{"id":995,"date":"2014-09-24T00:00:00","date_gmt":"2014-09-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/09\/24\/falsa-alarma\/"},"modified":"2014-09-24T00:00:00","modified_gmt":"2014-09-24T03:00:00","slug":"falsa-alarma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/falsa-alarma\/995\/","title":{"rendered":"Falsa alarma"},"content":{"rendered":"<p>&Agrave;s v&eacute;speras da Copa do Mundo de Futebol, realizada em 12 capitais do Brasil, uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.clam.org.br\/noticias-clam\/conteudo.asp?cod=11619\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem do CLAM<\/a>&nbsp;analisava o alarmismo em torno de uma suposta associa&ccedil;&atilde;o entre a realiza&ccedil;&atilde;o de grandes eventos esportivos e o aumento da explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes e do tr&aacute;fico de pessoas. Relat&oacute;rio do Observat&oacute;rio da Prostitui&ccedil;&atilde;o (LeMetro\/IFCS\/UFRJ) publicado dois meses ap&oacute;s o encerramento do torneio, no entanto, mostra que n&atilde;o apenas o com&eacute;rcio do sexo retraiu-se durante o torneio, como tamb&eacute;m n&atilde;o houve aumento substantivo da prostitui&ccedil;&atilde;o nem tampouco da explora&ccedil;&atilde;o sexual de menores, que pudesse ser atribu&iacute;da ao crescimento do com&eacute;rcio do sexo por efeito da presen&ccedil;a massiva de turistas sexuais.<\/p>\n<p>O&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sxpolitics.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/relatorio_portugues.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat&oacute;rio<\/a>&nbsp;&eacute; fruto de mais de duas mil horas de pesquisa etnogr&aacute;fica nas principais &aacute;reas de com&eacute;rcio sexual no Rio de Janeiro, totalizando 83 pontos de prostitui&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, traz entrevistas com 116 profissionais do sexo que trabalharam durante o torneio. Para a maioria delas, a Copa do Mundo foi considerada &ldquo;ruim&rdquo;. Apesar do aumento robusto de turistas, em 60 pontos a queda estimada de clientes variou de 30% a 50% entre os dias 12 de junho e 13 de julho.<\/p>\n<p>Alguns aspectos explicam esse cen&aacute;rio. O perfil dos turistas que vieram ao Rio era predominantemente de latino-americanos, com poucos recursos financeiros. Outro fator importante &eacute; o fato de a prefeitura da cidade do Rio ter decretado feriado em dias de jogos no Maracan&atilde; e de partidas da sele&ccedil;&atilde;o brasileira. Isso afetou significativamente a presen&ccedil;a de trabalhadores no centro da cidade e na Vila Mimosa &ndash; duas regi&otilde;es de grande concentra&ccedil;&atilde;o de pontos &ndash;, que deixaram de receber o contingente que diariamente acessa os servi&ccedil;os das profissionais do sexo. Muitas delas instalaram-se na regi&atilde;o de Copacabana, dando a falsa impress&atilde;o de que o com&eacute;rcio do sexo aumentara na cidade.<\/p>\n<p>Mesmo com essa concentra&ccedil;&atilde;o, a orla da Zona Sul n&atilde;o foi um territ&oacute;rio livre para a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes, conforme observaram os pesquisadores envolvidos no relat&oacute;rio. Tamb&eacute;m o Conselho Tutelar da Zona Sul n&atilde;o registrou nenhuma den&uacute;ncia do tipo, contrariando a associa&ccedil;&atilde;o, sistematicamente difundida em meios de comunica&ccedil;&atilde;o, entre eventos esportivos e explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e jovens. A express&atilde;o &ldquo;turismo sexual&rdquo; frequenta o notici&aacute;rio geralmente como sin&ocirc;nimo de explora&ccedil;&atilde;o e abuso de crian&ccedil;as e adolescentes, embora a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a entenda como uma pr&aacute;tica leg&iacute;tima em que indiv&iacute;duos viajam para outros pa&iacute;ses em busca de rela&ccedil;&otilde;es sexuais, normalmente de natureza comercial, com residentes. Na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, nem h&aacute; men&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria de &ldquo;turismo sexual&rdquo; como crime. Da mesma forma, a pr&aacute;tica da prostitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o figura como criminosa no C&oacute;digo Penal, embora para o &lsquo;rufianismo&rsquo; (vulgo cafetinagem) &ndash; tirar proveito e lucrar a partir da prostitui&ccedil;&atilde;o alheia &ndash; preveja pena de at&eacute; quatro de pris&atilde;o. J&aacute; o abuso sexual ou quaisquer pr&aacute;ticas sexuais que n&atilde;o envolvam consentimento s&atilde;o, sim, considerados crimes, agravados no caso de v&iacute;timas menores de idade.<\/p>\n<p>Tais discursos tamb&eacute;m s&atilde;o sistematicamente propagados por atores estatais, entidades e lideran&ccedil;as religiosas e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. O resultado s&atilde;o representa&ccedil;&otilde;es dominantes que unificam, em uma linguagem de p&acirc;nico moral, prostitui&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes e tr&aacute;fico de pessoas.<\/p>\n<p>&ldquo;S&atilde;o discursos de ordem moral, com uma pitada de xenofobia. H&aacute; um senso comum de que a explora&ccedil;&atilde;o e o abuso sexual de crian&ccedil;as e adolescentes s&atilde;o pr&aacute;ticas exclusivas de estrangeiros. Na verdade, os turistas est&atilde;o longe de serem os exploradores. Os abusos s&atilde;o geralmente perpetrados por pessoas dos c&iacute;rculos mais &iacute;ntimos, como familiares, ou por religiosos e policiais&rdquo;, observa o antrop&oacute;logo e professor da UFRJ Thaddeus Blanchette, integrante do Observat&oacute;rio da Prostitui&ccedil;&atilde;o. Blanchette lembra que, durante a 28&ordf; Jornada Mundial da Juventude, organizada pelo Vaticano e sediada na cidade do Rio de Janeiro em 2013, n&atilde;o foi notada nenhuma associa&ccedil;&atilde;o entre o evento, tamb&eacute;m de escala mundial e que reuniu quase quatro milh&otilde;es de pessoas, e a pr&aacute;tica de explora&ccedil;&atilde;o sexual. &ldquo;H&aacute; certos vieses que s&atilde;o muito claros. Presume-se que eventos esportivos sejam um territ&oacute;rio f&eacute;rtil para um descontrole sexual, enquanto contraditoriamente um evento da Igreja Cat&oacute;lica, institui&ccedil;&atilde;o not&oacute;ria por encobrir casos de abuso sexual, n&atilde;o entre nessa l&oacute;gica. O que orienta tal vi&eacute;s, no final das contas, &eacute; o preconceito&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>Em 2011, a Global Alliance Against Traffic in Women (GATTW) publicou&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gaatw.org\/publications\/WhatstheCostofaRumour.11.15.2011.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat&oacute;rio<\/a>&nbsp;questionando os rumores que associam grandes eventos esportivos ao aumento de tr&aacute;fico de pessoas. Analisando dados das Copas do Mundo da &Aacute;frica do Sul (2010) e Alemanha (2006), dos Jogos Ol&iacute;mpicos de Atenas (2004) e o Super Bowl (final da liga de futebol americano) de 2008, 2009 e 2011, a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o encontrou aumento significativo ou mesmo ocorr&ecirc;ncia de tr&aacute;fico de pessoas durante os eventos.<\/p>\n<p>Apesar dos estudos que desmentem o mito do tr&aacute;fico de pessoas em contextos de grandes eventos, autoridades e alguns meios de comunica&ccedil;&atilde;o insistem na tese. Esse tipo de cen&aacute;rio favorece a cria&ccedil;&atilde;o de um clima de &ldquo;cruzada&rdquo; no qual a repress&atilde;o e a atua&ccedil;&atilde;o policial aparecem como &ldquo;solu&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Se as autoridades estivessem de fato informadas ou interessadas sobre o que acontece, mudariam suas a&ccedil;&otilde;es. O mesmo vale para os jornalistas em geral, que poderiam construir outro olhar sobre a quest&atilde;o do com&eacute;rcio sexual. Pesquisas como a do Observat&oacute;rio da Prostitui&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;am o que outros estudos j&aacute; apontaram, sem que isso seja divulgado criticamente ou absorvido pelos atores estatais&rdquo;, observa Thaddeus Blanchette.<\/p>\n<p>A&nbsp;Folha de S&atilde;o Paulo, um dos principais di&aacute;rios do Brasil, veiculou uma s&eacute;rie de reportagens privilegiando a associa&ccedil;&atilde;o entre a Copa do Mundo e a explora&ccedil;&atilde;o sexual. &ldquo;<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2014\/06\/1463271-sedes-atraem-prostitutas-adolescentes.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sedes atraem prostitutas adolescentes<\/a>&rdquo; foi uma das mat&eacute;rias publicadas dias antes do in&iacute;cio do torneio.&nbsp;O Estado de S&atilde;o Paulo&nbsp;tamb&eacute;m enfatizou a rela&ccedil;&atilde;o entre a Copa e o aumento da prostitui&ccedil;&atilde;o, destacando que &ldquo;<a href=\"http:\/\/esportes.estadao.com.br\/noticias\/futebol,durante-a-copa-do-mundo-prostituicao-cresce-a-noite,1518046\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com v&aacute;rios turistas brasileiros e estrangeiros, o aumento da prostitui&ccedil;&atilde;o no Rio de Janeiro &eacute; alarmante<\/a>&rdquo;. A&nbsp;BBC Brasil&nbsp;manteve o<a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/videos_e_fotos\/2014\/06\/140604_exploracao_sexual_vale_jc_hb.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tom geral dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o<\/a>, noticiando a preocupa&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o dos Jogos em Recife (Pernambuco) com a prostitui&ccedil;&atilde;o infantil. O relat&oacute;rio do Observat&oacute;rio da Prostitui&ccedil;&atilde;o revela que em Recife, por exemplo, muitas prostitutas tamb&eacute;m consideraram que o evento n&atilde;o favoreceu o com&eacute;rcio do sexo.&nbsp;&ldquo;A Copa nem passou por aqui&rdquo;, relatou uma trabalhadora do sexo que fez ponto no centro da cidade durante o torneio.<\/p>\n<p>Tais discursos de natureza moral t&ecirc;m efeitos prejudiciais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s prostitutas, particularmente em se tratando de sa&uacute;de. Leis penais e pr&aacute;ticas repressivas contra a prostitui&ccedil;&atilde;o dificultam a preven&ccedil;&atilde;o e o tratamento da epidemia do HIV\/Aids entre as profissionais do sexo &ndash; a preval&ecirc;ncia do v&iacute;rus entre as prostitutas &eacute; 13 vezes maior do que entre a popula&ccedil;&atilde;o geral -, conforme aponta&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.worldbank.org\/content\/dam\/Worldbank\/document\/GlobalHIVEpidemicsAmongSexWorkers.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat&oacute;rio do Banco Mundial de 2013<\/a>. De acordo com o estudo do Observat&oacute;rio da Prostitui&ccedil;&atilde;o, com o clima de p&acirc;nico moral criado, faltaram a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o a doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis (DSTs) durante a Copa do Mundo. No Rio de Janeiro, n&atilde;o foram vistos agentes de preven&ccedil;&atilde;o distribuindo preservativos, tampouco iniciativas que facilitassem o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. O cen&aacute;rio &eacute; compreens&iacute;vel: os esfor&ccedil;os de todos os n&iacute;veis de governo estavam t&atilde;o concentrados no combate &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual que os recursos foram pouco empenhados para a preven&ccedil;&atilde;o de DSTs. &ldquo;As trabalhadoras sexuais foram colocadas em risco. Os governos negligenciaram o direito delas, bem como a sa&uacute;de p&uacute;blica, em nome do fantasma da explora&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo;, critica Thaddeus Blanchette.<\/p>\n<p>A mobiliza&ccedil;&atilde;o de setores feministas tamb&eacute;m tem contribuindo para que o imagin&aacute;rio moral e repressivo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o se fortale&ccedil;a. Thaddeus Blanchette atribui esse deslocamento ao &ldquo;feminismo carceral&rdquo;, termo cunhado pela soci&oacute;loga norte-americana Elizabeth Bernstein para a tend&ecirc;ncia contempor&acirc;nea de lidar com problemas sociais atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a. &ldquo;&Eacute; uma ideia que infelizmente domina a pol&iacute;tica para as mulheres em n&iacute;vel federal no Brasil e conta com muitos adeptos no movimento feminista, como a Marcha Mundial das Mulheres. Essa mentalidade parte do pressuposto de que mais leis, mais armas, mais repress&atilde;o garantem direitos. O que, do meu ponto de vista, &eacute; um equ&iacute;voco enorme, especialmente no Brasil, onde a pol&iacute;cia tende a ser violenta e mata milhares de pessoas ao ano. &Eacute; uma incapacidade de an&aacute;lise social preocupante&rdquo;, aponta Thaddeus Blanchette, que faz um paralelo com a guerra &agrave;s drogas. &ldquo;A criminaliza&ccedil;&atilde;o das drogas est&aacute; centrada na repress&atilde;o &agrave; demanda, punindo o usu&aacute;rio e o comprador. No entanto, o consumo n&atilde;o foi reduzido e o que temos assistido nos &uacute;ltimos anos &eacute; o fracasso total desse modelo. Se n&atilde;o deu certo com as drogas, por que daria certo com a prostitui&ccedil;&atilde;o?&rdquo;, questiona Thaddeus Blanchette.<\/p>\n<p>No Congresso Brasileiro, tramita o projeto de&nbsp;<a href=\"http:\/\/4.211\/2012 - http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra;jsessionid=8E2B8C9238D81D323A667F0A95AE3B4C.node2?codteor=1012829&amp;filename=PL+4211\/2012\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei Gabriela Leite<\/a>, em homenagem &agrave; prostituta militante morta em 2013 e que se destacou na luta pelos direitos das trabalhadoras do sexo. Proposto pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o texto define o trabalho sexual para pessoas maiores de 18 anos, regulamenta o funcionamento das casas de prostitui&ccedil;&atilde;o e disp&otilde;e sobre direitos previdenci&aacute;rios. Procura, nesse sentido, retomar o debate sobre trabalho sexual em termos democr&aacute;ticos e pluralistas, dentro de uma perspectiva de direitos humanos, escapando do tom moralista que tem ganhado espa&ccedil;o nos &uacute;ltimos tempos e que foi fartamente explorado no contexto da Copa do Mundo.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o soluciona todos os problemas, mas indica caminhos que a discuss&atilde;o pode tomar, garantindo os direitos do trabalhador sexual e definindo marcos legais necess&aacute;rios para fazer enfrentamento &agrave; p&eacute;ssima qualidade dos discursos dominantes que circulam nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o proferidos e materializados por autoridades estatais, com o apoio de alguns setores da sociedade civil organizada&rdquo;, conclui Thaddeus Blanchette.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesar de las sonoras advertencias y campa\u00f1as de actores estatales, de la sociedad civil y de prensa comercial, el Mundial de F\u00fatbol del Brasil no trajo un aumento de la trata y explotaci\u00f3n sexual de ni\u00f1os\/as y adolescentes. Informe del Observatorio de la Prostituci\u00f3n (LeMetro\/UFRJ) muestra que, en realidad, el comercio sexual se retrajo en las ciudades sede del torneo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i\n<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-995","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Falsa alarma - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/falsa-alarma\/995\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Falsa alarma - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A pesar de las sonoras advertencias y campa\u00f1as de actores estatales, de la sociedad civil y de prensa comercial, el Mundial de F\u00fatbol del Brasil no trajo un aumento de la trata y explotaci\u00f3n sexual de ni\u00f1os\/as y adolescentes. 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