CLAM – Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos

Boletim Interno – Agosto 2026

Artigos publicados em periódicos científicos

MOTTA, C.; MAKSUD, I.; MORA, C. Uso de métodos biomédicos de prevenção ao HIV entre mulheres cis e trans: um ensaio a partir da PrEP. Áltera Revista de Antropologia, v. 21, p. 1-28, 2026.

Resumo: A profilaxia pré-exposição (PrEP) é um método de prevenção biomédico disponível no SUS que consiste no uso oral de antirretrovirais para reduzir o risco de transmissão do HIV. Atualmente, seu uso não é restrito às “populações-chave”, podendo ser indicada para pessoas a partir de 15 anos, com peso igual ou superior a 35 kg e em contexto de vulnerabilidade à infecção. Ao longo dos anos, documentos normativos incluíram homens que fazem sexo com homens, casais sorodiscordantes, pessoas trans, travestis e profissionais do sexo nessas classificações. Considerando essas variabilidades, este ensaio bibliográfico busca compreender e problematizar como mulheres cisgênero e transgênero têm conhecido, acessado e utilizado esse método de prevenção. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica com artigos qualitativos nacionais e internacionais, além de dissertações e teses brasileiras. A produção disponível evidencia que a baixa ou nenhuma utilização da PrEP por mulheres cis está relacionada a fatores como baixo risco percebido de HIV, desconhecimento do status sorológico do parceiro, violência por parceiro, falta de informação e acesso, além de fatores estruturais como racismo e opressão de gênero. As mulheres trans enfrentam desafios de acesso, principalmente ligados ao estigma e à discriminação. Observamos ainda sub-representação desse grupo na produção científica em comparação aos homens. Consideramos que marcadores sociais como raça, classe, geração, gênero e sexualidade influenciam o conhecimento, acesso e uso da PrEP, tanto para mulheres cis quanto trans.

Link de acesso: https://periodicos.ufpb.br/index.php/altera/article/view/76692

VIEIRA, Juliana Rodrigues; NUCCI, Marina Fisher; AZIZE, Rogério Lopes. Generar, gestar, trasplantar: percepciones de mujeres con síndrome de Rokitansky sobre el trasplante uterino y la maternidad. RUNA – Archivo para las Ciencias del Hombre, v. 47, n. 2, p. 13-32, 2026.

Resumo: Partindo do fenômeno do transplante uterino no Brasil, uma tecnologia médico-científica destinada a possibilitar a gestação em mulheres cisgênero nascidas sem útero, refletimos sobre como esse órgão se constitui como um marcador simbólico dos regimes de gênero. O principal grupo destinatário do transplante uterino é composto por mulheres com síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), caracterizada pela ausência ou malformação do útero. Nesse contexto, o transplante emerge como um horizonte tecnocientífico de esperança que promete responder à impossibilidade da gestação, até então considerada insuperável. Analisamos as percepções sobre o transplante uterino e os significados atribuídos ao útero, à feminilidade e à reprodução. Sustentamos que o útero opera como um marcador simbólico e moral da feminilidade, articulando concepções biomédicas e religiosas sobre a maternidade. Embora o transplante reforce ideais de gestar no próprio corpo e determinadas normas de gênero, as interlocutoras também evidenciam resistências e expectativas alternativas ao reivindicarem outras formas de maternar (ou de não fazê-lo), ampliando, assim, os sentidos políticos e corporais de ser mulher e/ou mãe.

Link de acesso: https://revistascientificas.filo.uba.ar/index.php/runa/article/view/17653

AMARAL ARÉVALO. Metáforas del prejuicio. Orientación sexual e identidad de género en la música popular centroamericana. El Lugar Sin Límites. Revista de Estudios y Políticas de Género, v. 8, n. 14, 2026. Dossiê Historicidades y sexopolíticas lesbians. Archivos, memorias y afectos en los activismos y experiencias lésbicas en América Latina

Resumo: Realizou-se um estudo exploratório, por meio de uma cartografia transnacional, para analisar as representações e os imaginários sobre pessoas LGBTIQA+ na produção musical centro-americana. O corpus selecionado abrangeu 40 produtos musicais produzidos entre 1961 e 2025. Os imaginários sociais sobre orientação sexual — arraigados na cisheteronormatividade — retratavam a transexualidade como um “destino manifesto” para homens gays; descreviam a rejeição parental na infância ou adolescência decorrente do não atendimento às expectativas de gênero; apresentavam o “sexílio” como uma resposta; e, por fim, estabeleciam a “necorrepresentação” como um regime narrativo que naturalizava a solidão e o homicídio como desfechos moralmente merecidos para dissidentes sexuais e de gênero. A partir da década de 2010, vozes LGBTIQA+ afirmaram sua presença nas produções musicais, mobilizando discursos de direitos humanos, dignidade, perspectivas feministas e laços comunitários, ao mesmo tempo em que revelavam abertamente o objeto de desejo — reposicionando, assim, a sexualidade como um ato de cidadania, e não como um desvio. Esse conteúdo politicamente assertivo desafia os mecanismos de discriminação, censura e homofobia inerentes à cisheteronormatividade, transformando a precariedade em persistência política e concebendo o prazer como um direito; afirmando que corpos dissidentes não são problemas a serem corrigidos, mas sim cidadanias sexuais viviveis, dignas de celebração e defesa.

Link de acesso: https://revistas.untref.edu.ar/index.php/ellugar/article/view/2843

NUCCI, Marina; RUSSO, Jane. “Meu peito, minhas regras?”: a controvérsia do desmame entre consultoras de amamentação. Sexualidad, Salud y Sociedad, n. 42, p. 1-22, 2026.

Resumo: A amamentação é peça central no imaginário do que constitui uma “boa mãe”, tendo sido fundamental na construção do “mito do amor materno”. Neste artigo, analisamos concepções sobre gênero e maternidade, a partir da atuação de consultoras de amamentação, profissionais que orientam pessoas com dificuldade para amamentar. Nosso material é composto por entrevistas, pela observação de um curso de formação de consultoras e por postagens em redes sociais. Nosso objetivo é discutir tensões entre diferentes perspectivas sobre gênero, maternidade e amamentação, ao analisamos um tema considerado especialmente polêmico entre elas: o desmame, momento em que a amamentação chega ao fim. A partir de controvérsias sobre tempo e modo ideal de desmame, e se ele deve ou não fazer parte do escopo das consultoras, investigamos como se expressam diferentes perspectivas sobre maternidade e feminismos.

Link de acesso: https://www.scielo.br/j/sess/a/SjDfc5JwsZfSM96g5RnjRKH/?lang=pt

LOPES, Luis Phillipe Nagem; BRANDÃO, Elaine Reis. “¿Electroconvulsoterapia?! ¿Qué año es hoy?”: Temporalidades, economías morales de la anticipación y ruinas de las políticas de salud mental en Brasil. RUNA. Archivo para las Ciencias del Hombre, v. 47, n. 2, 2026.


Resumo: Este artigo examina as controvérsias que marcaram a, em 2021, do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro Autista, do Ministério da Saúde do Brasil. A menção à eletroconvulsoterapia, tecnologia historicamente vinculada à violência psiquiátrica, desencadeou forte reação da sociedade civil, expondo disputas sobre a legitimidade científica das recomendações oficiais. Em uma pesquisa etnográfica de documentos, analisamos as versões do protocolo e o estatuto instável das evidências, bem como a contestação da autoridade de certos espe-cialistas. A partir da noção de antecipação de futuros indesejáveis, identificamos raízes neoliberais na fragilização das políticas de saúde mental. Apesar da ampla participação social, as contribuições foram frequentemente deslocadas para o campo da “incompreensão”, “paixão” ou “erro interpretativo”, configurando injustiça epistêmica. Os resultados revelam limites dos mecanismos de participação pública na coprodução de protocolos clínicos, pela assimetria de poder na validação de conhecimentos de especialistas e da sociedade civil.


Link de acesso: https://revistascientificas.filo.uba.ar/index.php/runa/article/view/17691

Informes CLAM

Eletivas 2º semestre de 2026

Já estão disponíveis as disciplinas eletivas oferecidas por docentes do CLAM para o 2º semestre de 2026. As informações sobre as disciplinas, prazos e docentes podem ser consultadas no site e no perfil do CLAM no Instagram.

Livro organizado por professora do IMS/UERJ é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026

O livro Justiça reprodutiva: desafios interseccionais na saúde coletiva, organizado por Laura Lowenkron (IMS/UERJ), Elaine Reis Brandão (UFRJ) e Rosamaria Giatti Carneiro (UnB), é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social.

Mais informações e aquisição da obra: https://fiocruz.br/livro/justica-reprodutiva-desafios-interseccionais-na-saude-coletiva

Podcast “Maternidades Ameaçadas” recebe o 1º lugar no III Prêmio de Divulgação Científica da 35ª RBA

O podcast Maternidades Ameaçadas foi contemplado com o 1º lugar no III Prêmio de Divulgação Científica, concedido durante a 35ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). A produção reúne episódios sobre maternidades e direitos reprodutivos, construídos em diálogo com pesquisadoras, parceiras e interlocutoras do projeto.

Acesse o podcast: https://open.spotify.com/show/1Z2VontRTwQ3IUKqNB5OXf?si=NJIdFguLTLujhxMWQ0nrqg&utm_source=copy-link

Caso queira publicizar publicações científicas, eventos acadêmicos e atividades de divulgação científica do mês de setembro de 2026 entre a comunidade interna do CLAM nos avise através do e-mail clam@ims.uerj.br

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