No cenário global, as transformações das estratégias de prevenção ao HIV têm sido atravessadas pela despolitização e pela vertiginosa expansão de tecnologias biomédicas (ex. Tratamento como Prevenção (TcP), Profilaxia Pós Exposição sexual (PEP), Profilaxia Pré Exposição sexual (PrEP)). A Prevenção Combinada (PC) têm sido a abordagem predominante nos últimos quinze anos, que preconiza a articulação de intervenções biomédicas, estruturais e comportamentais. No Brasil, a comunicação pública da PC, têm sido alvo de investimentos fragmentados e com predomínio da linguagem biomédica conforme analisado em pesquisas anteriores. A investigação parte da hipótese de que a divulgação e circulação das informações sobre prevenção se inscreve numa uma gramática biomédica e neoliberal, vocalizada por distintos atores, que atuam a partir de perspectivas e linguagens heterogêneas. A pesquisa pretende compreender as visões e estratégias de atores da sociedade civil (ONGs, ativistas, redes comunitárias) envolvidos na elaboração de ações de comunicação da PC no estado do Rio de Janeiro e as especificidades sociais e históricas em que estas vêm sendo produzidas. O estudo visa consolidar pesquisas relativas aos processos de mudança nos modelos de prevenção à Aids no Brasil e indagar possíveis formas de ressexualização e repolitização do enfrentamento à epidemia. A pesquisa também almeja identificar de que forma a sociedade civil compreende e gera ações de comunicação que perpassam temas relacionados à sexualidade, direitos sexuais e diversidade, os quais vem sendo alvo de controvérsias e disputas morais.
Integrante/ coordenadora: Professora Claudia Mora (CLAM/IMS/UERJ).
A professora Claudia Mora (CLAM/IMS/UERJ) também participa da pesquisa “Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para prevenção ao HIV na América do Sul: etnografia das experiências de acesso, uso e gestão”. Resumo:
O uso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) é uma estratégia reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fundamental no controle à epidemia de HIV/aids, dentro da abordagem da prevenção combinada. O objetivo geral é compreender as experiências de acesso, uso e gestão de PrEP para prevenção ao HIV em países da América do Sul. De modo mais específico, busca-se: compreender as motivações, dificuldades e facilidades no acesso; compreender os modos de uso; compreender os conhecimentos, percepções e práticas de gestão de profissionais da saúde; analisar os impactos da profilaxia nas vivências da sexualidade; comparar as experiências entre diferentes regiões e grupos sociais; analisar o modo pelo qual marcadores sociais da diferença operam nos processos de acesso, uso e gestão. Esta é uma pesquisa qualitativa com abordagem etnográfica em saúde, a ser realizada por meio de três técnicas de coleta de dados: levantamento de documentos, observação participante e entrevistas semiestruturadas. Essa triangulação metodológica tem como objetivo investigar in loco dois grupos de agentes: pessoas maiores de 18 anos que fazem uso da PrEP e são HIV negativas, e profissionais de saúde envolvidos na prescrição e gestão de PrEP. O projeto tem três fases: revisão da literatura e levantamento de políticas públicas; pesquisa de campo com entrevistas semiestruturadas e observação participante; análise de conteúdo temática dos dados. Essa pesquisa está sendo conduzida em diferentes cidades das cinco macrorregiões do Brasil, bem como em cidades do Paraguai, Bolívia e Argentina. Espera-se que os resultados preencham uma lacuna importante nos estudos qualitativos sobre PrEP e contribuam para uma abordagem mais humanizada da prevenção do HIV, tanto no contexto do Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS) quanto em outros países da América do Sul.
Coordenação geral: Kris Oliveira (Universidade de São Paulo) e André L. M. Neves (Universidade do Estado do Amazonas). Coordenação região sudeste Claudia Mora (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Financiamento: CNPq, Decit/SECTICS/MS e Dathi/SVSA/MS.