O artigo “Maternidades e violências: a criação de uma tecnologia social feminista”, publicado em 5 de maio de 2026 na coluna da Rede Transnacional de Pesquisas sobre Maternidades Destituídas, Violadas e Violentadas (REMA) no “Brasil de Fato”, apresenta o curso de extensão “Maternidades e violências: fortalecimento do direito à saúde e redes de acolhimento” como uma experiência de formação crítica, intersetorial e feminista. O texto é assinado por Laura Lowenkron(CLAM/IMS/UERJ e REMA), Lucía Eilbaum (Departamento de Antropologia e Programas de Pós-Graduação em Antropologia e em Justiça e Segurança da Universidade Federal Fluminense e REMA) e Natália Fazionni (Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz e REMA), e foi publicado na seção Blogosfera.
A publicação parte da experiência do curso para discutir como diferentes formas de violência atravessam o exercício da maternidade no Brasil, especialmente entre mulheres negras, pobres, moradoras de favelas e periferias, em situação de rua, migrantes e outros grupos submetidos a condições de vulnerabilidade. A partir dessa perspectiva, o artigo aproxima debates sobre direitos reprodutivos, justiça reprodutiva, violência obstétrica, destituição do poder familiar, violência de Estado, racismo e redes de acolhimento.
O curso de extensão online foi lançado em março de 2025 e é uma iniciativa da REMA em parceria com o Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM/IMS/UERJ). A formação conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) A coordenação é de Laura Lowenkron, Lucía Eilbaum e Natália Fazzioni.
Segundo a apresentação do curso, a proposta é fomentar um debate intersetorial e interinstitucional sobre maternidades e violências no Brasil, promovendo o fortalecimento do direito à saúde e das redes de acolhimento para mães cujas experiências foram atravessadas por diferentes formas de violação. O público-alvo inclui profissionais da saúde, da assistência social, do direito e outras pessoas interessadas na temática dos direitos reprodutivos, em diferentes níveis de formação.
O curso se organiza em torno de três eixos principais: maternidades destituídas, em casos de retirada de guarda e destituição do poder familiar; maternidades violentadas pela intervenção estatal em favelas e comunidades pobres, especialmente em situações envolvendo morte ou encarceramento de filhos; e maternidades violadas por iniquidades raciais na saúde reprodutiva, violência obstétrica e racismo no atendimento.
Ao chamar o curso de “tecnologia social feminista”, o artigo destaca seu caráter formativo e político. A proposta não se limita à transmissão vertical de conteúdos acadêmicos: busca construir um espaço de aprendizagem compartilhada, no qual universidade, movimentos sociais, profissionais de diferentes áreas, ativistas e mulheres diretamente afetadas por violações possam colocar em diálogo saberes acadêmicos, profissionais, populares e experiências vividas. Por isso, além das aulas, a formação inclui rodas de conversa, experiências etnográficas, saberes profissionais e relatos de vida, valorizando a escuta, a troca e a construção coletiva de respostas às violências que atingem mães e famílias.
A dimensão pública do curso também aparece nos números já alcançados. De acordo com notícia publicada pelo CLAM, a formação contava, até então, com 843 inscritos e cerca de 190 concluintes, reunindo participantes de diferentes regiões do país e áreas de atuação, como enfermagem, direito, psicologia e serviço social.
Outro aspecto ressaltado pelas autoras é a possibilidade de replicação da metodologia em outros contextos. Embora tenha sido concebido inicialmente a partir de uma experiência situada no Rio de Janeiro, o formato online ampliou o alcance da iniciativa e permitiu a participação de pessoas de diferentes regiões do país. Ao combinar aulas, rodas de conversa e articulação entre pesquisa, extensão e redes de acolhimento, o curso se apresenta como uma experiência aberta, capaz de inspirar novas formações e ações coletivas em outros territórios.
*Esta notícia se baseia no artigo “Maternidades e violências: a criação de uma tecnologia social feminista”, de autoria de Laura Lowenkron, Lucía Eilbaum e Natália Fazzioni, publicado em 5 de maio de 2026 na coluna da Rede Transnacional de Pesquisas sobre Maternidades Destituídas, Violadas e Violentadas (REMA) no Brasil de Fato.
Ficha da publicação
Título: Maternidades e violências: a criação de uma tecnologia social feminista
Autoria: Laura Lowenkron, Lucía Eilbaum e Natália Fazionni
Veículo: Brasil de Fato
Coluna: REMA
Seção: Blogosfera
Data: 5 de maio de 2026
Horário: 8h50
Editor: José Alfredo Carvalho
Número/edição: não informado na publicação online
Curso abordado: Maternidades e violências: fortalecimento do direito à saúde e redes de acolhimento