{"id":969,"date":"2014-04-30T00:00:00","date_gmt":"2014-04-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/04\/30\/por-que-el-genero-asusta-tanto\/"},"modified":"2014-04-30T00:00:00","modified_gmt":"2014-04-30T03:00:00","slug":"por-que-el-genero-asusta-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/por-que-el-genero-asusta-tanto\/969\/","title":{"rendered":"\u00bfPor qu\u00e9 el g\u00e9nero asusta tanto?"},"content":{"rendered":"<p>Os esfor&ccedil;os na constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es sociais menos desiguais em termos de g&ecirc;nero e sexualidade sofreram um rev&eacute;s na &uacute;ltima semana, no Brasil. Foi&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11514\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">retirado<\/a>&nbsp;do texto do Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (PNE), projeto de lei que define diretrizes e metas para a educa&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2020, a men&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es de g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual. A supress&atilde;o &eacute; efeito da press&atilde;o de setores religiosos conservadores que, incomodados com pr&aacute;ticas pluralistas que contradizem seus valores morais, t&ecirc;m dificultado, no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o, o desenvolvimento de pol&iacute;ticas em nome dos direitos das mulheres, dos direitos sexuais e reprodutivos, assim como qualquer medida no marco dos direitos humanos.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia de se discutir tais quest&otilde;es no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; atestada pela amplitude e incid&ecirc;ncia de crimes homof&oacute;bicos e viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero no Brasil. Estes ocorrem no contexto de uma hist&oacute;ria e uma cultura constru&iacute;da com linguagem machista, sexista e homof&oacute;bica que vitima, antes tudo, no &acirc;mbito simb&oacute;lico. As mulheres, as l&eacute;sbicas, transexuais, travestis, bissexuais, gays e outros sujeitos sexuais marginalizados t&ecirc;m suas imagens desvalorizadas, o que enseja um clima favor&aacute;vel a viol&ecirc;ncias de todo tipo. Tratar a discuss&atilde;o sobre g&ecirc;nero e diversidade sexual como mat&eacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o significa dar um passo importante para reduzir as desigualdades e a viol&ecirc;ncia que marcam o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A entrada dessas tem&aacute;ticas na escola tem enfrentado resist&ecirc;ncia e, eventualmente, tem sido impedida, conforme demonstra a movimenta&ccedil;&atilde;o que levou ao recuo no PNE. Setores religiosos conservadores instalados no Congresso e em outros espa&ccedil;os pol&iacute;ticos t&ecirc;m se valido do crescimento da f&eacute; evang&eacute;lica para extrapolar seus valores morais para o &acirc;mbito da pol&iacute;tica de estado. Nesse contexto, grupos cat&oacute;licos conservadores somam-se ao movimento para colocar em marcha a ofensiva.<\/p>\n<p>Ainda que haja pluralidade dentro da doutrina crist&atilde;, a ideia de mulher e homem &eacute; um conceito r&iacute;gido, formado a partir de uma concep&ccedil;&atilde;o naturalizada do indiv&iacute;duo. A partir dela, surgem as figuras tradicionais idealizadas de homem e mulher, cujos g&ecirc;neros s&atilde;o compreendidos como uma continua&ccedil;&atilde;o do corpo biol&oacute;gico. Nesse contexto, a vida afetiva e sexual &eacute; foco de um intenso investimento moral. O arranjo conjugal leg&iacute;timo envolve homem e mulher &ndash; concebido como unidade reprodutora natural. Quando proposi&ccedil;&otilde;es novas que projetam outras possibilidades de arranjos afetivos e conjugais, assim como identidades e pr&aacute;ticas de g&ecirc;nero &agrave; margem das tradicionais, s&atilde;o colocadas em discuss&atilde;o, uma orquestrada rea&ccedil;&atilde;o se articula contra o que os movimentos conservadores t&ecirc;m denominado &ldquo;ideologia do g&ecirc;nero&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A retirada da quest&atilde;o de g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual demonstra o inc&ocirc;modo de alguns setores religiosos com uma vis&atilde;o mais plural de sexualidade e g&ecirc;nero. A sexualidade, vista e compreendida como algo da ordem do controle, &eacute; afrontada. Por isso, a rea&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma a soci&oacute;loga Amanda Mendon&ccedil;a (UFF), que estuda as articula&ccedil;&otilde;es entre religi&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Durante a vota&ccedil;&atilde;o na Comiss&atilde;o especial sobre o PNE da C&acirc;mara dos Deputados, que votou o texto base, parlamentares e ativistas que pressionaram pela retirada das quest&otilde;es do texto levaram cartazes com dizeres do tipo &ldquo;G&ecirc;nero n&atilde;o!&rdquo; ou &ldquo;N&atilde;o &agrave; ideologia de g&ecirc;nero!&rdquo;. O inc&ocirc;modo &eacute; direcionado &agrave; possibilidade de se pensar as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e sexualidade fora do marco religioso. No texto original, estava previsto promover &ldquo;a supera&ccedil;&atilde;o das desigualdades educacionais, com &ecirc;nfase na promo&ccedil;&atilde;o da igualdade racial, regional, de g&ecirc;nero e de orienta&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo;. Pensar pol&iacute;ticas nesse sentido &eacute; reconhecer uma pluralidade de concep&ccedil;&otilde;es de homem e mulher, al&eacute;m do tradicionalmente considerado &ldquo;natural&rdquo;, ou da concord&acirc;ncia entre g&ecirc;nero e sexo som&aacute;tico. &Eacute; reconhecer que as viv&ecirc;ncias individuais s&atilde;o constru&iacute;das socialmente e, por isso, podem se configurar de muitas formas e atrav&eacute;s de diversas identidades. N&atilde;o foi isso que prevaleceu. A reda&ccedil;&atilde;o final acabou mencionando, mais genericamente, &ldquo;a supera&ccedil;&atilde;o das desigualdades educacionais, com &ecirc;nfase na promo&ccedil;&atilde;o da cidadania e na erradica&ccedil;&atilde;o de todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Na vota&ccedil;&atilde;o, parlamentares contr&aacute;rios &agrave; discuss&atilde;o sobre g&ecirc;nero e diversidade sexual justificaram a retirada das quest&otilde;es como uma forma de enfrentamento &agrave; &ldquo;ditadura gay&rdquo;. Por essa linha de racioc&iacute;nio, toda e qualquer iniciativa de diversidade sexual e igualdade de g&ecirc;nero &eacute; um pretexto para a &ldquo;doutrina&ccedil;&atilde;o homossexual&rdquo;.<\/p>\n<p>Argumento semelhante esteve na origem das press&otilde;es de setores religiosos que levaram a presidente Dilma Rousseff a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=8170&amp;sid=7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">suspender a distribui&ccedil;&atilde;o do chamado &ldquo;kit anti-homofobia&rdquo;<\/a>&nbsp;em escolas p&uacute;blicas em 2011. A campanha trazia material destinado a sensibilizar alunos do ensino m&eacute;dio a respeito da diversidade sexual e de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/cartilha_seduc_genero.jpg\" width=\"180\" height=\"191\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" align=\"left\" alt=\"\" \/>A ofensiva atual, portanto, n&atilde;o &eacute; nova e ilustra um contexto no qual a educa&ccedil;&atilde;o tem sido um campo de batalha, alimentado com combust&iacute;vel religioso. Em 2002, o governo do Estado do Rio de Janeiro promulgou uma lei tornando obrigat&oacute;rio o ensino religioso nas escolas estaduais. Desde ent&atilde;o, embora a matr&iacute;cula seja facultativa e as escolas sejam obrigadas a oferecer alternativa pedag&oacute;gica aos alunos que n&atilde;o se submetam ao ensino religioso, a pr&aacute;tica tem sido disseminada sem alternativas, conforme lembra a soci&oacute;loga Amanda Mendon&ccedil;a. &Eacute; nesse contexto de aproxima&ccedil;&atilde;o entre religi&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o que, recentemente, a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.fazendomedia.com\/manual-machista-e-homofobico-e-distribuido-pela-secretaria-de-estado-de-educacao-do-rio-em-encontro-de-professores-de-ensino-religioso\/?fb_action_ids=758532710831691&amp;fb_action_types=og.likes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">distribuiu uma cartilha<\/a>, chamada de &ldquo;Manual de Bio&eacute;tica&rdquo;, para professores de ensino religioso (ao lado, uma das imagens da publica&ccedil;&atilde;o). No material, l&ecirc;-se que &ldquo;a teoria do g&ecirc;nero supervaloriza a constru&ccedil;&atilde;o sociocultural da identidade sexual, opondo-se &agrave; natureza, gerando um novo modelo familiar e uma nova organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade&rdquo;. O texto afirma ainda que &ldquo;a maternidade &eacute; parte constitutiva de uma identidade feminina&rdquo;, atrela o g&ecirc;nero ao corpo biol&oacute;gico e condena o aborto, mesmo nos casos de estupro.<\/p>\n<p>A cartilha foi criticada por entidades de direitos humanos. Medidas como essa, assim como o recuo no<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/uploads\/imagem\/cartilha_alema.jpg\" width=\"370\" height=\"289\" vspace=\"5\" hspace=\"5\" align=\"right\" alt=\"\" \/>Plano&nbsp;Nacional&nbsp;de&nbsp;Educa&ccedil;&atilde;o, constituem um retrocesso no combate &agrave; desigualdade. No cotidiano, tais desigualdades est&atilde;o materializadas nos &iacute;ndices de crimes homof&oacute;bicos, que em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=9726\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2011 foram 6.809 no Brasil<\/a>, conforme a Secretaria de Direitos Humanos da Presid&ecirc;ncia, e de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. A cada dia,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=11222\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15 mulheres s&atilde;o assassinadas<\/a>&nbsp;e sofrem diversas formas de discrimina&ccedil;&atilde;o. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute;&nbsp;<a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/comissoes\/comissoes-permanentes\/cdhm\/noticias\/escola-deve-promover-respeito-a-diversidade-sexual-dizem-especialistas#.U018pEX6xpQ.facebook\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">compartilhada por parlamentares e especialistas<\/a>, que apontam a inf&acirc;ncia como momento central na forma&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es preconceituosas,&nbsp;e concretizada em outros pa&iacute;ses, como a Alemanha, onde a abordagem da tem&aacute;tica de g&ecirc;nero e diversidade sexual &eacute; uma pol&iacute;tica educacional: uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.folhasocial.com\/2013\/12\/como-alemanha-explica-homossexualidade.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cartilha que fala sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo &eacute; distribu&iacute;da<\/a>&nbsp;(confira imagem acima) em escolas com linguagem inclusiva, sem preconceitos e aberta &agrave;s diferen&ccedil;as.<\/p>\n<p>Sem associar direta ou necessariamente tais viol&ecirc;ncias a causas religiosas, &eacute; importante n&atilde;o perder de vista o contexto pol&iacute;tico e social em que as mesmas s&atilde;o geradas. Por isso, parlamentares comprometidos com os direitos humanos lamentaram o recuo no PNE, lembrando o papel fundamental da escola na supera&ccedil;&atilde;o de preconceitos e estigmas. &ldquo;Temos um conflito em evid&ecirc;ncia: religi&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o. A escola &eacute; espa&ccedil;o fundamental de socializa&ccedil;&atilde;o, de dissemina&ccedil;&atilde;o de valores e concep&ccedil;&otilde;es morais. Entende-se o porqu&ecirc; do inc&ocirc;modo que o PNE em sua vers&atilde;o original despertava: representava um desafio a uma ordem de g&ecirc;nero e sexual regida por disciplina e controle. Por isso, a preocupa&ccedil;&atilde;o em firmar terreno na pol&iacute;tica educacional. Lamentavelmente, o texto aprovado &eacute; um retrocesso, pois n&atilde;o contribui para uma educa&ccedil;&atilde;o reflexiva e inclusiva&rdquo;, afirma a soci&oacute;loga Amanda Mendon&ccedil;a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sertao.ufg.br\/pages\/69032-nota-de-repudio-retrocessos-na-construcao-do-plano-nacional-de-educacao-pne\" target=\"_blank\" style=\"font-size: 12px;\" rel=\"noopener\">Leia aqui a nota do grupo Ser-t&atilde;o (Universidade Federal de Goi&aacute;s) condenando o recuo no PNE<\/a><span style=\"font-size: 12px;\">, que agora segue para vota&ccedil;&atilde;o no plen&aacute;rio da C&acirc;mara, de onde ser&aacute; encaminhado para san&ccedil;&atilde;o da presidente Dilma Rousseff.<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por presi\u00f3n de sectores religiosos conservadores, las cuestiones de g\u00e9nero y orientaci\u00f3n sexual fueron retiradas del texto del Plan Nacional de Educaci\u00f3n brasile\u00f1o. Esto demuestra c\u00f3mo la educaci\u00f3n ha sido un campo de batalla de concepciones morales que resisten a toda forma de pluralismo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u00bfPor qu\u00e9 el g\u00e9nero asusta tanto? - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/por-que-el-genero-asusta-tanto\/969\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u00bfPor qu\u00e9 el g\u00e9nero asusta tanto? - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Por presi\u00f3n de sectores religiosos conservadores, las cuestiones de g\u00e9nero y orientaci\u00f3n sexual fueron retiradas del texto del Plan Nacional de Educaci\u00f3n brasile\u00f1o. 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