{"id":999,"date":"2014-10-22T00:00:00","date_gmt":"2014-10-22T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/clam.org.br\/es\/2014\/10\/22\/orientacion-sexual-en-la-cie-11\/"},"modified":"2014-10-22T00:00:00","modified_gmt":"2014-10-22T02:00:00","slug":"orientacion-sexual-en-la-cie-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/orientacion-sexual-en-la-cie-11\/999\/","title":{"rendered":"Orientaci\u00f3n sexual en la CIE-11"},"content":{"rendered":"<p>A homossexualidade deixou de ser considerada transtorno mental em 1973 quando a Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psiquiatria decidiu retir&aacute;-la do Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders &ndash; DSM). No entanto, continuou na lista de doen&ccedil;as mentais at&eacute; 1990, quando a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) publicou a vers&atilde;o 10 da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID-10). Embora isoladamente deixasse de ser definida como doen&ccedil;a, esta orienta&ccedil;&atilde;o sexual permaneceu conectada a uma linguagem patologizante por meio de categorias que a associam a dist&uacute;rbios mentais. Diante desse cen&aacute;rio, um grupo de trabalho, comandado pela psic&oacute;loga e epidemiologista Susan Cochran (UCLA) e o psiquiatra Jack Drescher (NY Medical College) &#8211; do qual faz parte Alain Giami (INSERM, Fran&ccedil;a), pesquisador convidado no Programa da C&aacute;tedra Francesa da UERJ -, est&aacute; propondo a elimina&ccedil;&atilde;o de qualquer v&iacute;nculo entre orienta&ccedil;&atilde;o sexual e doen&ccedil;a para a edi&ccedil;&atilde;o 11 da CID.<\/p>\n<p>Na CID-10, o cap&iacute;tulo 5 (Doen&ccedil;as Mentais e Comportamentais) define, atrav&eacute;s das categorias F66, tr&ecirc;s transtornos ligados &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual: &ldquo;sexual maturation disorder&rdquo;, que situa a orienta&ccedil;&atilde;o sexual (homo, hetero ou bissexual) como causa de ansiedade ou depress&atilde;o em raz&atilde;o da incerteza do indiv&iacute;duo quanto ao seu desejo; &ldquo;ego-dystonic sexual orientation&rdquo;, quando o indiv&iacute;duo, embora seguro de sua orienta&ccedil;&atilde;o, deseja mud&aacute;-la; e &ldquo;sexual relationship disorder&rdquo;, manifesta nos casos em que a orienta&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel pela dificuldade em formar ou manter um relacionamento com um parceiro sexual.<\/p>\n<p>&ldquo;A proposta do grupo de trabalho &eacute; eliminar tais categorias, considerando que orienta&ccedil;&atilde;o sexual n&atilde;o &eacute; uma causa de transtorno mental, do ponto de vista biom&eacute;dico, mas uma quest&atilde;o de variabilidade social que n&atilde;o pode ser definida como patol&oacute;gica. &Eacute; uma varia&ccedil;&atilde;o normal das diferen&ccedil;as do comportamento. Assim, a proposta &eacute; n&atilde;o usar a homossexualidade como transtorno ou como causa de doen&ccedil;a&rdquo;, destaca Alain Giami, integrante do grupo de trabalho designado especificamente para revisar o tema da orienta&ccedil;&atilde;o sexual &ndash; h&aacute; outros tr&ecirc;s grupos que revisam o cap&iacute;tulo 5, no tocante a temas como identidade de g&ecirc;nero, parafilias e disfun&ccedil;&otilde;es sexuais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.who.int\/bulletin\/volumes\/92\/9\/14-135541\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No artigo em que sintetizam a proposta do grupo<\/a>, os autores argumentam que as causas da orienta&ccedil;&atilde;o sexual s&atilde;o desconhecidas, mas afirmam que provavelmente reflete um conjunto de fatores gen&eacute;ticos, de exposi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-natal a horm&ocirc;nios, experi&ecirc;ncia de vida e contexto social. A partir disso, destacam que a varia&ccedil;&atilde;o de orienta&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; ub&iacute;qua, em distintas sociedades.<\/p>\n<p>Entretanto, o estigma social &eacute; um tra&ccedil;o comum em diversas sociedades, afetando as pessoas que n&atilde;o se enquadram no modelo hetenormativo &ndash; que situa homem e mulher como seres distintos e complementares com pap&eacute;is naturalmente determinados &ndash; e tamb&eacute;m aquelas que est&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&atilde;o por ra&ccedil;a, etnia, classe social, religi&atilde;o e portadores de defici&ecirc;ncia. Assim, vivendo em contextos de exclus&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia, indiv&iacute;duos homossexuais est&atilde;o expostos a significativo n&iacute;vel de estresse. &ldquo;Evid&ecirc;ncias mostram que gays, l&eacute;sbicas e bissexuais demonstram com frequ&ecirc;ncia graus de estresse maior que os heterossexuais&rdquo;, afirmam os autores no artigo. Nesse sentido, a proposta do grupo &eacute; eliminar as categorias F66 de maneira que a perspectiva biom&eacute;dica n&atilde;o seja a fundamenta&ccedil;&atilde;o para doen&ccedil;as e sofrimentos relacionados &agrave; homossexualidade. A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; vincular os transtornos &ndash; como ansiedade e depress&atilde;o (que acometem pessoas gays ou bissexuais) &ndash; ao ambiente em que vivem, geralmente hostil, designando-os como problemas psicossociais: para isso, s&atilde;o indicadas as categorias Z, que estabelecem protocolos de atendimento para os indiv&iacute;duos que precisam de aconselhamento em mat&eacute;ria de sexualidade, sem a presen&ccedil;a necess&aacute;ria de uma doen&ccedil;a mental. Com essas categorias, a possibilidade de se acessar o sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de seria mantida, na medida em que a despatologiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o representaria uma desmedicaliza&ccedil;&atilde;o das dificuldades, problemas e sofrimento que podem afetar os indiv&iacute;duos.<\/p>\n<p>Do outro lado, alguns profissionais de sa&uacute;de pesquisados alegam, por sua vez, que as categorias F66 podem ser &uacute;teis para melhorar a precis&atilde;o do diagn&oacute;stico, ao servirem como pistas para o trabalho m&eacute;dico, inclusive como sinaliza&ccedil;&atilde;o de outras doen&ccedil;as. Por essa l&oacute;gica, &ldquo;sexual maturation disorder&rdquo; ou &ldquo;sexual relationship disorder&rdquo; poderiam ser mantidos como diagn&oacute;sticos alternativos para o transtorno de g&ecirc;nero &ndash; utilizado para enquadrar indiv&iacute;duos transexuais. Tamb&eacute;m nesse sentido, profissionais de sa&uacute;de afirmam que o estresse em um\/uma pessoa homossexual pode ser evid&ecirc;ncia de &ldquo;ego-dystonic sexual orientation&rdquo;, isto &eacute;, quando o indiv&iacute;duo quer mudar de orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Por&eacute;m, de acordo com os integrantes do grupo de trabalho, isso n&atilde;o permite afirmar que as categorias F66 melhoram a precis&atilde;o de diagn&oacute;stico e, assim, sejam clinicamente &uacute;teis. &ldquo;Uma situa&ccedil;&atilde;o de estresse, por exemplo, pode ser uma resposta adaptada a um acontecimento, sem ser clinicamente relevante. Por isso, n&atilde;o parece haver evid&ecirc;ncia que justifique interven&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para orienta&ccedil;&atilde;o sexual, distintas daquelas utilizadas para doen&ccedil;as como depress&atilde;o e ansiedade. Isso pode levar, inclusive, a um tratamento inapropriado para o paciente. Um estresse ligado a rela&ccedil;&otilde;es sociais ou psicossociais n&atilde;o pode ser considerado transtorno&rdquo;, pondera Alain Giami.<\/p>\n<p>A associa&ccedil;&atilde;o entre orienta&ccedil;&atilde;o sexual e doen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; recente. Na CID-6 (publicada em 1948), a homossexualidade foi pela primeira vez tratada como patologia, sendo classificada como um desvio sexual ligado a um dist&uacute;rbio de personalidade. Contudo,&nbsp;<a href=\"http:\/\/psychology.ucdavis.edu\/faculty_sites\/rainbow\/html\/hooker_address.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisas desenvolvidas ao longo da segunda metade do s&eacute;culo XX<\/a>&nbsp;n&atilde;o corroboraram com a tese. Conforme destacam os autores do artigo do grupo de trabalho da OMS, revis&otilde;es realizadas em publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas importantes mostraram que a &uacute;ltima cita&ccedil;&atilde;o de &ldquo;ego-dystonic-homossexuality&rdquo; foi em 1995. Nem mesmo peri&oacute;dicos sobre desenvolvimento psicossexual t&ecirc;m discutido doen&ccedil;as no campo. Al&eacute;m disso, n&atilde;o obstante a CID ser um marco de refer&ecirc;ncia mundial para o monitoramento em sa&uacute;de p&uacute;blica, as categorias F66 pouco contribuem para esse fim.<\/p>\n<p>Apesar da falta de evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas que sustentem o car&aacute;ter patol&oacute;gico da orienta&ccedil;&atilde;o sexual, tem sido comum no Brasil e&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.politicalresearch.org\/2014\/10\/06\/conversion-therapy-a-bigger-threat-to-africa-than-scott-lively\/#\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em alguns pa&iacute;ses africanos<\/a>&nbsp;a pr&aacute;tica da chamada &ldquo;terapia de reorienta&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo; ou &ldquo;terapia de convers&atilde;o&rdquo;. Formulada e oferecida sobretudo por profissionais da sa&uacute;de ligados a grupos religiosos dogm&aacute;ticos, tal terapia consiste em um conjunto de m&eacute;todos destinados a eliminar a homossexualidade do indiv&iacute;duo, &ldquo;restaurando&rdquo; o desejo por pessoas do outro sexo de modo que as rela&ccedil;&otilde;es sexuais e afetivas sejam heterossexuais. Esse tipo de pr&aacute;tica tem sido amplamente criticado e rejeitado por profissionais de sa&uacute;de, pesquisadores, autoridades e ativistas ao redor do mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, inclusive, desde 1999 uma resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho Federal de Psicologia (CFP) estabelece regras para a atua&ccedil;&atilde;o dos psic&oacute;logos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o sexual, declarando que&nbsp;<i>&quot;a homossexualidade n&atilde;o constitui doen&ccedil;a, nem dist&uacute;rbio ou pervers&atilde;o&quot;<\/i>&nbsp;e que&nbsp;<i>&ldquo;os psic&oacute;logos n&atilde;o colaborar&atilde;o com eventos e servi&ccedil;os que proponham tratamento e\/ou cura da homossexualidade&rdquo;<\/i>.<\/p>\n<p><em><b>A quest&atilde;o dos direitos humanos<\/b><\/em><\/p>\n<p>Para o grupo de trabalho da OMS, terapias que buscam modificar a orienta&ccedil;&atilde;o sexual de uma pessoa est&atilde;o &agrave; margem dos padr&otilde;es &eacute;ticos. Princ&iacute;pios de direitos humanos, especialmente no &acirc;mbito dos direitos sexuais, constituem ferramentas importantes para a proposta de elimina&ccedil;&atilde;o das categorias F66, porque garantem, entre outras prerrogativas, autonomia, liberdade, integridade e escolha livre e respons&aacute;vel para o exerc&iacute;cio e manifesta&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e desejos sexuais de forma segura. Essas ideias t&ecirc;m sido defendidas e promovidas por &oacute;rg&atilde;os internacionais como forma de combater a discrimina&ccedil;&atilde;o por orienta&ccedil;&atilde;o sexual e identidade de g&ecirc;nero, do que s&atilde;o exemplos a aprova&ccedil;&atilde;o no final de setembro de&nbsp;<a href=\"http:\/\/iglhrc.org\/content\/un-human-rights-council-votes-support-lgbt-rights\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">resolu&ccedil;&atilde;<\/a>o pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.worldsexology.org\/resources\/declaration-of-sexual-rights\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Sexuais<\/a>&nbsp;da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de Direitos Sexuais (WAS, sigla em ingl&ecirc;s), que reafirma o respeito e a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual.<\/p>\n<p>N&atilde;o apenas uma quest&atilde;o cient&iacute;fica, mas tamb&eacute;m &ndash; e talvez principalmente &ndash; pol&iacute;tica. As lutas travadas em torno da homossexualidade s&atilde;o antigas, envolvendo diversos tipos de linguagens e discursos. Em 1973, quando a Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psiquiatria (APA) retirou-a do rol de doen&ccedil;as definidas pelo seu Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais (DSM) , a medida refletiu n&atilde;o apenas argumentos cient&iacute;ficos, mas tamb&eacute;m uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as ocorridas ap&oacute;s os anos 1960 e o movimento de libera&ccedil;&atilde;o sexual, momento em que ideias mais inclusivas ganharam densidade em meio &agrave;s tens&otilde;es morais que envolvem quest&otilde;es de sexualidade. Por isso, os grupos de trabalho que trabalham na revis&atilde;o da CID-11 sabem que suas recomenda&ccedil;&otilde;es podem n&atilde;o ser necessariamente aprovadas. As propostas s&atilde;o primeiramente analisadas pelo Comit&ecirc; Central do cap&iacute;tulo sobre transtornos mentais e comportamentais, seguindo para o Comit&ecirc; Geral da CID e, por fim, sendo votadas na Assembleia Geral da OMS, com previs&atilde;o de publica&ccedil;&atilde;o para 2017.<\/p>\n<p>Um argumento favor&aacute;vel &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das categorias F66 &eacute; a prote&ccedil;&atilde;o que elas oferecem a indiv&iacute;duos de pa&iacute;ses que punem, com legisla&ccedil;&atilde;o criminal, rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas do mesmo sexo, inclusive com pena de morte. Por essa l&oacute;gica, a doen&ccedil;a os isentaria da execu&ccedil;&atilde;o. No entanto, o estudo do grupo n&atilde;o conseguiu identificar o uso desse tipo de defesa. A realidade de cada pa&iacute;s &eacute; um desafio dif&iacute;cil de conciliar na proposta de revis&atilde;o da CID, cuja aprecia&ccedil;&atilde;o &eacute; feita em um f&oacute;rum global, com vis&otilde;es de mundo muito amplas e distintas. Apesar das dificuldades e dos aspectos tanto cient&iacute;ficos quanto pol&iacute;ticos, Alain Giami acredita que o grupo de revis&atilde;o apresenta uma postura relevante. &ldquo;Nossa recomenda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; oficial, &eacute; apenas um documento de trabalho. Mas penso que &eacute; um progresso, tendo em vista a possibilidade de se eliminar oficialmente uma linguagem estigmatizante&rdquo;, conclui Alain Giami, que atua como investigador convidado da C&aacute;tedra Francesa da UERJ, no Instituto de Medicina Social (IMS), at&eacute; o m&ecirc;s de dezembro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pese a no ser considerada enfermedad desde 1990, la homosexualidad permanece vinculada al lenguaje patologizante en la CIE-10. Alain Giami (INSERM, Francia), integrante del grupo de trabajo que revisa el texto y propone la eliminaci\u00f3n de dicho v\u00ednculo, reflexiona sobre las tensiones pol\u00edticas y cient\u00edficas al respecto. <i>(Texto en portugu\u00e9s)<\/i><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-clam"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.1.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Orientaci\u00f3n sexual en la CIE-11 - CLAM - ES<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/clam.org.br\/es\/noticias-clam\/orientacion-sexual-en-la-cie-11\/999\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Orientaci\u00f3n sexual en la CIE-11 - CLAM - ES\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Pese a no ser considerada enfermedad desde 1990, la homosexualidad permanece vinculada al lenguaje patologizante en la CIE-10. 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