{"id":978,"date":"2014-07-15T00:00:00","date_gmt":"2014-07-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/07\/15\/el-parto-en-pauta\/"},"modified":"2014-07-15T00:00:00","modified_gmt":"2014-07-15T03:00:00","slug":"el-parto-en-pauta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-parto-en-pauta\/978\/","title":{"rendered":"El parto en pauta"},"content":{"rendered":"<p>No final de dezembro de 2012, a gestante Ana Carolina Carvalho Santiago, de 18 anos, deu entrada no Hospital e Maternidade Modelo de Ananindeua , na regi&atilde;o metropolitana de Bel&eacute;m (no estado do Par&aacute;, regi&atilde;o norte do Brasil). A interna&ccedil;&atilde;o para o parto da gravidez de 9 meses foi seguida por uma s&eacute;rie de atos considerados violadores de sua autonomia e dignidade: de acordo com parentes e com o processo que corre no Conselho Regional de Medicina, proibiram-lhe de ter acompanhante, administraram medica&ccedil;&atilde;o para induzir o parto sem o consentimento da mo&ccedil;a, tentaram manobras de press&atilde;o no ventre (a chamada manobra de Kristeller), al&eacute;m de ter sido xingada (sob o argumento de n&atilde;o estar cooperando com a equipe m&eacute;dica). O resultado da situa&ccedil;&atilde;o foi a morte do feto, a ruptura do &uacute;tero e o consequente &oacute;bito de Ana Carolina. A hist&oacute;ria ganhou&nbsp;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pa\/para\/noticia\/2012\/12\/familia-de-gravida-morta-durante-o-parto-em-ananindeua-quer-justica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">destaque na imprensa brasileira<\/a>&nbsp;e corre na Justi&ccedil;a, mas situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica, muitas vezes sem desfecho fatal, acontecem diariamente no Brasil e nem sempre ganham visibilidade como o caso de Ana Carolina. O projeto de lei 7633\/2014, recentemente protocolado na C&acirc;mara pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), procura modificar essa situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O projeto &eacute; um desdobramento de uma Audi&ecirc;ncia P&uacute;blica que abordou, entre outras formas de viol&ecirc;ncia contra a mulher, a viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica. Constru&iacute;do coletivamente com a organiza&ccedil;&atilde;o Artemis, em colabora&ccedil;&atilde;o com a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Enfermagem, o Conselho Regional de Enfermagem, o F&oacute;rum Cearense de Mulheres e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras e Neonatais &ndash; sec&ccedil;&atilde;o Cear&aacute; (ABENFO-CE), o texto disp&otilde;e sobre a humaniza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia &agrave; mulher e ao neonato durante o ciclo grav&iacute;dico-puerperal. Garante &agrave; gestante o direito ao parto humanizado, conforme sua vontade, &agrave; m&iacute;nima interfer&ecirc;ncia m&eacute;dica, e prov&ecirc; informa&ccedil;&atilde;o sobre procedimentos e direitos, entre eles o abortamento seguro nos casos previstos em lei. Tamb&eacute;m estabelece como direitos do neonato o nascimento digno e seguro, o contato com a m&atilde;e logo no primeiro momento de vida, quando n&atilde;o houver impedimento m&eacute;dico.<\/p>\n<p>A humaniza&ccedil;&atilde;o do parto &eacute; um modelo de assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de que prioriza a dimens&atilde;o &ldquo;natural&rdquo; do ato de dar &agrave; luz, pensado como resposta a uma excessiva medicaliza&ccedil;&atilde;o deste. Por isso, privilegia a assist&ecirc;ncia sem interven&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas e mec&acirc;nicas, muitas vezes realizada em casa pelas obstetrizes\/parteiras ou doulas, evitando o modelo hospitalar atualmente dominante no cen&aacute;rio brasileiro e que favorece a ocorr&ecirc;ncia de diversos tipos de viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica. Pela l&oacute;gica da humaniza&ccedil;&atilde;o, a gesta&ccedil;&atilde;o e o parto s&atilde;o vistos como processos fisiol&oacute;gicos normais, cujo desenvolvimento e desfecho o pr&oacute;prio corpo tem capacidade de encaminhar. Assim, a interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica\/obst&eacute;trica n&atilde;o &eacute; encarada como necess&aacute;ria, e sim como uma for&ccedil;a auxiliar de acompanhamento, &agrave; que se recorre apenas em caso de intercorr&ecirc;ncia que demande a&ccedil;&atilde;o para facilitar o nascimento.<\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica &ndash; da qual Ana Carolina foi v&iacute;tima &ndash; &eacute; cometida em um contexto de rela&ccedil;&otilde;es de poder e hierarquia favorecido pela vulnerabilidade da gr&aacute;vida e do beb&ecirc;.&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.defensoria.sp.gov.br\/dpesp\/repositorio\/41\/violencia%20obstetrica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constituem agress&otilde;es<\/a>&nbsp;obst&eacute;tricas o impedimento da presen&ccedil;a de acompanhante (apesar de no pa&iacute;s uma lei de 2005 obriga os hospitais a permitir a companhia de algu&eacute;m escolhido pela gestante); maus-tratos, desqualifica&ccedil;&atilde;o, ridiculariza&ccedil;&atilde;o, submiss&atilde;o a procedimentos dolorosos desnecess&aacute;rios e humilhantes, muitas vezes sem o consentimento ou permiss&atilde;o (como lavagem intestinal, raspagem dos pelos pubianos, exposi&ccedil;&atilde;o a terceiros para fins de estudo, administra&ccedil;&atilde;o de medica&ccedil;&atilde;o, indu&ccedil;&atilde;o &agrave; ces&aacute;rea etc); separa&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc; sem necessidade cl&iacute;nica, entre outras.<\/p>\n<p> <hyperlink estudamelania.blogspot.com.br=\"\">No Brasil, os partos s&atilde;o em sua maioria conduzidos em hospitais e atrav&eacute;s de ces&aacute;reas: de acordo com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 52% dos partos s&atilde;o feitos assim, &iacute;ndice muito acima dos 15% recomendados pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS). Em hospitais privados, os &iacute;ndices chegam a 90%. Uma situa&ccedil;&atilde;o perigosa, de acordo com a obstetriz Ana Cristina Duarte, integrante do movimento brasileiro de humaniza&ccedil;&atilde;o do parto e membro da ONG Artemis. De acordo com ela, uma s&eacute;rie de fatores contribuem para que a interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica tenha se natuzalizado no cen&aacute;rio brasileiro, entre os quais a hiper-valoriza&ccedil;&atilde;o da figura e do conhecimento m&eacute;dicos, a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de, a l&oacute;gica econ&ocirc;mica de maximiza&ccedil;&atilde;o do lucro que rege o funcionamento dos servi&ccedil;os e a falta de infraestrutura dos hospitais e maternidades.<\/hyperlink><\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; uma cultura em que o m&eacute;dico adquire status de autoridade m&aacute;xima, bem como o seu conhecimento, que &eacute; consagrado como o mais adequado. &Eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o generalizada, infelizmente, que dificulta o di&aacute;logo entre as partes envolvidas &ndash; gestante, parentes e equipe de sa&uacute;de &ndash; no sentido de atender &agrave;s expectativas da m&atilde;e. Por isso, &eacute; uma viol&ecirc;ncia invis&iacute;vel, pois nem viol&ecirc;ncia &eacute; considerada no senso comum, que compreende que a equipe m&eacute;dica faz sempre o melhor e que a mulher de alguma forma n&atilde;o colabora&rdquo;, afirma Ana Cristina Duarte, m&atilde;e de dois filhos &ndash; o primeiro por ces&aacute;rea, induzida pelo m&eacute;dico. &ldquo;Acredito que os &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica devem ser elevad&iacute;ssimos e, na pr&aacute;tica, toda mulher na hora do parto deve sofrer algum tipo de viol&ecirc;ncia&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>A bandeira central do movimento de humaniza&ccedil;&atilde;o do parto &eacute; a desconstru&ccedil;&atilde;o da naturalidade da interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. Isso significa, conforme o projeto de lei 7633, garantir &agrave; gestante, seja no momento do pr&eacute;-parto, parto, puerp&eacute;rio e nos casos de abortamento (espont&acirc;neo ou provocado) o direito de optar pelos procedimentos que lhe propiciem maior conforto e bem-estar, seja atrav&eacute;s de m&eacute;todos farmacol&oacute;gicos ou n&atilde;o; de escolher as circunst&acirc;ncias em que o parto deve ocorrer (o local e a posi&ccedil;&atilde;o, por exemplo); de ser informada sobre o andamento do parto e sobre as possibilidades de interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-hospitalares, para que possa decidir quando houver alternativas; e de ter um acompanhante por ela designado.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses como Alemanha e Holanda, a condu&ccedil;&atilde;o do parto vaginal &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o da parteira\/obstetriz. O m&eacute;dico assiste ao evento e participa apenas quando h&aacute; intercorr&ecirc;ncias e a necessidade de ces&aacute;rea. Tais iniciativas seguem diretrizes do&nbsp;<a href=\"\/uploads\/arquivo\/OMS%20-%20Boas%20Praticas%20de%20Atencao%20ao%20Parto%20e%20ao%20Nascimento.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manual de Boas Pr&aacute;ticas de Aten&ccedil;&atilde;o ao Parto e ao Nascimento<\/a>, da OMS, que classifica a&ccedil;&otilde;es ben&eacute;ficas (tais como respeito &agrave; escolha da gestante, aten&ccedil;&atilde;o ao bem-estar, fornecimento das informa&ccedil;&otilde;es e explica&ccedil;&otilde;es sobre tudo que elas desejarem saber e uso de m&eacute;todos n&atilde;o invasivos e n&atilde;o farmacol&oacute;gicos para al&iacute;vio de dor) e prejudiciais ao parto (por exemplo, uso de medica&ccedil;&atilde;o para estimular o nascimento). O projeto de lei 7633 baseia-se nesse manual, assim como em outras iniciativas do Estado brasileiro sobre a quest&atilde;o, como a Resolu&ccedil;&atilde;o 36\/2008 da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria e o&nbsp;<a href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/parto.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa Nacional de Humaniza&ccedil;&atilde;o do Parto<\/a>, de 2002.<\/p>\n<p><hyperlink bvsms.saude.gov.br=\"\" bvs=\"\" publicacoes=\"\">Raquel Marques, diretora da Artemis, destaca que essas iniciativas est&atilde;o embasadas em evid&ecirc;ncias e pesquisas cient&iacute;ficas que apontam as vantagens da n&atilde;o interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica e farmacol&oacute;gica. Por exemplo, as ces&aacute;reas aumentam os riscos de prematuridade do beb&ecirc;, uma vez que a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; geralmente programada e n&atilde;o realizada de emerg&ecirc;ncia, o que pode n&atilde;o coincidir com a plena forma&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc;. Tamb&eacute;m colocam em jogo a mortalidade materna. Em relat&oacute;rio divulgado esta semana no F&oacute;rum da Parceria para a Sa&uacute;de Materna, de Rec&eacute;m-Nascidos e Crian&ccedil;as, realizado em Johannesburgo (&Aacute;frica do Sul), foi constatado que a realiza&ccedil;&atilde;o de ces&aacute;rea sem a indica&ccedil;&atilde;o de necessidade&nbsp;<a href=\"http:\/\/saude.estadao.com.br\/noticias\/geral,cesarea-freia-queda-de-mortalidade-materna-diz-especialista,1521306\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumenta em 20% os riscos de morte materna<\/a>. O que, para o Brasil, &eacute; um problema, tendo em vista a dificuldade em se reduzir a mortalidade materna para os padr&otilde;es recomendados pela ONU nas metas do mil&ecirc;nio: atualmente, h&aacute; 69 mortes de gestantes para cada 100 mil nascimentos, e a redu&ccedil;&atilde;o de tais &iacute;ndices &eacute; a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11637\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quarta mais lenta no mundo<\/a>, quando comparado com a m&eacute;dia de redu&ccedil;&atilde;o de todos os pa&iacute;ses; a ONU recomenda que os &iacute;ndices sejam de 35 mortes para cada 100 mil at&eacute; 2015. &ldquo;Quanto mais natural o parto e menos tecnologia for utilizada, melhor a recupera&ccedil;&atilde;o da gestante e do beb&ecirc;. Infelizmente, isso &eacute; ignorado nas faculdades de medicina. A forma&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos se d&aacute; mais pela tradi&ccedil;&atilde;o do que pela ci&ecirc;ncia. Infelizmente, parece haver pouca aten&ccedil;&atilde;o para as orienta&ccedil;&otilde;es e diretrizes do parto humanizado.&rdquo;, afirma Raquel Marques.<\/hyperlink><\/p>\n<p>A realiza&ccedil;&atilde;o do parto em casa, com o acompanhamento da fam&iacute;lia, tem sido apontada por pesquisas como a forma mais adequada. Ana Cristina Duarte, da Artemis, destaca que as equipes m&eacute;dicas nem sempre oferecem o suporte emocional que as mulheres precisam. Ela lembra que o modelo hospitalar ignora algumas evid&ecirc;ncias. &ldquo;Os partos s&atilde;o realizados com as mulheres deitadas. Essa &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o menos recomendada, pois pode prejudicar a oxigena&ccedil;&atilde;o do beb&ecirc;. No entanto, &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o mais difundida e utilizada. O ideal &eacute; que a gestante escolha a posi&ccedil;&atilde;o mais confort&aacute;vel para ela, seja de c&oacute;coras, de quatro, de lado. Enfim, &eacute; a gestante quem deve decidir&rdquo;, aponta Ana Cristina Duarte.<\/p>\n<p>A domin&acirc;ncia do modelo hospitalar revela desafios para a humaniza&ccedil;&atilde;o do parto. Vale dizer que o modelo de humaniza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nega o valor m&eacute;dico, mas procura ampliar as possibilidades do processo de dar &agrave; luz. A interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica &eacute; importante e necess&aacute;ria quando h&aacute; intercorr&ecirc;ncias. Nesse sentido, uma quest&atilde;o importante nesse debate &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o profissional. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) aponta que o profissional obstetriz &eacute; o mais indicado para acompanhar o parto. Na pr&aacute;tica, no entanto, os hospitais costumam negar esse acompanhamento. E o projeto de lei 7633 n&atilde;o avan&ccedil;a nessa quest&atilde;o, na opini&atilde;o de Paula Viana, coordenadora do Grupo Curumim. &ldquo;N&atilde;o fica clara a presen&ccedil;a da obstetriz. Sinto falta da defini&ccedil;&atilde;o dos deveres das institui&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o de que os hospitais sejam obrigados a ter esses profissionais. Reconhe&ccedil;o que o projeto de lei, apesar de n&atilde;o trazer novidades, &eacute; um passo importante, pois condensa uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios que t&ecirc;m sido definidos h&aacute; tempos, no &acirc;mbito nacional e global, como os mais adequados para lidar com o processo do parto. Por&eacute;m, &eacute; preciso mais defini&ccedil;&atilde;o e um alcance maior para lidar com todas as quest&otilde;es que envolvem a humaniza&ccedil;&atilde;o do parto&rdquo;, observa Paula Viana.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o sobre parto humanizado tem orbitado em torno da quest&atilde;o das ces&aacute;reas, mas a viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica &eacute; um fen&ocirc;meno mais amplo. Diz respeito a disputas de poder e saber, a condi&ccedil;&otilde;es de acompanhamento, acolhimento e assist&ecirc;ncia &agrave;s gestantes e parturientes, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de profissionais de sa&uacute;de e &agrave; infraestrutura dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Raquel Marques, da Artemis, ressalta que &eacute; comum culpar exclusivamente o m&eacute;dico. &ldquo;A viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica &eacute; uma quest&atilde;o multifatorial. O m&eacute;dico muitas vezes est&aacute; tamb&eacute;m sob press&atilde;o das dire&ccedil;&otilde;es dos hospitais, dos planos de sa&uacute;de, do n&uacute;mero de leitos dispon&iacute;veis, entre outras quest&otilde;es. Por exemplo, o tempo de ocupa&ccedil;&atilde;o de leito para uma mulher que realiza o parto vaginal &eacute; maior do que aquele para mulheres que passaram por cesariana. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso refletir sobre o ensino nas faculdades, que ignora evid&ecirc;ncias e recomenda&ccedil;&otilde;es sobre os benef&iacute;cios da humaniza&ccedil;&atilde;o do parto. Vivemos tamb&eacute;m em um pa&iacute;s com s&eacute;rios problemas na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de: car&ecirc;ncia de profissionais, de material, de condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas. Em resumo, n&atilde;o podemos perder de vista que a situa&ccedil;&atilde;o atual &eacute; fruto de processos econ&ocirc;micos, administrativos, educacionais e pol&iacute;ticos que ultrapassam a figura do m&eacute;dico. Ter isso em mente &eacute; importante para que o modelo de humaniza&ccedil;&atilde;o seja debatido, refletido e difundido&rdquo;, conclui Raquel Marques.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En Brasil, 52% de los partos son atendidos en hospitales y a trav\u00e9s de ces\u00e1reas, un contexto que dificulta la reducci\u00f3n de la mortalidad materna y favorece la ocurrencia de violencia obst\u00e9trica. 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