CLAM – Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos

Boletim Interno – Setembro 2026

https://novosdebates.abant.org.br/revista/index.php/novosdebates/issue/view/21Artigos publicados em periódicos científicos

HIRSCH, Olivia Nogueira; NUCCI, Marina Fischer. De que “ajuda” elas não estão falando? Sobre a (falta de) anestesia para parto “normal” no sistema público de saúde no Brasil. Novos Debates – Fórum de Debates em Antropologia, v. 12, n. 1, 2026.

Resumo:  Apesar da ampla disseminação da anestesia, no que se refere ao parto esse recurso ainda não é igualmente acessível às mulheres. Enquanto que aquelas provenientes de camadas médias, majoritariamente brancas e que dão à luz em maternidades privadas, têm acesso a essa tecnologia e algumas vezes até almejam abrir mão dela em prol de um parto “natural”, apenas 1% das mulheres de camadas populares, em sua maioria pretas e pardas, que deram à luz em maternidades do SUS no estado do Rio de Janeiro tiveram acesso à anestesia peridural, segundo dados recentemente divulgados pela pesquisa “Nascer no Brasil 2”. Além disso, muitas dessas mulheres sequer sabem da existência desse recurso para amenizar as dores do parto. Para este artigo realizamos um levantamento de legislações e reportagens que saíram na imprensa abordando o tema, além de revisitar o material da pesquisa de Doutorado da primeira autora, realizada em uma Casa de Parto. Ao analisar tais materiais, nosso objetivo foi refletir sobre o impacto da ausência da anestesia na experiência de parturição de mulheres que, possivelmente, a desejariam. Por fim, argumentamos como o movimento pelo parto humanizado, em sua polissemia, parece encarar o recurso anestésico com ressalvas, seja como uma intervenção medicalizante que deve ser evitada, ou como algo que privaria a parturiente de seu protagonismo no parto. E, com isso, não incorpora essa pauta ao debate mais amplo sobre violência obstétrica, que ganhou grande visibilidade nos últimos anos. 

Link de acesso: https://doi.org/10.48006/2358-0097/V12N1.E121021

DA MOSTO, Delia; SOLATERRAR, Ueslei. Peer-led harm reduction in Brazil: gender-based violence, intersectionality, and decolonial perspectives of community-based care. Harm Reduction Journal, 2026.

Resumo: A violência baseada em gênero e o uso de substâncias estão estreitamente relacionados nas experiências de mulheres trans e travestis. No entanto, abordagens predominantes de redução de danos raramente tratam dessas questões de forma articulada ou dão centralidade às práticas comunitárias que surgem em resposta a elas. O artigo se baseia em duas pesquisas etnográficas multissituadas realizadas no Brasil entre 2018 e 2023. Os resultados mostram que a violência baseada em gênero atravessa famílias, escolas, serviços de saúde, mercados de trabalho e espaços de trabalho sexual, produzindo trajetórias cumulativas de exclusão marcadas pelo racismo, pela cisnormatividade e pela desigualdade de classe. O uso de substâncias aparece relacionado ao trauma, ao sofrimento social e às condições de trabalho no mercado sexual, inserindo-se em uma economia de sobrevivência e não podendo ser reduzido a uma patologia individual. Apesar dessas exclusões estruturais, as participantes desenvolvem práticas situadas de redução de danos, como ações conduzidas por pares, redes informais de conhecimento, cuidado coletivo e proteção mútua. O estudo propõe uma concepção interseccional, decolonial e politicamente situada da redução de danos, reconhecendo mulheres trans e travestis não apenas como populações expostas a danos, mas também como produtoras de cuidado, conhecimento e reivindicações políticas. 

Link de acesso:  https://doi.org/10.1186/s12954-026-01499-7 

Debate publicado em periódico científico

A Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, de 2026, publicou um conjunto de textos em formato de debate em torno do artigo de Claudia Mora “Transformações nas campanhas preventivas do HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia”. O conjunto reúne o texto inicial da autora, três contribuições ao debate e sua resposta final.

MORA, Claudia. Transformações nas campanhas preventivas do HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, 2026.

Resumo: O início de mais uma década de uma epidemia ainda distante de controle no cenário global decorre de uma progressiva normalização de seus discursos e representações midiáticas. A proposta de discussão em torno das campanhas preventivas na década mais recente no Brasil pretende estimular reflexões de índole social, política e programática. Observamos uma série de deslocamentos das linguagens, bem como apagamentos de distintas ordens, as quais têm como pano de fundo a implementação de políticas internacionais pautadas na dispensação de medicamentos antirretrovirais, quais sejam: testar e tratar, Tratamento como Prevenção e Prevenção Combinada (especialmente as profilaxias pré- e pós-exposição [PrEP e PEP] e o controle das ISTs). O silenciamento de corpos e identidades não heteronormativos, e o predomínio de uma linguagem abstrata e esquemática nas mensagens oficiais de prevenção, entre 2010 e 2020, cristalizaram a dessexualização da resposta à epidemia. Esses apagamentos também dizem respeito à censura de campanhas nas quais prostitutas e jovens gays protagonizavam as cenas de peças comunicacionais produzidas pelo governo federal. Em suma, o debate pretende contribuir para a compreensão das reconfigurações da agenda político-acadêmica da Aids no Brasil nas quais se articulam a neoliberalização, remedicalização e acirramento dos conservadorismos. 

SANTOS, Adriana Kelly. Normalizar a comunicação sobre o HIV/Aids para biomedicalizar a prevenção: “Vamos combinar”?. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, 2026.

VALLE, Carlos Guilherme Octaviano do. Debatendo “Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia”, de Claudia Mora. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, 2026.

EDMUNDO, Katia. Réplica ao artigo “Transformações nas campanhas preventivas HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia”. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, 2026.

MORA, Claudia. Direito à comunicação e direitos sexuais: possíveis convergências para pensar uma ressexualização e repolitização da resposta à Aids. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 36, n. 2, 2026.

Link de acesso ao conjunto do debate: Physis, v. 36, n. 2 (2026)

Divulgação científica 

O artigo supracitado “Peer-led harm reduction in Brazil: gender-based violence, intersectionality, and decolonial perspectives of community-based care”, de Delia Da Mosto e Ueslei Solaterrar, foi tema do programa “Drop-In: Harm Reduction Chats”, transmitido pela Moss Radio, em Nova York, no dia 30 de julho de 2026. Conduzida por DJ Croak, DJ 2Tall e DJ 5’3, a discussão abordou, a partir do artigo, questões relacionadas à redução de danos conduzida por pares, à redução de vulnerabilidades interseccionais e às perspectivas de cuidado centradas no trauma e no enfrentamento às opressões. 

Link para a gravação: https://freight.cargo.site/m/W3060282678159247418857970115030/rec073026_1.mp3

Informes CLAM

O CLAM participará do evento organizado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva que acontecerá em Manaus (AM), o 10° Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde! Confira as oficinas, cursos, mesas redondas e apresentações de integrantes do Centro. O evento acontecerá de 16 a 19 de setembro de 2026.

ATIVIDADES PRÉ-CONGRESSO:

Acontecerão no período de 15 e 16 de setembro de 2026, e estão distribuídas em turnos – manhã e/ou tarde.

CURSOS:

A inscrição será realizada até o dia 04/09/2026.

Após essa data, não será mais possível realizar a inscrição.

MAIS INFORMAÇÕES:

https://www.cshs.org.br/cursos/index.php#top

Confira nas nossas redes sociais a agenda completa de participação do CLAM no Congresso da ABRASCO: https://www.instagram.com/p/Dc05iBvkZWN/?igsi=MTU5aTBtNGtlOGF6cA==

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