da doen&ccedil;a. No entanto, h&aacute; uma varia&ccedil;&atilde;o muito grande entre as pessoas, de modo que aquilo que &eacute; um risco para um n&atilde;o necessariamente &eacute; para outro&rdquo;, observa Rachel Aisengart Menezes.<\/p>\n<p>No contexto da valoriza&ccedil;&atilde;o do risco como orientador das condutas, um dos efeitos recai sobre a autonomia do indiv&iacute;duo. No caso da gestante, havia fundamenta&ccedil;&atilde;o na literatura m&eacute;dica que orientou a tomada de decis&atilde;o da profissional de sa&uacute;de e, consequentemente, da justi&ccedil;a. No entanto, a argumenta&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica n&atilde;o &eacute; absoluta (assim como tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; o argumento sobre a autonomia individual). N&atilde;o se pretende aqui deslegitimar as tomadas de atitudes e posi&ccedil;&otilde;es, mas sim refletir sobre os elementos que est&atilde;o em jogo, para al&eacute;m da polariza&ccedil;&atilde;o do debate.&nbsp;<\/p>\n<p> A fronteira entre autonomia individual e autoridade m&eacute;dica, lembra Rachel Aisengart Menezes, pode ser ilustrada por outras situa&ccedil;&otilde;es. Os fieis da denomina&ccedil;&atilde;o crist&atilde; Testemunhas de Jeov&aacute;, por exemplo, n&atilde;o permitem, por motivos religiosos, transfus&atilde;o de sangue. &ldquo;&Eacute; uma quest&atilde;o delicada: o m&eacute;dico se considera na obriga&ccedil;&atilde;o de salvar vidas, mas os fieis desta religi&atilde;o se recusam a certas pr&aacute;ticas m&eacute;dicas. J&aacute; h&aacute; formas para equacionar os interesses. Temos sempre que pensar no sentido da concilia&ccedil;&atilde;o, o que n&atilde;o aconteceu no caso da gestante. Entendo a preocupa&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica com a vida da mulher e do beb&ecirc;. &Eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima. Reconhe&ccedil;o o direito da mulher sobre seu corpo. Sabemos que nem o argumento da gestante nem o da m&eacute;dica s&atilde;o absolutos. Entendo a discuss&atilde;o, mas n&atilde;o entendo o papel da pol&iacute;cia. &Eacute; essa a maneira de dialogar? A forma como a situa&ccedil;&atilde;o foi conduzida &eacute; reprov&aacute;vel: n&atilde;o se defende o direito &agrave; vida com policial e arma. Que Estado &eacute; esse que, para debater, tem que usar a for&ccedil;a?&rdquo;, questiona Rachel Aisengart Menezes.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o tamb&eacute;m se inscreve na concep&ccedil;&atilde;o cada vez mais precoce do feto como pessoa. &ldquo;A vida do bebe n&atilde;o &eacute; priorit&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; da mulher. Priorizar a vida do beb&ecirc; &agrave; autonomia da mulher &eacute; uma troca que os grupos pr&oacute;-vida e anti-aborto fazem&rdquo;, avalia a pesquisadora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/alfonsina.jpg\" width=\"90\" height=\"100\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" align=\"left\" alt=\"\" \/>A no&ccedil;&atilde;o de risco no contexto da maternidade foi estudada pela soci&oacute;loga Alfonsina Faya Robles (Instituto de Medicina Social &ndash; UERJ), em seu doutorado. Em seu trabalho com gestantes de classe populares na cidade do Recife, ela notou como dois modelos t&ecirc;m se confrontado na quest&atilde;o da sa&uacute;de materno-infantil: de um lado, a proposta medicalizante, que preconiza a interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica via ces&aacute;rea; do outro, a proposta humanizadora, que rejeita a necessidade de participa&ccedil;&atilde;o da figura m&eacute;dica no processo de nascimento. De acordo com a soci&oacute;loga, a no&ccedil;&atilde;o de risco atua na interface dessa disputa.<\/p>\n<p>&ldquo;A ideia de risco tem um car&aacute;ter tanto medicalizante como moral. Tanto o modelo m&eacute;dico, com seus argumentos estat&iacute;sticos baseados em observa&ccedil;&otilde;es e pesquisas, como a perspectiva humanizadora defendem formas de organizar a gravidez e o nascimento. Ambos t&ecirc;m tra&ccedil;os normalizadores, pois definem estilos de vida&rdquo;, afirma Alfonsina Faya.<\/p>\n<p>Em seu estudo, a soci&oacute;loga notou como mulheres pobres rejeitavam o processo humanizador a partir de um entendimento de que a ces&aacute;rea seria melhor. &ldquo;Assim, tamb&eacute;m vemos a&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas no pr&eacute;-parto, pois s&atilde;o mulheres que n&atilde;o querem o parto vaginal, mas por car&ecirc;ncia financeira acabam dando &agrave; luz nessas condi&ccedil;&otilde;es&rdquo;, completa a soci&oacute;loga.<\/p>\n<p>No caso da gestante obrigada a fazer a ces&aacute;rea, Alfonsina Faya destaca como a ideia de risco estimula uma viol&ecirc;ncia tamb&eacute;m psicol&oacute;gica. A gestante tinha programado o parto h&aacute; tempos, planejando-o em detalhes, o local, as pessoas que estariam envolvidas, em suma, roteirizando o evento como um acontecimento especial. &ldquo;O nascimento como projeto de vida, como constituinte de uma subjetividade, foi desrespeitado nesse caso. Houve uma viol&ecirc;ncia de Estado, que interferiu e atropelou uma decis&atilde;o individual, um projeto pessoal&rdquo;, observa Alfonsina Faya.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a situa&ccedil;&atilde;o sinaliza um conflito entre saberes e poderes. No entanto, n&atilde;o avalia como um atestado de supremacia da autoridade m&eacute;dica. &ldquo;De fato, o corpo foi expropriado em nome de um saber. Mas, acredito que a interven&ccedil;&atilde;o radical do Estado indica uma maior presen&ccedil;a da proposta humanizadora na quest&atilde;o materno-infantil. Parece que a maior difus&atilde;o dessa proposta tem incomodado e, portanto, gerado rea&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o vejo o caso como uma continua&ccedil;&atilde;o ou consolida&ccedil;&atilde;o de um poder. &Eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;as que t&ecirc;m ampliado as possibilidades de parto para uma perspectiva mais individualizada. Tanto a abordagem medicalizante quanto a humanizadora t&ecirc;m suas caracter&iacute;sticas de regula&ccedil;&atilde;o. O que deveria ser regra &eacute; a possibilidade de a mulher transitar entre esses modelos e escolher a forma que mais lhe agrada&rdquo;, conclui Alfonsina Faya.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o que se defende &eacute; o livre arb&iacute;trio dos indiv&iacute;duos. Nos tempos atuais, os avan&ccedil;os t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos t&ecirc;m permitido &agrave; medicina criar e incrementar m&eacute;todos de diagn&oacute;stico sofisticados, que conseguem mapear o organismo humano com muita precis&atilde;o. Nesse processo, condi&ccedil;&otilde;es do corpo humano v&atilde;o sendo perscrutadas e os riscos aparecem. Na Europa, por exemplo, quase n&atilde;o h&aacute; pessoas com S&iacute;ndrome de Down, pois as tecnologias permitem o diagn&oacute;stico muito cedo e h&aacute; a possibilidade de se optar pelo aborto quando se descobre essa altera&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica. Por sua vez, h&aacute; pessoas que, mesmo tomando conhecimento durante a gesta&ccedil;&atilde;o, decidem mant&ecirc;-la e ter um filho com Down. S&atilde;o escolhas.<\/p>\n<p><b><i>O risco e o prazer<\/i><\/b><\/p>\n<p>Quando pensamos em risco, estamos falando em extens&atilde;o da vida. Nesse sentido, a tecnologia atual permite que se fale e defina muitas coisas em rela&ccedil;&atilde;o a risco. Assim, tudo acaba sendo pensado em termos de risco. A morte s&uacute;bita do ator Jos&eacute; Wilker, aos 67 anos de idade e em pleno gozo das suas faculdades, trouxe &agrave; discuss&atilde;o a preocupa&ccedil;&atilde;o com esfor&ccedil;os para buscar preservar a vida e estender sua dura&ccedil;&atilde;o. E como hoje em dia a medicina conta com tecnologias de diagn&oacute;stico que podem mostrar coisas em detalhes, coisas que antes n&atilde;o eram vis&iacute;veis, a morte do ator provocou nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o brasileiros maior divulga&ccedil;&atilde;o dos chamados &ldquo;comportamentos de risco&rdquo; &agrave; sa&uacute;de cardiovascular, com uso de palavras como angiotomografia e os stents, exames e procedimentos que previnem o entupimento de art&eacute;rias e o risco de enfarte.<\/p>\n<p>Mas o que &eacute; mais arriscado, para alguns pode ser mais prazeroso. Fumar, por exemplo &ndash; o ator era fumante e, segundo fontes, confidenciava que o fumo era algo que lhe fazia bem, apesar de estar ciente dos riscos que o h&aacute;bito poderia acarretar (hoje descritos em qualquer pacote de cigarros). No artigo &lsquo;<a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/86500290\/Luiz-Fernando-Dias-Duarte-O-imperio-dos-sentidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Imp&eacute;rio dos Sentidos<\/a>&rsquo;, o antrop&oacute;logo Luiz Fernando Dias Duarte (Museu Nacional\/UFRJ) destaca que vivemos um dilema: a busca pelo prazer como um imperativo e, simultaneamente,uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a extens&atilde;o da vida.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando falamos na ideia da intensidade e extens&atilde;o da vida, a intensidade cont&eacute;m um risco. Essa &eacute; uma busca do ser humano. Em certos momentos h&aacute; uma &ecirc;nfase na intensidade, em outros, na extens&atilde;o. Voc&ecirc; pode pensar isso historicamente. O per&iacute;odo pr&eacute;-epidemia de Aids, por exemplo, foi de intensidade do viver. Quando surge a Aids, a preocupa&ccedil;&atilde;o passa a ser a extens&atilde;o do viver&rdquo;, lembra Rachel Aisengart Menezes.<\/p>\n<p>Mas mesmo depois da era p&oacute;s-HIV, na contram&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es trazidas pela epidemia, diversas pr&aacute;ticas desafiaram (e continuam a desafiar) o discurso do risco nas rela&ccedil;&otilde;es sexuais desprotegidas. Um exemplo &eacute; o&nbsp;<i>barebacking<\/i>&nbsp;(abandono intencional e deliberado do preservativo em rela&ccedil;&otilde;es anais homoer&oacute;ticas), discutida pelo fil&oacute;sofo argentino Esteban Garcia no artigo &quot;Pol&iacute;ticas e prazeres dos fluidos masculinos: barebacking, esportes de risco e terrorismo biol&oacute;gico&quot;, presente na colet&acirc;nea&nbsp;<i>Prazeres Dissidentes<\/i>&nbsp;(CLAM\/Ed. Garamond). No artigo, a linguagem da sa&uacute;de e da vida, da doen&ccedil;a e da preven&ccedil;&atilde;o &eacute; usada para delinear contornos que separam os barebackers dos praticantes do homoerotismo &quot;seguro&quot;. Para o autor, as conven&ccedil;&otilde;es morais e pol&iacute;ticas acerca do&nbsp;<i>barebacking<\/i>&nbsp;prov&ecirc;m de uma defini&ccedil;&atilde;o estreita de sa&uacute;de, em uma conjuntura hist&oacute;rica em que a identidade gay tem sido enquadrada a uma vigil&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Nesse dilema entre o imperativo do prazer e a preocupa&ccedil;&atilde;o com a extens&atilde;o da vida, a possibilidade de uma vida saud&aacute;vel fica condicionada a uma s&eacute;rie de prescri&ccedil;&otilde;es. No artigo &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-81232010000700081\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Discursos sobre comportamento de risco &agrave; sa&uacute;de e a moraliza&ccedil;&atilde;o da vida cotidiana<\/a>&rdquo;, publicado na revista &ldquo;Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva&rdquo;, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Sa&uacute;de Coletiva (ABRASCO), os autores Marcos Bagrichevsky, Luis David Castiel, Paulo Roberto Vasconcellos-Silva e Adriana Estev&atilde;o apontam a centralidade da racionalidade tecnocient&iacute;fica nos dias atuais, que cria uma &ldquo;economia de verdades&rdquo; e, assim, estipula uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es e normas em benef&iacute;cio de uma vida &ldquo;mais saud&aacute;vel&rdquo;. Nesse sentido, apontam os efeitos angustiantes para as pessoas e o tra&ccedil;o regulador que tal l&oacute;gica apresenta.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\">Todas estas quest&otilde;es discutidas est&atilde;o sendo debatidas pela sua veicula&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia e dizem respeito a casos circunscritos a determinados grupos de camadas m&eacute;dias e altas, partid&aacute;rias de um ide&aacute;rio que entende os indiv&iacute;duos como capazes de se autodeterminar e gerir a pr&oacute;pria vida. Assim, a dimens&atilde;o do risco tem uma dupla face, individual e coletiva. Al&eacute;m da esfera individual e da escolha de cada um, as pessoas est&atilde;o socialmente inscritas, e, portanto, submetidas a diferentes condi&ccedil;&otilde;es de vida, que n&atilde;o somente afetar&atilde;o o repert&oacute;rio de &ldquo;riscos a escolher&rdquo;, mas tamb&eacute;m aqueles que dever&atilde;o enfrentar a partir do lugar que ocupam no mundo, marcadas pela idade, g&ecirc;nero, cor\/ra&ccedil;a, local de moradia, escolaridade, entre outros. N&atilde;o ser submetido a determinado procedimento a partir de uma ordem estatal, e poder pleitear o direito &agrave; autonomia n&atilde;o &eacute; para todos.<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>El discurso sobre el riesgo en salud, defendido por el poder m\u00e9dico, \u00bfdeber\u00eda sobreponerse a la autonom\u00eda de la persona, o puede ser relativizado en nombre de la libertad individual? <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Riesgo y elecci\u00f3n - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/riesgo-y-eleccion\/968\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Riesgo y elecci\u00f3n - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"El discurso sobre el riesgo en salud, defendido por el poder m\u00e9dico, \u00bfdeber\u00eda sobreponerse a la autonom\u00eda de la persona, o puede ser relativizado en nombre de la libertad individual? 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