{"id":983,"date":"2014-07-30T00:00:00","date_gmt":"2014-07-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/07\/30\/el-mercado-de-modificaciones-corporales\/"},"modified":"2014-07-30T00:00:00","modified_gmt":"2014-07-30T03:00:00","slug":"el-mercado-de-modificaciones-corporales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-mercado-de-modificaciones-corporales\/983\/","title":{"rendered":"El mercado de modificaciones corporales"},"content":{"rendered":"<p>Uma das quest&otilde;es mais levantadas no debate sobre aborto &eacute; que, apesar de sua criminaliza&ccedil;&atilde;o pelo Estado brasileiro (com exce&ccedil;&atilde;o dos permissivos legais), o procedimento &eacute; realizado por mulheres de forma clandestina e insegura. O cen&aacute;rio revela uma demanda que ignora as investidas de normatiza&ccedil;&atilde;o e cria itiner&aacute;rios variados de interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez. Ou seja, a ilegalidade propicia a exist&ecirc;ncia de um mercado paralelo representado por cl&iacute;nicas clandestinas e pessoas n&atilde;o credenciadas que realizam a pr&aacute;tica sem a devida seguran&ccedil;a. Esse tem sido tamb&eacute;m o panorama quando se trata das modifica&ccedil;&otilde;es corporais da popula&ccedil;&atilde;o transexual e travesti. At&eacute; 2013, modificar o corpo legalmente para fins de deslocamento de g&ecirc;nero constitu&iacute;a um direito reservado aos indiv&iacute;duos transexuais, inclu&iacute;dos no Processo Transexualizador (portaria 457\/2008 do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de) do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de brasileiro (SUS), na medida em que estes apresentem, na linguagem m&eacute;dica, uma condi&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica &ndash; o transexual<i>ismo<\/i>. As travestis, no entanto, estavam exclu&iacute;das dos servi&ccedil;os oficiais de modifica&ccedil;&otilde;es corporais, tendo em vista que a identidade n&atilde;o &eacute; considerada uma patologia, o que possibilitou a forma&ccedil;&atilde;o de um mercado de transforma&ccedil;&otilde;es corporais que inclui cl&iacute;nicas e indiv&iacute;duos que realizam tais procedimentos, como as chamadas &ldquo;bombadeiras&rdquo;.<\/p>\n<p>Em sua tese &ldquo;O g&ecirc;nero encarnado: modifica&ccedil;&otilde;es corporais e riscos &agrave; sa&uacute;de de mulheres trans&rdquo;, o assistente social e doutor em Sa&uacute;de Coletiva A&iacute;lton da Silva Santos entrevistou travestis e mulheres transexuais, frequentou sess&otilde;es clandestinas e oficiais de modifica&ccedil;&otilde;es corporais e manteve di&aacute;logo com profissionais de sa&uacute;de. Os objetivos da pesquisa foram compreender os motivos e os sentidos das modifica&ccedil;&otilde;es corporais, os saberes e pessoas envolvidas e os itiner&aacute;rios e t&eacute;cnicas utilizados para as altera&ccedil;&otilde;es no corpo.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos que transitam entre os g&ecirc;neros ganhou seu primeiro registro oficial em 1997, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) definiu que as modifica&ccedil;&otilde;es corporais deixavam de ser les&atilde;o corporal desde que realizadas em hospitais universit&aacute;rios por profissionais especializados nos casos de &ldquo;transexualismo&rdquo;, como psiquiatras e urologistas.<\/p>\n<p>Em regra, transexual &eacute; o indiv&iacute;duo que n&atilde;o se reconhece no corpo biol&oacute;gico de nascimento e, por isso, experimenta sofrimento ps&iacute;quico. Pela l&oacute;gica m&eacute;dica, as modifica&ccedil;&otilde;es corporais e a redesigna&ccedil;&atilde;o genital constituem ferramentas terap&ecirc;uticas para &ldquo;curar&rdquo; a condi&ccedil;&atilde;o de transexual, encaminhando o deslocamento tanto anat&ocirc;mico como de g&ecirc;nero. A genit&aacute;lia, nesse sentido, &eacute; um marcador de identidade central. J&aacute; as travestis desejam uma inser&ccedil;&atilde;o social de g&ecirc;nero (no caso, feminina), realizam modifica&ccedil;&otilde;es corporais (colocam seios, gl&uacute;teos, delineiam partes do corpo, fazem uso de horm&ocirc;nios etc), mas n&atilde;o veem a genit&aacute;lia como um definidor identit&aacute;rio. Por isso, elas continuam a ter o p&ecirc;nis, valorizado principalmente por aquelas que trabalham no mercado do sexo, conforme aponta o antrop&oacute;logo norte-americano Don Kulick no livro &ldquo;Travesti: prostitui&ccedil;&atilde;o, sexo, g&ecirc;nero e cultura no Brasil&rdquo;, fruto de seu trabalho etnogr&aacute;fico com travestis na cidade de Salvador.<\/p>\n<p>Tais defini&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias repercutem socialmente, sobretudo pelos itiner&aacute;rios que se criam no contexto das modifica&ccedil;&otilde;es corporais. No Rio de Janeiro, por exemplo, &eacute; famosa a &ldquo;bombadeira&rdquo; Severina, cujo trabalho nos anos 1980 &eacute; amplamente conhecido entre a popula&ccedil;&atilde;o trans. &ldquo;Bombadeira&rdquo; &eacute; a profissional que manipula e molda o corpo de suas\/seus &ldquo;pacientes&rdquo; atrav&eacute;s de implantes clandestinos e do uso de silicone industrial. &Eacute; um itiner&aacute;rio geralmente acessado por travestis, embora transexuais tamb&eacute;m procurem.<\/p>\n<p>Esse mercado possui riscos, conforme lembra A&iacute;lton Santos. &ldquo;Entrevistei seis bombadeiras e elas s&atilde;o procuradas tanto por travestis quanto por transexuais, independentemente de haver um servi&ccedil;o de sa&uacute;de oficial para esse segmento. O aprendizado das bombadeiras &eacute; feito em pares. Elas aprendem umas com as outras, com o m&eacute;todo de tentativa e erro. Elas n&atilde;o t&ecirc;m forma&ccedil;&atilde;o e usam o silicone industrial por ser mais barato e acess&iacute;vel&rdquo;, afirma A&iacute;lton Santos. &ldquo;O atendimento &eacute; feito em suas casas, e muitas t&ecirc;m consci&ecirc;ncia das quest&otilde;es de biosseguran&ccedil;a. Apesar disso, o silicone industrial apresenta riscos de deformidade e mesmo morte&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>O trabalho das &ldquo;bombadeiras&rdquo; constitui crime, de acordo com o C&oacute;digo Penal que considera exerc&iacute;cio ilegal da medicina e curandeirismo. Com a resolu&ccedil;&atilde;o do CFM de 1997 &ndash; ampliada em 2002 &ndash; e a portaria 457\/2008 que institui o processo transexualizador na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de, a figura da &ldquo;bombadeira&rdquo; vai sendo consolidada na condi&ccedil;&atilde;o de ilegalidade diante da institucionalidade que a atua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica ganha para lidar com as modifica&ccedil;&otilde;es corporais.<\/p>\n<p>No final de 2013, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de publicou a&nbsp;<a href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/saudelegis\/gm\/2013\/prt2803_19_11_2013.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portaria 2803<\/a>, que inclui as travestis no escopo do processo legal de mudan&ccedil;as corporais feito pelo SUS, possibilitando que elas tenham acesso em unidades especializadas da rede p&uacute;blica de sa&uacute;de ao que antes era reservado apenas &agrave;s\/aos transexuais. A justificativa do MS &eacute; o estabelecimento de uma padroniza&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de indica&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o dos procedimentos previstos no Processo Transexualizador e a necessidade de identificar, estruturar, ampliar e aprimorar a rede de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de e a linha de cuidado de transexuais e travestis. A portaria &eacute; fruto da mobiliza&ccedil;&atilde;o do movimento social de pessoas trans, de pesquisadores e gestores comprometidos com a amplia&ccedil;&atilde;o e melhoria da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de dessas pessoas. Tal demanda foi constru&iacute;da a partir da situa&ccedil;&atilde;o das pessoas trans (transexuais e travestis) que fazem uso indevido de horm&ocirc;nios e silicone industrial e que, por isso, ficam sujeitas a sequelas e ao risco de morte. A medida, no entanto, est&aacute; longe de significar a inclus&atilde;o efetiva das travestis no sistema de sa&uacute;de, deixando em aberto o itiner&aacute;rio de modifica&ccedil;&otilde;es corporais que as &ldquo;bombadeiras&rdquo; representam.<\/p>\n<p>O Hospital Universit&aacute;rio Pedro Ernesto (HUPE\/UERJ), uma das quatro Unidades de Aten&ccedil;&atilde;o Especializada no processo transexualizador e cujo Servi&ccedil;o de Urologia &eacute; refer&ecirc;ncia em cirurgia de transgenitaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem conseguido absorver a demanda de travestis. Atualmente, h&aacute; 52 pacientes transexuais em espera para realizar a cirurgia de mudan&ccedil;a de sexo, e mais de 100 na fila para serem inclu&iacute;dos no processo transexualizador. Nesse contexto, as travestis ainda competem com outros servi&ccedil;os oferecidos no setor da Urologia, como casos de restaura&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os genitais devido a amputa&ccedil;&otilde;es provenientes de c&acirc;nceres e outras m&aacute;-forma&ccedil;&otilde;es genitais. Al&eacute;m disso, a demanda das travestis inclui servi&ccedil;os est&eacute;ticos que n&atilde;o s&atilde;o responsabilidade da Urologia.<\/p>\n<p>A fragilidade e o baixo n&uacute;mero de Unidades Especializadas n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos problemas, de acordo com A&iacute;lton Santos. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; um n&uacute;mero suficiente de profissionais especializados para lidar com travestis, para compreender as especificidades. Al&eacute;m disso, muitas travestis preferem o servi&ccedil;o das &lsquo;bombadeiras&rsquo; por causa do silicone industrial, que para muitas tem resultado est&eacute;tico melhor que o silicone usado nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Na minha pesquisa, entrevistei seis &lsquo;bombadeiras&rsquo; e apenas uma foi cr&iacute;tica &agrave; portaria 2803. Para as outras, o acesso ao SUS para transforma&ccedil;&otilde;es corporais n&atilde;o acabaria com a demanda que elas atendem. O pacote de pr&oacute;teses que o SUS oferece n&atilde;o contempla a constru&ccedil;&atilde;o dos femininos que cada travesti almeja&rdquo;, observa A&iacute;lton Santos. &ldquo;As travestis demandam servi&ccedil;os de fonoaudiologia, dermatologia, entre outros. H&aacute; uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as feminilizantes. &Eacute; preciso que os hospitais criem programas para lidar com a nova realidade. Isso significa uma equipe multidisciplinar que amplie as transforma&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do marcador genital&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>Outro elemento neste mercado de transforma&ccedil;&otilde;es corporais s&atilde;o as cl&iacute;nicas particulares de cirurgia pl&aacute;stica e est&eacute;tica, muito freq&uuml;entadas por indiv&iacute;duos transexuais e travestis com boas condi&ccedil;&otilde;es financeiras. Tais cl&iacute;nicas realizam modifica&ccedil;&otilde;es corporais das mais diversas, que v&atilde;o desde a constru&ccedil;&atilde;o de corpos de passistas de samba at&eacute; aquelas destinadas a provocar um deslocamento na leitura de g&ecirc;nero. No entanto, n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o legal, tampouco uma resolu&ccedil;&atilde;o da categoria m&eacute;dica, que autorize ou negue a essas cl&iacute;nicas a realiza&ccedil;&atilde;o dessas mudan&ccedil;as para fins de releitura de g&ecirc;nero. Por isso, A&iacute;lton Santos as classifica como um mercado &ldquo;semi-clandestino&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Medicina e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl&aacute;stica n&atilde;o criaram normas para regular esse mercado. Quando se pensou na transexualidade, pensou-se na patologiza&ccedil;&atilde;o e na normatiza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas m&eacute;dicas para lidar com isso, mas n&atilde;o se pensou em nada para o sujeito travesti. Por isso, muitas delas acabam recorrendo a essas cl&iacute;nicas para conseguir as modifica&ccedil;&otilde;es, encontrando menos riscos do que as que frequentam as &lsquo;bombadeiras&rsquo;&rdquo;, observa o pesquisador.<\/p>\n<p>Mesmo ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da portaria 2803, A&iacute;lton Santos acredita que os mercados continuar&atilde;o a existir como tal. De acordo com o assistente social, a busca pelo feminino &eacute; muito subjetiva e nem sempre os servi&ccedil;os oficiais contemplam as demandas individuais. Quest&otilde;es como classe social e ra&ccedil;a tamb&eacute;m condicionam a forma&ccedil;&atilde;o desses itiner&aacute;rios. Mas, acima de tudo, destaca ele, a marginaliza&ccedil;&atilde;o das identidades n&atilde;o enquadradas nos padr&otilde;es de g&ecirc;nero dominantes persiste como um problema estrutural. &ldquo;Penso que ainda conviveremos com mortes e sequelas decorrentes de problemas estruturais. Os corpos das travestis e das transexuais n&atilde;o importam socialmente. Aquelas que t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es conseguem escapar das precariedades. Mas as que n&atilde;o t&ecirc;m, s&atilde;o v&iacute;timas de uma sociedade que n&atilde;o aceita o borramento das fronteiras de g&ecirc;nero. A resposta do Estado &eacute; muito mais narrativa do que pr&aacute;tica. &Eacute; preciso controle social sobre esses servi&ccedil;os e, mais do que isso, uma abordagem integral, que inclua educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de juntas em um processo de constru&ccedil;&atilde;o de igualdade e respeito&rdquo;, conclui A&iacute;lton Santos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resoluci\u00f3n del Ministerio de Salud brasile\u00f1o incluye a travestis en el proceso legal de transformaciones corporales, permitiendo que tengan acceso en la red p\u00fablica de salud a lo que antes era reservado a transexuales.La medida, sin embargo, no restringe los itinerarios de individuos en la b\u00fasqueda de identidad en un mercado estudiado por Ailton Santos en su tesis doctoral.<i> (Texto en portugu\u00e9s)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>El mercado de modificaciones corporales - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/el-mercado-de-modificaciones-corporales\/983\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"El mercado de modificaciones corporales - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Resoluci\u00f3n del Ministerio de Salud brasile\u00f1o incluye a travestis en el proceso legal de transformaciones corporales, permitiendo que tengan acceso en la red p\u00fablica de salud a lo que antes era reservado a transexuales.La medida, sin embargo, no restringe los itinerarios de individuos en la b\u00fasqueda de identidad en un mercado estudiado por Ailton Santos en su tesis doctoral. 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