{"id":972,"date":"2014-06-04T00:00:00","date_gmt":"2014-06-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/06\/04\/aborto-en-tiempos-de-eleccion\/"},"modified":"2014-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2014-06-04T03:00:00","slug":"aborto-en-tiempos-de-eleccion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/aborto-en-tiempos-de-eleccion\/972\/","title":{"rendered":"Aborto en tiempos de elecci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>As elei&ccedil;&otilde;es presidenciais brasileiras ocorrem em outubro deste ano. Mas o processo eleitoral j&aacute; est&aacute; nas ruas e nos espa&ccedil;os pol&iacute;ticos institucionais. Como aconteceu em 2010, a pauta novamente est&aacute; incorporando, a partir da mobiliza&ccedil;&atilde;o de setores religiosos dogm&aacute;ticos que t&ecirc;m chantageado l&iacute;deres pol&iacute;ticos e candidatos, temas que dizem respeito aos direitos das mulheres, em especial os sexuais e reprodutivos.<\/p>\n<p>Em abril, o candidato &agrave; Presid&ecirc;ncia pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, afirmou ser contra o aborto e que a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira &ndash; que apenas permite a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez em casos de gesta&ccedil;&atilde;o decorrente de estupro e em casos de risco &agrave; vida da mulher, al&eacute;m dos casos de fetos anenc&eacute;falos (conforme decis&atilde;o do Supremo Tribunal de 2012) &ndash; &eacute; adequada. Declara&ccedil;&atilde;o semelhante foi dada pelo pr&eacute;-candidato A&eacute;cio Neves (Partido da Social Democracia Brasileira &#8211; PSDB), que tamb&eacute;m afirmou que a legisla&ccedil;&atilde;o atual &eacute; adequada.<\/p>\n<p>Cabe a pergunta: adequada para quem? A ilegalidade da pr&aacute;tica condena milhares de mulheres (sobretudo as mais pobres) a realizarem o aborto atrav&eacute;s de m&eacute;todos inseguros, colocando a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez como a quinta causa de mortalidade no pa&iacute;s, segundo dado do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto (2010), realizada pela Anis &#8211; Instituto de Bio&eacute;tica, Direitos Humanos e G&ecirc;nero, uma em cada cinco mulheres brasileiras at&eacute; os 40 anos j&aacute; interrompeu a gravidez, ilustrando como as declara&ccedil;&otilde;es de Eduardo Campos e A&eacute;cio Neves n&atilde;o apenas destoam da realidade, como projetam obst&aacute;culos para uma discuss&atilde;o l&uacute;cida e atenta &agrave; real dimens&atilde;o do aborto na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O Brasil &eacute; signat&aacute;rio das Confer&ecirc;ncias do Cairo (1994) e Pequim (1995), que definiram princ&iacute;pios para os direitos sexuais e reprodutivos. As Confer&ecirc;ncias, que compuseram o ciclo social da ONU nos anos 1990, constru&iacute;ram um entendimento de que a vida sexual e reprodutiva de cada indiv&iacute;duo deve ser regida de forma aut&ocirc;noma, livre de coer&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia e calcada nas escolhas pessoais. No entanto, o pa&iacute;s caminha na contram&atilde;o das diretrizes que duas d&eacute;cadas atr&aacute;s adotou como compromisso, com recuos legais e jur&iacute;dicos. E o contexto eleitoral tem contribu&iacute;do decisivamente para a situa&ccedil;&atilde;o, influenciada por uma mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de discursos dogm&aacute;ticos que t&ecirc;m prevalecido, inclusive, sobre a diversidade de convic&ccedil;&otilde;es religiosas. Nesse panorama, candidatos, autoridades e gestores seculares t&ecirc;m cedido a tal movimento.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=7342&amp;sid=7\">Desde a campanha de 2010<\/a>, o aborto foi al&ccedil;ado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de muni&ccedil;&atilde;o para ataques eleitorais. A ent&atilde;o candidata pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, recuou em sua posi&ccedil;&atilde;o de defesa da legaliza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica, enviando uma carta a igrejas crist&atilde;s dizendo-se pessoalmente contr&aacute;ria &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez e que, uma vez eleita, n&atilde;o tomaria iniciativa para modificar a legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De fato, a legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi alterada. O texto inicial da reforma do C&oacute;digo Penal, que tramita no Congresso, previa a possibilidade de aborto nas 12 primeiras semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, caso a mulher n&atilde;o tivesse capacidade psicol&oacute;gica atestada por profissionais de sa&uacute;de. A previs&atilde;o foi retirada na vers&atilde;o final do texto, sob a justificativa do senador e relator Pedro Taques (Partido Democr&aacute;tico Trabalhista &#8211; PDT) de que a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto violaria o artigo 5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; o direito &agrave; vida. O governo federal n&atilde;o se manifestou contra a mudan&ccedil;a. O texto final, vale dizer, contraria a opini&atilde;o da Comiss&atilde;o de Reforma do C&oacute;digo, que foi composta por 16 operadores do Direito. Dos 16 integrantes, apenas um tinha se colocado contra a descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10499\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Congresso Nacional tem se notabilizado por ser um espa&ccedil;o de atua&ccedil;&atilde;o crescente e expl&iacute;cita de parlamentares que se pautam pelo dogmatismo<\/a>. O Estatuto do Nascituro, que concede ao embri&atilde;o o mesmo status jur&iacute;dico de uma pessoa nascida e viva, &eacute; um produto direto dessa atua&ccedil;&atilde;o, conduzida por correntes evang&eacute;licas, cat&oacute;licas e esp&iacute;ritas: tais setores defendem a ideia de vida desde a concep&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, o projeto do Estatuto, se transformado em lei, estrategicamente derrubaria qualquer possibilidade de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez, mesmo nos casos previstos na legisla&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, o texto prev&ecirc; o pagamento de uma bolsa para as mulheres v&iacute;timas de estupro que decidirem ter o filho. &Eacute; a chamada bolsa-estupro, severamente condenada por movimentos de direitos humanos das mulheres.<\/p>\n<p>A ofensiva de tais setores no Congresso Nacional tamb&eacute;m pode ser observada no PL 6583\/2013 (C&acirc;mara), que trata do Estatuto da Fam&iacute;lia, e nos projetos PL 6998\/2013 (C&acirc;mara) e PLS 50\/2014 (Senado), que introduzem a ideia de primeira inf&acirc;ncia no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA). O Estatuto da Fam&iacute;lia define como entidade familiar o n&uacute;cleo social formado por um homem e uma mulher e integra os esfor&ccedil;os de tais setores de organizar o Estado a partir de uma compreens&atilde;o espec&iacute;fica de fam&iacute;lia. Tal projeto representa n&atilde;o apenas um obst&aacute;culo a casais homoafetivos que desejam formalizar a uni&atilde;o e\/ou adotar filhos; seu teor heteronormativo e biologizante refor&ccedil;a a ideia de que ter filhos &eacute; &ldquo;natural&rdquo;. N&atilde;o &agrave; toa, em um de seus artigos, est&aacute; previsto &ldquo;assist&ecirc;ncia priorit&aacute;ria &agrave; gravidez na adolesc&ecirc;ncia&rdquo;, privilegiando a gravidez em si em detrimento &agrave; mulher gestante, o que significa o n&atilde;o reconhecimento da autonomia da mulher sobre o seu corpo.<\/p>\n<p>O PL 6998\/2013 e o PLS 50\/2014 tratam de diversas quest&otilde;es relativas ao ECA e, em determinado momento, estendem o direito &agrave; vida desde a concep&ccedil;&atilde;o, o que significa um obst&aacute;culo ao direito &agrave; mulher sobre sua vida reprodutiva. Tamb&eacute;m tramita no Congresso o Estatuto da Reprodu&ccedil;&atilde;o Assistida, que pro&iacute;be o descarte de embri&otilde;es tendo como refer&ecirc;ncia a ideia de vida desde a concep&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na arena parlamentar, tais setores t&ecirc;m patrocinado essas iniciativas, que mobilizam seu eleitorado e, com a linguagem dram&aacute;tica de prote&ccedil;&atilde;o de seres indefesos, dificultam uma discuss&atilde;o racional sobre aborto. Atrav&eacute;s dessa atua&ccedil;&atilde;o, eles t&ecirc;m logrado chantagear os l&iacute;deres pol&iacute;ticos. Ano passado, a presidente Dilma Rousseff promulgou a Lei 12.845, que disp&otilde;e sobre o atendimento obrigat&oacute;rio e integral de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia sexual. Uma das medidas da lei prev&ecirc; a distribui&ccedil;&atilde;o de p&iacute;lula do dia seguinte para evitar a gravidez da mulher v&iacute;tima de estupro. A promulga&ccedil;&atilde;o da lei foi cercada de press&otilde;es. Embora o governo federal a tenha promulgado, os setores dogm&aacute;ticos continuam atuando para revogar a decis&atilde;o, por meio do PL 6033\/2013.<\/p>\n<p>A batalha pelo corpo da mulher tem sido ampla e persistente nos poderes federais. No final de maio, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de publicou a portaria 415, que inclu&iacute;a o registro espec&iacute;fico do aborto previsto em lei na tabela de servi&ccedil;os oferecidos pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). A medida representou um avan&ccedil;o no acesso aos servi&ccedil;os de abortamento legal. Um avan&ccedil;o breve, no entanto: dois dias depois, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de revogou a portaria, cedendo a press&otilde;es de parlamentares que, entre outros argumentos, afirmaram que os R$ 443,40 referentes ao procedimento sinalizam o &ldquo;desapre&ccedil;o&rdquo; que se tem pela vida. O recuo gerou uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cfemea.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4398&amp;catid=218&amp;Itemid=152\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nota de rep&uacute;dio<\/a>&nbsp;de entidades ligadas &agrave; sa&uacute;de e aos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio, nesse sentido, tem sido desfavor&aacute;vel em mat&eacute;ria dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Os setores que usam do dogmatismo como arma pol&iacute;tica e eleitoral parecem menos interessados em defender, de fato, a vida humana do que em articular a manuten&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o de seu poder. A Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o define a vida como desde a concep&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em 2008, que as pesquisas com c&eacute;lulas-tronco embrion&aacute;rias n&atilde;o violam o direito &agrave; vida, nem a dignidade da pessoa humana. Em um voto considerado hist&oacute;rico, o ent&atilde;o relator do caso, ministro Ayres Brito, afirmou que para existir vida humana &eacute; necess&aacute;rio que o embri&atilde;o seja implantado no &uacute;tero humano. &ldquo;O conceito de vida humana est&aacute; revestido de uma dimens&atilde;o biogr&aacute;fica mais do que simplesmente biol&oacute;gica, que se corporifica em sujeito capaz de adquirir direitos e contrair obriga&ccedil;&otilde;es em seu pr&oacute;prio nome, a partir do nascimento com vida&rdquo;, argumentou o ministro durante o julgamento.<\/p>\n<p>Nessa semana, a presidente Dilma Rousseff, candidata &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, manteve o posicionamento que vem demonstrando desde 2010,&nbsp;<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/dilma-defende-aborto-na-saude-publica-por-motivos-medicos-legais-12712379\">ao defender em entrevista ao jornal&nbsp;<i>O Globo<\/i>&nbsp;o aborto por raz&otilde;es m&eacute;dicas e legais<\/a>. Questionada sobre a revoga&ccedil;&atilde;o da portaria 415, foi evasiva ao afirmar que os casos de aborto legal devem ser atendidos em qualquer hospital da rede p&uacute;blica.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\">Os principais candidatos t&ecirc;m privilegiado uma posi&ccedil;&atilde;o defensiva, por c&aacute;lculo eleitoral e de manuten&ccedil;&atilde;o e conquista de poder. Usam a estrat&eacute;gia de sair pela tangente quando o assunto &eacute; aborto, afirmando serem favor&aacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o como ela est&aacute;, sem querer se comprometer com as convic&ccedil;&otilde;es de suas bases aliadas. Na verdade, o que os candidatos precisam saber, apontam representantes do movimento feminista, &eacute; a diferen&ccedil;a entre &ldquo;aborto&rdquo; e &ldquo;direito ao aborto&rdquo;. N&atilde;o est&aacute; se defendendo o aborto. O que &eacute; discutido &eacute; o direito ao aborto e a dignidade da mulher. Al&eacute;m disso, tanto os candidatos quanto os gestores e l&iacute;deres pol&iacute;ticos poderiam considerar a pluralidade que marcam as religi&otilde;es, n&atilde;o se dobrando &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica que contribui decisivamente para o quadro de ilegalidade e consequentes mortes por abortos inseguros. Nesse sentido, a atua&ccedil;&atilde;o dos movimentos de mulheres e direitos humanos &eacute; de fundamental import&acirc;ncia. Tratar e discutir a quest&atilde;o do aborto como um problema social e de sa&uacute;de p&uacute;blica &eacute; um passo importante para a afirma&ccedil;&atilde;o dos direitos e da dignidade da mulher.<\/span>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Los principales candidatos a la Presidencia de Brasil adoptan posturas defensivas y a favor de la legislaci\u00f3n restrictiva a la interrupci\u00f3n del embarazo. Al mismo tiempo, proyectos de ley y pol\u00edticas p\u00fablicas retroceden en materia de derechos sexuales y reproductivos de las mujeres. 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