{"id":997,"date":"2014-10-08T00:00:00","date_gmt":"2014-10-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/10\/08\/nada-que-elegir\/"},"modified":"2014-10-08T00:00:00","modified_gmt":"2014-10-08T03:00:00","slug":"nada-que-elegir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/nada-que-elegir\/997\/","title":{"rendered":"Nada que elegir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Washington Castilhos<\/em><\/p>\n<p>Ad&eacute;laide Herculine Barbin nasceu em 1838 em Saint-Jean-D&rsquo;Ang&eacute;ly, Fran&ccedil;a, com uma genit&aacute;lia que variava do padr&atilde;o culturalmente vigente do binarismo sexual, e logo lhe foi assignado o sexo feminino. Mas ao apaixonar-se por uma mulher j&aacute; na fase adulta, teve que assumir &ndash; por ordem judicial &ndash; uma identidade masculina, passando a chamar-se Abel. Como no s&eacute;culo XIX n&atilde;o havia interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica nesse processo, foi necess&aacute;rio apenas um novo registro. Ap&oacute;s a mudan&ccedil;a de sexo, por&eacute;m, Abel cometeu suic&iacute;dio, em fun&ccedil;&atilde;o de sua dificuldade em fazer a transi&ccedil;&atilde;o do feminino para o masculino. O caso &eacute; hoje conhecido principalmente depois que Michel Foucault republicou as mem&oacute;rias de Herculine Abel na sua cole&ccedil;&atilde;o &ldquo;Vidas Paralelas&rdquo;, e assinou a introdu&ccedil;&atilde;o da edi&ccedil;&atilde;o em ingl&ecirc;s da publica&ccedil;&atilde;o. Nesse pr&oacute;logo, Foucault destaca o objetivo das institui&ccedil;&otilde;es sociais de restringir&nbsp;&ldquo;<em>a livre escolha de indiv&iacute;duos indeterminados<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>Foucault &ndash; que em seus estudos sobre as defini&ccedil;&otilde;es de &ldquo;anormalidade&rdquo; analisa as diferentes medidas &ldquo;reguladoras&rdquo; que reca&iacute;am sobre os indiv&iacute;duos hermafroditas &ndash; interessa-se pelo caso de Herculine para criticar a assigna&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica de um verdadeiro sexo, notando como os esfor&ccedil;os legais para controlar a identidade de g&ecirc;nero j&aacute; ocorriam na &eacute;poca de Barbin. Desde ent&atilde;o, o texto autobiogr&aacute;fico, originalmente publicado pelo m&eacute;dico Ambroise Tardieu em 1872, ser&aacute; lido atrav&eacute;s de Foucault, portanto a partir da cr&iacute;tica &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o do sexo e ao poder m&eacute;dico.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria de Barbin prova o que os estudos feministas v&ecirc;m dizendo h&aacute; d&eacute;cadas: o sexo tamb&eacute;m &eacute; constru&iacute;do. No relato, Herculine pede a um padre para que o seu verdadeiro sexo seja conhecido.&nbsp;&ldquo;<em>Barbin demandou o reconhecimento de seu verdadeiro sexo<\/em>&rdquo;, assinalou o soci&oacute;logo franc&ecirc;s Eric Fassin em recente palestra no Instituto de Medicina Social (IMS\/UERJ), onde fez uma releitura do texto de Herculine Abel, Mas o que constitui a verdade de um sexo? &Eacute; poss&iacute;vel produzir &ldquo;verdadeiros&rdquo; homens e &ldquo;verdadeiras&rdquo; mulheres?<\/p>\n<p>Na narrativa, percebe-se que sexo\/g&ecirc;nero n&atilde;o t&ecirc;m a ver com anatomia, exceto no que diz respeito &agrave; menstrua&ccedil;&atilde;o e &agrave; pilosidade. O texto n&atilde;o faz refer&ecirc;ncia aos &oacute;rg&atilde;os genitais. O que leva Barbin a dizer&nbsp;&lsquo;<em>sou um homem<\/em>&rsquo;&nbsp;&eacute; por que ele faz amor com uma mulher, no caso sua companheira Sarah.&nbsp;&ldquo;<em>Ou seja, &eacute; a heteronorma que faz o sexo<\/em>&rdquo;, observou Fassin.<\/p>\n<p>As mem&oacute;rias de Herculine Barbin s&atilde;o um guia para pensar a intersexualidade e para criticar a imposi&ccedil;&atilde;o do sexo. Sua hist&oacute;ria mostra o quanto &eacute; dif&iacute;cil pensar uma exist&ecirc;ncia fora dos limites dicot&ocirc;micos do sexo (masculino ou feminino), j&aacute; que o sexo se apresenta como tudo o que define uma pessoa. Mas e quando tal pessoa n&atilde;o se enquadra nesse binarismo? Em&nbsp;<em>Undoing gender<\/em> (2004), Judith Butler pergunta que vidas e que corpos podem viver fora desses par&acirc;metros. Herculine Barbin n&atilde;o conseguiu. Ao n&atilde;o se reconhecer no sujeito que lhe foi imposto, Barbin se suicidou.<\/p>\n<p>&ldquo;Herculine-homem se queixa muito. &Eacute; um heterossexual muito infeliz. Ele fala de casamento, h&aacute; um momento em que fala de gravidez.&nbsp;&lsquo;<em>Serei um marido horr&iacute;vel<\/em>&rsquo;, diz ele,&nbsp;&lsquo;<em>porque fui uma mulher, conhe&ccedil;o por dentro o que &eacute; ser uma mulher&#8230; n&atilde;o poderei nunca ser um bom marido num mundo gravado na diferen&ccedil;a sexual<\/em>&rsquo;&rdquo;, lembrou Fassin.<\/p>\n<p>Foucault atribui a imposi&ccedil;&atilde;o do sexo como causa do seu suic&iacute;dio. Na palestra realizada no IMS\/UERJ, Fassin apresentou outra interpreta&ccedil;&atilde;o &agrave;quela oferecida por Foucault. &ldquo;A felicidade com sua companheira Sarah vinha de uma combina&ccedil;&atilde;o entre homossociabilidade e a heterossexualidade. O sofrimento n&atilde;o vem da imposi&ccedil;&atilde;o, mas da impossibilidade de juntar homossociabilidade e heterossexualidade. Herculine era um intersexual verdadeiro&rdquo;, afirmou o soci&oacute;logo franc&ecirc;s.<\/p>\n<p>Algo semelhante aconteceu com o canadense David Reimer. Ainda crian&ccedil;a, ap&oacute;s sofrer uma complica&ccedil;&atilde;o durante um procedimento de circuncis&atilde;o que o fez perder o p&ecirc;nis, Reimer teve o sexo reformulado e foi transformado em uma menina, por sugest&atilde;o do psic&oacute;logo norte-americano John Money. Em maio de 2004, aos 38 anos, suicidou-se ap&oacute;s uma longa hist&oacute;ria de &ldquo;corre&ccedil;&otilde;es&rdquo; cir&uacute;rgicas.<\/p>\n<p>Os dilemas vividos por Barbin e Reimer aparecem recolocados no debate atual sobre a necessidade da cirurgia em casos de crian&ccedil;as e jovens intersex, nascidos com o que, na linguagem biom&eacute;dica contempor&acirc;nea, denomina-se &ldquo;genit&aacute;lia amb&iacute;gua&rdquo; ou &ldquo;genit&aacute;lia incompletamente formada&rdquo; (com a genit&aacute;lia interna e\/ou externa nem claramente feminina nem claramente masculina). A cr&iacute;tica ao modelo centrado na cirurgia &ndash; dada a insatisfa&ccedil;&atilde;o por ela gerada &ndash; e o olhar generificado sobre a anatomia s&atilde;o temas estudados pela pesquisadora Paula Sandrine Machado na tese de doutorado&nbsp;&ldquo;<em>O sexo dos anjos<\/em>&rdquo;, a ser lan&ccedil;ada em livro na cole&ccedil;&atilde;o <em>Sexualidade, g&ecirc;nero e sociedade<\/em>&nbsp;(CLAM\/Eduerj).<\/p>\n<p>O trabalho de Paula Sandrine refor&ccedil;a o argumento de que o sexo &eacute; t&atilde;o constru&iacute;do na cultura quanto o g&ecirc;nero e de que aquilo que &eacute; considerado &ldquo;natural&rdquo; dentro das normas sociais deve ser relativizado. A partir de trabalho de campo realizado em ambulat&oacute;rios de cirurgia\/urologia pedi&aacute;trica de um hospital no Rio Grande do Sul (Brasil) e outro de Paris (Fran&ccedil;a), a pesquisadora demonstra como no manejo m&eacute;dico dos corpos&nbsp;intersex&nbsp;h&aacute; uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre a no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;natural&rdquo; e aquilo que &eacute; considerado o &ldquo;ideal&rdquo; de corpo dentro das normas sociais baseadas na ideia da &ldquo;natureza bin&aacute;ria&rdquo; inscrita nos genitais.<\/p>\n<p>Segundo a autora, no processo de tomada de decis&atilde;o no contexto das cirurgias &ldquo;reparadoras&rdquo; dos genitais de crian&ccedil;as intersex, a dicotomia (masculino\/feminino) &eacute; uma refer&ecirc;ncia importante. Assim, o&nbsp;parecer&nbsp;com um p&ecirc;nis ou com uma vagina &ldquo;normais&rdquo; &eacute; de fundamental import&acirc;ncia para o resultado est&eacute;tico p&oacute;s-cir&uacute;rgico, j&aacute; que, em culturas como a nossa, o que prevalece &eacute; a concep&ccedil;&atilde;o de que o sexo s&oacute; pode ser de homem ou de mulher e ningu&eacute;m pode ficar indefinidamente fora dessa norma.<\/p>\n<p><em>Os corpos intersex s&atilde;o, portanto, emblem&aacute;ticos porque desafiam o sistema bin&aacute;rio de sexo e de g&ecirc;nero<\/em>, salienta a autora. Por sua vez, como consequ&ecirc;ncia desse racioc&iacute;nio, o corpo n&atilde;o &ldquo;corrigido&rdquo; ser&aacute; considerado n&atilde;o natural. Para essas crian&ccedil;as, portanto, a reconstru&ccedil;&atilde;o de uma vagina ou de um p&ecirc;nis aparece quase como uma reivindica&ccedil;&atilde;o social, uma forma de reinser&ccedil;&atilde;o social desses corpos desviantes, dentro dos par&acirc;metros corporais que tomam a dicotomia como norma e como verdade..<\/p>\n<p>Em seu trabalho de campo, Paula Sandrine Machado p&ocirc;de observar que uma s&eacute;rie de crit&eacute;rios orienta o saber m&eacute;dico na dire&ccedil;&atilde;o do sexo que se pretende construir a partir do momento que este saber apresenta o diagn&oacute;stico aos familiares das crian&ccedil;as e jovens. Para o sexo feminino, por exemplo, os fatores mais levados em conta s&atilde;o a capacidade reprodutiva e a possibilidade de reconstru&ccedil;&atilde;o anat&ocirc;mica de uma vagina. Para o sexo masculino s&atilde;o o tamanho e a capacidade er&eacute;til do p&ecirc;nis, de penetrar adequadamente uma vagina, a capacidade reprodutiva (o que &eacute; associado &agrave; ejacula&ccedil;&atilde;o) e de urinar de p&eacute;. Nota-se que tem de haver uma coer&ecirc;ncia fundamentada no dimorfismo sexual. O sexo constru&iacute;do tem de estar de acordo com as expectativas sociais e estere&oacute;tipos masculinos ou femininos esperados para aquele sexo. Assim, enquanto a capacidade reprodutiva apresenta-se como elemento importante na decis&atilde;o de defini&ccedil;&atilde;o para o sexo feminino &ndash; muito embora Simone de Beauvoir tenha sinalizado que para as mulheres a maternidade n&atilde;o &eacute; necessariamente o destino &ndash;, o desempenho sexual (p&ecirc;nis penetrativo, de bom tamanho e capacidade er&eacute;til) tem o mesmo status de import&acirc;ncia para o sexo masculino.<\/p>\n<p>Segundo Paula Sandrine, dentro da l&oacute;gica biom&eacute;dica, o sucesso terap&ecirc;utico a partir do diagn&oacute;stico est&aacute; em atingir uma harmonia minimamente satisfat&oacute;ria entre o sexo constru&iacute;do e o sexo verdadeiro, aquele que Herculine Barbin pediu ao padre que lhe revelasse. No entanto, determinadas quest&otilde;es em torno da decis&atilde;o pelas cirurgias nos genitais de crian&ccedil;as e jovens intersex est&atilde;o longe de um consenso. Questiona-se o momento mais apropriado para realiz&aacute;-las, quem deve decidir sobre o sexo de uma pessoa e, ainda, se a opera&ccedil;&atilde;o deve ser feita.<\/p>\n<p>Outro questionamento interessante &eacute; se esse tipo de interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poderia ser pensado atrav&eacute;s da ideia de mutila&ccedil;&atilde;o, como o s&atilde;o outras interven&ccedil;&otilde;es em grande medida an&aacute;logas. Ao analisar alguns exemplos de interven&ccedil;&otilde;es que envolvem cortes no corpo humano, a antrop&oacute;loga Mariza Corr&ecirc;a, professora do departamento de Antropologia da Unicamp, questiona at&eacute; que ponto pr&aacute;ticas de mutila&ccedil;&atilde;o genital consideradas &ldquo;primitivas&rdquo; &ndash; como a retirada do clit&oacute;ris (a clitoridectomia) em pa&iacute;ses isl&acirc;micos &ndash; est&atilde;o de fato desvinculadas de outras pr&aacute;ticas realizadas no mundo ocidental, tidas como &ldquo;normais&rdquo; &ndash; como a circuncis&atilde;o nos meninos, a episiotomia nas parturientes e as cirurgias &ldquo;reparadoras&rdquo; nas pessoas intersex.<\/p>\n<p>A an&aacute;lise de Mariza Corr&ecirc;a nos permite relativizar n&atilde;o s&oacute; essas diferen&ccedil;as culturais, como tamb&eacute;m a necessidade de &ldquo;defini&ccedil;&atilde;o do sexo&rdquo; decorrente do diagn&oacute;stico m&eacute;dico relacionado &agrave; intersexualidade, baseado na naturaliza&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o corporal bin&aacute;rio (masculino\/feminino) estabelecido culturalmente.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso refletir sobre o significado de uma pr&aacute;tica legitimada por um saber biom&eacute;dico constitu&iacute;do como verdade, que patologiza transexuais e intersexuais, enquadrando-os na l&oacute;gica normativa e da corre&ccedil;&atilde;o. Grupos de ativismo intersex contestam a patologiza&ccedil;&atilde;o da intersexualidade e a exig&ecirc;ncia social de ter de escolher entre ser um homem ou uma mulher, posi&ccedil;&atilde;o resumida na indaga&ccedil;&atilde;o&nbsp;&ldquo;<em>E se n&atilde;o h&aacute; nada a escolher?<\/em>&rdquo;, feita por Alex, personagem intersex do filme&nbsp;XXY. Para os ativistas, ser um indiv&iacute;duo intersex &eacute; mais uma possibilidade, e n&atilde;o uma doen&ccedil;a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La \u201cadecuaci\u00f3n\u201d quir\u00fargica de genitales en ni\u00f1os\/as y j\u00f3venes intersex antes de ser capaces de dar su consentimiento es contestada por activistas e investigaciones acerca de los contextos y efectos de esa pr\u00e1ctica. El sufrimiento muchas veces generado por intervenciones impuestas por el poder m\u00e9dico cuestiona la inevitabilidad de la definici\u00f3n de uno u otro sexo. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Nada que elegir - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/nada-que-elegir\/997\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Nada que elegir - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"La \u201cadecuaci\u00f3n\u201d quir\u00fargica de genitales en ni\u00f1os\/as y j\u00f3venes intersex antes de ser capaces de dar su consentimiento es contestada por activistas e investigaciones acerca de los contextos y efectos de esa pr\u00e1ctica. 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