{"id":993,"date":"2014-09-03T00:00:00","date_gmt":"2014-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/09\/03\/derechos-incompletos\/"},"modified":"2014-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2014-09-03T03:00:00","slug":"derechos-incompletos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/derechos-incompletos\/993\/","title":{"rendered":"Derechos incompletos"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil &eacute; reconhecido mundialmente por ter desenvolvido um marco program&aacute;tico para a norma universal que define a sa&uacute;de como um direito fundamental da pessoa humana. Sob essa l&oacute;gica foi criado o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), que garante atendimento p&uacute;blico, universal e integral a todos os cidad&atilde;os. Nem todos os pa&iacute;ses contam com essa perspectiva, que no Brasil adquiriu o valor de ideia-for&ccedil;a: um modelo de sa&uacute;de que a conceitua como direito humano. Com o prop&oacute;sito de mensurar o impacto da abordagem dos direitos humanos no campo da sa&uacute;de, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) desenvolveu a pesquisa &ldquo;<a href=\"\/uploads\/arquivo\/pesquisa_WHO.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sa&uacute;de das mulheres e das crian&ccedil;as: evid&ecirc;ncia do impacto dos direitos humanos<\/a>&rdquo;, que indica o alcance, limites e dificuldades desse impacto no contexto brasileiro.<\/p>\n<p>O encontro do direito &agrave; sa&uacute;de com a linguagem dos direitos humanos tem sido h&aacute; d&eacute;cadas estimulado por organiza&ccedil;&otilde;es, autoridades, pesquisadores e ativistas. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), em sua&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.direitoshumanos.usp.br\/index.php\/OMS-Organiza%C3%A7%C3%A3o-Mundial-da-Sa%C3%BAde\/constituicao-da-organizacao-mundial-da-saude-omswho.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui&ccedil;&atilde;o de 1946<\/a>, define sa&uacute;de como um estado de completo bem-estar f&iacute;sico, mental e social, e n&atilde;o apenas a aus&ecirc;ncia de doen&ccedil;a ou de enfermidade. A partir disso, tanto a OMS quanto a Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU preconizam que o direito &agrave; sa&uacute;de deve ser concebido, oferecido e garantido a partir de uma abordagem de direitos humanos. Quer dizer, com aten&ccedil;&atilde;o especial a grupos vulner&aacute;veis, com qualidade nos servi&ccedil;os e no atendimento, aberto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e sujeito a controle social, avalia&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de contas por parte do Estado.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Estado brasileiro vem criando, h&aacute; algumas d&eacute;cadas, pol&iacute;ticas e programas voltados para a sa&uacute;de das mulheres e das crian&ccedil;as. O Programa de Assist&ecirc;ncia Integral &agrave; Sa&uacute;de da Mulher (PAIMS), 1983, foi umas das primeiras iniciativas a reconhecer oficialmente a especificidade da sa&uacute;de feminina, bem como a inscrev&ecirc;-la em uma perspectiva de direitos e de autonomia sobre o corpo. Nessa &eacute;poca, se produziam no Brasil 149 mortes maternas para cada 100 mil beb&ecirc;s nascidos vivos. A taxa tem caindo ao longo das d&eacute;cadas, assim como as taxas de mortalidade infantil, foco de outras iniciativas do Estado brasileiro: o Programa de Humaniza&ccedil;&atilde;o do Parto (2000); a Pol&iacute;tica Nacional de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Sa&uacute;de da Mulher (2004); e a Pol&iacute;tica Nacional de Assist&ecirc;ncia Social (2005).<\/p>\n<p>A partir daqueles registros, a tend&ecirc;ncia tem sido de queda. Em 1990, morriam 69 m&atilde;es por 100 mil nascidos vivos, sendo atualmente 56 mortes para cada 100 mil. Um patamar que o pa&iacute;s tem dificuldades em reduzir, afastando-se de uma das metas do mil&ecirc;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que recomendam, at&eacute; 2015, taxas de 35 mortes maternas para cada 100 mil crian&ccedil;as nascidas. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mortalidade infantil, em 1980 morriam 69,1 crian&ccedil;as com at&eacute; um ano de vida para cada mil nascidas vivas. Em 1991, o numero desceu para 45,1 e em 2012 o &iacute;ndice estava em 15,7, alcan&ccedil;ando a meta da ONU que previa 17,9 mil mortes para cada mil nascidos vivo at&eacute; 2015.<\/p>\n<p>Por v&aacute;rios motivos, n&atilde;o surpreendem as dificuldades do Brasil em diminuir os &iacute;ndices de morte materna. A pesquisa da OMS afirma que a abordagem de direitos humanos est&aacute; muito mais ligada &agrave; concep&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas do que &agrave; execu&ccedil;&atilde;o. O resultado &eacute; um cotidiano no qual a assist&ecirc;ncia e o direito &agrave; sa&uacute;de projetam desafios significativos para gestores e, sobretudo, para as mulheres e crian&ccedil;as .<\/p>\n<p>Em Pernambuco, por exemplo, o Comit&ecirc; Estadual de Estudos sobre Mortalidade Materna (CEEMM) realizou em abril uma s&eacute;rie de visitas surpresa a sete maternidades do Estado. O cen&aacute;rio encontrado sinaliza que o acesso &agrave; sa&uacute;de est&aacute; longe de ser universal. Muitas mulheres encontram diversas restri&ccedil;&otilde;es, passando dias &agrave; procura de um servi&ccedil;o onde possam iniciar o acompanhamento pr&eacute;-natal. Quando encontram, n&atilde;o s&atilde;o informadas sobre o local do parto, nem sobre seus direitos. Assim, no pr&eacute;-parto e no parto, geralmente n&atilde;o s&atilde;o autorizadas a ter acompanhante, embora desde 2005 a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2004-2006\/2005\/Lei\/L11108.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei 11.108\/2005<\/a>&nbsp;garanta esse direito.<\/p>\n<p>Um dos aspectos que mais destoam de um modelo baseado nos direitos humanos &eacute; a indu&ccedil;&atilde;o &agrave; ces&aacute;rea. Com frequ&ecirc;ncia, de acordo com a m&eacute;dica Sandra Valongueiro (coordenadora do CEEMM), os profissionais de sa&uacute;de usam desculpas vazias ou nem mesmo permiss&atilde;o pedem para realizar a cesariana, ignorando&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/uploads\/arquivo\/OMS%20-%20Boas%20Praticas%20de%20Atencao%20ao%20Parto%20e%20ao%20Nascimento.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas sobre os benef&iacute;cios do parto vaginal<\/a>. Este panorama recentemente ganhou destaque na imprensa brasileira ap&oacute;s uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/na-midia\/conteudo.asp?cod=11495\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gestante ter sido for&ccedil;ada pela pol&iacute;cia a realizar uma ces&aacute;rea<\/a>.<\/p>\n<p>No Brasil, um projeto de lei do deputado Jean Wyllys (PSOL) prop&otilde;e a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=11658\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">humaniza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia &agrave; mulher e ao neonato<\/a>. A iniciativa &eacute; fruto do movimento pela humaniza&ccedil;&atilde;o do parto, que nos &uacute;ltimos anos tem ganho densidade e visibilidade no cen&aacute;rio brasileiro. O movimento prop&otilde;e uma aten&ccedil;&atilde;o individualizada, franca, transparente e o menos tecnol&oacute;gica poss&iacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de nascimento.<\/p>\n<p>N&atilde;o se pode negar, por outro lado, que a perspectiva dos direitos humanos tem proporcionado ganhos &agrave; sa&uacute;de materna e infantil. Os &iacute;ndices de natalidade t&ecirc;m ca&iacute;do no pa&iacute;s; de acordo com dados de 2011, a mulher brasileira tem, em m&eacute;dia, 1,8 filho, n&uacute;mero pr&oacute;ximo ao de pa&iacute;ses desenvolvidos. Al&eacute;m disso, o uso crescente de m&eacute;todos contraceptivos modernos, bem como o aumento da rede pr&eacute;-natal s&atilde;o efeitos desse processo.<\/p>\n<p>Mas o hiato entre teoria e pr&aacute;tica &eacute; not&aacute;vel, particularmente em se tratando de um pa&iacute;s de propor&ccedil;&otilde;es continentais, marcado por graves desigualdades. Por isso, ainda que as pol&iacute;ticas sejam desenhadas e planejadas para serem aplicadas igualmente em todos os lugares, tais desigualdades inibem que isso ocorra.<\/p>\n<p>Pernambuco, localizada na regi&atilde;o Nordeste (uma das mais pobres do pa&iacute;s), &eacute; um exemplo disso: nas maternidades visitadas pelos integrantes do Comit&ecirc; de Morte Materna do Estado foram encontradas instala&ccedil;&otilde;es inacabadas, falta de itens b&aacute;sicos como len&ccedil;&oacute;is e ber&ccedil;os, ventila&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria, entre outros problemas. Nas cidades mais afastadas da capital Recife, a situa&ccedil;&atilde;o se agrava, pois em algumas unidades nem mesmo equipe obst&eacute;trica foi encontrada nos finais de semana, o que for&ccedil;a as mulheres a ir para a capital, sobrecarregando a j&aacute; esgotada capacidade da rede.<\/p>\n<p>&ldquo;A gest&atilde;o da sa&uacute;de &eacute; muito pol&iacute;tica. Al&eacute;m do subfinanciamento, da m&aacute; gest&atilde;o e da corrup&ccedil;&atilde;o, os servi&ccedil;os de sa&uacute;de ficam &agrave; merc&ecirc; das trocas de comando nas Secretarias. Assim, as pol&iacute;ticas s&atilde;o descont&iacute;nuas&rdquo;, destaca a m&eacute;dica e coordenadora do CEEMM Sandra Valongueiro.<\/p>\n<p>Em 2011, o governo federal lan&ccedil;ou a Rede Cegonha, principal programa de sa&uacute;de materno-infantil que prev&ecirc; um acompanhamento amplo, oferecendo atendimento integral desde o pr&eacute;-natal at&eacute; o puerp&eacute;rio. A situa&ccedil;&atilde;o do programa em Pernambuco, nesse momento, &eacute; dif&iacute;cil de avaliar. &ldquo;Ele est&aacute; perdido&rdquo;, observa Sandra Valongueiro, argumentando que isso reflete &ldquo;a falta de articula&ccedil;&atilde;o entre as esferas de poder, criando um cen&aacute;rio no qual os munic&iacute;pios enfrentam muitos problemas para gerir os servi&ccedil;os e pol&iacute;ticas de sa&uacute;de. Nesse percurso, a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o e do atendimento &eacute; prejudicada&rdquo;.<\/p>\n<p><b>Aborto fora de cena<\/b><\/p>\n<p>Uma das principais cr&iacute;ticas &agrave; Rede Cegonha destaca que nem sempre os problemas est&atilde;o na execu&ccedil;&atilde;o. A perspectiva materno-infantil, como apontam pesquisadores e feministas,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=8065\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">esvazia o modelo de integralidade da sa&uacute;de feminina<\/a>&nbsp;ao priorizar a &oacute;tica materno-infantil em detrimento, por exemplo, &agrave; quest&atilde;o do aborto.<\/p>\n<p>Criminalizado no pa&iacute;s, a n&atilde;o ser em casos de gesta&ccedil;&atilde;o resultante de estupro, com risco de morte &agrave; gestante ou de feto anenc&eacute;falo, o aborto &eacute; uma pr&aacute;tica disseminada clandestinamente. De acordo com a pesquisa Nacional do Aborto (2010), uma em cada cinco mulheres brasileiras j&aacute; interrompeu voluntariamente a gesta&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos, tem sido um tema raramente abordado pelo Governo Federal e pelo Congresso em termos de autonomia e sa&uacute;de. Pelo contr&aacute;rio, setores religiosos dogm&aacute;ticos t&ecirc;m explorado o assunto como forma de chantagear eleitoralmente as autoridades. Assim, a legisla&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas pouco avan&ccedil;am, quando n&atilde;o retrocedem no compasso dos discursos conservadores.<\/p>\n<p>A manuten&ccedil;&atilde;o da ilegalidade agrava a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres, pois refor&ccedil;a as desigualdades sociais. Afinal, as mulheres com condi&ccedil;&otilde;es financeiras conseguem interromper a gesta&ccedil;&atilde;o em cl&iacute;nicas, em condi&ccedil;&otilde;es seguras. Ao passo que as mais pobres, geralmente recorrem a m&eacute;todos prec&aacute;rios e inseguros, contribuindo para que o aborto seja a quinta causa de mortalidade materna no pa&iacute;s. &ldquo;Infelizmente, o aborto &eacute; uma quest&atilde;o residual. N&atilde;o trat&aacute;-lo como uma quest&atilde;o de sa&uacute;de n&atilde;o est&aacute; de acordo com uma abordagem de direitos humanos. Al&eacute;m disso, dificulta os esfor&ccedil;os de redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de mortalidade materna&rdquo;, destaca Sandra Valongueiro.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o da mortalidade de materna no Brasil parece contrastar com a mortalidade infantil &ndash; que foi reduzida de maneira consistente nos &uacute;ltimos anos. O investimento em imuniza&ccedil;&atilde;o o incentivo &agrave; amamenta&ccedil;&atilde;o contribu&iacute;ram seguramente para o panorama atual. No entanto, a morte de beb&ecirc;s com at&eacute; seis dias continua alta e com &iacute;ndices desiguais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s regi&otilde;es do pa&iacute;s: por exemplo, em 2011, de acordo com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, o Amap&aacute; (regi&atilde;o Norte) teve 12,3 mortes de beb&ecirc;s at&eacute; seis dias por mil nascidos vivos; Mato Grosso (regi&atilde;o Centro-Oeste) apresentou 9,2 mortes; j&aacute; S&atilde;o Paulo (regi&atilde;o Sudeste) e Rio Grande do Sul (regi&atilde;o Sul), estados mais desenvolvidos, tiveram, respectivamente, 5,7 e 5,4 mortes de neonatos.<\/p>\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser vista sen&atilde;o como um reflexo das limita&ccedil;&otilde;es da rede de sa&uacute;de materno-infantil. O modelo de assist&ecirc;ncia obst&eacute;trico dominante tem sido o da interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, no qual o parto e o nascimento s&atilde;o entendidos como procedimentos. Nas escolas de medicina, a forma&ccedil;&atilde;o privilegia a l&oacute;gica intervencionista para lidar com o parto. Tanto em hospitais p&uacute;blicos quanto privados, os partos ces&aacute;reos predominam &ndash; representam 52% dos partos realizados no pa&iacute;s, muito acima dos 15% recomendados pela OMS -, o que cientificamente tem sido desaconselhado diante dos riscos criados para m&atilde;e e filho.<\/p>\n<p>Do marco dos direitos humanos, a participa&ccedil;&atilde;o e o controle social, assim como os instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de contas parecem apontar os caminhos por onde deve se seguir para que, de fato, a situa&ccedil;&atilde;o mude. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de estabeleceu em 2011 o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (PMAQ), destinado a avaliar a aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Este instrumento permite &agrave; sociedade civil acompanhar e demandar mudan&ccedil;as no sistema de sa&uacute;de. &ldquo;Sabemos que a qualidade dos servi&ccedil;os &eacute; muitas vezes prec&aacute;ria, por in&uacute;meras raz&otilde;es. No caso da sa&uacute;de materno-infantil, &eacute; preciso acima de tudo controle social, do qual os comit&ecirc;s de morte materna s&atilde;o um instrumento importante. Precisamos trabalhar no n&iacute;vel micro, empoderando as mulheres no sentido de mostrar seus direitos e suas vulnerabilidades, e no n&iacute;vel macro, cobrando das institui&ccedil;&otilde;es que prestem contas, assumam suas responsabilidades e ajam para que a perspectiva de direitos humanos seja uma realidade e n&atilde;o apenas uma concep&ccedil;&atilde;o&rdquo;, conclui Sandra Valongueiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>En el Brasil, una pol\u00edtica de salud concebida en el marco de los derechos humanos permiti\u00f3 reducir consistentemente las tasas de mortalidad infantil. 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