{"id":974,"date":"2014-06-18T00:00:00","date_gmt":"2014-06-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/06\/18\/el-panico-moral-del-mundial\/"},"modified":"2014-06-18T00:00:00","modified_gmt":"2014-06-18T03:00:00","slug":"el-panico-moral-del-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-panico-moral-del-mundial\/974\/","title":{"rendered":"El p\u00e1nico moral del Mundial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><i>Por Washington Castilhos<\/i><\/p>\n<p>Kaitlyn Hunt, uma l&iacute;der de torcida do estado norte-americano da Fl&oacute;rida, tinha 17 anos e namorava uma menina de 14. Tinham um relacionamento est&aacute;vel e mutuamente consentido. Quando completou 18 anos, por&eacute;m, os pais de sua namorada &ndash; evang&eacute;licos que n&atilde;o aceitavam a rela&ccedil;&atilde;o das duas adolescentes &ndash; denunciaram Kaitlyn &agrave; pol&iacute;cia por &quot;abusar sexualmente&quot; de sua filha (ent&atilde;o com 15 anos de idade). Ela foi presa na casa de seus pais, acusada de &ldquo;agress&atilde;o lasciva e indecente de crian&ccedil;a de 12 a 16 anos&rdquo; &ndash; acusa&ccedil;&atilde;o que s&oacute; lhe foi imputada pelo fato dela n&atilde;o ser homem, pois a lei de seu estado reconhece relacionamentos de casais afetivo-sexuais que come&ccedil;aram a namorar antes da maioridade, desde que sejam heterossexuais. Enquadrada como criminosa sexual e &quot;abusadora de menores&quot;, Kaitlyn seria impedida de entrar hoje em dia no Brasil pela pol&iacute;cia federal, independentemente da decis&atilde;o do tribunal de seu pa&iacute;s se ela &eacute; culpada ou n&atilde;o. Isto devido a uma portaria interministerial brasileira, em vigor desde 23 de maio, que impede a entrada no pa&iacute;s de estrangeiros envolvidos em den&uacute;ncias de crimes sexuais contra crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>A medida integra um conjunto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas com vistas a coibir o aumento da explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes e o tr&aacute;fico de pessoas antes e durante os megaeventos esportivos que o Brasil sediar&aacute; &ndash; a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, a despeito da inexist&ecirc;ncia de estudos cient&iacute;ficos que comprovem o suposto elo entre a ocorr&ecirc;ncia desses crimes e a realiza&ccedil;&atilde;o de eventos esportivos. Um resumo do tema &quot;explora&ccedil;&atilde;o sexual, tr&aacute;fico e megaeventos esportivos&quot; foi publicado em 2011 pela Global Allaince Aganist Trafficking in Women e comprova a falta de evid&ecirc;ncias que ligam tais eventos aos crimes mencionados (leia vers&atilde;o traduzida ao portugu&ecirc;s do relat&oacute;rio da GAATW em<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/o-preco-de-um-boato.pdf\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/o-preco-de-um-boato.pdf<\/a>).<\/p>\n<p>Uma semana antes do in&iacute;cio da Copa, Somaly Mam, uma das ativistas antitr&aacute;fico mais famosas do mundo, foi afastada de sua Funda&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s uma investiga&ccedil;&atilde;o que comprovou que ela rotineiramente mentia sobre seu passado e o passado das mulheres que ela supostamente &quot;resgatou&quot; da escravid&atilde;o. At&eacute; o&nbsp;<i>The New York Times<\/i>, que publicizou muitas das acusa&ccedil;&otilde;es denunciadas por Somaly, foi for&ccedil;ado a admitir que ela n&atilde;o era uma fonte confi&aacute;vel. (leia em<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2014\/may\/30\/sex-trafficking-activist-somaly-mam-quits\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2014\/may\/30\/sex-trafficking-activist-somaly-mam-quits<\/a>)<\/p>\n<p>O antrop&oacute;logo Thaddeus Gregory Blanchette, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coloca o alarmismo gerado pela m&iacute;dia &ndash; como fez o&nbsp;<i>The New York Times<\/i>&nbsp;com as &ldquo;den&uacute;ncias&rdquo; feitas por Somaly Mam &ndash; como um dos fatores que mais substanciam o p&acirc;nico moral em torno do abuso sexual infanto-juvenil e o chamado tr&aacute;fico de pessoas. &ldquo;A m&iacute;dia global tem abusado desses assuntos, reportando boatos como fatos e, em muitos casos, simplesmente inventando n&uacute;meros ou reportando erroneamente os resultados dos estudos que foram feitos. O medo vende e nada alarma mais que o espectro de crian&ccedil;as estupradas. A m&iacute;dia exagera e muitas vezes at&eacute; mente sobre tais assuntos porque as manchetes alarmantes criam interesse. E, num mundo em que a m&iacute;dia tradicional est&aacute; cada vez mais &agrave; deriva, amea&ccedil;ada pelas novas fontes e novas m&iacute;dias, vender jornal &eacute; o que importa&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, um exemplo de como a m&iacute;dia nacional tem lidado com o tema do abuso e da explora&ccedil;&atilde;o sexual infanto-juvenil de forma exagerada &eacute; a mat&eacute;ria produzida recentemente pelo jornal&nbsp;<i>O Globo<\/i>&nbsp;intitulada &quot;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/aliciadores-ja-atuam-em-cidades-da-copa-do-mundo-12310760\" rel=\"noopener\">Aliciadores j&aacute; atuam em cidades da Copa do Mundo<\/a>&quot;. Diz o texto jornal&iacute;stico:<\/p>\n<p><i>&quot;Registros internacionais indicam que o aumento da explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes antes e durante os chamados megaeventos &eacute; um fato &minus; e isso n&atilde;o deveria, portanto, pegar de surpresa nenhuma autoridade brasileira. Pesquisa feita pela Brunel University, do Reino Unido, reuniu dados disponibilizados mundo afora nos &uacute;ltimos anos e constatou que, em Gana, antes do Campeonato Africano das Na&ccedil;&otilde;es de 2008, a pol&iacute;cia desbaratou uma grande rede disposta a recrutar crian&ccedil;as para prostitui&ccedil;&atilde;o. Na Copa da &Aacute;frica do Sul, em 2010, o fen&ocirc;meno se repetiu. Meninas foram preparadas e coagidas a trabalhar no com&eacute;rcio sexual armado em torno do evento. Na Copa da Alemanha, em 2006, outro registro do drama humano. Segundo a pesquisa, durante a competi&ccedil;&atilde;o, foi constatada uma clara conex&atilde;o entre a explora&ccedil;&atilde;o sexual infanto-juvenil e o aumento do consumo de &aacute;lcool.&quot;<\/i><\/p>\n<p>De acordo com Blanchette, se lidas com aten&ccedil;&atilde;o, as&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.brunel.ac.uk\/__data\/assets\/pdf_file\/0008\/316745\/Child-Protection-and-the-FIFA-World-Cup-FINAL.pdf\" rel=\"noopener\">conclus&otilde;es da pesquisa da Universidade de Brunel<\/a>&nbsp;s&atilde;o justamente opostas &agrave;s reportadas por&nbsp;<i>O Globo<\/i>.<\/p>\n<p>&ldquo;A pesquisa relata que existem poucas evid&ecirc;ncias s&oacute;lidas ligando a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as antes e durante os megaeventos esportivos&nbsp;<a title=\"&acute;Solid evidence of CSE taking place before and during MSEs is scarce.&acute; p.16\" class=\"tooltip\">(<em><strong>veja aqui trecho original<\/strong><\/em>)<\/a>. Os tr&ecirc;s casos relatados por&nbsp;<i>O Globo<\/i>&nbsp;s&atilde;o os &uacute;nicos relatados na pesquisa da Brunel. Ademais, s&atilde;o apresentados numa linguagem sensivelmente diferente daquela usada pelo jornal. No caso de Gana, n&atilde;o h&aacute; men&ccedil;&atilde;o alguma de &lsquo;uma grande rede&rsquo;: o relat&oacute;rio s&oacute; fala que a pol&iacute;cia encontrou planos para recrutar crian&ccedil;as e adolescentes para a prostitui&ccedil;&atilde;o durante o evento (<a title=\"&acute;Before the 2008 African Cup of Nations in Ghana police uncovered plans to recruit children into prostitution during the event&acute;\" class=\"tooltip\"><em><strong>veja aqui trecho original<\/strong><\/em><\/a>). No caso da &Aacute;frica do Sul, o relat&oacute;rio fala que o aumento nos relatos de explora&ccedil;&atilde;o era provavelmente parte de uma tend&ecirc;ncia mais geral, tamb&eacute;m possivelmente causado por um aumento na consci&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o sobre esse problema&rdquo;, analisa o pesquisador. (<a title=\"&acute;A general rise in child prostitution was predicted by NGOs over the period of the 2010 FIFA World Cup in South Africa: but since this was part of a general rising trend in the country its exact connection to the event was unclear. Also, the numbers could be attributable to raised awareness&acute;.p.17\" class=\"tooltip\"><em><strong>veja aqui trecho original<\/strong><\/em><\/a>)<\/p>\n<p>&ldquo;E em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Copa da Alemanha (onde supostamente 40.000 pessoas seriam traficadas para fins da explora&ccedil;&atilde;o sexual &ndash; no atual evento, somente 4 foram descobertas pela pol&iacute;cia), a pesquisa nem foi feita na Alemanha e n&atilde;o mirava na explora&ccedil;&atilde;o sexual, nem no tr&aacute;fico: foi feita na Inglaterra e mirava na viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica&rdquo;, diz Blanchette. (<a class=\"tooltip\" title=\"A UK-based study into the connection between domestic violence and the 2006 World Cup indicated a link between CSE, increased alcohol consumption and MSEs (Braaf and Gilbert, 2007). Football events are arguably particularly risky due to the sexist culture of &lsquo;boys behaving badly&rsquo; that is culturally associated with the game (Palmer, 2011). Comparing two Domestic Violence Enforcement Campaigns, the second deliberately run during the 2006 FIFA World Cup finals, it was found that on weekdays during the World Cup Finals (on days when England played), domestic violence incidents rose on average between 11.69% and 31.42% compared with the same weekday during the first, non-football campaign.P.17\"><em><strong>veja aqui trecho original<\/strong><\/em><\/a>)<\/p>\n<p>&ldquo;Not&aacute;vel aqui &eacute; que o estudo original, citado pela Brunel, fala em explora&ccedil;&atilde;o sexual dentro da fam&iacute;lia &ndash; o que no Brasil chamamos de &lsquo;abusos sexuais&rsquo;. Isto, sim, aumenta em dias de jogos&#8230; e tamb&eacute;m em feriados como a P&aacute;scoa e o Natal, de acordo com o mesmo estudo. A pesquisa n&atilde;o fala absolutamente nada sobre explora&ccedil;&atilde;o sexual &ndash; crian&ccedil;as sendo prostitu&iacute;das &ndash; e n&atilde;o articula os megaeventos esportivos a um aumento na explora&ccedil;&atilde;o sexual fora dos confins da fam&iacute;lia&rdquo;, afirma Thaddeus Blanchette.<\/p>\n<p>O estudo da Brunel conclui &ndash; assim como o da GAATW &ndash; que um dos maiores perigos trazidos pelos megaeventos esportivos para as crian&ccedil;as tem a ver com o policiamento agressivo e a &quot;higieniza&ccedil;&atilde;o&quot; (particularmente a remo&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as de rua pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a) e a destrui&ccedil;&atilde;o de comunidades, deslocadas pelas constru&ccedil;&otilde;es associadas aos eventos. &ldquo;Isto, sim, coloca as crian&ccedil;as em risco para explora&ccedil;&atilde;o sexual. Por&eacute;m, n&atilde;o existem evid&ecirc;ncias s&oacute;lidas, de acordo com os pesquisadores da Brunel e da GAATW, que o tr&aacute;fico de pessoas e explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as de fato aumenta em fun&ccedil;&atilde;o desses jogos&rdquo;, assinala Blanchette.<\/p>\n<p>No primeiro fim de semana ap&oacute;s o in&iacute;cio dos jogos no Brasil, o site do jornal franc&ecirc;s&nbsp;<i>Le Monde<\/i>&nbsp;trouxe na primeira p&aacute;gina uma longa reportagem &ndash; intitulada &quot;Fortaleza, cidade do turismo sexual&quot; &ndash; sobre a prostitui&ccedil;&atilde;o de menores perto do est&aacute;dio Arena Castel&atilde;o, na capital do estado do Cear&aacute;, nordeste do pa&iacute;s. Na reportagem, o correspondente do jornal franc&ecirc;s foi ao encontro das meninas brasileiras que se prostituem nas avenidas e ruas pr&oacute;ximas ao est&aacute;dio onde acontecem jogos da Copa do Mundo. Segundo uma representante da associa&ccedil;&atilde;o Esplar, que investiga os casos de prostitui&ccedil;&atilde;o nas ruas, existem dois tipos de prostitutas menores: aquelas que fogem da seca e da mis&eacute;ria e v&ecirc;m do interior do Cear&aacute;, que se vendem nos far&oacute;is e esquinas para alimentar a fam&iacute;lia, e os jovens, meninos e meninas de classe m&eacute;dia baixa, que encontraram na prostitui&ccedil;&atilde;o uma maneira de pagar os estudos ou melhorar o sal&aacute;rio. Mas em momento algum estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o direta e causal entre a prostitui&ccedil;&atilde;o de menores naquela cidade e a realiza&ccedil;&atilde;o da Copa.<\/p>\n<p><b><i>Corrida contra o &lsquo;tr&aacute;fico&rsquo;<\/i><\/b><\/p>\n<p>Apesar dos mitos e exageros no que diz respeito &agrave; correla&ccedil;&atilde;o entre a explora&ccedil;&atilde;o sexual infanto-juvenil e megaeventos esportivos, &eacute; fato que o Brasil tem um n&uacute;mero consider&aacute;vel de pessoas que vendem sexo e que migram em fun&ccedil;&atilde;o disto. No entanto, &eacute; interessante notar que, no Rio de Janeiro, a maior parte dos esfor&ccedil;os antiprostitui&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, antes e durante a Copa, tem mirado at&eacute; agora justamente na prostitui&ccedil;&atilde;o livre &ndash; ou seja, nas mulheres adultas independentes que trabalham nas ruas e bares sem intermedi&aacute;rios ou cafet&otilde;es. &ldquo;Ou seja, os esfor&ccedil;os da policia n&atilde;o parecem estar centrados na elimina&ccedil;&atilde;o da cafetinagem e sim na &lsquo;higieniza&ccedil;&atilde;o&rsquo;, na elimina&ccedil;&atilde;o das prostitutas dos lugares p&uacute;blicos onde a m&iacute;dia estrangeira pode v&ecirc;-las&rdquo;, destaca Thaddeus.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, obviamente, vai haver mulheres e homens que ir&atilde;o migrar para vender sexo num evento como a Copa. Mas, em sua maioria, ir&atilde;o de forma aut&ocirc;noma. &ldquo;A vasta maioria dessas pessoas n&atilde;o s&atilde;o &lsquo;escravizadas&rsquo; pelo &lsquo;tr&aacute;fico&rsquo;. As acusa&ccedil;&otilde;es de tr&aacute;fico e explora&ccedil;&atilde;o sexual est&atilde;o sendo operacionalizadas como motivo para impedir viagens internacionais &ndash; seja de brasileiros indo para o exterior, seja de estrangeiros vindo para c&aacute;. &Eacute; uma nova maneira de implementar filtros sobre as migra&ccedil;&otilde;es de popula&ccedil;&otilde;es &lsquo;indesejadas&rsquo;. Obviamente, algu&eacute;m que estupra crian&ccedil;as deve ser impedido de viajar e devemos tamb&eacute;m ficar atentos para pessoas que se engajam em migra&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas para serem exploradas sexualmente. Mas a maioria dos casos antitr&aacute;fico que estamos vendo por a&iacute; n&atilde;o tem nada a ver com isto: buscam s&oacute; e simplesmente reprimir a migra&ccedil;&atilde;o de pessoas adultas, cujos comportamentos sexuais s&atilde;o inofensivos, por&eacute;m estigmatizados&rdquo;, salienta o pesquisador.<\/p>\n<p>Nessa corrida contra o chamado &ldquo;tr&aacute;fico&rdquo;, os direitos constitucionais das pessoas de ir e vir est&atilde;o sendo violados. &ldquo;Basta ver a pol&iacute;tica da pol&iacute;cia federal, que se acha autorizada a impedir a viagem de qualquer brasileira suspeita ou denunciada &ndash; at&eacute; mesmo por vias an&ocirc;nimas. A Pol&iacute;cia tamb&eacute;m acha que tem o direito de proibir a entrada de qualquer estrangeiro acusado de crimes sexuais (provas n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias). Isto &eacute; muito problem&aacute;tico, uma vez que &lsquo;crime sexual&rsquo; pode enquadrar at&eacute; mesmo a &lsquo;homossexualidade&rsquo; em muitos pa&iacute;ses, e, em alguns deles (Uganda e R&uacute;ssia, por exemplo), &eacute;&nbsp;<i>pr&aacute;xis<\/i>&nbsp;acusar homossexuais de serem ped&oacute;filos&rdquo;.<\/p>\n<p>A associa&ccedil;&atilde;o homossexualidade-pedofilia, mencionada por Blanchette, &eacute; abordada no<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Panic-Punitive-State-Roger-Lancaster\/dp\/0520262069\" rel=\"noopener\">&nbsp;trabalho do antrop&oacute;logo Roger Lancaster<\/a>, que tem documentado como a nova onda de medo sobre a &quot;pedofilia&quot; est&aacute; sendo usada como arma contra as comunidades LGBT.<\/p>\n<p>No Brasil, apesar das tentativas de alguns setores de associar a pedofilia &agrave; homossexualidade como estrat&eacute;gia para virar a opini&atilde;o p&uacute;blica contra os avan&ccedil;os dos direitos das pessoas LGBT, as pr&oacute;prias estat&iacute;sticas do governo federal mostram que a maior parte dos abusos sexuais e da explora&ccedil;&atilde;o sexual de menores acontece dentro de casa, perpetrados por pais, padrastos e outras pessoas pr&oacute;ximas &agrave;s crian&ccedil;as. E quando se fala em viol&ecirc;ncia contra a mulher, os dados apontam que 40% das mulheres brasileiras t&ecirc;m sofrido algum tipo de viol&ecirc;ncia pelo parceiro intimo. Ou seja, o homem que mais p&otilde;e em risco a vida e a liberdade da mulher brasileira &eacute;, estatisticamente falando, aquele que divide uma casa com ela.<\/p>\n<p>&ldquo;Ademais, no Brasil existem mais padres e pastores denunciados do que turistas estrangeiros acusados, atrav&eacute;s do Disque Den&uacute;ncia, de abusar ou explorar sexualmente de menores. No entanto, quando o Jornada Mundial da Juventude veio ao Brasil no ano passado, com suas centenas de milhares de turistas fieis, ningu&eacute;m falou nos riscos do tr&aacute;fico, abuso de menores ou explora&ccedil;&atilde;o sexual, apesar das acusa&ccedil;&otilde;es frequentes que recaem sobre representantes da Igreja Cat&oacute;lica em rela&ccedil;&atilde;o a estes tipos de crimes. Nunca ouvi falar que a FIFA proteja ped&oacute;filos; a Igreja, por sua vez, j&aacute; foi condenada por isto&rdquo;, destaca Blanchette.<\/p>\n<p><b><i>A &ecirc;nfase no tr&aacute;fico de pessoas<\/i><\/b><\/p>\n<p>Para a antrop&oacute;loga norte-americana Elizabeth Bernstein, a &ecirc;nfase de grupos conservadores no tr&aacute;fico de pessoas &eacute; uma maneira de deixar entrar pela porta de servi&ccedil;o muitos dos projetos de lei que criminalizam comportamentos sexuais que n&atilde;o passariam de maneira aberta pelos congressos nacionais.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; significante, neste sentido, que o deputado conservador Marco Feliciano tenha escolhido, quando era presidente da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos, o tr&aacute;fico de pessoas como uma das &ecirc;nfases principais daquela Comiss&atilde;o. E que a deputada Liliam S&aacute;, tamb&eacute;m conservadora, liderasse a &uacute;ltima CPI do tr&aacute;fico. A meu ver, o objetivo dessas pessoas n&atilde;o &eacute; a repress&atilde;o &agrave; escravid&atilde;o: elas buscam usar o alarmismo gerado na m&iacute;dia por acusa&ccedil;&otilde;es de tr&aacute;fico para domesticar o sexo&rdquo;, conclui Thaddeus Blanchette.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que, nessa luta contra o &ldquo;trafico&rdquo; de pessoas, a repress&atilde;o tem ca&iacute;do, principalmente, sobre as profissionais do sexo. Diversas pesquisas chamam a aten&ccedil;&atilde;o para o racismo e a xenofobia escondidos por tr&aacute;s de muitas dessas iniciativas antitr&aacute;fico na Europa e nos EUA. Os trabalhos de&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10636 \" rel=\"noopener\">Adriana Piscitelli<\/a>&nbsp;e de Laura Agust&iacute;n mostram como boa parte dos esfor&ccedil;os das pol&iacute;ticas antitr&aacute;fico na Espanha est&aacute; voltada para a expuls&atilde;o de determinadas categorias de mulheres imigrantes tidas como &quot;indesejadas&quot;.<\/p>\n<p>E no Brasil, o grosso dos esfor&ccedil;os voltados para a quest&atilde;o do tr&aacute;fico se resume &agrave;s tentativas de desencorajar as migra&ccedil;&otilde;es de determinados grupos de pessoas (entendidos, no jarg&atilde;o antitr&aacute;fico, como &quot;vulner&aacute;veis&quot;, e quase sempre representados por mulheres negras e pobres) e de reprimir a prostitui&ccedil;&atilde;o. Dar ou emprestar dinheiro para algu&eacute;m viajar em fun&ccedil;&atilde;o da prostitui&ccedil;&atilde;o agora &eacute; um ato entendido como digno de uma &quot;m&aacute;fia internacional&quot; aos olhos de muitos operadores da lei.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando existe uma lei, como a brasileira, que criminaliza a migra&ccedil;&atilde;o de trabalhadoras do sexo a fim de &lsquo;desbancar redes criminosas internacionais&rsquo;, a &uacute;nica coisa que a pol&iacute;cia precisa fazer &eacute; prender quem ajuda a prostituta a migrar, mesmo se essa pessoa est&aacute;, de fato, ajudando-a a evitar d&iacute;vidas e escravid&atilde;o. N&atilde;o existe um programa real para atender as v&iacute;timas do tr&aacute;fico, muito menos para garantir os direitos das pessoas de movimentarem-se livremente pelo mundo, sem serem exploradas. Infelizmente, um movimento que come&ccedil;ou como tentativa de proteger e expandir os direitos humanos das migrantes est&aacute; cada dia mais se transformando num dispositivo que protege valores normativos de uma sociedade baseada em rela&ccedil;&otilde;es sexuais monog&acirc;micas, patriarcais e familiares, onde os pobres conhecem seu devido lugar&rdquo;, finaliza o antrop&oacute;logo.<\/p>\n<p>Textos relacionados:<\/p>\n<p>Veja os resultados da pesquisa &ldquo;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/analise_contexto_abia-davida.pdf\" rel=\"noopener\">An&aacute;lise do Contexto de Prostitui&ccedil;&atilde;o em Rela&ccedil;&atilde;o a Direitos Humanos, Trabalho, Cultura e Sa&uacute;de no Brasil<\/a>&rdquo;, estudo realizado pela ABIA em parceria com a ONG DAVIDA e o Instituto Oswaldo Cruz que analisa o contexto brasileiro atual de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas relativas &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o e os direitos humanos. O trabalho procura tra&ccedil;ar um quadro da situa&ccedil;&atilde;o nacional referente aos direitos humanos, trabalho, cultura e sa&uacute;de, com &ecirc;nfase na resposta ao HIV.<\/p>\n<p>Leia tamb&eacute;m o relat&oacute;rio&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/o-preco-de-um-boato.pdf\" rel=\"noopener\">&ldquo;Qual &eacute; o pre&ccedil;o do boato? Um guia para classificar os mitos e os fatos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre eventos esportivos e tr&aacute;fico de pessoas&rdquo;<\/a>. Produzido pela Global Alliance Against Trafficking in Women (GAATW), o relat&oacute;rio interroga criticamente os discursos e suposi&ccedil;&otilde;es dominantes acerca da correla&ccedil;&atilde;o entre grandes eventos esportivos &ndash; que o Brasil sediar&aacute; este ano (Copa do Mundo) e em 2016 (Olimp&iacute;adas) e o tr&aacute;fico de pessoas para fins de explora&ccedil;&atilde;o sexual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00e1fico de personas y explotaci\u00f3n sexual de menores est\u00e1n entre las preocupaciones del gobierno brasile\u00f1o en el momento en que el pa\u00eds acoge el Mundial de F\u00fatbol. 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