{"id":987,"date":"2014-08-13T00:00:00","date_gmt":"2014-08-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/08\/13\/limites-de-la-prevencion\/"},"modified":"2014-08-13T00:00:00","modified_gmt":"2014-08-13T03:00:00","slug":"limites-de-la-prevencion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/limites-de-la-prevencion\/987\/","title":{"rendered":"L\u00edmites de la prevenci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) publicou em julho as&nbsp;<a href=\"http:\/\/apps.who.int\/iris\/bitstream\/10665\/128048\/1\/9789241507431_eng.pdf?ua=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">novas diretrizes<\/a>&nbsp;para preven&ccedil;&atilde;o, diagn&oacute;stico, tratamento e cuidado do HIV para popula&ccedil;&otilde;es-chave. Comp&otilde;em essas popula&ccedil;&otilde;es &ldquo;homens que fazem sexo com homens&rdquo; (HSH), presidi&aacute;rios, usu&aacute;rios de drogas, trabalhadores\/as do sexo e indiv&iacute;duos transg&ecirc;neros, para as quais a OMS recomenda a ingest&atilde;o de medica&ccedil;&atilde;o antirretroviral (ARV) como m&eacute;todo adicional, junto &agrave; camisinha, &agrave; preven&ccedil;&atilde;o contra o v&iacute;rus. Esse tipo de estrat&eacute;gia &eacute; chamado de profilaxia pr&eacute;-exposi&ccedil;&atilde;o (PrEP) e tem no ARV Truvada seu &uacute;nico representante at&eacute; o momento reconhecido pela comunidade cient&iacute;fica. Tem sido assim nos &uacute;ltimos anos, com o investimento crescente, principalmente em estudos biom&eacute;dicos, em estrat&eacute;gias para lidar com a epidemia, cujo crescimento incide preferencialmente entre os grupos destacados pela OMS. Not&iacute;cias de pesquisas exitosas com ARVs t&ecirc;m sido cada vez mais frequentes, sinalizando avan&ccedil;os importantes no combate &agrave; epidemia, embora as novas tecnologias tamb&eacute;m tenham limita&ccedil;&otilde;es e projetem desafios aos esfor&ccedil;os de combate ao HIV\/Aids.<\/p>\n<p>De fato, no Brasil, a epidemia tem avan&ccedil;ado, e n&atilde;o apenas entre a popula&ccedil;&atilde;o homossexual, conforme apontam documentos oficiais.&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11671\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relat&oacute;rio do Unaids<\/a>&nbsp;(Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV\/Aids) mostra que entre 2005 e 2013 houve um aumento de 11% nos casos de infec&ccedil;&atilde;o, tend&ecirc;ncia contr&aacute;ria &agrave; m&eacute;dia mundial (infec&ccedil;&otilde;es diminu&iacute;ram 13% nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos). No relat&oacute;rio, os homens gays aparecem como um grupo vulner&aacute;vel: 11% vivem com o v&iacute;rus e\/ou a doen&ccedil;a. J&aacute; o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de brasileiro, no Boletim Epidemiol&oacute;gico de 2013, aponta que entre 2002 e 2012 o total de homossexuais vivendo com HIV\/Aids cresceu de 22% para 33%. Em n&uacute;meros absolutos, isso significa que s&atilde;o 4,3 mil homens soropositivos atualmente.<\/p>\n<p>Apesar do quadro e dos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos, para o m&eacute;dico Juan Carlos Raxach, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS deve ser ponderada. &ldquo;Por um lado, n&atilde;o se pode negar que essas novas tecnologias s&atilde;o coisas boas na &aacute;rea de preven&ccedil;&atilde;o. Significam mais ferramentas para o enfrentamento da epidemia. No entanto, o caminho a se seguir &eacute; que considero inadequado. Estamos querendo achar o que &eacute; melhor para o outro, sem saber o que esse outro pensa. A autonomia do indiv&iacute;duo n&atilde;o pode ser desprezada. A recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; v&aacute;lida e importante, quando considerada em conjunto com outras formas de preven&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o pode ser arbitr&aacute;ria. Sou cr&iacute;tico desse tom vertical de enfrentamento &agrave; epidemia&rdquo;, argumenta Juan Carlos Raxach.<\/p>\n<p>A aposta na medica&ccedil;&atilde;o antirretroviral como preven&ccedil;&atilde;o &eacute; fruto de um cen&aacute;rio no qual uma s&eacute;rie de pesquisas m&eacute;dicas e cl&iacute;nicas indicam o potencial dos ARVs para essa finalidade. Entre as mais not&oacute;rias, est&aacute; a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/uploads\/arquivo\/HTPN052%20phase%203%20(clincial%20outcomes).pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">HTPN 052<\/a>, segundo a qual a terapia ARV reduz em at&eacute; 96% a transmiss&atilde;o do v&iacute;rus. &Eacute; essa pesquisa, inclusive, que baliza a recente mudan&ccedil;a no protocolo de manejo da epidemia do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de brasileiro: desde o in&iacute;cio do ano, o in&iacute;cio da terapia ARV &eacute; recomendado a partir do diagn&oacute;stico, e n&atilde;o mais a partir de marcadores cl&iacute;nicos (contagem de c&eacute;lulas CD4 e da carga viral). Para a OMS, vale ressaltar, a PrEP reduziria em at&eacute; 25% a incid&ecirc;ncia global do HIV entre homens gays. A cidade de Nova Iorque tamb&eacute;m passou a adotar, desde o in&iacute;cio do ano, a PrEP como estrat&eacute;gia de preven&ccedil;&atilde;o &agrave; epidemia.<\/p>\n<p>A PrEp, no entanto, tem sido problematizada. Movimentos de direitos humanos, m&eacute;dicos e ativistas questionam a falta de uma abordagem mais ampla, que leve em conta os aspectos sociais e culturais da epidemia. Desde os primeiros casos de Aids, nos anos 1980, o estigma e o preconceito foram elementos centrais para que uma linguagem moral associasse determinados grupos sociais, como os homossexuais, &agrave; doen&ccedil;a. Assim, ter Aids significava um castigo ao &ldquo;desvio&rdquo; representado pela homossexualidade.<\/p>\n<p>A dimens&atilde;o atual da epidemia mostra que esses elementos permanecem. O estigma e o preconceito n&atilde;o figuram apenas nos discursos conservadores sobre a epidemia. Na pr&aacute;tica, o preconceito &eacute; ele pr&oacute;prio uma das raz&otilde;es para que a doen&ccedil;a avance entre os homossexuais. A Unaids, assim como diversos outros organismos e institui&ccedil;&otilde;es, destaca os efeitos da discrimina&ccedil;&atilde;o sobre os gays, afastando-os dos esfor&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o, bem como da testagem e do tratamento. Sem falar, sob uma perspectiva global, dos pa&iacute;ses onde rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas do mesmo sexo s&atilde;o criminalizadas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o m&eacute;dico Juan Carlos Raxach afirma que teme que a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS se firme como regra. &ldquo;N&atilde;o podemos permitir que nenhuma tecnologia caia no normativo-prescritivo. Com a camisinha, acontece algo parecido. Em alguns lugares no Brasil, &eacute; indicada por receita. A rela&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dico e paciente torna-se muito mec&acirc;nica, numa l&oacute;gica de ordem e aceita&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso di&aacute;logo e sensibilidade para compreender as expectativas do paciente&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil tem cerca de 720 mil pessoas vivendo com HIV\/Aids. A redu&ccedil;&atilde;o da carga viral na popula&ccedil;&atilde;o tem&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=11659\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">orientado a estrat&eacute;gia do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de<\/a>, cujo protocolo de tratamento preconiza o in&iacute;cio da terapia ARV imediatamente ap&oacute;s o diagn&oacute;stico. A recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS parece seguir o mesmo caminho. &ldquo;Essa vis&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica talvez n&atilde;o seja a mais adequada, pois o foco &eacute; no cen&aacute;rio geral, perdendo-se de vista o particular. A preven&ccedil;&atilde;o, assim como o tratamento e o cuidado, deve ser feita de maneira individualizada&rdquo;, destaca Juan Carlos Raxach.<\/p>\n<p>Prescrever medicamentos nem sempre significa a ades&atilde;o do paciente. Por isso, quando se fala em PrEP, Juan Carlos Raxach lembra que isso pode abrir novas vulnerabilidades. &ldquo;N&oacute;s, que trabalhamos no enfrentamento &agrave; epidemia, sabemos que h&aacute; um abismo entre a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS e a realidade brasileira. N&atilde;o nego os benef&iacute;cios da medica&ccedil;&atilde;o, mas sei que existe uma s&eacute;rie de problemas no sistema de sa&uacute;de. O acesso nem sempre acontece, a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; falha, nem sempre h&aacute; orienta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o vivemos em um contexto perfeito. Por isso, temo que essa nova recomenda&ccedil;&atilde;o possa criar novas vulnerabilidades&rdquo;, observa Juan Carlos Raxach.<\/p>\n<p>Assim como a terapia ARV usada para o tratamento, a PrEP tamb&eacute;m produz efeitos colaterais, como perda &oacute;ssea, altera&ccedil;&atilde;o no ritmo card&iacute;aco, enjoos, v&ocirc;mitos, fadiga etc. Essa &eacute; mais uma das raz&otilde;es para guardar certa cautela com a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS. &ldquo;Estamos lidando com pessoas que t&ecirc;m suas fragilidades, medos, ang&uacute;stias por viverem com uma doen&ccedil;a socialmente problem&aacute;tica&rdquo;, afirma, completando que outro efeito dessa recomenda&ccedil;&atilde;o pode ser o refor&ccedil;o da associa&ccedil;&atilde;o perigosa de gays com a doen&ccedil;a. &ldquo;Como definir o &lsquo;homem que faz sexo com homem&rsquo;? De fato, o sexo anal &eacute; mais suscet&iacute;vel &agrave; transmiss&atilde;o do HIV. Mas isso n&atilde;o significa dizer que todos os HSH s&atilde;o iguais ou que vivem apenas em fun&ccedil;&atilde;o do sexo anal. As pessoas s&atilde;o plurais, din&acirc;micas, t&ecirc;m pr&aacute;ticas e comportamentos variados, identidades m&uacute;ltiplas. N&atilde;o podemos situar a epidemia apenas em determinadas popula&ccedil;&otilde;es. Por que culpabilizar os gays?&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>No contexto pol&iacute;tico brasileiro, o enfrentamento &agrave; epidemia tem retrocedido. Nos &uacute;ltimos anos, o Governo Federal tem recuado na promo&ccedil;&atilde;o de campanhas e outras iniciativas destinadas a essas popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis. Em 2012, a partir de dados que j&aacute; apontavam o crescimento da Aids entre homens gays, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de desenvolveu uma campanha espec&iacute;fica a ser veiculada no carnaval. As pe&ccedil;as seriam veiculadas nas redes de televis&atilde;o, mas&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/publique\/media\/artigoveriano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foram suspensas<\/a>. O motivo: press&atilde;o de setores religiosos dogm&aacute;ticos instalados no Congresso que t&ecirc;m se aproveitado de tem&aacute;ticas sobre sexualidade e sa&uacute;de para chantagear, com prop&oacute;sitos eleitorais, o Poder Executivo. Ano passado, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de tamb&eacute;m&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/destaque\/conteudo.asp?cod=10594\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">suspendeu<\/a>, logo ap&oacute;s colocar em circula&ccedil;&atilde;o, uma campanha voltada para prostitutas. Press&otilde;es como essas configuram um quadro de retrocessos, na contram&atilde;o da hist&oacute;ria de um pa&iacute;s internacionalmente reconhecido pela resposta &agrave; epidemia baseada no envolvimento com os movimentos sociais e em uma linguagem de direitos humanos.<\/p>\n<p>No texto das novas diretrizes da OMS h&aacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o com um enfrentamento amplo que tamb&eacute;m atue com foco nas vulnerabilidades sociais, culturais e legais. Fato que, no contexto brasileiro atual, est&aacute; longe de ser realidade. &ldquo;Para o Brasil, a recomenda&ccedil;&atilde;o da OMS deve ser vista na conjuntura atual de fortalecimento de discursos preconceituosos, baseados na moral religiosa, que &eacute; acompanhado por um descaso com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em rela&ccedil;&atilde;o aos homossexuais. O Governo Federal tem recuado em a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. Em um ambiente de discursos discriminat&oacute;rios e recuos institucionais, tenho medo de que a PrEP se torne algo impositivo, colocando a responsabilidade sobre o indiv&iacute;duo. A preven&ccedil;&atilde;o ao HIV\/Aids tem que ser feita de maneira integral, em um di&aacute;logo constante, franco e respeitoso entre paciente e profissional de sa&uacute;de. O direito &agrave; escolha hoje, como sempre, deve ser fundamental. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; estar contra ou a favor das novas tecnologias e pol&iacute;ticas para preven&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&otilde;es, mas sim acompanhar e participar ativamente no monitoramento de como elas s&atilde;o oferecidas para as popula&ccedil;&otilde;es. Isso significa que o aconselhamento &eacute; uma etapa essencial nos esfor&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o. Por isso, penso na ideia de preven&ccedil;&atilde;o ampliada, da qual a PrEP seria uma escolha, mas n&atilde;o a &uacute;nica ou a principal, acompanhada de campanhas peri&oacute;dicas e n&atilde;o pontuais de combate ao preconceito e de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas inclusivas.&rdquo;, conclui Juan Carlos Raxach.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La OMS pas\u00f3 a recomendar que todos los \u201chombres que tienen sexo con hombres\u201d tomen antirretrovirales. 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