{"id":988,"date":"2014-08-13T00:00:00","date_gmt":"2014-08-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/08\/13\/ley-maria-da-penha-asignaturas-pendientes\/"},"modified":"2014-08-13T00:00:00","modified_gmt":"2014-08-13T03:00:00","slug":"ley-maria-da-penha-asignaturas-pendientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/ley-maria-da-penha-asignaturas-pendientes\/988\/","title":{"rendered":"Ley Mar\u00eda da Penha: asignaturas pendientes"},"content":{"rendered":"<p>A Lei Maria da Penha (n&ordm; 11.340\/2006) comemora oito anos de exist&ecirc;ncia neste m&ecirc;s de agosto. Em 2006, o ent&atilde;o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva promulgou o texto, fruto de anos de mobiliza&ccedil;&atilde;o do movimento de mulheres e considerado um marco para os esfor&ccedil;os de combate &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Fen&ocirc;meno estrutural na sociedade brasileira, a viol&ecirc;ncia contra a mulher persiste, apesar da lei, cujo alcance nem sempre &eacute; pleno diante de um modelo patriarcal e de um contexto cultural estruturalmente baseado em desigualdades e opress&otilde;es de g&ecirc;nero e de um machismo subjacente.<\/p>\n<p>Por ocasi&atilde;o da data comemorativa, a Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (SPM) divulgou um&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11701\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">balan&ccedil;o<\/a>&nbsp;segundo o qual, nesses oito anos, foram expedidos 100 mil mandados de pris&atilde;o e mais de 300 mil vidas de mulheres foram salvas. &Eacute; um n&uacute;mero expressivo, sobretudo tendo em vista a amplitude do fen&ocirc;meno no Brasil, onde entre 2001 e 2011 pelo menos 50 mil mulheres foram mortas. Estima-se tamb&eacute;m que 15 mulheres sejam assassinadas diariamente.<\/p>\n<p>O homic&iacute;dio de mulheres n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico tipo de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. A pr&aacute;tica adquire diversas configura&ccedil;&otilde;es e est&aacute; ligada &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira. Historicamente, homens e mulheres foram designados a partir de l&oacute;gicas distintas e desiguais, como se naturalmente fossem indiv&iacute;duos com capacidades, fun&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is sociais espec&iacute;ficos. Tal &oacute;tica resulta em rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas, marcadas pelo poder e pela domina&ccedil;&atilde;o, criando condi&ccedil;&otilde;es para que a viol&ecirc;ncia se manifeste, por meio de agress&otilde;es f&iacute;sicas, sexuais, morais e psicol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Portanto, a promulga&ccedil;&atilde;o da lei de 2006 constitui um esfor&ccedil;o importante do Estado brasileiro para lidar com o fen&ocirc;meno. Desde os anos 1980, pelo menos, a press&atilde;o constante e crescente de movimentos de mulheres for&ccedil;ou o poder p&uacute;blico a enfrentar o problema. As Delegacias de Mulheres (DEAM), criadas nesse per&iacute;odo, foram um primeiro movimento do Estado brasileiro. A Lei Maria da Penha seguiu essa trajet&oacute;ria hist&oacute;rica de constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos protetivos aos direitos humanos das mulheres: endurece as penas contra homens agressores, prev&ecirc; o acolhimento e a assist&ecirc;ncias &agrave;s mulheres e disp&otilde;e sobre formas de preven&ccedil;&atilde;o ao fen&ocirc;meno.<\/p>\n<p>Os desafios, no entanto, permanecem. Uma dos entraves &agrave; plena efetiva&ccedil;&atilde;o da lei &eacute; no Poder Judici&aacute;rio, que abriga magistrados que nem sempre reconhecem a complexidade da desigualdade de g&ecirc;nero. Assim, determinados ju&iacute;zes recusam-se a aplicar a lei com base, por exemplo, em leituras enviesadas dos casos. O caso da atriz Luana Piovani &eacute; emblem&aacute;tico dessa situa&ccedil;&atilde;o: em 2008, ela fora agredida pelo ex-namorado, mais tarde condenado nos moldes da Lei Maria da Penha. Um juiz do I Juizado da Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica e Familiar do Estado do Rio de Janeiro anulou a condena&ccedil;&atilde;o, com o argumento de que a atriz n&atilde;o seria &ldquo;socioeconomicamente vulner&aacute;vel&rdquo;, um racioc&iacute;nio que anula a dimens&atilde;o de g&ecirc;nero diante da classe social.<\/p>\n<p>Outro caso de interpreta&ccedil;&atilde;o regressiva da lei: gr&aacute;vida de cinco meses, a modelo Elisa Samudio deu queixa no 3&ordm; Juizado de Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica do Rio de Janeiro afirmando ter sido mantida em c&aacute;rcere privado e obrigada pelo jogador de futebol com quem se relacionava a ingerir subst&acirc;ncias abortivas. O Juizado negou o pedido de prote&ccedil;&atilde;o, por considerar que a jovem n&atilde;o mantinha rela&ccedil;&otilde;es afetivas com o goleiro. A ju&iacute;za explicou em sua decis&atilde;o que Eliza n&atilde;o poderia se beneficiar das medidas protetivas, nem &quot;tentar punir o agressor&quot;, sob pena de banalizar a Lei Maria da Penha. A magistrada entendeu que a finalidade da legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; proteger a fam&iacute;lia, seja proveniente de uni&atilde;o est&aacute;vel ou de casamento e n&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o puramente de car&aacute;ter eventual e sexual. Assim, meses depois Elisa foi assassinada pelo jogador logo ap&oacute;s dar a luz.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XX, eram comuns julgamentos em que os homens agressores eram inocentados ou tinham a pena abrandada em nome da &ldquo;honra&rdquo;. Nesses casos, a ideia de crime passional era corrente, refletindo a no&ccedil;&atilde;o de que a viol&ecirc;ncia contra a mulher era, de alguma forma, justific&aacute;vel. Um caso c&eacute;lebre &eacute; o de Doca Street, que em 1976 assassinou a namorada &Acirc;ngela Diniz. Absolvido no primeiro julgamento, com uma defesa que apostou no argumento do crime de honra, Doca Street foi posteriormente condenado a 15 anos de pris&atilde;o, em uma decis&atilde;o na &eacute;poca influenciada pela press&atilde;o dos movimentos feministas.<\/p>\n<p>A ideia do crime de honra como argumento de defesa caiu por terra, mas isso n&atilde;o significa que a Justi&ccedil;a brasileira esteja funcionando a contento. Em rela&ccedil;&atilde;o ao Executivo, tamb&eacute;m existem obst&aacute;culos. A Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, que coordena a atua&ccedil;&atilde;o do Governo Federal na quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, contou com um or&ccedil;amento de R$ 217 milh&otilde;es para o ano de 2014. Um valor baixo, quando comparado com outros minist&eacute;rios, que se reflete na efetiva&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>De acordo com a Lei Maria da Penha, uma s&eacute;rie de instrumentos deveria ser criada para a preven&ccedil;&atilde;o, acolhimento e combate ao fen&ocirc;meno. Centros de atendimento integral e multidisciplinar; casas-abrigos para as mulheres e filhos; delegacias, n&uacute;cleos de defensoria p&uacute;blica, servi&ccedil;os de sa&uacute;de e centros de per&iacute;cia m&eacute;dico-legal especializados; e centros de educa&ccedil;&atilde;o e de reabilita&ccedil;&atilde;o para os agressores est&atilde;o no escopo do texto. No entanto, de concreto, muito a fazer: no pa&iacute;s, apenas 7% (397 entre os 5.565 no Brasil) dos munic&iacute;pios t&ecirc;m delegacias da mulher; as Casas-abrigos que existem n&atilde;o contam com profissionais qualificados para lidar com mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia; as que existem s&atilde;o t&atilde;o poucas que apenas&nbsp;<a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/brasil\/cidades\/ibge-975-das-cidades-nao-tem-casas-abrigo-para-mulheres,51927ea7920b5410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">142 cidades contam com o servi&ccedil;o<\/a>; por fim, de acordo com o site da Secretaria de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, o pa&iacute;s conta com&nbsp;<a href=\"https:\/\/sistema3.planalto.gov.br\/spmu\/atendimento\/busca.php?uf=TD&amp;cod=158\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15 Centros de Educa&ccedil;&atilde;o e Reabilita&ccedil;&atilde;o do Agressor<\/a>.<\/p>\n<p>Os servi&ccedil;os que existem s&atilde;o constantemente criticados pela falta de integra&ccedil;&atilde;o e pela dispers&atilde;o ao longo do extenso territ&oacute;rio brasileiro. Um panorama que revela desafios profundos ao combate da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. N&atilde;o &agrave; toa, de acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (IPEA), os &iacute;ndices de mortalidade de mulheres&nbsp;<a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2013\/09\/25\/lei-maria-da-penha-nao-diminuiu-violencia-contra-mulher-no-brasil-diz-ipea.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pouco se alteraram ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da lei<\/a>: entre 2001 e 2006, a taxa de mortalidade foi de 5,28 por cada 100 mil mulheres. Entre 2007 e 2011, ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da lei, o &iacute;ndice caiu apenas para 5,22 por cada 100 mil.<\/p>\n<p>A persist&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero indica que o desafio &eacute; composto de v&aacute;rios aspectos. A lei Maria da Penha &eacute; amplamente conhecida, conforme aponta a Pesquisa &ldquo;Percep&ccedil;&atilde;o da Sociedade sobre Viol&ecirc;ncia e Assassinatos de Mulheres&rdquo;, do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o: apenas 2% das pessoas nunca ouviram falar. De alguma forma, reconhecem ativistas e pesquisadores, a lei contribuiu para que apenas 9% das pessoas, transcorridos oito anos de lei, ainda considerem que bater em mulher &eacute; um ato leg&iacute;timo. Apesar disso, o fen&ocirc;meno continua amplamente disseminado no pa&iacute;s. Ainda que a solu&ccedil;&atilde;o penal apresente resultados, o enfrentamento demanda a&ccedil;&otilde;es mais amplas, sobretudo no &acirc;mbito educativo.<\/p>\n<p>Recentemente o Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (PNE) teve suprimida men&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o de g&ecirc;nero como uma diretriz para as pol&iacute;ticas no setor. De fato, a Lei Maria da Penha, por si s&oacute;, n&atilde;o parece dar conta do problema, tanto pelos problemas em sua aplica&ccedil;&atilde;o, quanto pela integra&ccedil;&atilde;o com a&ccedil;&otilde;es de outra natureza, como no campo da Educa&ccedil;&atilde;o, por exemplo. N&atilde;o apenas no sentido de uma educa&ccedil;&atilde;o formal menos machista, o que sem d&uacute;vida &eacute; fundamental, mas no sentido de desarmar a d&iacute;ade masculinidade-viol&ecirc;ncia, tanto para reduzir as mortes de mulheres, como tamb&eacute;m para diminuir as mortes entre jovens do sexo masculino, que s&atilde;o os que mais matam e os que mais morrem. A desconstru&ccedil;&atilde;o do masculino associado &agrave; viol&ecirc;ncia requer um processo reflexivo e um novo di&aacute;logo entre homens e entre homens e mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hito del enfrentamiento de la violencia contra las mujeres en Brasil, la Ley Mar\u00eda da Penha completa ocho a\u00f1os, pero su aplicaci\u00f3n no siempre es garantizada por la Justicia y los servicios de protecci\u00f3n y acogida a las v\u00edctimas. La Ley por s\u00ed sola no da cuenta de la complejidad de la violencia de g\u00e9nero, que requiere acciones m\u00e1s amplias, sobre todo educativas.<i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ley Mar\u00eda da Penha: asignaturas pendientes - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/ley-maria-da-penha-asignaturas-pendientes\/988\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ley Mar\u00eda da Penha: asignaturas pendientes - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Hito del enfrentamiento de la violencia contra las mujeres en Brasil, la Ley Mar\u00eda da Penha completa ocho a\u00f1os, pero su aplicaci\u00f3n no siempre es garantizada por la Justicia y los servicios de protecci\u00f3n y acogida a las v\u00edctimas. 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