Já está disponível na Antropolítica – Revista Contemporânea de Antropologia o dossiê Políticas da reprodução em perspectiva latino-americana: diálogos entre Brasil, Argentina e Uruguai, organizado por Laura Lowenkron, Camila Fernandes e Marjorie Murray.
Na apresentação do dossiê as autoras situam a reprodução como um campo atravessado por disputas políticas, morais e raciais de longa duração. O texto articula os conceitos de políticas da reprodução, governança reprodutiva e justiça reprodutiva para discutir como diferentes regimes sociais, institucionais e políticos definem quem deve ou não nascer e sob quais expectativas de futuro.
O dossiê reúne contribuições que atravessam diferentes contextos latino-americanos e dão densidade empírica aos debates contemporâneos sobre reprodução. Em conjunto, os artigos promovem um diálogo entre Brasil, Argentina e Uruguai, evidenciando como desigualdades de gênero, classe, cuidado e território atravessam as políticas da reprodução na América Latina.
Alem da apresentação, assinada pelas organizadoras, seis artigos compõem o dossiê:
“Políticas de Povoamento-Colonização-Reprodução: a ‘brancura’, a ‘infância’ e o ‘feminino’ na gestão da Amazônia do futuro”, de Telma de Sousa Bemerguy; “Não quero (mais) ter mais filhos: a maternidade em crise é afinal uma consequência da pandemia?”, de Rosamaria Giatti Carneiro; “Depois da morte materna: interpretações de profissionais da vigilância epidemiológica sobre os óbitos e as reconfigurações familiares em Pernambuco”, de Raquel Lustosa; “Avós que criam: relações de cuidado intergeracionais em favelas cariocas”, Natalia Helou Fazzioni; “Agencia de madres jóvenes y gobernanza reproductiva: una mirada desde barrios populares de Buenos Aires”, de Guada Fernández Chein; “Las madres son nuestro puerto seguro”: género, pobreza y moralidades en políticas sociales de acompañamiento en Uruguay, de Francesca Repetto Iribarne.
Publicada pela Antropolítica, periódico científico do PPGA/UFF, a edição reforça a relevância de abordagens antropológicas capazes de conectar reprodução, maternidade, cuidado, Estado e moralidades em chave comparativa. Trata-se de uma contribuição importante para pesquisadoras e pesquisadores interessados em gênero, parentesco, políticas públicas, saúde e desigualdades na América Latina.
Acesse aqui o dossiê na íntegra*.
*Notícia escrita a partir da apresentação do dossiê “Políticas da reprodução em perspectiva latino-americana: diálogos entre Brasil, Argentina e Uruguai., de autoria de Laura Lowenkron, Camila Fernandes e Marjorie Murray.

Sobre a imagem de capa: “ a imagem intitula-se “Arpillera” e é de autoria de Aída Moreno Reyes. A arpillera foi criada em 2023 no contexto da comemoração do 50º aniversário do golpe de Estado no Chile. Ela retrata o grupo Tejiendo Redes (Tecendo Redes), que representa uma nova geração de arpilleristas da Casa de la Mujer (Centro de Mulheres) em Huamachuco. A Casa de la Mujer em Huamachuco é uma organização autônoma fundada por mulheres moradoras do bairro de Renca, ao norte de Santiago, cuja história está intimamente ligada ao trabalho coletivo, à formação, ao cuidado e à autonomia das mulheres trabalhadoras, mantendo uma presença ativa nessas áreas até hoje. Segundo explicam as organizadoras do dossiê, a escolha desta arpillera como imagem para o dossiê ressoa com os temas centrais desta coletânea, reinserindo uma genealogia do trabalho coletivo feminino no contexto atual das políticas reprodutivas. A obra retrata a reprodução social como uma prática viva, material e simbólica por meio da qual as mulheres trabalhadoras produzem cuidado, autonomia e um futuro em contextos de precariedade. Nesse sentido, a imagem não funciona apenas como uma ilustração, mas como uma forma de pensamento visual que condensa uma das ideias centrais do dossiê: a de que a reprodução da vida é sempre um terreno político onde dignidades, memórias e horizontes possíveis são disputados.” Texto extraído da apresentação do dossiê “Políticas da reprodução em perspectiva latino-americana: diálogos entre Brasil, Argentina e Uruguai., de autoria de Laura Lowenkron, Camila Fernandes e Marjorie Murray.